Meus amigos à distância

Tenho amigos que só encontro virtualmente e nem sei há quanto tempo não nos vemos. Tenho amigos alemães e libaneses que colocam mensagens no Facebook em seu idioma, eu não entendo, mas me sinto participante do grupo. Tenho amigos de infância que perdi em tantas viagens e me reencontraram no Orkut. Entre eles uma amiga que mora em Berlim e o ano passado, depois de quase 30 anos, estivemos juntas em São Paulo num jantar emocionado. Às vezes sinto que estou numa redação virtual com tantos amigos jornalistas trocando comentários no FB.

Hoje passei no correio – o carteiro não atravessa o rio – e encontrei na caixa postal um livro do poeta Francisco Perna Filho, cujo blog descobri fazendo uma pesquisa na internet. Trocamos emails e gentilmente ele enviou o “Visgo Ilusório” seu 4º livro que faz parte da Coleção Goiânia em Prosa e Verso, publicado pela Secretaria de Cultura de Goiânia. Morador de Tocantins, Chico que é Mestre em Letras e Lingüística é uma figura interessantíssima, um poeta que escreve de forma tão leve que até me fez acreditar que é fácil escrever poesias…

Sou imensamente feliz em saber dos meus amigos, novo e antigos, mesmo que a milhas de distancia via email ou qualquer outro tipo de comunicação virtual. Comecei este texto para falar de Marília Barbosa cantora e atriz de enorme talento, boa de andanças e mudanças como eu. Morou em muitos lugares, hoje vive em Poços de Caldas perto do filho e das netas, e as vezes nós dá o prazer de mostrar seu trabalho no teatro ou na TV. A Marília mandou um email onde comenta sobre perdas familiares e o quanto a dor de Cissa Gumarães está tocando seu coração. E tocou em mim a frase final de seu email, que peço licença para publicar um trecho….

“ Ontem li nas bancas a frase lapidar de uma das capas de revista:

– “Meu filho está mais vivo do que nunca, eu é que morri”.

Não tem remédio, a gente morre mesmo, não há como tentar levantar a cabeça e tocar a vida pra frente.

Ela deverá encontrar um jeito de renascer outra pessoa, caso contrário ficará definitivamente louca, pois essa dor não cabe em nós. Não cabe, não cabe, não cabe.

Foi por isso que fui para o meio do mato em 1985, sem luz, sem água corrente, sem telefone, sem vizinhos e sem nenhum vestígio de vida moderna num raio de 10 km, no meio da Mata Atlântica.

Começamos do zero, meu filho e eu e renascemos juntos para um mundo que começou a crescer conosco, do modo que conseguimos encará-lo e superarmos as suas dificuldades.

E a dor foi sendo superada pela vida nova bem difícil que se nos apresentava, e assim fomos renascendo pouco a pouco e voltamos a sorrir.

Um sorriso para sempre, amarelo…

Marília querida, luto para não ter este sorriso amarelo. Não seria justo aos que se foram e me fizeram tantas vezes sorrir com todas as cores… Reflita… Um enorme beijo e não se esqueça do livro prometido… Aguardo ansiosa suas historias…

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7 Respostas para “Meus amigos à distância

  1. Marília, quando a conheci, na casa do Aloisio Portocarreiro, voce irradiava beleza.
    Sua foto aqui copiada o confirma.

    Não a vejo há muito mas estou certo de que, em nova fase da vida, aquela beleza se adentrou ao seu coração.

    Não amarele, brilhe como na época em que cantavas e encantavas.

  2. AMADA LÉA,
    SOU SUA AMIGA DE BERLIM……..
    CONHECI VC, NO PIOR MOMENTO DE MINHA VIDA, E RECEBI DE VC E DE FLAVIO CAVALCANTI, MANIFESTACOES DE APOIO, CARINHO E BONDADE!
    NOS REENCONTRAMOS EM SÃO PAULO, DEPOIS DE 36 ANOS.
    E CREIA, TODOS OS DIAS EM MINHAS ORACÕES, LEMBRO DE VC, E PECO MUITO A DEUS QUE A ABENCOE EM TODOS OS DIAS DE SUA VIDA.
    E COMO VC BEM SABE, TB TENHO MEU LUTO INTERIOR. SERÁ ETERNO!
    E CÁ DO OUTRO LADO DO MUNDO, TAO LONGE DO BRASIL QUE AMO TANTO, BUSQUEI PAZ, E LUZ, PARA CONSEGUIR VIVER.
    A GRATIDÃO QUE TENHO POR VOCÊ LÉA, CERTAMENTE SERÁ ALÉM-VIDA.
    COM CARINHO
    WILMA ( DE BERLIM)

  3. jorge roberto martins

    Caramba, Léa, difícil “segurar”. Marília, que não vejo há muitos bemóis (ela, ao lado do Chamon, fez um show emocionante na Funarte, pelos 80 anos do meu pai, o compositor Roberto Martins. Foi em 1982), é uma pessoas encantadora.
    Sinto saudades dela, colorida, não amarela.
    Léa, obrigado pelo reencontro com Marília.
    Beijos.

  4. Querida Léa
    Está sendo um enorme prazer estreitar novamente os laços com você e ler seu texto.
    Com carinho, Luciene.

  5. Estou muito comovida, Léa. Tenho enorme respeito por quem se dedica às letras, a difícil arte de colocar o coração no papel, por isso respeito tanto você e sua prosa humana, humanista, poética, lírica e sobretudo, sempre muito amistosa.
    Há marcas e marcas. Da mesma forma que algumas muito tristes ficam para sempre, as felizes, graças à Deus, também permanecem.
    Quando Bernardo nasceu, saí de casa pela primeira vez com o meu neném recém nascido pra visitar você e ele, lembro de cada detalhe como se fosse hoje e por isso, guardo pra você, minha querida, o mais lindo sorriso do meu coração.
    Obrigada por seu carinho.
    Sua amiga para sempre,
    Marilia

  6. Ah!
    Marília Barbosa, a bonequinha que cantava e me encantava.
    Pelo que entendi ela também perdeu um ente querido.
    Marília,
    Coloque todas as cores no seu lindo sorriso pois, nossos queridos que se foram ficam com sorriso amarelo também, ao perceberem que nosso não tem mais todas as cores.
    Beijo gde pra você e obrigada, Léa por “trazer” Marília de volta!

  7. Aqui vai para a Léa e para Marília, um “finje” contendo um texto abaixo e uma mudinha de planta. Finje que a planta acabou de ser entregue agorinha e, junto, veio este texto dentro de um envelope.
    Abraços.

    A ÁRVORE DA FELICIDADE E A FELICIDADE

    Aceite como presente esta Árvore da Felicidade.
    Não se deve comprá-la, somente recebe-la. Sabe porque?
    A felicidade não se compra.
    Ela é como uma proposta, uma intenção de ter felicidade.
    Ela precisa ser regada, assim como a felicidade.
    Dia após dia.
    Esta muda representa uma esperança. Na felicidade. Que não nasce madura e adulta, ela vai se encorpando a cada momento.
    Precisa que haja vento sem parar, dizia Vinicius. Porque o vento é a demonstração de que a Terra gira.

    Ao receber uma mudinha, a gente pode ficar assim pensando no tempo que ela levará até tornar-se forte e sólida.

    Exatamente por isso é que você a recebe. Pois a conquista da felicidade está em vê-la a cada dia desdobrar-se em mais e mais ramos e galhos.

    Se ela irá morrer? Claro. Assim como todos morremos, sem novidade. Mas o que vale é apreciar a cada momento sua presença em nossas vidas. Com a felicidade, é o mesmo. Não é?

    Finalmente, devemos refletir sobre as vantagens de receber como presente uma Árvore da Felicidade ao invés de um presente mais exuberante, um diamante, por exemplo.

    É que um diamante é passivo ainda que deslumbrante enquanto que uma mudinha é bonitinha rumo a uma beleza progressiva e permanente…como a vida e suas felicidades.

    Cuide bem deste presente que representa o quanto gosto de você, o quanto desejo sua felicidade e na reafirmação da vida e da esperança.

    E, a cada dia que para ela olhar, você verá um pouco de mim nela.

    Roberto Abramson

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