Vila de Santo André para iniciantes

Conversando com a Joyce Pascovitch sugeri uma matéria para a sua revista sobre Vila de Santo André e o texto abaixo foi o que seguiu para a redação. Na JP deste mês serão publicadas dicas sobre Sto André baseadas nestas informações…

Que os marinheiros de primeira viagem sejam muito bem vindos !

Meu irmão Victor contou que em meados dos anos 80 viajou com um amigo italiano a Porto Seguro e num carro alugado saíram em busca das praias. Seguindo em direção norte numa estrada de areia à beira do mar, chegaram a uma pequena cidade onde havia um rio, um atracadouro e barcos pesqueiros. Atravessaram o rio com ajuda de um barqueiro, caminharam por mangues, seguiram o rio que se encontrava com o mar e “descobriram” um povoado que nem tinha luz. Era Vila de Santo André, um paraíso praticamente secreto. Assim como eles, muitos brasileiros e estrangeiros cansados da metrópole fizeram este trajeto e por aqui ficaram extasiados pela beleza natural.

Há seis anos vim morar neste lugar e apesar dos upgrades com a balsa para a travessia do rio, luz, telefone, internet, resort, pousadas e restaurantes, Vila de Santo André mantém a mesma essência de povoado tranqüilo com ruas de terra, vegetação exuberante e uma pacata comunidade com menos de 800 habitantes. Mas no verão a população chega a triplicar. No reveillon de 2009 a vila foi foi deliciosamente invadida por uma “tribo” de jovens de São Paulo e do Rio que vieram atrás do som do Duty e seus DJs convidados para a grande Dolce Vita Party. Foram cinco noites com o som rolando até o sol nascer à beira mar. O encontro se repete este ano e para os marinheiros de primeira viagem seguem informações e pequeno roteiro com um olhar muito pessoal.

A travessia do rio João de Tiba é linda em qualquer horário e não leva mais do que 10 minutos. Das 6 às 19h30hs a balsa sai a cada 30 minutos e a partir das 20hs, a cada hora. Do outro lado do rio são 2 km de estrada asfaltada até uma bifurcação à direita numa rua de terra e entra-se na vila. É uma vila que não tem praça. O movimento acontece à beira do rio, em alguns bares e no campo de futebol. São 4 times de futebol (1 infantil, 1 feminino e 2 adultos) e no dia 1º de janeiro é tradição o jogo com os homens vestidos de mulher. A vila tem uma igreja, um posto de saúde com consultório dentário, uma escola municipal de ensino fundamental, uma escola para alfabetização e duas ONGs (IASA e Centro de Convivência). É possível ouvir pelos becos e vielas o som de flautas tocando “As Quatro Estações” de Vivaldi ou ”Asa Branca” de Luiz Gonzaga.  São as crianças do Ambiente Musical, um projeto do IASA que pretende formar uma orquestra.

 

Visual do El Floridita voltado para o rio.

A rua de terra com muitos quebra molas vai beirando o rio, continua paralela ao mar até se encontrar novamente com a estrada de asfalto que leva a Santo Antonio (8 km), Guaiú (14 km) e termina no município de Belmonte (50km) onde o rio Jequitinhonha desemboca no mar. Esta rua “principal” – Av. Beira Mar – dá acesso ao Resort Costa Brasílis, às pousadas e a quase todos os restaurantes. Logo na entrada tem o camping da Vera e do Nelson Zippin (completamente anos 70!); em frente e escondida em meio a árvores, a lanchonete do Nelmo com o melhor hambúrguer da região…   Seguindo a estrada de terra, voltada para o rio tem a Pousada Corsário com o restaurante El Floridita. A Mikie comanda a cozinha e vale provar a lagosta com arroz negro, o peixe com gengibre e inhame rosti, frango com queijo coalho. A gastronomia em toda vila é um luxo!  Vide as referencias do expert em turismo Ricardo Freire, em seus artigos. Ainda na beira do rio os restaurantes La Fragata, Sant´Annas (pastas italianas e carnes argentinas) e Gaivota (vale provar o Veleiro, um PF chic…).

Fora da rua principal, as placas indicam a Pizzaria Varanda da Joyce Hermetto, artista plástica que morou muitos anos em Arraial d´Ajuda e faz luminárias, almofadas, panos pintados com desenhos temáticos e um traço inconfundível .  Quase ao lado da Joyce, a Barraca Nativa do Paulo onde tem forró, e na frente a pequena loja de artesanato da Monica. Continuando na principal rua de terra da vila, tem o trabalho da mineira Leila Tassis em seu atelier na Pousada Ponta de Santo André com luminárias, papelaria e uma infinidade de produtos feitos com reciclagem da fibra de bananeira; a Loja Santo André da Zélia, com vestidos, batas, chapéus e biquínis, e no Resort Costa Brasilis a “boutique” Dé Bahia, da Patrícia Farina que vende do chapéu Panamá a maravilhosas colchas, jogos americanos e almofadas feitas de fuxico pelas mulheres da comunidade.  As “Jóias da Floresta”, criativos colares e pulseiras feitos com sementes pela artesã Lady, se tornaram marca registrada da vila e produto de exportação, estão à venda numa lojinha a beira do rio.

No coração da Vila, os restaurantes Aroeira, comidinha caseira feita pela Lia, no maior capricho e o Almescla, da Zeti e do Célio, que dividem o espaço com a Pizzaria Estrela. Vatapá, caruru e moqueca, comidas típicas é assunto para autêntica baiana Tia Carmen (desde 1987!!), e a Silvia, no Restaurante Orquídeas. Sanduíche, brigadeiro, empadinha, sorvete e açaí na Rô, ao lado da escola municipal, com jardinzinho gostoso para o rio… Saindo de Santo André vale esticar até o Guaiú para provar a comida da Maria Nilza feita no fogão a lenha. Um luxo!

Um jardim surpreendente à beira mar na Pousada e Restaurante Jacumã. Os seus proprietários, os italianos Simona e Stéfano, cuidam das plantas com o mesmo esmero com que criam pratos sofisticados com massa caseira e frutos do mar. Um cardápio de respeito.

 

Pousada Victor Hugo

A Pousada e Restaurante Victor Hugo é do italiano Ugo Colombo que chegou nos anos 80 com meu irmão, e tem “um terraço debruçado sob o mar” com coqueiros, caminhos de hibiscos e sombras de amendoeiras. Não há lugar mais bonito! O Resort Costa Brasilis tem 122 apartamentos e bangalôs espalhados em uma área de 50 mil m2.  Um conforto diferenciado numa vila quase rural. Lá dentro, o Spa Ruby,  da carioca Flávia Pereira, atende não apenas aos hóspedes com massagens restauradoras com óleos e pedras quentes, banhos com especiarias, shiatsu, yoga, sauna, hidromassagem  e ofurô.

Para quem segue pela estrada de terra, ao lado do Costa Brasilis está a Pousada Villa Araticum do arquiteto argentino Luiz Busquetti. Um projeto arquitetônico charmoso no meio de árvores. Para quem segue pela praia, um caminho entre coqueiros leva à Casa Praia, o restaurante dos argentinos Pablo y Amadeo, referencia em uma gastronomia inventiva. Lá pode se curtir em alguns dias uma “jam session” com músicos locais e cinema. No verão a tela onde o filme é projetado fica embaixo dos coqueiros, e com as estrelas no céu e o barulho do mar o clima é cinematográfico…  Há alguns anos o cinema se incorporou à cultura local incentivado pelo casal cinéfilo Olímpia e Claudio Calmon que leva seu equipamento para as exibições no Casa Praia e uma vez por semana realiza o Cine Cajueiro no jardim de sua casa com filmes voltados para as crianças e os jovens que namoram no escurinho. Os cartazetes com a programação, dia e horário são colocados nos postes da rua, nos centros de cultura, no mercadinho do Maciel e no portão da própria casa.

O Mercado Maciel, na rua principal, é praticamente um Carrefour, tal a variedade de produtos e tem pão fresco pela manhã. Apesar de a economia ser voltada para o turismo são poucos os estabelecimentos que aceitam cartões de crédito/débito. Os restaurantes Jacumã, El Floridita, Gaivota e da Pousada Gaili aceitam, assim como o Mercado Maciel, o Atelier Leila Tassis, o Spa Ruby e a loja Dé Bahia. Em Santa Cruz Cabrália tem uma agencia do Banco do Brasil, o Bradesco como Banco Postal no correios (segunda a sexta das 8 às 16hs) e um caixa eletrônico da Caixa.

A manicure Si – Sirlene – atende com hora marcada na bucólica varanda de sua casa e tem os esmaltes com as cores da estação.  A Vila é um paraíso para os velejadores. Profissionais e amadores podem contar com o Carlindo, nativo que conhece todos os caminhos do rio e do mar. Além das aulas de kitesurf, hobicat e veleiro, Carlindo faz deslumbrantes passeios subindo o rio para ver o sol se por ou até Araripe, um banco de areia cercado por piscinas naturais, distante 2 horas da costa. É possível também aprender a surfar em Mogiquiçaba (25 km da vila), uma praia com boas ondas. Luca que morou na Austrália transporta em sua Kombi temática os alunos para um “surf day class” com prancha inclusa.

 

Carlindo e seu veleiro...

Santo André está localizada dentro da APA Santo Antonio, uma área de proteção ambiental cercada por mata Atlântica, com praias semi virgens e certas restrições para edificações. No encontro do rio com o mar há cadeiras, guarda-sóis e pequenas cabanas que recebem grupos de turistas que saem de Cabrália em passeios de escunas. Anda-se muito a pé nas ruas de terra, mas quem quiser pedalar o Joab aluga bicicletas. Algumas pousadas oferecem conexão wi fi, e ainda tem a Internet Café Mata Encantada e a Lan House Universo, do Joelson.  A Dolce Vita acontece na Fazenda Amendoeira, pousada e restaurante do “chef” italiano Federico Idi, no final da Praia de Jacumã quando passa a se chamar Praia das Tartarugas. Um visual lindo, paradisíaco, 600 ms de areia antes da entrada do mangue. O DJ e produtor Duty organiza este reveillón feito especialmente para amigos e pessoas divertidas. A festa começa dia 25 de dezembro com DJs internacionais da Suécia, Estônia, Argentina, Espanha, Estados Unidos e Hungria… E quem vier fora da estação, conhecerá uma vila quieta e se apaixonará, assim como eu. As fotos são da Cláudia Schembri.

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2 Respostas para “Vila de Santo André para iniciantes

  1. dia desses, boto a leila debaixo do braço e vamos até este paraiso.
    beijos cariocas/paquetaenses.

  2. Meu nome é Andréia Alves, estive em Santo André em junho de 2011. Tudo que eu possa falar de bom do lugar será redundante, pois realmente é o paraíso. Lugar paradisíaco, comida maravilhosa e pessoas fantásticas. Dá vontade de abandonar o nosso escritório de advocacia aqui no interior de São Paulo e ir viver aí em Santo André. Gostaria ded deixar um abraço para o pessoal do Aroeira, para a Dona Marina, com suas cocadas, para a Dona Silvia do Orquídeas e sua netinha Sara, para o pessoal do Almescla, todos do Costa Brasilis, enfim, para todo mundo dái. Espero voltar em breve.

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