Sobre (e sob) a rede

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Há pouco mais de um ano Sara, moradora de São Paulo, apaixonada por New York, criou um espaço no Instagram para compartilhar fotos da Big Apple e convidou turistas e profissionais a fazer o mesmo… Assim surgiu @what_i_say_in_nyc que na semana passada tinha mais de 153 mil seguidores de todas partes do mundo postando fotos de ângulos fantásticos… Juntos construíram um grande álbum, formaram uma enorme tribo de loucos por Manhattan… O que começou como hobby e a deixava no conforto do anonimato, a semana passada tomou outra dimensão. Ah! o sucesso, sempre o sucesso, com o ego a inveja na cola,  de repente, ela viu sua conta hackeada. Trocaram a senha, mudaram o nome e começou uma conversa de extorsão. Momentos de terror até uma amiga conseguir postar um aviso que a conta tinha sido roubada e os seguidores que nunca a tinham visto, não sabiam se era mulher ou homem, nem em que lugar do planeta morava, passaram a enviar mensagens à base do Instagram denunciando o fato. Os gerentes internacionais responderam e mais do que devolver o espaço à Sara estão tentando enquadrar o larápio.

Este grito nas redes me fascina e me assusta.  Ao mesmo tempo são movimentos mágicos. Estamos vivendo isso todos os dias… Alguns assustam pela violência que vem nas entrelinhas ou até de forma bem direta… Prefiro os movimentos mágicos da rede embaixo de uma arvore que me levam à reflexão. Citar Nova York é sempre puxar um fio atoa na memória, qualquer imagem vem carregada de lembranças. Do sabor do cachorro quente nas esquinas, ao cheiro das castanhas assadas, o prazer da taça de vinho branco as sextas-feiras no bar da Grand Central, o vento frio no inverno cortando as ruas da ilha… Tudo me lembra… Viver lá aos 32 anos foi a primeira grande experiência pessoal que a vida me deu. Conclui este fato nos últimos tempos. Era eu comigo, eu com Deus e that´s it. Foram muitos fins de semana sozinha. Lembro que acordei uma segunda-feira com dor nos braços. Já no trem, a caminho do trabalho, ao ajeitar a roupa no corpo dei conta que tinha passado dois dias sentada no sofá fazendo aquela blusa de tricô. Explicada a dor nos braços e o sentimento de que cada ponto tinha um pensamento, um sonho, uma possibilidade, uma saudade.

Aprendi a colher as folhas de oak que caíam no jardim, a lavar, passar e arrumar. Andar na neve, ter reservas pois se o dinheiro acabasse não havia a quem pedir. A cortar o próprio cabelo, fazer mãos em pés nas noites de spa que inventava na banheira de casa. Quem não conviveu com a solidão, desconhece seus limites, diminui seus horizontes. Uma amiga que salta em paraquedas, parapente e asa delta, desce corredeiras em caiaque, faz stand up paddle, está com um frio na barriga pois pela primeira vez vai morar sozinha. Ela ainda vai descobrir o quanto será uma experiência transformadora. Mas não adianta falar, tem que meter a cara… Acho que a vida não é para passo miúdo. É para quem se arrisca, se atira no trampolim sem rede e se permite depois ficar deitada em uma, olhando o sabiá que constrói um ninho e nada mais importa neste momento.  Nem mesmo uma foto de New York.

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