Arquivo da categoria: Memórias

Por onde eu passei

…um beijo da Bahia

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Ontem pela manhã ao ler a crônica do Artur Xexéo as lágrimas salgaram o meu café com leite. Fui engolindo o choro e o pão, numa tristeza profunda com o meu Rio de Janeiro. Hoje a cena se repetiu ao ler sobre a morte do Franco Paulino.  Choro com saudades de um Rio e de pessoas que não verei mais. Choro com saudades de mim, do tempo em que descobri o mundo ao sair da Tijuca para encontrar em um anuncio de jornal um emprego de recepcionista na MPM na Av. Presidente Vargas. Foi ali que a vida se revelou. Na imensidão de informações com a qual eu era bombardeada todos os dias. Eu querida saber tudo, ver tudo, entender tudo, mesmo que o começo fosse em uma pequena mesa de recepção. Foi lá que conheci Franco Paulino que me apresentou a Capinam, o poeta compositor que também era redator de publicidade. Foi através dele que fiquei próxima de Genaro Mendes de Moraes, Luiz Duboc, Oswaldo Sargentelli Filho, os seus meninos da criação da MPM… Foi neste tempo que o Leblon ficou mais perto com os fins de semana passados na casa da Marisa e do Claudio Kuck; foi quando aprendi a admirar as fotos do Zeca Araujo; a dançar de me acabar nas noites na Estudantina e na Banda Portugal; de conhecer Anibal Machado e devorar apaixonadamente “Cadernos de João”; de assistir ao musical “Hair” e ver todo mundo nu em cena. Tudo isso era mais que uma montanha russa cheia de loopings na cabeça de uma garota de 19 anos que queria ser psicóloga e no meio do caminho descobriu a publicidade. Foi uma dose muito forte de liberdade. Choro por sentir que nada mais do que possa acontecer em minha vida chegará próximo daquele sentimento de deslumbramento frente a um mundo novo. Fui feliz e sabia… Saudades Franco, saudades Rio de Janeiro… Mando um beijo da Bahia…

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Comunicação

Telefone de baquelite década de 40 - 1

Do nada ele morreu. Nada indicava que teria um fim súbito na noite de segunda-feira. Ainda esperei algumas horas, sem resultado.  Tentei colocar o chip num aparelho reserva, mas foi rejeitado. Foram quase 24 horas sem celular onde me vi em desespero, refém da tecnologia. Enquanto atravessava a balsa, rumo a Porto Seguro em busca de entendimento sobre o acontecido, fui lembrando que na minha historia nem sempre a comunicação foi fácil. Quando criança, morando em São Paulo, não tínhamos telefone. Se a notícia fosse urgente, apelava-se para recados na casa do vizinho ou no escritório do papai durante a semana. Mas nada era muito urgente, o mundo tinha mais tempo. Não lembro como, eu devia ter uns 7 anos quando papai comprou um telefone. Era um aparelho preto de baquelite que ganhou lugar de destaque. Foi instalado em uma estante embaixo da escada, ao lado de uma poltrona onde ficávamos horas esperando a telefonista completar a ligação interurbana para o Rio quando avisávamos das viagens de férias ou buscávamos notícias da vovó.

Quando mudamos para o Rio fomos para uma casa sem telefone. Era muito caro. Usávamos o do bar na esquina ou as vizinhas Maura e Da. Nanci davam recados. Morávamos na Tijuca em uma rua sem saída que no final tinha uma cascata e uma escadaria que dava acesso ao Morro da Formiga. A maioria dos moradores do morro preferia utilizar a rua paralela por onde os carros seguiam até o ponto mais alto, já os que tinham casas próximas a escada, subiam pela rua da minha casa. Assim, além dos vizinhos moradores, tínhamos os vizinhos passantes. O sapateiro, o senhor que consertava os cabos de panela, a senhora que lavava roupa, o eletricista e encanador, e neste sobe desce na rua arborizada fizemos muitos amigos. Certo dia um dos passantes parou para tomar folego na frente de casa e encontrou papai no portão. Puxou conversa e desabafou sobre o aborrecimento de ter um telefone. O seu número era o único no morro e estava cansado de chamar pessoas, anotar recados, principalmente de madrugada quando ligavam do hospital ou da delegacia. Estava arrependido de ter comprado e naquela madrugada ficou tão zangado que cortou o fio e colocou o aparelho na gaveta. Era o que faltava para papai fazer uma oferta e comprar o numero em prestações. Durante alguns meses recebemos chamados em horas improprias e tínhamos que repetir a ladainha que o telefone não estava mais no morro. Aos poucos os telefonemas para os moradores da escadaria foram rareando e o 586827, apesar de ter mudado de prefixo ao longo da vida, nos acompanhou enquanto houve papai e mamãe.

Naquele tempo não havia tanta pressa nas noticias, mas vivendo da comunicação me viciei em saber tudo o que acontece no mundo. Do tiroteio na Rocinha ao terremoto no México. Da bomba em Londres, às loucuras na Corea, aos fugitivos de Miamar, os escândalos em Brasilia tudo está na minha mira. Alguns temas mais profundamente, outros superficialmente… Conheço pessoas que estão se afastando do noticiário. Algumas já nem vêem mais os jornais na TV nem tão pouco na internet. Vivem num outro mundo, o que aqui neste povoado na Bahia se torna fácil.  Eu não conseguiria viver apenas com as noticias locais. Sou irremediavelmente viciada nas informações em grande escala. Como não saber o que rola neste planeta ?

Com isso é possível entender o meu pânico quando o smartphone sem qualquer aviso morreu. E hoje, minha alegria ao ser avisada pelo técnico que ele vai se salvar. Como viver sem ele ? Na verdade já eramos um só.

A visita

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Estava entretida costurando bandeirinhas para enfeitar o verão quando o celular avisou que tinha mensagem. Era uma amiga que não vejo há séculos, está de férias em Arraial e com dia chuvoso saiu de carro sem destino. Chegou em Cabrália, pegou a balsa e no meio da travessia mandou o whatsapp “se você estiver de bobeira passo aí para dar um beijo”. Sempre estou de bobeira para receber beijo e, enquanto enviava as informações de como chegar até minha casa e prendia os cães, lembrei do seu irmão, um grande amor que passou no meu caminho e foi embora muito cedo… Um amor que durou pouco, mas nem por isso foi raso. Um dos homens mais brilhantes que conheci, com senso de humor refinado, jeito de intelectual desprotegido, ideias aos borbotões, grande figura. Certa noite, no final de um jantar,  ele confessou estar com a vida confusa demais para entrar num relacionamento mais sério. Dei o maior vexame ao chorar na mesa do restaurante. Como eu ia perder alguém tão legal ?

Ah! o amor, “o ridículo da vida” como escreveu Herivelto Martins, fez desmoronar uma mulher que chegava aos 40 anos, com muitas experiências e ainda com sonhos de ter um bom companheiro… Ficaram as boas memórias, o  livro de fotos do Salvador Salgado que ganhei no aniversário, a trilha sonora no CD da Bethânia cantando Roberto Carlos que ouvimos muito e um par de brincos de lápis-lazuli comprados no Chile.  Não fui ao Chile com ele, mas comprei quando lá estive, pensando que iria de gostar de ver nas minhas orelhas.

Tudo isso passou na minha cabeça “como se fosse um filme”, diria o Faustão, em menos de 10 minutos, tempo de a balsa chegar em Santo André e ela tocar a campainha do portão. Entrou pelo jardim tão linda, a maturidade está lhe fazendo bem, acompanhada de um casal de amigos. Dia chuvoso, muitas árvores no jardim, sinto que a casa fica triste, mas se alegrou com as visitas. Sentamos na varanda e, como sempre, conto a minha saga de 13 anos longe da “civilização” e o quanto faço e produzo, que meus dias nunca são iguais e nem monótonos. Nas entrelinhas sempre estou dizendo “fiquem tranquilos, estou feliz nesta reencadernação“. Trocamos pensamentos de vida, fui mostrar o mar, puderam perceber como tudo pode ser mais lindo com o sol e, meia hora depois, já nas despedidas, me perguntam se não sentia solidão. Devem ter achado que o tempo cinza, temperatura mais fria, morando sozinha com dois cães pudesse bater uma vontade de ir embora.

Mas cada dia tenho mais certeza que não poderia estar em lugar melhor para ver meus cabelos embranquecerem. Encaro sem subterfúgios os prazeres e as mazelas que aparecem…. Posso ser o que quero, bem boazinha e bem mazinha, é só escolher em que sintonia vou navegar…. Tenho uma casa que me permite o privilégio de receber amigos o ano inteiro. Conversas que entram e saem, como as que virão no início de outubro, quando cinco pessoas que não se conhecem, mas circulam nas mesmas áreas, vão se tornar amigas aqui…. Tenho certeza…. Nada combinado, tudo por conta do universo que sabe o quanto eu gosto de juntar pessoas e dá uma mãozinha.  E aí rolam altos papos, um bom peixe na mesa grande do jardim e a alegria do momento. Depois os visitantes partem,  mais alguns dias ficam silenciosos, até que chegam outros amigos, novos assuntos…

Estou conectada 24 horas para atender um cliente de são paulo que pode nem precisar de mim em um dia, mas quando chama estou tão perto como se fosse na mesa ao lado no seu escritório… Nas horas de folga me entretenho com costuras, leio o que aparece no papel e jornais na tela do Ipad, sem compromisso faço clipping de assuntos que podem interessar aos amigos, invento projetos, sou cidadã aonde moro, estudo redes sociais, refaço o site de turismo da vila, me alongo no pilates, ando na praia, assisto novelas e, sinceramente, não tenho tempo para pensar em solidão. Como postou no facebook minha prima Livia Garcia-Roza “A solidão pode ser cheia de encantos para certas pessoas. Me incluo entre elas.”

 

As duas amigas

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Tenho uma amiga que está desistindo de viver e outra que está lutando para continuar viva. Uma entrou em depressão temperando alcoolismo com medicamentos de tarja preta. A outra descobriu por acaso um câncer quando estava no meio de um belo projeto. Apesar de nunca terem se encontrado, são da mesma geração, estão chegando aos 70. Ambas percorreram o movimento libertador da mulher nos anos 60, aderiram à pílula, tiveram atitudes fortes, lutaram por seus direitos, emocionalmente nem sempre fizeram escolhas sensatas, mas construíram uma bela trajetória. Sem religião, seita ou crença passam por esta turbulência na fragilidade da matéria.

Temo a depressão e o câncer, mas temo muito mais a falta de fé. Acompanho a distância os dois casos, envio boas energias, pensamentos positivos, Ave Maria, Pai Nosso e Salve Rainha, torço pela superação e desejo que encontrem algum alento para acalmar a angustia que deve dar cambalhotas no silencio das duvidas. Não sei como superaria qualquer uma dessas situações sem um santinho do lado, uma meditação, um terço, uma energização…. Nestas horas lembro uma conversa com minha mãe. Estávamos tomando café na pequena mesa da cozinha e, nos seus quase 80 anos, ela comentava sem mágoa ou dor, apenas relatava a certeza da velhice, o sentimento de que o tempo estava mais escasso e via o final de forma patética: “acaba como uma formiguinha que esmagamos com a unha, não existe mais nada”.

Insisti :

E a coleção de imagens de santos e anjo expostas na prateleira do quarto, o Coração de Jesus na mesinha de cabeceira, servem para quê ?  

Ela não soube responder. Como sempre pediu que rezasse por ela…

É o que tenho feito, por ela, pelas amigas e por todos… Livrai-nos da falta de alguma fé.

O primeiro namorado

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Na casa dos meus pais havia regras e, entre elas, as meninas só podiam usar salto alto e namorar depois dos 15 anos. A minha irmã mais velha estava casada quando atingi a idade permitida…Não sei como foram para ela essas proibições. Apesar de ter ficado de olho em alguns garotos e usado sapatos com micro saltos, segui as ordens e só quando debutei com festa em casa, desci as escadas para dançar a valsa me equilibrando num salto enorme e fiquei atenta aos possíveis namorados.  Não queria um rapaz que morasse na mesma rua ou fosse do clube, nem tão pouco amigo dos meus irmãos. Tinha que ser alguém especial, novo no pedaço, praticamente um príncipe encantado. E aquele que viria ser o primeiro namorado apareceu alguns meses depois na saída da missa da Igreja Nossa Senhora da Conceição, na Tijuca. As missas no fim da tarde de domingo eram concorridas.  As famílias sentavam nas primeiras filas, na sequencia vinham as moças com os namorados, depois as desimpedidas e os rapazes ficavam em pé quase na porta. Na saída havia uma confraternização e rolavam as paqueras no sobe e desce da larga escada de pedra.

Foi nesta situação que vi e me interessei por um rapaz vestindo camisa com listras finas, calça lewis e sapato mocassim do Mottinha. Só quem foi jovem tijucano nos anos 60 pode avaliar o que era chic e blasée vestir calça lewis e mocassim do Motinha.  Ele estava com a turma de uma rua distante uns 5 quarteirões da minha casa, mas eu nunca o tinha visto. Não era de uma beleza estonteante, mas tinha charme, um jeito intelectual por conta dos óculos, falava manso e um sorriso sincero. Ficamos só no olhar. A semana passou eu esperando pela missa, preparando o figurino, imaginando como seria conversar com ele…. No outro domingo nos vimos de novo e na saída um dos amigos nos apresentou. Fomos andando juntos conversando nada de concreto, aquele papo meio sem graça, e na esquina de casa ele pediu o número do meu telefone. Ao longo da semana o telefone em casa foi só meu, tendo que enfrentar enormes brigas com os irmãos que também namoravam. Passei horas pendurada até saber tudo sobre a vida dele, contar a minha e concluirmos que devíamos tentar o namoro. Na sexta-feira às 8 da noite lá estava ele no portão da minha casa e, paralelo aos borbotões de paixão, coração pulando e cara de tola, fui aprendendo que havia um mundo maior do que a minha família, os amigos do colégio, do clube e da rua. Havia a família e os amigos do namorado. Uma outra cultura que às vezes era tão diferente daquela que eu aprendera em casa. Nem melhor nem pior, apenas uma outra forma. E viver estas outras experiencias era fascinante.

Alexandre – Luiz Alexandre Gonçalves e Silva – tinha 18 anos, estudara no Colégio Militar e fazia cursinho para a faculdade de arquitetura. A família era de Natal, RN. O pai era general reformado, a mãe muito delicada, fofa e elegante, e ainda tinha uma irmã que era quase noiva de um estudante de engenharia. Apesar do pai militar e estarmos em tempos de ditadura, com Alexandre assisti três vezes ao show Opinião, tendo o privilégio de ver as interpretações de Nara Leão, Suzana de Moraes e Maria Bethânia. Vivemos as aventuras de assistir aos primórdios das corridas de carro que aconteciam nas ruas da distante Barra da Tijuca. Íamos ao cinema, comíamos hot dog e tomávamos milk-shake no Bob’s, namorávamos na varanda da sua casa e no portão da minha.  Sempre tínhamos muito assunto… Almoços, jantares, pequenas viagens em família. Mais anos 60 impossível.

No meu primeiro Dia dos Namorados ganhei uma linda e delicada bolsa de veludo vermelho, uma espécie de carteira, muito moderna naqueles tempos, que veio embrulhada com papel brilhante e o selo da Sloper! Eramos bem felizes mas um dia o namoro acabou. Acho que ele disse que precisava se concentrar para o vestibular… Parece que chorei, mas o fato é que ficamos amigos pra sempre e nos encontramos em vários momentos. Sempre sabíamos um do outro. Alexandre foi morar no Leblon, se tornou um respeitado arquiteto e não casou. Eu já estava separada do primeiro casamento quando jantamos pela última vez… Tomamos uma garrafa de vinho e rimos muito. Lembramos a turma da Tijuca, contamos as nossas experiências da maturidade, das delicias de morar na zona sul e não precisar ir à praia de carro… A Tijuca era apenas uma doce lembrança, e era muito bom reviver estas historias com ele.  Alguns meses depois recebi um telefonema avisando sobre a morte do Alexandre. Não acreditei. Tudo muito rápido, um vírus estranho e fatal. Fui ao Cemitério São João Batista abraçar a família e me despedir do amigo. Muito jovem, tudo muito triste… Com ele iam as doces memórias de descobertas sobre romance, confiança, amizade, companheirismo, carinho, respeito e amor. Hoje ao ver tantas notícias sobre o dia dos namorados me peguei pensando na gratidão que tenho por ele ter sido o primeiro, pois se tornou referência para todos os que vieram. Tinham que ter charme, um jeito intelectual, falar manso e um sorriso sincero, como Alexandre.

A pasta verde

 

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Com dois meses de antecedência a agenda foi marcada para 5 de junho às 15hs. Cheguei meia hora antes. Missa se espera na igreja. Na sala, com ar condicionado congelando, procurei um local menos frio e me acomodei com a pasta verde na mão.  Os pensamentos acompanharam os minutos passando no relógio digital, pulando de mantras à orações e lembranças. Na hora certa ouvi meu nome e sobrenome como na chamada de presença escolar. Sentei à frente do guichê 3, abri a pasta verde e depositei com cuidado as preciosidades: duas carteiras de trabalho e comprovantes. A minha vida profissional estava ali para análise da aposentadoria. Silenciosamente, durante 1h30, a profissional em frente ao computador foi conferindo os dados. O olhar corria das informações na carteira à tela do monitor. Ia e voltava nas páginas, conferindo cada detalhe. Gostaria de saber o que dizia a tela. Com certeza não importava o que fiz, aprendi e vivi em cada empresa, só valia o tempo.

Não se importou com a primeira assinatura : MPM Propaganda. Nem quanto representou na minha trajetória ter aprendido a datilografar enquanto era recepcionista, acomodada num pequeno cubículo, olhando por uma janelinha voltada para o corredor do elevador, apertando o botão da porta automática para cada visitante. Foi vendo entrar e sair a fina flor da publicidade carioca dos anos 60 que me apaixonei por publicidade e marketing. Conheci grandes profissionais. Curiosa, às vezes fugia do meu posto e ia ver como criavam comerciais e anúncios. Reencontrei nas redes sociais alguns amigos daquele tempo, como Sargentelli, Franco Paulino, Genaro Mendes de Moraes, Capinam (sim, o poeta e compositor!!) que me trazem o frescor do tempo em que saía da Tijuca para descobrir o mundo. E por falar em mundo por onde andará Luiz Duboc que me deu o livro “Cadernos de João”, de Aníbal Machado, guardado há anos!

Lendo de cabeça prá baixo vi que a moça virou a página e surgiu a Editora Abril. Ficava do outro lado da Av.Presidente Vargas, quase em frente da MPM. Foi lá que, contratada por Jairo Carneiro, gerente de publicidade das revistas técnicas, aprendi a ser secretária. Tinha até uma datilógrafa !! Organizar reuniões, arquivos, preparar malote, atender anunciantes. Tudo lá. Mas a vida foi correndo… Auto Modelo revendedora de automóveis, mas não era a minha praia… Depois a TV Continental com Eli Halfoun já “namorando” o jornalismo e xeretando os programas de TV auxiliando creio que o primeiro talk show apresentado por Fernando Lobo e Haroldo Costa. Foi quando Moyses Fuks me convidou para ser repórter na Bloch Editores. E eu lá sou repórter? E a faculdade de psicologia? E os estudos de publicidade na ABP? Mas fiz a escolha que não me arrependo. Misturei tudo e deu no que deu. Da Bloch para o programa Flávio Cavalcanti foi um pulo… A TV Studio Produções realizava o programa de maior audiência aos domingos na tv brasileira. Foi lá que conheci o que é ser líder, formador de opinião, celebridade e ter um alto salário… Entendi sobre ônus e bônus, e a simplicidade com que Flávio convivia com tudo isso…  Licença maternidade, mais palco da TV Tupi, e depois novamente a Bloch para dirigir uma revista, ou melhor, duas… E de lá para Editora Abril – obrigada Edgard Catoira -; depois o jornal O Globo por 5 anos, viva Henrique Caban e Evandro Carlos de Andrade! Escrever todo dia era um grande desafio. Um prazer enorme entrevistar e no dia seguinte ter as palavrinhas publicadas. Muitas vezes com “chamada” de capa. Uma alegria desmistificar o jornalismo de TV e entretenimento, inserindo uma nova linha de temas perante uma equipe de intelectuais do Segundo Caderno do jornal. Ninguém assistia novelas nem programas de auditório e passaram a curtir as reportagens que eu trazia.

Durante um período no jornal, simultaneamente apresentei um quadro sobre artes no telejornal da TV Studio, primeira TV do Silvio Santos. Gravava uma vez por semana, achava que ninguém assistia. A TV Studio tinha que cumprir uma lei que determinava um número de horas com programação nacional, não apenas exibição de enlatados. E lá estava eu frente à câmera a convite de Moyses Weltman. De 15 minutos a meia hora para falar o quisesse, valia fazer entrevistas no estúdio…. Às vezes encontrava com amigos que diziam “dormi com você. Mudando os canais depois da meia noite vi o jornal na TV do Silvio…” Que vergonha… Mas eu fazia direitinho, com capricho e carinho…

Idas e vindas, muito mais alegrias do que decepções… Só fui demitida uma vez, num pedido que fiz ao jornal O Globo para liberar meu FGTS quando fui pra Nova York…. No retorno free lancer para O Globo e carteira assinada com crachá da TV Globo como pesquisadora de Caso Verdade. Quanta confiança do Régis Cardoso e depois do Reynaldo Boury! Em pouco tempo passei de pesquisadora à autora da novela de 5 capítulos exibida no final da tarde que contava uma história real… Mas o Canecão foi uma tentação ainda maior, saí da TV Globo e a carteira azul se fechou. Abri o escritório de assessoria de imprensa e as carteiras foram para o fundo da gaveta. Há pouco mais de 7 anos foram resgatadas pela DC Set Sports – obrigada Dody Sirena, Cicão Chies e Duflair Pires- e ganharam novas marcas por dois anos.

Casas, mudanças, casamentos, namoros, separações, filho crescendo, amigos, descobertas, conquistas, ganhos, perdas, tudo isso veio em cada página virada. Uma análise sem sofá nem psicanalista… Eu e meus botões frente a uma desconhecida.  No meio da viagem voltei à real quando a moça perguntou se queria acrescentar a conta do banco para receber a aposentadoria. Uau ! Vou ser aposentada! Demorei a tomar esta iniciativa, podia ter me aposentado há muito mais tempo, mas no fundo acho que temia fechar a vida profissional que amo tanto… Mas isso em nada muda… A profissional sou eu com ou sem carteira… Continuo com mais garra e paixão, estou mais animada e criativa do que nunca… Aprendendo novas linguagens e na ativa. Me aguardem…

Fátima

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Com Juliana Braga, num retorno à Fátima, embaixo de muita chuva, dia 31 de janeiro de 2004. A foto é da Denise Chaer.

Neste 13 de maio em que se celebra 100 anos da aparição de N.Sa.de Fatima aos pastorinhos, lembrei de 2003 quando fui morar em Lisboa integrando a equipe de produção daquele que, no ano seguinte, se tornaria o maior sucesso dos festivais de música em Portugal: o Rock in Rio-Lisboa. Fiquei imensamente feliz ao ser convidada a fazer parte do grupo que iria implantar este mega evento na Europa levando know how brasileiro.  Afinal aquele seria o meu 4º Rock. Mas as primeiras semanas na “terrinha” foram difíceis. A produção luso brasileira ainda se formava. Linguagens e culturas distintas. O escritório não estava pronto e improvisadamente ocupávamos uma suíte no 5 estrelas Hotel da Lapa. O apartamento que dividiria com outras brasileiras estava em fase de montagem, sem tv nem internet. Há muitos anos não sabia o que era compartilhar uma casa e me sentia sem chão. O assunto referente ao trabalho eu conhecia profundamente mas havia algo muito estranho naquele começo, eu era um peixe fora d´água. Estava quase arrependida de ter aceito a proposta, quando duas semanas após a chegada, num fim de semana, fui convidada a visitar Fátima. Com duas brasileiras peguei o ônibus e percorri pouco mais de 120km até chegar na cidade que respira turismo religioso. Todo o comercio vive do milagre das 3 crianças que tiveram a visão da Santa. Dos hotéis aos restaurantes, é só esse o tema. Chegamos ao Santuário e na pequena capela onde consta ter acontecido o milagre procurei um lugarzinho para fazer as minhas orações. Abri meu coração e travei uma conversa franca com N.Sa. de Fátima. Mesmo sem ter grande intimidade com a Santa, a não ser pela lembrança da infância quando, na escola das freiras, fazíamos procissão e cantávamos “A treze de maio na Cova da Iria no céu aparece a Virgem Maria…”, fui sincera. Coloquei as dúvidas e incertezas sobre o rumo que havia dado à minha vida, o compromisso de morar quase um ano em Portugal, o desafio em construir um projeto tão inovador num país desconhecido, o começo confuso e perguntei “o que estou fazendo aqui, o que tenho que aprender? ”.  Foi neste momento que o telefone, que eu retirara o som, se mexeu na bolsa encostada ao corpo. Olhei na tela e a chamada era da Roberta Medina. Atendi discretamente, ela perguntava se eu estava bem… O telefonema naquele momento serviu como resposta imediata à minha pergunta. Como se uma luz tivesse acendido na minha cabeça, dissipado qualquer dúvida, eliminado todos os problemas. Eu estava ali para fazer o meu trabalho de promover e trazer a memória do festival para outras terras. A família Medina confiava em meu trabalho e, como fiel seguidora do Don “Roberto” Quixote, iria às batalhas contra os moinhos de vento. Obrigada N.Sa. de Fátima por esse telefonema que sinalizou sua milagrosa presença e mudou meus pensamentos transformando minha estada em Portugal em uma experiência inesquecível.

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Os amigos de juventude sabem da relação que tive com a família Porto Carreiro desde 1966. Na simpática casa na Tijuca onde viviam Maria Ruth e Aluízio, com as filhas Regina e Angela, vi nascer um grupo de jovens que se tornou de grande importância para a MPB. O MAU – Movimento Artístico Universitário – revelou talentos como Aldir Blanc, Gonzaguinha, Ivan Lins, Célia Vaz, Cesar Costa Filho, Eduardo Lages, Lucinha Lins, Ruy Maurity, Sílvio da Silva Júnior, Marcio Proença e muitos outros.  Esta história foi relembrada por vários amigos, transformada em livro por Leila Affonso e Jorge Fernando dos Santos, e está no Catarse recebendo recursos para se tornar realidade. Hoje fui dar uma xeretada em quantas anda o crowdfunding e fiquei preocupada com a possibilidade da meta não ser atingida e o livro se transformar em apenas uma porção de memória guardada na gaveta. Convido os amigos a conhecerem o projeto no https://www.catarse.me/jaceguai27. É uma bela historia !

O texto abaixo escrevi em outubro de 2010 sobre o meu encontro com Angela que tanto mudou a minha vida. Gosto sempre de lembrar… Um orgulho ter convivido com esta família.

lea e angela

Aos 17 anos…

Conheci Ângela Maria da Cunha Porto Carreiro de Miranda, ou simplesmente Ângela, ou Jóca, no 1º ano do curso Clássico no Instituto Coração de Jesus, uma escola que à noite chamava-se Colégio Veiga de Almeida e ficava em frente ao Colégio Militar na Tijuca. No primeiro dia de aula descobrimos que nascêramos no mesmo dia e mês, com um ano de diferença, e isto bastava para selar uma amizade para sempre. Alguns dias depois fui à sua casa e conheci um contexto de família liberal, com o pai psiquiatra, Aluízio Porto Carrero e a mãe, Maria Ruth, dona de casa e costureira maravilhosa. Em 1966, na efervescência da ditadura o sobradinho na rua Jaceguai 27 na Tijuca onde moravam, era refúgio de talentosos contestadores que nos fins de semana se reuniam para tocar violão, bater papo, namorar e tomar cerveja. Era sensacional para uma adolescente descobrir aquele clima de protesto e conhecer um mundo politicamente diferente do que tinha aprendido em casa. Com Aluízio e Maria Ruth tudo era permitido. Fumar, ficar acordada até o dia amanhecer e sobretudo falar de política. Liberdade, liberdade! Aprendia-se muito ouvindo de Sinval Silva (compositor de preciosidades gravadas por Carmem Miranda) a Nelson Cavaquinho. Ali eu vi Jacó tocar o seu Bandolim, Milton Nascimento e Paulo Sérgio Valle, já despontando como compositores, e acompanhei os novos que surgiam como Gonzaguinha (namorando Ângela), Ivan Lins (namorando Lucinha), Aldir Blanc, César Costa Filho, Sílvio Silva, Rolando Farias, Paulo Emilio, mais um monte de gente de talento que veio a se firmar nos festivais universitários. Deste grupo surgiu o MAU – Movimento Artístico Universitário que ganhou o país com todos eles transformados em estrelas do programa Som Livre Exportação na Rede Globo .

Saímos da adolescência e entramos juntas na juventude. Ainda posso ouvir o violão do Aluízio e nossas vozes em pleno pulmão entoando Pixinguinha num “Carinhoso” suplicante “vem vem vem vem… vem sentir o calor dos lábios meus à procura dos seus….” Descobrimos juntas amores, dores de cotovelo e trocamos confidências… Lembro Ângela contando que havia se apaixonado por Gonzanguinha e com um jeito muito divertido dizia o quanto ele era magro, feinho e genial … Rimos muito, sempre, dessas e outras revelações íntimas que só na juventude se faz para as melhores amigas… Selamos uma amizade até 1991 quando Ângela aos 41 anos se cansou de respirar… Jamais esquecera seu grande amor, Gonzaguinha, e 6 meses depois de sua partida ela foi atrás … Em algum lugar no infinito deve estar rindo das nossas histórias, quem sabe cantando com sua voz pequena e suave, como naqueles sábados na Tijuca…

Sansão do Campo

sansão do campo

Neste outono, por muitas ruas onde passo, encontro floridas as cercas vivas de Sanção do Campo* . Parecem pequenos tufos de algodão, são de extrema delicadeza e quem não conhece é incapaz de perceber quantos espinhos tem os seus galhos. À primeira vista parece frágil como suas flores, mas seus galhos produzem espinhos semelhantes aos da roseira e funcionam como uma barreira contra invasores, contra a poeira das estradas e quebra o vento. A natureza sempre surpreende, assim como o homem…. Revelam espinhos onde pensávamos ser só carinho, revelam carinho onde pensávamos ser só espinhos.

Aprendi há algum tempo que ninguém é exatamente o que aparenta, sempre temos o que descobrir e desvendar…. Enquanto caminho reflito que o aprendizado pode estar em cada passo, e consigo perceber tudo isso pois estou aberta para o que a vida oferece…. Não é fácil passar dos 60. Como escreveu Rita Lee “envelhecer é uma loucura”…Penso que é o tempo mais difícil de uma existência. A infância corre fácil, tudo é novo. A adolescência por mais incomoda que seja passa rápido, já se chega à juventude com um mundo de tesão por descobertas, passasse dos 30 com desejos maiores de conquistas e solidez, aos 40 há um brilho de olhar a trajetória quase ganhando o mundo, aos 50 o orgulho da maturidade, aos 60 é divertido ser visto como prioridade apesar de se sentir ainda jovem, mas chegar aos 70 é um susto com o futuro.  O tempo está mais curto. Posso fazer planos para 10 ou 15 anos? Quanto ainda terei de lucidez e vida com qualidade? São muitas perguntas sem respostas.

Enquanto me alongo no Pilates percebo integralmente a matéria que sou. Sinto todo o corpo enquanto me movimento. Por mais que em determinados pontos a pele perdeu o tônus, os músculos estão fortes. Atingi uma abertura de pernas que em outras épocas faria enorme sucesso… Agora servem apenas para exercitar a elasticidade… E entendo que o caminho está em contemplar o cenário que se apresenta e buscar no corpo e na alma mais elasticidade, flexibilidade, harmonia, amor, fé e aceitação do que vem pela frente…Como o Sansão do Campo, mesmo que hajam espinhos vamos manter a beleza das pequenas flores…

 

* Sansão do Campo, também conhecido como Sabiá, o Sansão do Campo é uma espécie pioneira nativa da região nordeste do Brasil, sendo um arbusto de rápido crescimento que apresenta vantagens que o tornam ideal para a formação de cerca viva.  É uma planta perene que necessita de pouquíssima manutenção e, dependendo da situação, bastante rústica e resistente, dispensando inclusive as podas. Suas pequenas flores acrescentam valor ornamental à cerca viva, um outro diferencial em relação à outras espécies para a mesma finalidade, além de ser utilizada para restaurações e recomposições de áreas degradadas. Outra característica marcante do Sansão do Campo é a utilização de sua madeira, que é muito apropriada para usos externos, como mourões, estacas, esteios e lenha.  Nome Científico: Mimosa caesalpiniifolia (Leguminosae Mimosoideae)

Manera Frufru

manera frufru2   manera frufru

Programei Fagner no Deezer para ser a trilha enquanto ia cortando os tecidos que se transformarão em coelhinhos de Páscoa para distribuir às crianças e minha cabeça viajou! Senti perfumes, lembrei das roupas, dos sabores, da temperatura e dos locais aonde ao longo da vida ouvi Fagner. Ele é uma das minhas grandes memórias musicais, trilha sonora de longos anos…

Em 73 estava recém separada e ganhei o LP “Manera Frufru” que passou a morar no meu “3 em 1”. Para quem não teve um “3 em 1”, apresento o aparelho que surgiu no início da década de 70. Era bastante simples: tinha rádio AM e FM estéreo, toca discos, gravador cassete (“tape deck”) montados num único gabinete e um par de caixas acústicas independentes. Esta era a mais importante peça do mobiliário reduzido do meu primeiro apartamento de mulher separada com pouco mais de 20 anos e um filho de 9 meses. No apartamento ainda se “destacavam” uma mesa com 4 cadeiras, uma estante feita com tabuas que se equilibravam em tijolos, dois colchões de solteiro que simulavam um sofá repletos de almofadas. E claro que muitas plantas em algum canto para disfarçar o vazio. Foi uma experiência marcante. Medo da cama vazia, da responsabilidade de manter a “família”, ter que cuidar de alguém quando eu ainda precisava que cuidassem de mim. Lembro que alguns dias depois da mudança fui falar alguma coisa com o porteiro que perguntou quem era o meu marido. Disse sem qualquer constrangimento que não tinha marido, mas a partir daí percebi que ele me olhava com um certo ar de reprovação e por não ter um homem em casa mereceria menos respeito. Nunca levei a sério, mas até hoje me divirto ao imaginar como ele deve ter ficado com o cabelo em pé com o entre e sai de amigos e as tantas festas que rolavam ao som do velho e bom 3 em 1 principalmente quando se tocava Fagner. Quem conhece um bom compositor sabe que na receita da boa música tem uma parte que eu chamo de “exorcizar sentimentos”, quando se pode gritar com a certeza de que aquelas palavras correspondem ao seu desejo mais profundo. Por exemplo, em “Velas do Mucuripe” eu sempre delirava com o final que, além da poesia no jogo das palavras – “vida vento vela leva-me daqui” – naquele momento era o que eu mais desejava. Queria ir longe e acabei indo morar nos Estados Unidos…

Nas minhas andanças com Fagner, em 78 quase cortei os pulsos ouvindo “Jura Secreta”, composição de Suely Costa em parceria com Abel Silva, meu professor de português do cursinho vestibular. “Só uma palavra me devora, aquela que meu coração não diz…” repetia repetia repetia no 3 em 1… Incrível constatar que como antes dos 30 anos de idade eu era tão dramaticamente apaixonada! Ah, se eu soubesse o que viria aos 40, aos 50, talvez não tivesse me desesperado tanto… Mas com Fagner não tem outro jeito, há de se ser pateticamente visceral. Até hoje.

“Borbulhas de amor” –  Tenho um coração, dividido entre a esperança e a razão  – é a minha cara.  “Traduzir-se” musicada sob o poema de Florbela Espanca – Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida, meus olhos andam cegos de te ver – já fiquei rouca de tanto repetir e com  “Espumas ao vento” –  E de uma coisa fique certa, amor, a porta vai estar sempre aberta, amor, o meu olhar vai dar uma festa, amor, na hora que você chegar – é uma eterna realidade. Não sei quem espero, mas a porta está escancarada…

Fagner sempre faz uma revolução nos meus sentimentos. Traz saudades e tem a capacidade de tirar o mofo de paixões que jurava escondidas… Recentemente ele gravou “Paralelas”, do Belchior, e ao ouvir lembrei de uma das minhas grandes tragédias na cozinha. Era início dos anos 70, eu já era muito fraca com as panelas, mas a pedido de um amigo produtor musical que estava apresentando Fagner e Belchior ao mercado paulista, fiz um jantar. Era um grupo pequeno, consegui uma receita ótima de estrogonofe, escolhi um filet mignon de primeira, caprichei em uma boa dose de conhaque, mas boa vontade e bons produtos não significam bom resultado. O estrogonofe quando levado à mesa só não foi descartado pois os dois estavam famintos…. Não tinham vindo de pau de arara, mas era um tempo de vacas muito magras para eles que sonhavam com o sucesso e procuravam espaço para mostrar sua obra. Esta mesma obra que me fez companhia nesta tarde e me deu um enorme prazer de lembrar que naquela noite fui testemunha dos primeiros acordes, ideias, projetos…. Belas lembranças!

Em tempo : quem nunca ouviu o disco “Manera Frufru”, a razão desta viagem na memória, segue o set list :

  1. “Último Pau-de-Arara” (Venâncio / Corumba / J. Guimaraes)
  2. “Nasci Para Chorar” (Dion / Dimucci / versão: Erasmo Carlos)
  3. “Penas do Tiê” (Folclore/ adap. Raimundo Fagner)
  4. “Sina” (Raimundo Fagner / Ricardo Bezerra / Patativa do Assaré)
  5. “Mucuripe” (Raimundo Fagner / Belchior)
  6. “Como Se Fosse” (Raimundo Fagner / Capinan)
  7. “Pé de Sonhos” (Petrúcio Maia / Brandão)
  8. “Canteiros” (Raimundo Fagner/Cecília Meireles)
  9. “Moto 1” (Raimundo Fagner / Belchior)
  10. “Tambores” (Raimundo Fagner / Ronaldo Bastos)
  11. “Serenou na Madrugada” (Folclore / adap. Raimundo Fagner)
  12. “Manera Fru Fru, Manera” (Raimundo Fagner/R. Bezerra)