A lida do cotidiano

Tenho feito boas descobertas nos últimos anos e uma dela é o quanto gosto de varrer… Varrer, isso mesmo… Pegar uma vassoura e sair pela casa, o pátio, a varanda… A semana passada cheguei ao ponto máximo de rastelar o quintal, são mais de 60 árvores derramando  folhas na areia, terra e grama… Não fui muito longe, apenas a clareira embaixo de algumas árvores onde coloquei uma mesa para uma reunião com alguns amigos para mais uma vez conversar sobre caminhos da vila onde moro…

Nasci em uma casa onde não podia faltar empregada. Mamãe repetia “jamais algum filho irá lembrar a comida deliciosa que eu fiz. Odeio cozinha.” Era esta forma incisiva, dramática, passional de se referir à gastronomia. Era tão arredia aos prazeres da boa mesa que declarava poder viver apenas com “café, leite, pão e manteiga” e nos seus últimos anos desenvolveu uma doença – Síndrome de Jögren – cujo resultado é o organismo não produzir mais saliva (ou lagrimas),  com isso perdeu do paladar… Penso o quanto produzimos nosso futuro com pensamentos, desejos declarados, palavras mal ditas, não confundir com “malditas”…

Voltando a vassoura, razão destes meus pensamentos neste domingo, apesar de mamãe detestar cozinha, limpava a casa com primor. Talvez venha daí o meu gosto pela vassoura, arrumar a cama, guardar as roupas. Preguiça de tirar o pó, paixão por lavar roupa e louça. Nenhum problema em passar roupa desde que seja vendo TV ou ouvindo música. Apesar de ouvir que é monótono o trabalho de casa, eu viajo varrendo as folhas. Algumas caem completamente destruídas, amassadas pelo vento, outras caem de maduro, velhinhas, amarelecidas, e alguns galhos totalmente secos… Penso nas historia de cada uma delas, no prazer de estar vivendo no alto e de repente não ser mais do que uma sujeirinha no chão que alguns até jogam prá debaixo do tapete… Lembro-me da sombra que fazem e também do trabalho diário em recolher as que já são passado. Aprendo o quanto a vida é sutil e frágil. Um balanço do vento e nos espalhamos no chão. Já passou o tempo…

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2 Respostas para “A lida do cotidiano

  1. Totalmente identificada com seu texto! Aliás, sempre “viajo” neles!

  2. Muito lindo… e como você, também adoro arrumar a casa .. a de fora e a de dentro. Saudades, bjs querida

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