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Meu Natal

dd4dc2c5-a22c-4f2b-9efd-f89009b4ef11Então é Natal… Não vou cantar a música da Simone nem lembrar que desisti de festejar há 15 anos… Este ano tudo está diferente. Em julho quando vi o meu braço esquerdo imobilizado devido uma queda, tive tempo para refletir sobre a importância dele… Sou destra, mas a parceria é dos dois… Pra escrever, pra me banhar, pra dirigir, pra comer, pra tanta coisa, inclusive costurar… E aí me deu uma vontade enorme de fazer bonecas, mas como ? Então para estimular o braço a ficar bom, prometi a mim mesma que faria muitas bonecas para distribuir às crianças da escola infantil de Santo André… 22 meninos e 19 meninas…   E assim, depois de 1 mês de gesso, dois meses de fisioterapia, fui recuperar os movimentos brincando de fazer bonecas de pano, com enorme carinho e amor, imaginando cada criança que iria receber. Detalhes de laços de fita, babados, bordado inglês na saia, arremate feito a mão nas camisetas dos meninos, cabelos de lã … Estes meses se passaram e com a ajuda da Lelê na “”costura reta” completei minha missão… Ainda fiz sacos para embalar e coloquei o papelzinho com o nome da criança para Papai Noel não se confundir… A festa aconteceu a semana passada e não assisti. Acho que iria me debulhar em lágrimas e tinha a desculpa da chegada de um amigo… Agradeço à Claudia Schembri que fez as fotos, a Sara Amorim que gentilmente trouxe de sp tecido marrom que não encontrei por aqui e Patricia Farina, diretora do Centro Educacional Maria Marta, que me permitiu fazer este sonho. O meu Natal já rolou… Não vi Papai Noel, mas não importa…

Em tempo : as bonecas de pano que faço são inspiradas na Tilda, criada pela design norueguesa Tone Finnanger que também desenvolveu outros tantos produtos em tecido como coelho, colchas, almofadas, etc… A minhas Tilda tem 53cm de comprimento, olhos pequenos, bochechas rosadas e pescoço alongado… Como todas as Tildas do mundo não tem boca, as crianças falam por elas…

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2014

deitada

Pensar fora da caixa. Foi isso que este ano me ensinou e sou grata a todas as dificuldades, mudanças de jogo nos 45 do segundo tempo, obstáculos que surgiram, fazer a vida de outro jeito, enfim, a entender o que é resiliência.

Pensei nisso pela manhã andando na praia com a maré baixa olhando o mar de coca-cola e aceitando que nem sempre está verde ou azul mas mesmo assim é bonito. Este ano assumi que sou pousadeira e mesmo com apenas três chalés quero receber o ano inteiro amigos e amigos de amigos e indicados por amigos ou que ouviram falar que tem um misto de pousada, pensão, cama e café, a casa da Léa em Santo André onde é uma delícia se hospedar…

Também tirei o livro que tomava espaço no meu hard disk mental e coloquei na roda. Aceitei os sinais do universo quando vi um Bernardo (Obadia) e um Vitor (Arteiro) dando entrevista na Globonews contando que tinham criado uma plataforma digital de financiamento coletivo para literatura. Mais um Bernardo e um Vitor* em minha vida como não enxergar que ali estava o caminho? Em 15 dias de campanha o livro era uma realidade, custos levantados e serei eternamente grata aos que participaram desta proposta… Obrigada Luiz Caversan por ter um dia na praia insistido para que escrevesse o livro e aceito fazer prefácio; obrigada Esther Rocha por seu lindo texto na “orelha”. Vocês avalizaram a minha história. Até 28 de dezembro o livro estará disponível www.bookstart.com.br/averdade.

E fazendo diferente encontrei um ponto íntimo de alegria com o desejo antigo de fazer bonecas de pano. Conta a lenda familiar que por volta dos 6 anos pedi ao Papai Noel “uma boneca preta, uma boneca branca e um carrinho para puxar boneca”. E este ano descobri as Tildas, criação de uma design norueguesa que ganhou o mundo através da web. Foi paixão à primeira vista e assim surgiram as Tildas com um toque pessoal: afro, chef, bailarina, moleque, baiana, anjo e o que mais meu coração pedir. Sou imensamente feliz costurando bonecas de pano e vendo a alegria de quem as recebe. Esta semana uma menina abraçou uma com olhar de encantamento e me disse “vou cuidar dela até ficar adulta” …

Quantas coisas boas este ano…

Pode vir 2015 pois aprendi a viver fora da caixa.

* Bernardo meu filho, Victor meu irmão querido

Foto Cláudia Schembri na Ponta de Santo André