… e a vida continua

O meu pensamento é rápido mas as reflexões, desdobramentos e conclusões às vezes levam um tempo… Foi no twitter que soube da morte do filho da Cissa Guimarães. Que tragédia… Fiquei sem palavras, sem texto, sem raciocínio…

Ao ver uma foto do Rafael abraçado à mãe, revi em minha lembrança o pai, Raul Mascarenhas, que conheci quando tinha a mesma idade. Eu tinha 24 anos, recém separada com um filho de pouco mais de 1 ano, morando sozinha pela primeira vez.  Trabalhava com Flávio Cavalcanti em seu programa na TV Tupi e na equipe com mais de 30 profissionais fazia parte Carminha Mascarenhas. Cantora revelação nos anos 50, uma bela voz que fez parte da fase final da Era do Rádio, gravou sucessos de Ary Barroso e Lamartine Babo e cantou as grandes composições do início da Bossa Nova, ela selecionava os novos talentos que se apresentavam na Grande Chance e no MIT (Mercado Internacional do Talento), ambos no Programa Flávio Cavalcanti. Foi Carminha quem levou Alcione e Emilio Santiago para serem revelados no palco da TV Tupi.

Carminha foi casada com o pianista Raul Mascarenhas, com quem teve o filho Raulzinho. Nessa época ela era casada com o publicitário Renato Leuenroth irmão de Olivia. Grávida, Olivia era casada com o jovem promissor pianista e compositor Francis Hime e moravam nos Estados Unidos. As minhas amigas conheciam o talento de minha mãe em tricotar casaquinhos e sapatinhos para bebê e Carminha encomendou alguns conjuntinhos para presentear a cunhada.

Uma noite Raulzinho bateu na porta de minha casa para buscar a encomenda. Garoto bonito e com um jeito tímido, convidei para entrar. Ele ficou encantado com a quantidade de LPs (discos) que eu tinha, dos mais diversos gêneros e estilos. Deixei à vontade para ouvir o que quisesse e ao ir embora perguntou se podia voltar. Ele se tornou visita constante. Telefonava antes de ir, falava pouco e ficava “brincando” com os discos. Uma noite ao chegar, viu que eu tinha companhia. Ficou sem graça e nunca mais voltou. Passaram alguns anos e comecei a ler sobre o saxofonista Raul Mascarenhas, e daí não parou mais… Nos encontramos algumas vezes em shows, acompanhei seus casamentos, filhos, sucesso profissional e há poucos meses lembrei-me dessa historia ao saber que Carminha tinha se mudado para o Retiro dos Artistas no Rio. Um bom lugar para se viver… Pensei em fazer uma visita numa próxima viagem, quem sabe agora tenho mais motivos para isso… No coração da avó, do pai, da mãe e dos irmãos a dor é infinita…  No coração dos amigos a lembrança com saudades.

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Uma resposta para “… e a vida continua

  1. Léa, seu blog está um primor. E o último post, comovente. Daqui a pouco voltamos para casa — saudades dos papos com voces.
    bjs
    olimpia

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