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A primeira vez…

Foto @claudia.schembri

E foi assim que certa manhã olhando no espelho de aumento percebi uma mancha pequena na lateral esquerda do nariz… Escura, com uma certa textura, quase escondida na dobrinha da narina, surgiu sem avisar… Um pequeno “milho” na testa, uns cravinhos ao lado dos olhos, uns pelos que surgem ao redor dos lábios que são retirados, todos esses elementos se integraram ao meu rosto há alguns anos e cuido na medida de seus desejos… Mas aquela manchinha com textura era novidade… Informalmente mostrei à uma querida moradora de Santo André, doutora com muitos títulos que socorre os amigos nos mais diversos assuntos da medicina, que olhou com atenção, não viu grande problema, mas sugeriu que procurasse um dermatologista sem muita pressa…

E foi assim que pela primeira vez apavorada com um câncer de pele fui a uma dermatologista. Afinal quem vive junto ao mar há quase 18 anos, nem sempre usando protetor solar, tudo seria possível. Mas ir a um profissional dessa área também me remete às histórias que ouço de amigas fazendo intervenções para minimizar as marcas do tempo, diminuir rugas, harmonizar a aparência, o que jamais cogitei por temer qualquer ação que não possa voltar ao modelo natural, e isto inclui tatuagem, cirurgia plástica, botox… Não recrimino, só temo me olhar no espelho e não ver mais a mesma que acompanhei toda mudança ao longo dos anos…

E foi assim que num calor ainda de verão encontrei num consultório super refrigerado em Porto Seguro a minha primeira dermatologista. Impossível esquecer a Dra.Flávia Levy!  Na primeira frase me senti sendo atendida por Ivete Sangalo, tal o sotaque soteropolitano … Alta, morena, cabelos longos, morando no sul da Bahia há pouco mais de um ano, fala com um jeito todo especial de quem sempre viveu em Salvador… Apresentando-se como “dermatologista de raiz” temendo a quantidade de sol e o maleficio à nossa saúde, bem-humorada sugere o uso de burca, camisas de mangas longas e chapéu com tecido UV… Se gostasse das redes sociais, @flavialevydermato faria enorme sucesso pois tem uma forma fácil e divertida de falar sobre problemas tão sérios…E no meio da nossa conversa, depois de ter olhado profundamente todo o meu rosto com uma lente, pediu que eu tirasse a roupa justificando  “entrou aqui tenho que ver tudo, sou uma dermatologista de raiz” !!

E foi assim que timidamente fiquei de calcinha e sutiã na sua frente, acompanhando o movimento que fazia com a lente percorrendo cada detalhe de todas as pintinhas, marcas e gordurinhas do meu corpo.  E não são poucas…. Parecia um detetive olhando, tocando analisando, e não pude deixar de pensar que se fosse há 50 anos o estado da matéria seria bem melhor…  As pernas reveladas nas minis saias e faziam sucesso já não respondiam mais ao passado de glória…Contei sobre a perda da safena no Rock in Rio de 1991, e aí já não eram mais as pintinhas, eram as grandes marcas da vida. Ah! vaidade feminina, acima de qualquer cuidado com a saúde… O que poderia já ter mexido comigo profundamente ainda foi mais forte quando pediu para tirar o sutiã e levantar os braços…. Desmontei. Que mulher sou eu neste exame psicologicamente mais profundo do que a ressonância magnética, a tomografia, a colonoscopia, a endoscopia, que fiz nos últimos anos… Olhando por fora me vi por dentro…

E foi assim que uma manchinha no nariz me levou à uma viagem profunda.  Apesar dos efeitos dos anos, o rosto está bem. Vou continuar com o Chronos que me acompanha há anos, de manhã e à noite, que será somado ao uso de um sabonete, uma pomada para a manchinha do nariz e outras que nem tinha visto no corpo, além de um protetor FPS 70. E pensar que eu só passava protetor 30 no rosto e óleo de coco… As camisas de mangas longas UV que ela sugere, sinto muito não vou usar… Ainda é vital sentir o sol queimando depois de um mergulho no mar… O mais importante deste encontro foi descobrir que há sempre hora para a agente se ver integralmente, por fora e por dentro… Mesmo com marcas, cicatrizes, algumas mazelas, a vida tem sido muito boa…