Saudades de Portugal

Na Serra da Arrabida !

Talvez o frio dos últimos dias em São Paulo, a madrugada de sexta-feira chegando aos 6 graus, me deu uma saudade danada de Portugal… A proximidade com o Tejo e o mar, fazem com que haja tanto vendo nas esquinas de Lisboa que dá vontade de ficar na ponta do pé, pegar impulso e sair voando apreciando a paisagem do alto… Morei quase um ano na cidade que quando cheguei achava que era velha como os meus avós, mas em pouco tempo conheci sua modernidade e frescor, mesmo andando por ruas estreitas com casarios antigos iguais ao interior de Minas. Afinal a arquitetura veio de lá…

Não pensei que fosse gostar tanto de Portugal. Tive a oportunidade de visitar 25 universidades em todo o país falando sobre o projeto Rock in Rio-Lisboa. Eu e Nuno viajávamos de carro pelas mais lindas estradas contando “causos”. Duas vezes na Universidade de Coimbra – a 2ª. mais antiga do mundo -, em Aveiros onde tem os famosos doces de ovos moles e ruas que são rias, ou seja, rios…Braga, Porto, Beja, Batalha, Setubal, onde conheci a Serra da Arrabida o lugar mais lindo de Portugal, e o país a fora… Não tenho CDs me acompanhando em viagens, nem mesmo no apartamento paulista. Tenho um pen drive onde salvo os meus textos e onde “salvei” as minhas melhores lembranças em forma de músicas. Selecionei estas músicas num fim de semana de muito frio em Lisboa. Fui fazendo download sem critério. Coloquei o que soava bem aos meus ouvidos, o que me trazia a lembrança da experiência de viver nesta cidade de cultura tão próxima e ao mesmo tempo tão distante. No arquivo que intitulei “Marilea in Concert”, compartilhando com minha querida amiga Mariangela Sedrez que também morava por lá naqueles tempos, tem de tudo. Do rock dos ótimos Xutos e Pontapés, a fados com Amalia Rodrigues, Maria da Fé, Dulce Pontes e Marisa, as canções românticas de Rui Veloso (o maior cantor português!), Luiz Represas, Pedro Abrunhosa e João Pedro Pais, e a maravilha do Madre Deus e seu incrível Rodrigo Leão de quem fiz um dos seus cds como meu disco de cabeceira…

Os tempos em Lisboa foram de uma vivência profunda. Hoje ouvindo Portugal neste “solinho” de inverno paulista, remexendo em uns textos daquele tempo, encontrei este que segue abaixo. Gosto de lembrar o que vida me deu de bom.. Thanks God !

Quinta-feira, Novembro 13, 2003

Morri. Foi o que pensei ao olhar pela janela esta manhã e ver que estava cercada de nuvens. Estiquei o pescoço e vi que o estacionamento e a pequena quadra de futebol na entrada do edifício haviam desaparecido. O Parque Bela Vista foi junto, assim como a linha de trem. Do alto do 15º andar eu estava nas nuvens. Será que quando a gente morre leva junto o cenário onde estava pela última vez? Será que estou no céu? Mas morri de que ? Parada cardíaca ? Ao menos não doeu…Fui até a janela da sala, depois na cozinha e a cidade inteira havia sumido… O Tejo, a ponte Vasco da Gama, os conjuntos residenciais, era tudo uma névoa só. Fiquei um bom tempo apreciando aquele nada e tomando consciência de que continuava viva em Lisboa. Menos mal… Depois das 8 da manhã o cenário foi abrindo, esboçou um solzinho, mas a temperatura vai ficar entre 13 e 18graus…
Este aprendizado de inverno europeu é interessante. É preciso entender o organismo e adaptá-lo para uma convivência pacífica. Um surto de gripe tem rolado na equipe, passando de um para outro há alguns meses… Neste último mês acompanhei a minha gripe, depois a do Daniel, a da Agatha no fim de semana e ontem o Roberto (Medina) caiu mais uma vez… Nós do lado de baixo do equador somos despreparados para o inverno… Não percebemos que dentro de casa está tudo quentinho com o aquecimento central e na hora de ir para rua damos mole. Aí vem um ventinho qualquer e catapow ! Lá vamos arder em febre… Às vezes vejo na rua turista com aquela cara de leste europeu. Pele muito branca, bochechas rosadas, vestindo bermudas e camiseta. Chego a tremer de frio com a cena. Mas tenho pensado que quanto mais a gente se protege, mais fica vulnerável a ataques de todos os tipos. É a defesa que chega antes mesmo do ataque, gerando um círculo vicioso. Se eu me defendo, sou atacado. Mas se me despojar de todas as defesas serei forte. Pois ninguém caminha pelo mundo em uma armadura sem que o terror esteja golpeando-lhe o coração. Vale isso não só para o frio, mas para a vida. Este despojar do medo faz com que se consiga realizar sonhos. Roberto tem mostrado que esse é o caminho. Lembro que no Rock I, no meio da maior correria, perguntei a ele se não tinha medo e respondeu que alguém precisava manter a calma. Este não medir obstáculos é que faz com que as dificuldades sejam superadas. Roberto não se arma não se protege nem ataca. Ele simplesmente acredita no seu sonho e conviver com uma pessoa assim é estar aprendendo a cada dia.  

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3 Respostas para “Saudades de Portugal

  1. Léa como vc está parecida com a tia Yayá nessa foto! Saudades! Beijos

  2. frio, léa, muito frio.
    as fotos (são como cartas) não mentem jamaisi- que charme, hein!

  3. Muito bom ler seu blog.Uma leitura agradável que demonstra uma mulher feliz e em paz. Mas vc poderia falar sobre Deus e sua fé?

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