Entre cupins, colmeias e canções…

“As aparências enganam”, música de Sérgio Natureza e Tunai, não sai da minha cabeça desde que precisei cortar uma árvore.
O tronco largo crescia inclinado sobre um chalé e, no topo, havia uma casa de cupim. Um amigo que entende do assunto recomendou retirar, pois poderia cair no telhado.

Chamei o rapaz da serra elétrica. Ele prendeu cordas em outras árvores para reduzir o impacto das quedas e, quando chegou ao alto, descobriu que a casa dos cupins estava vazia. Em compensação, ao ligar a serra percebeu que a árvore estava oca. Mas não abandonada.

Dentro dela havia uma enorme colmeia. Abelhas pequenas, sem ferrão, produziam um mel levemente cítrico. O trabalho era engenhoso: favos com estruturas hexagonais de cera, feitos pelas abelhas operárias. Como pequenas gavetas, servem para armazenar mel, pólen e também para que a rainha deposite os ovos, que se transformarão na nova geração.

Consultei Jean e Carlos, da Fazenda Arimugue, que têm grande experiência em meliponário (colmeias de abelhas sem ferrão) e apiário (colmeias de abelhas Apis). Eles recomendaram deixar os troncos próximos de onde estava a árvore. Assim, quem sabe, as abelhas continuam por lá até dezembro, quando eles voltam de viagem e poderão transferi-las para uma casinha.

Todo dia a gente aprende alguma coisa. E, mudando a trilha sonora, lembro outra canção: “Vivendo e aprendendo a jogar”, de Guilherme Arantes, eternizada na voz de Elis Regina.

“Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar”

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