Presente da Lilly

Jpeg

Chegou um panetone. Presente que a Lilly mandou de SP pelas mãos gentis da Ana e do Augusto que todos anos veraneiam em Vila de Santo André. Abri o pacote de veludo e enfeite dourado para saborear a iguaria com café e ao mesmo tempo uma gavetinha da minha história também se abriu. Ah! como a memória gosta de sair para dar umas voltas e se fazer lembrada.

Era 1991, pós Rock in Rio no Maracanã, uma amiga convidou para assistir a palestra de um médico brasileiro que morara nos Estados Unidos e chegava com a novidade de um curso que ia mudar meu jeito de encarar a vida, desfazer traumas, aprender a ser mais inteligente e maximizar o uso do meu cérebro. Não perderia essa novidade por nada neste mundo e no dia marcado lá estava eu no salão de um hotel em Copacabana, num grupo de quase 100 curiosos, onde se destacavam estrelas globais, donas de casa, esotéricos, filósofos, psicólogos, estudantes, aposentados, médicos, e por aí vai…

Professor, palestrante de primeira linha, deixou a plateia boquiaberta. As possibilidades que ele mostrava para compreensão das pegadinhas que se cria na mente e como superar eram fascinantes. Desfazer trauma era ali, em 5 minutos. Era melhor do que os tantos anos que fiz de análise. Trouxe meu filho para o assunto, fizemos outros tantos cursos surgindo assim uma amizade com Lair Ribeiro. Certa vez em uma passagem pelo Rio de Janeiro saímos para caminhar na praia e ele me revelou que estava escrevendo um livro que ia vender mais de 100 mil cópias. Achei um delírio! Eu tinha alguns clientes na área editorial, pensava conhecer o mercado e não quis ser a “estraga prazer”, mas achava que era sonhar demais.

Ledo engano. “O Sucesso Não Ocorre Por Acaso” lançado em 1992 foi lido por mais de um milhão de pessoas e ficou meses entre os mais vendidos. Por este motivo jornais e revistas que classificavam os livros em Ficção e Não Ficção criaram o segmento Autoajuda. Como já  ouvi o Lair dizer, livro de geografia também pode ser considerado autoajuda pois o ajuda a conhecer um assunto sem professor. Era mais cômodo pegar a denominação utilizada nos Estados Unidos para os manuais onde as pessoas resolviam seus problemas sem terapeutas, bem no estilo “do it yourself – faça você mesmo” que os americanos adoram. Rotularam sem querer entender o conteúdo científico em como usar o cérebro de uma maneira eficaz. Não é ovo de Colombo, publicações do gênero são centenárias, o homem sempre quis saber como se desenvolve o pensamento. E morando nos Estados Unidos ele foi estudando e buscando conhecimento em programação neurolinguística, aprendizado acelerado, gestalt e uma terapia corporal chamada Three-in-one, criando os cursos de onde vieram vários livros.

Lair virou estrela na mídia, acho que foi o único entrevistado que não deixou o Jô falar. E como em nosso país ser bem-sucedido é crime, com a grande exposição não demorou a surgirem comentários deselegantes à sua literatura e duvidosos às técnicas que utiliza. Para mim nada mudou. Estou acostumada a ter amigos alvos de polêmica. Tinha menos de 20 anos quando participei de movimentos de esquerda e pouco depois trabalhava com Flávio Cavalcanti que diziam apoiar a ditadura. Aprendi que os cães ladram, a caravana passa e o que importa é a ética e a fidelidade aos amigos.

Não vejo Lair há alguns anos. Sei que além de cardiologista fez uma formação como nutrólogo – não confundir com nutricionista – e segundo alguns amigos que atuam na área médica, ele é o médico deste tempo. Seu olhar sempre esteve voltado para o novo homem e hoje além da mente, se preocupa também com os alimentos, hormônios, desenvolvimentos frente a longevidade com qualidade. Criou um curso de Pós-graduação em Nutriendocrinologia Funcional com módulos sobre teorias do envelhecimento e metodologia científica, gerenciamento de estresse, função das proteínas, carboidratos e gorduras, doenças degenerativas, manutenção de fluídos corporais, envelhecimento cutâneo e rugas faciais, e por aí vai num mundo novo. Começou com 30 alunos, atualmente são mais de 400. Os livros vão muito bem, umas 3 dúzias, alguns esgotados, distribuídos por todo o mundo. …

Lembrei de tudo isso pois chegou um panetone que a Lilly, mulher do Lair, mandou e foi saboreando com café em torno da mesa, conversando com a Ana, o Augusto e o Bernardo vieram essas memórias de carinho e respeito pelos amigos.

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Uma resposta para “Presente da Lilly

  1. Oi Lea!!!!
    O que tinha nesse panetone pra vc dar uma viajada dessa!!!!! hahahahahah
    Adorei ler essas suas lembranças e saber que temos um lugar nesse imenso coração ….
    Beijos pra vc e para o casal Biocibernético…. rsrsrsrsr

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