No varal

Relendo textos do antigo blog encontrei este de dezembro de 2009…Ainda me sinto com esses desejos…

“Hoje pela manhã, em algum momento da aula de Pilates tive vontade que meu corpo fosse apenas uma roupa pendurada num varal. E sei até onde eu queria estar : à beira da pista de asfalto, entre o charco e o leito quase seco do rio, em Vila de Santo André, no extremo sul da Bahia. Ia ficar toda prosa me balançando no meio das roupas coloridas, sentindo a brisa que vem do mar, o ar morno de dezembro, deixando os pensamentos voar… De vez em quando daria uma espiada nos carros que passam apressados a cada 30 minutos em direção à balsa, ia me divertir como criança da desgraça dos turistas desavisados que só percebem o quebra molas quando já deram um pulo tão grande que tudo dentro do carro sai do lugar… Podia também ver a cara dos nativos que passam pedalando suas bicicletas, sorrisos abertos encarando o vento, ou olhar do alto as mulheres com suas bacias de alumínio, carregadas de panelas, que são levadas para lavar na pouca água do rio. Ficar torcendo para ter momentos de silencio. Ninguém na pista. Apenas eu e as roupas admirando aquele cenário natural de extrema beleza. Aplaudir a vegetação que se recuperou depois do incêndio no ano passado, ter ouvidos apenas para o canto dos pássaros e brincar de identificar cada trinado. E o melhor, ficar bem esticadinha, nenhuma tensão,
nenhuma ruga, nenhum stress. Apenas eu, as roupas no varal e o vento.”

Foto de Claudia Schembri –  Mogiquiçaba, povoado de Belmonte, distante 25km de StoAndre Bahia

 

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2 Respostas para “No varal

  1. Tão bonito, suave solto, ser uma roupa presa no varal ao sabor do vento, da briza que vem do povoado vendo a vida que acontece lá embaixo e vivendo a vida que acontece no instante, em cada instante sem estar presa a nenhuma identidade… Lindo, tão lindo e lúcido, tão leve que nem se da ao trabalho de pensar que peça de roupa seria..e que importância tem isso diante do vento, do céu, da própria natureza viva estirada sem qualquer tensão “solta no varal e ao vento” Obrigada Léa.por este momento lúdico e especial.

  2. lea te conheci na decada de 90 trabalhei no canecão e imperato,metropolitam meu nome é maria cristina alves da silva sinto saudades dos shows , de dona arly tambem. Se tiver noticias dela me envie por favor um e mail . obrigado sucesso…….

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