Quando a jornalista Neide Duarte chegou na OCA para fazer a matéria do Jornal Nacional, disse que queria me entrevistar. Perguntei : por que eu ? E ela disse que estava na pauta e saiu pela exposição gravando cada detalhe, ate pararmos ao lado do Galaxy LTD 82 transformado em limusine onde seria a entrevista. Sentamos no banco de trás e conversamos como se estivéssemos no sofá de casa. Não contei prá ninguém sobre a entrevista, podia “dançar” na edição. E na sexta a noite, chegando em casa exausta depois da abertura da exposição, ligo a TV e me vejo nos 20 segundos de fama.
Sempre achei estranhíssimo me ver em movimento e desta vez não foi diferente. Os cabelos grisalhos, os óculos – eu ia tirar e esqueci – e estava eu em rede nacional com a blusa preta de bolas brancas e o suéter vermelho nas costas. A matéria não tinha terminado e o telefone e o Nextel começaram a tocar simultaneamente. Chegaram mensagens no facebook e por email. No meio disso me lembrei do Mario Prata em 1976, alguns dias antes do lançamento de Estúpido Cupido, sua novela de estréia na Rede Globo, quando perguntei como se sentia : “Não posso pensar que a minha mãe, meus amigos, o Brasil todo, até o Presidente da República, podem estar vendo o que eu escrevi… Se eu pensar nisso não escrevo mais…”
Eu não tenho nada que escrever, foram apenas 20 segundos no meio de uma reportagem do Rei, este detalhe fez a grande diferença. Eu não estava na feira falando do preço do tomate. Referenciava ele que é unanimidade nacional. Sei que até os moradores de Vila de Santo André me viram. “Oi Léa Santo André inteiro te viu no JN, parabéns! Reprisou hoje na Globo News, muito legal! Nena está mandando bjs, adorou a matéria e a sua fala, show!.” escreveu a Lola no FB.
No blog a mensagem do Fernando Sérgio dos tempos da TV S, primórdios do SBT no Rio em 1981, sem contar minha irmã, a Cacaia, a Ju, o Macgyver, a Lucia Chaer, a Suzana e a Rose amigas de trabalho, a Camila do Itau, a Suely e o Cesar Castanho, a Cris Ramalho, a minha prima Keila, a Paloma que enviou o link do JN, a Lopoliti, o Camarotti, o Sr. Djalma, zelador do edifício em SP, a garçonete do restaurante do MAM, e qtos mais me viram… A Tania, amiga que não vejo há tantos anos escreveu dizendo que quase não me reconheceu. Afinal não sou mais loura, mas a voz continua a mesma. E sei que estava ali por inteiro, de corpo e alma. Acredito plenamente neste trabalho. Há mais de 8 anos comecei a pensar nesse assunto quando o Dody (Sirena, empresário do Rei) disse que o Roberto planejava uma forma de expor seus carros.
A Neide Duarte no final da entrevista disse que eu falava muito bem, justifiquei que é facil falar quando se conhece o assunto. Como está escrito na caixinha de prata que ganhei no final do programa Sem Limite (TV Manchete) quando respondi sobre a vida do Flávio Cavalcanti “tudo o que vai para o coração não sai da memória.”
Ontem o Brasil me viu ! Não consigo mensurar quantas pessoas estavam frente à telinha da G
lobo. Hoje a noticia é outra, as pessoas se esquecem, mas o que falei naqueles 20 segundos é o que acredito: Roberto Carlos é a cara do Brasil, ele faz parte da trilha sonora da minha vida, da sua vida e de todos brasileiros.