Em transformação

Vila de Santo Andre

Antes que o mundo acabe conforme previsão do calendário Maia, começou uma revolução na minha rua. Acompanhei durante uma semana a derrubada de uma casa em frente a minha. Tiana, uma nativa com quem aprendi a conviver apesar das nossas  diferenças de estilo de vida, vendeu sua casa para a vizinha e mudou para perto do campo de futebol com seus filhos, neto, genro e agregados. É ali que a vila ferve na sua essência de região simples no sul da Bahia. Comprou uma construção de dois andares, com espaço embaixo para fazer um restaurante – seu sonho! – e morar no andar superior. Foi muito feliz e este pedaço ficou mais silencioso.

Acompanho um novo desenho de ocupação que vai se criando. Vejo casas e pousadas elegantes surgindo numa vizinhança onde até pouco tempo viviam  familias simples. Ouvi muitas historias como a de um dos primeiros homens a chegar por aqui. Se tornou dono de muitas terras, tinha quilômetros de praia e um dia foi seduzido a vender uma enorme extensão para um italiano e com o dinheiro comprou um grande barco.  Era um barco que exigia cuidados e como ele so sabia pescar, a embarcação foi se deteriorando e um dia afundou. Ele ficou sem terras sem trabalho e sem dinheiro.

Já não se tem mais tanta terra prá vender, muito menos praias. Os que chegam são chamados de “gringos” mesmo não sendo estrangeiros. São paulistas, mineiros, gaúchos, cariocas e capixabas que transformaram casinhas e terrenos sem uso em boas residências, pousadas, restaurantes. Trouxeram sua cultura num estilo cosmopolita para um local cuja natureza é pródiga mas com  infra-estrutura fragil. Uma vila com menos de 800 habitantes, sem saneamento básico, se depender do poder público a água nas torneiras é escassa, as ruas sem calçamento e haja poeira no período de seca… A maioria dos “gringos” convive com este mundo apenas nos feriados prolongados e nas férias. Espera um dia viver no paraíso “prá sempre” e se diverte com a rusticidade…

Eu vivo o dia a dia, sou praticamente nativa. Do outro lado da rua a casa desapareceu, ficou apenas um terreno. Nem um entulho para contar historia. Restou uma mangueira, uma bananeira e um pé de graviola. Espero que isto não tenha sido o aperitivo para o fim do mundo…

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