O fígado

sala de jantarA foto desta sala de jantar que encontrei hoje no Facebook, é de uma cena que viajou em minha memória por mais de 30 anos. Ela faz parte do acervo pessoal do autor de novelas Gilberto Braga que generosamente está postando na rede social fotos incríveis, álbuns de família, registros de suas histórias, dos pais, irmão, avós e tios que desfilam em momentos preciosos, retratos de muitas épocas.

Mas a imagem desta sala de jantar me fez lembrar que no auge da novela Água Viva (1980) eu procurei o autor para marcar uma entrevista para o jornal O Globo. Gentil como sempre, Gilberto agendou a entrevista e convidou para almoçar. Seria um almoço frugal, ele afirmou este detalhe na conversa, pois costumava escrever também na parte da tarde os capítulos da novela que era um mega sucesso.

Cheguei na hora marcada no apartamento do Flamengo. Conversamos na sala, nem lembro qual era a pauta, mas devia ser algum momento importante da disputa entre os irmãos Nelson e Miguel Fragonard pelo amor de Ligia… Entrevista feita fomos ao almoço na bela sala da foto e como Gilberto havia avisado “um almoço frugal”. Sentamos cada um de um lado da mesa e quando o almoço chegou eu gelei: bife de fígado com purê de batatas. Jamais eu havia colocado uma lasca de fígado na boca. Resisti bravamente a todos os discursos dos meus pais de como o fígado era bom para a saúde e no jeito deles de edicar jamais insistiram que eu comesse o que não queria. E agora aquele belo bife sorria prá mim. Gilberto ainda comentou que caso eu não gostasse podia pedir um omelete, mas eu jamais me permitiria confessar que não comia fígado. Aprendi em casa a aceitar o que fosse oferecido, a comer frutas com garfo e faca, a conhecer os copos e os talheres. Sem respirar, engoli cada pedaço do bife. Não sei qual o sabor, pois o purê ajudava na descida junto com alguns goles de guaraná.  Quando vi a foto a história veio inteirinha, menos o sabor do fígado, continuo sem saber qual é…

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Uma resposta para “O fígado

  1. genial!
    o décor é cenário de filme by Edgar.Conheço versão também delicada quando o visitante se aproveita da saída da dona da casa para jogar pela janela que não estava fechada,apenas limpíssima.

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