Sem prazo de validade

Na beira do rio enfeitado com bandeirinhas, o forró comendo solto no alto falante, os jovens dançando quadrilha, uma amiga paulista que tem casa na vila confessa a tristeza de não ter realizado o sonho de ser bailarina.  Quase chegando a casa dos 50 percebe que dançar na ponta do pé tinha prazo de validade. O assunto surgiu por conta do filho que tirou um tempo para viver uma experiência que os pais sabiam que não tinha futuro.  Deixaram que ele descobrisse por si que viver nessa vila de pescadores para um jovem formado, bem nascido e criado, fazia parte de uma rebeldia passageira. Alguns anos para amadurecer e voltar pra civilização com experiência em passeios por trilhas selvagens, conhecimento das marés e sobrevivência em área de grande diversidade social. No futuro ele não ira lastimar a falta de vivência do sonho como a mãe.
Refletindo sobre a conversa de ontem, aproveitando o pouco de sol e mar, percebo que meus sonhos não tem prazo de validade. Tudo o que desejo ainda esta em tempo. Faço uma pequena lista : escrever um livro, ler sem óculos, aprender a cozinhar algo inesquecível para os paladares mais apurados; acabar uma colcha de crochê, andar mais vezes de bicicleta, emagrecer 10 quilos. Saber escrever para teatro, começando por um monólogo; morar “ad eternum” em Sto Andre; ter uma vespa ou outro tipo de veículo de 2 rodas para ir ate a balsa, arrumar todas as gavetas e pastas com documentos, ver mais vezes o dia acabar com as andorinhas correndo no céu como se fosse um monte de papel queimado solto no vento. Decorar as letras de “Ne me quittes pás” e “Non, je ne regrette rien” com francês perfeito. Aos 70 bordar e escrever muito… Costurar e cansar de tanto blogar… Depois dos 80 reler alguns livros como “100 anos de solidão” (será que não vou me enrolar com tantos personagens?) e toda coleção do Monteiro Lobato. Talvez possa contar historias para crianças que não tenham Ipad.  Inspirada na bela Edoarda Casadei que se foi com bem mais de 80, ir a praia com o sol nascendo e tomar banho de mar só de calcinha sem causar espanto.
Tudo é possível quando os desejos não envelhecem. Podem ser simples e eternos como conseguir doações de amigos para fazer uma quadrilha na festa junina e agradecer a Ju Braga, Jorge Roberto Martins, Ana Veronica Mautner, Eleonora Santa Rosa, Andréa Pitta e Nel, amigos meus e da vila que atenderam ao pedido… A foto da Cláudia Schembri mostra a alegria antes de começar a quadrilha…

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Uma resposta para “Sem prazo de validade

  1. Crônica gostosa, Léa
    Vivam os sonhos…e a falta de validade…

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