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Carlos Alberto Vizeu

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Carlos Alberto Vizeu com seu grande amigo Boni.

Quando ainda não se falava em preservar memória, eu já guardava fotos, cartas, recortes das reportagens que escrevi…. Isto faz tão parte do meu DNA que escrevi  3 livros que caminham nesta esfera : Um Instante Maestro, sobre o apresentador de TV Flávio Cavalcanti; O Rei na Terra Santa, sobre a produção do show em Jerusalém, e A Verdade é a Melhor Notícia  onde relato a experiência de 30 anos em assessoria de imprensa. Com as empresas e pessoas com quem trabalhei, fechei cada projeto em caixas, pastas, onde entreguei todo o processo bem detalhado, documentado… E acho que foi esse meu olhar para a história / estória que me aproximou de Carlos Alberto Vizeu, profissional de publicidade, produtor e diretor de TV, que cuidou da memória da TV brasileira como se fosse a da sua família.

Conheci Vizeu quando ele procurava um jornalista para apresentar um programa de entrevistas que ocuparia um horário que a sua produtora, TeleTape, tinha na antiga TV Corcovado, de segunda a sexta, das 19 às 20hs. Nós tínhamos amigos em comum e foi num fim de tarde no Antoninos, à beira da Lagoa, que ele me falou sobre o projeto e dei a sugestão de uma série de profissionais que poderiam exercer a função… Mas foi na saída, me acompanhando até o carro, que Vizeu foi definitivo: “eu quero você apresentando o programa. ” Delírio, pensei. Eu tinha um escritório de assessoria de imprensa, muitos clientes e nenhum interesse no assunto. Televisão era uma lembrança do início da vida profissional, sempre morri de vergonha de me ver na telinha, fazer entrevistas fora de cogitação… Aconteceram mais alguns encontros para falarmos sobre este suposto programa que “alguém” iria apresentar e no final Vizeu me ganhou… Superei as dificuldades, aceitei a minha voz rouca, arrumei espaço na agenda e foi um ano imensamente feliz produzindo e apresentando o “Programa da Noite”.

Um ano feliz onde tive a oportunidade de conhecer o Vizeu devoto de Santa Edwiges, filho da Da. Yolanda e do Sr.Ary.  De conhecer Vizeu diretor de comerciais premiados nacional e internacionalmente, que preservava a memória da publicidade através do programa Intervalo, exibido durante muitos anos na então TV Educativa. E conhecer também o Vizeu apaixonado pela TV e sua trajetória, que anos depois pesquisou, escreveu, roteirizou e dirigiu um belíssimo documentário sobre os 60 anos da tv brasileira abordando os temas Os Pioneiros, Teledramaturgia, Telejornalismo, Show e Auditórios, Humor, Infantil, Propaganda, Tecnologia e TV’s Educativas. Este documentário é de tal importância que TODAS as emissoras de tv cederam seus arquivos para compor a série…

Vizeu foi um amigo de vida, daqueles que podemos ficar anos sem ver e quando encontramos nada mudou pois a essência do carinho e fidelidade à amizade permanecem… Desde 2003 ele atuava como consultor do Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho) na Rede Vanguarda.  Juntos eles desenvolveram várias peças de publicidade, e o mais recente foi em agosto com o comercial de 13 anos da emissora que atua no Vale do Paraíba. Há poucos meses liguei para contar que a Luciana Savaget encontrara nos guardados da família uma longa entrevista que fiz com Edna Savaget, sua mãe, pioneira da TV, e gostaria de utilizar no documentário que está produzindo. Ele ficou feliz, “pede para ela me ligar, libero com o maior prazer”. E assim nos despedimos…Ele sempre doce, delicado, elegante… E assim, desta forma, ontem ele partiu deixando tantas memórias dos outros, mas não teve tempo de escrever o livro com a sua história…  Adoraria ter escrito este livro, assim como ter a cópia de todos os programas que fiz… Eu também preservo a memória dos outros e não cuido da minha… Mas encontrei no Youtube este vídeo do acervo do Dr. Jorge Bastos Garcia com a abertura do programa e parte de uma entrevista … Obrigada Vizeu por você ter passado em minha vida e deixado tão boas lembranças !

 

 

 

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Querida Edna

Bem que os mapas feitos pela Graça Medeiros e por minha irmã avisavam que este seria um bom tempo para reflexões, inspirações e escrita… Nem precisavam olhar o trânsito planetário, bastavam sugerir que abrisse a caixa de cartas e certamente eu entraria neste movimento … 28 anos depois releio as 13 cartas que você me escreveu nos mais de 2 anos que morei em Nova York e isso provoca um turbilhão de saudades junto com a revisão da minha trajetória… Creio que nenhum psicanalista ou qualquer outro terapeuta teria a capacidade de tocar tão fundo na minha essência como estas cartas. Posso rever uma parte da minha vida através dos seus comentários, do que eu representava para você e como as minhas atitudes eram percebidas pelos amigos… E quem falava de mim era você, Edna Savaget, a pessoa que eu queria ser igualzinha quando fosse grande…
Você falava da minha coragem em “largar tudo e ir morar em Nova York sem falar inglês e com um filho embaixo do braço”, mas nunca me senti assim… Hoje acredito que o que me impulsionava era um desapego do que se chama de matéria e querer mesmo ser feliz na base do custe o que custar… Começar de novo, dar a volta por cima, todas estas frases entram como luva na minha história… Usei as armas que tinha, e sempre que fugi acabei me encontrando…
A sua amorosidade em me chamar de Leóca (só você me chamava assim !!) e seu louvor ao meu destemor, hoje me tocam profundamente… Nas folhas de papel cor de rosa (algumas de seda…) datilografadas em espaço 1 trazem também suas reflexões. Sou grata por ter partilhado comigo os momentos profundos e delicados da sua vida… Você também me trazia o que era o Brasil no início dos anos 80, com sua clara posição política, injuriada com os maus tratos que davam à cultura e vamos combinar que pouco mudou… Sou grata também por todas as noticias que enviava dos meios “artísticos lítero sociais”, seu humor e verve sempre foram implacáveis… E entre os agradecimentos,não tenho como retribuir todas as velas que você acendeu por mim junto a Escrava Anastácia na Igreja de São Benedito pedindo para tudo dar certo… E não é que deu? …
Não consigo lembrar a sua partida em 1988, sumiu da minha memória este detalhe… Talvez por você sempre estar perto com as cartas que me acompanham há tantos anos guardadas com o maior amor…Agradeço a sua amizade e a oportunidade de você ter estado em minha vida. Já sou grande, mas ainda não sou uma Edna Savaget…
Um beijo grande desta sua amiga
Leóca
Em tempo :ainda não encontrei a sua foto, mas fica a da capa do seu livro…