
O último Globo Repórter mostrando Nova York trouxe, em determinada cena, a repórter Candice Carvalho apresentando ao recém-chegado correspondente Nilson Klava, enquanto velejavam pelo rio Hudson, um outro ângulo de Manhattan. Me tocou.
Por alguns momentos, me transportei para aquele lugar — exatamente como nesta foto, em uma das tantas travessias que fiz para Staten Island, um dos cinco distritos da cidade, de onde se tem essa vista privilegiada e ainda a icônica Estátua da Liberdade.
Fui morar em Staten Island em janeiro de 1982, quando entrei em uma escola de inglês para estrangeiros que funcionava no Wagner College. Era inverno, muita neve. Eu morava em um alojamento, dividindo o quarto com uma coreana, mas tinha amigos do Afeganistão, Itália, Grécia, México, Polônia, Venezuela e até um que fugiu a pé do Irã.
Eu me senti dentro do mapa-múndi, numa verdadeira torre de Babel: todos precisando se entender em um novo idioma. Nos fins de semana, eu voltava para a casa de um amigo em Manhattan, numa barca muito parecida com a que faz o transporte Rio–Niterói.
Ao ver a cena na TV e me rever na foto, percebi o quanto eu era frágil diante da Big Apple e não sei de onde tirei forças para encarar o desafio.
Ninguém me mandou abandonar tudo e ir morar em Nova York, mas um trecho de uma música na voz de Milton Nascimento foi o gatilho:
“vou me encontrar, longe do meu lugar, eu caçador de mim”.
Ah, como foi bom ter coragem e o desejo de me descobrir aos 30 anos! Hoje a vida flui bem mais leve…