Lembrando a Bloch

Renata Sorrah, Tarcisio Meira e Betty Faria na capa de Sétimo Céu.

Hoje  cedo ao ler no twitter do Ancelmo Góis a noticia do leilão dos arquivos de fotos da Bloch Editores o assunto ficou  martelando a minha cabeça. As fotos vêm e voltam, como num show de slides. Lembro dos cromos espalhados na mesa de vidro para escolha de capa das revistas, lembro do Nilton Ricardo entusiasmado mostrando as seqüências das cenas das fotonovelas… Alguém ainda sabe o que é fotonovela ? Era um trabalho primoroso de autor, roteiro, direção, elenco e claro, fotografias que contavam uma historinha…Até Roberto Carlos fez uma fotonovela, e até eu !!! Os atores de novela faziam fotonovelas e garantiam um cachê. Tinham atores exclusivos de fotonovelas, figurantes, só não tinha merchandising… Creio que muitas destas fotos estão neste pacote, assim como as fotos do nascimento do meu filho, reportagem na revista Amiga; fotos minha, recém casada, reportagem na Manchete, e outras tantas…

Este leilão traz também uma memória triste : dos funcionários da Bloch que ficaram sem pagamento. Não sei se a dor maior é do calote ou acompanhar a falência de uma empresa que se ajudou a construir. Esta parte triste eu não vi, só ouvi contar. Saí nos áureos tempos quando se almoçava num restaurante a beira da piscina, comia-se com talheres de prata, bebia-se em copos de cristal bico de jaca, usava-se guardanapo de linho e o serviço era a francesa. Nos corredores obras de arte, na redação mesas de jacarandá, cadeiras estofadas em couro… Uma vez eu vi o Sr.Adolpho entrar na redação, tirar um casaco que estava pendurado em uma cadeira e jogar no chão. Saiu resmungando que cadeira não era lugar para pendurar casaco, que guardassem no armário. E tudo isso acontecia com o mais belo visual da Baia da Guanabara. Não podia ser mais bonito.

Aprendi a ser jornalista na Bloch. Meu primeiro emprego como repórter foi na revista Sétimo Céu, levada por Moyses Fuks, enquanto não era lançada a revista Amiga. Fui a primeira repórter contratada da revista Amiga, numa época em que ainda olhavam estas publicações como sub-jornalismo, coisa menor, revista para empregadinhas  que querem saber de fofocas… Mas em nenhum momento isto me abateu. Eu estava simplesmente deslumbrada em ser repórter, e hoje todo mundo quer só ser jornalista… Pesquisando no Google sobre o leilão, encontrei um site que conta a historia da TV Manchete www.redemanchete.net. Uma frase do Sr. Adolpho se destaca : “ A vida só é digna de ser vivida quando se faz algo pela vida em vida”. Ele fez pela vida de muitos, mas nem sempre o final foi feliz.

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Uma resposta para “Lembrando a Bloch

  1. quer algo melhor que uma revista chamada “Amiga”?

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