
A minha mãe tinha uma agenda que abria todos os dias para ver quem eram os aniversariantes. Era sempre a primeira a telefonar desejando parabéns. Não apenas para os familiares, mas também para os amigos dos filhos, amigos dos amigos, todos que, de alguma forma, tivessem passado por seu caminho.
Quando alguém morria, ela não apagava o nome. Apenas acrescentava uma cruz ao lado e, ao longo do dia, lembrava daquele amigo que partiu.
Seguindo a mamãe, também tive uma agenda… até a chegada do Facebook, que ampliou o número de amigos e passou a avisar sobre os aniversariantes do dia.
Nos últimos tempos, porém, tenho tido um cuidado diferente quando vejo o nome de alguém que não aparece mais nas redes sociais. Será que ainda está por aqui? Procuro na página, observo as postagens… Recentemente, diante do silêncio de uma amiga, entrei em contato com o filho que mora do outro lado do mundo. Ela estava bem, apenas cansada das redes sociais. E me telefonou, feliz, com a preocupação e ficamos horas conversando.
As redes sociais aumentaram o número de “amigos”, ou melhor, de seguidores. A maioria conheço apenas digitalmente. Não tenho uma história em comum, não conheço a voz, nem sei o que a levou a me seguir. Agradeço o interesse, mas sigo apenas quem, em algum momento, cruzou a minha vida.
E, com isso, fomos perdendo o hábito de cultivar amizades à distância através de uma carta ou de um telefonema.
Hoje, vi o aniversário de um amigo. Como não o encontrava há algum tempo, fui procurar notícias… e encontrei o convite para a missa de sétimo dia, no ano passado, com a mesma foto do perfil. Aquele sorriso sempre aberto. Era um homem à frente de grandes eventos corporativos, sempre de bem com a vida… Não sei a causa da partida. E já não importa, ficou uma reflexão.
Creio que está na hora de retomar a agenda de aniversários e fazer como fazia Dona Yayá: telefonar aos amigos de tempos em tempos. Mesmo sem motivo. Só para dizer alô.