
Em setembro de 2000 li uma pequena nota na coluna Informe JB do Ancelmo Góes sobre a previsão da Fundação Cacique Cobra Coral de muita chuva para janeiro num período próximo ao Rock in Rio que retornava à Cidade do Rock num projeto aguardado por muitos anos. Eu era diretora de comunicação do festival, nunca tinha ouvido falar na Fundação, e pedi a Ju (Juliana Braga) que era da equipe para localizar o endereço e enviei um email.
Passaram alguns meses, eu já tinha esquecido o assunto quando em dezembro chegou resposta da fundação que se apresentava como uma entidade Científica Esotérica especializada em fenômenos climáticos, comandada pelo Cacique Cobra Coral, espírito que em outras encarnações teria sido Galileu Galilei e Abraham Lincoln. Podia parecer uma doideira, mas levei o assunto a sério. Por telefone conversei longamente com Osmar Santos, representante da Fundação, que confirmou ser possível evitar chuvas ou transferi-las para outras regiões com a força do vento através do trabalho espiritual do Cacique Cobra Coral.
Estávamos em dezembro e chovia no Rio. Em um projeto do tamanho do Rock in Rio a chuva era uma grande ameaça. Como Roberto Medina me conhecia há muito tempo, sabia que tinha espaço para falar qualquer coisa, mesmo um assunto insólito como esse. Entrei nas sua sala certa da privacidade e descarreguei estas informações. Quem sabe contratar o Cacique Cobra Coral para não chover?
Ele pode não ter acreditado, mas como sempre elegante e aberto para ouvir as opiniões da equipe, respeitou a minha preocupação e ficou de pensar no assunto.
O século 20 terminou na Cidade Maravilhosa debaixo de muita chuva. Na segunda-feira 8 de janeiro todos os serviços de meteorologia anunciavam tempo ruim para a semana, incluindo dia 12, sexta-feira, abertura do festival esperado há 10 anos. E foi neste dia 8 que choveu muito, um grande teste para a capacidade de água na Cidade do Rock. Os técnicos e engenheiros justificaram como ótimo para se precaverem, mas na minha cabeça era o prenúncio de mais um festival na lama. Foi quando Roberto me chamou em sua sala dando carta branca para contratar a Fundação Cacique Cobra Coral. Pediu sigilo, tanto na mídia quanto na equipe.
A proposta oferecida pelo Cacique era que a força do vento levasse a chuva para regiões de seca. Se chegou em algum lugar de seca, não sei, mas a partir daí só quem tem fé pode acreditar no que aconteceu. Na sexta-feira e sábado choveu em vários pontos do Rio de Janeiro, inclusive nas proximidades da Cidade do Rock, mas lá dentro nenhuma gota. Na abertura do festival, no momento dos 3 minutos de silêncio pela paz no mundo, até apareceu um tímido sol em meio nuvens cinzentas, fato registrado em diversas fotos. O assunto não foi divulgado, podia virar a piada e em nada acrescentaria ao sucesso do evento… Mas alguns meses depois com o sucesso do festival, o assunto transpirou e muitos produtores passaram a contratar a Fundação Cacique Cobra Coral para garantir um bom tempo em seus eventos ao ar livre.
Incrivel história!! Fatos que marcam !!!! Parabéns Lea!