Quase desmoronei na porta do estúdio. Olhei as maquinas que me esticam e deu um nó na garganta. Uma voz falou dentro de mim “engula este choro”. Engoli. Concentrei na voz da professora e fui me esticando, desdobrando cada pedaço do meu corpo embutido em 4 semanas. Fui encolhendo por dentro e por fora, doída, nervosa. O sol e o vento iam condensando a tensão, deixando o sofrimento solidificar como a terra seca. Nunca fotografei tanto a praia, as árvores e o mar. Talvez uma forma de enxergar o que estava a minha volta e eu não via. Estava com antolhos para a vida. Apenas um fixo pensamento nos telefonemas da tarde para saber os boletins médicos. Revejo as fotos e em quase todas apareço com a testa enrugada, um olhar apertado de mau humor. Preciso que as máquinas me estiquem, mais e muito mais. Esticar a minha alma, dar espaço ao meu coração para explodir de amor pela vida que agita dentro de mim. Eu preciso de um enorme sorriso.
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robertoabramson em PROVA DE EXISTÊNCIA robertoabramson em Jovem Kelli F. de Barros em Do fundo do bau KELLI MARITSA FERNAN… em Do fundo do bau robertoabramson em A árvore da felicidade


