30 anos de rock

Capara do livro

Capa do livro

Depois de 3 anos morando em Nova York em 1984 voltei a morar no Rio e restabeleci minha relação de trabalho como freelancer no Segundo Caderno de O Globo. Naquele tempo ofereciam ao “freelancer” reportagens que a equipe fixa ou não tinha interesse ou disponibilidade para fazer. Acredito que por ter sido repórter especial na área de cultura durante 5 anos na mesma editoria, recebi a tarefa de ouvir Roberto Medina “aquele publicitário visionário” que estava anunciando um enorme festival de rock para o ano seguinte.  Na sala de reunião da Artplan na Lagoa lembro perfeitamente de ter ficado extasiada frente a ilustração do Benício mostrando como ficaria a Cidade do Rock. Foi amor à primeira vista. Conhecia Roberto há muitos anos, admirava as realizações de seu pai Abraham Medina e fiquei boquiaberta com a capacidade de projetar algo tão grandioso para um Brasil tão tímido em matéria de showbusiness. Por ter vivido nos Estados Unidos tão recentemente eu tomara conhecimento de grandes festivais e eventos, mas nada se comparava a este. Fiz a primeira reportagem, tentei convencer ao editor que merecia uma capa do Segundo Caderno, mas tudo que consegui foi uma matéria de duas colunas numa página interna. O assunto era tratado com pouco crédito, nas entrelinhas eu entendia que viam como um delírio. Depois desta reportagem fiz outra, mais outra, e acabei me tornando uma espécie de setorista de “rock in rio” dentro do Segundo Caderno, ou seja, aquela repórter que fica colhendo informações sobre o mesmo assunto. Era um tema que poucos na redação acreditavam e eu estava completamente encantada com a ousadia e dimensão. Mesmo sem bola de cristal eu conseguia ver o que representaria para país.

Quando o festival aconteceu em janeiro de 85 eu tinha uma intimidade com o evento como nenhum outro repórter do jornal. Sabia de cor quantos caminhões de terra, quilômetros de grama, milhares de metros de fios para a iluminação “bailarina” criada pelo light designer Peter Gasper  e todos os detalhes do mega evento. Poucas semanas antes do festival começar Roberto me concedeu uma entrevista exclusiva que finalmente consegui colocar na capa do Segundo Caderno do jornal O Globo no primeiro domingo do Rock in Rio. Nesta reportagem ele contava sobre sua vida, o desejo de ser poeta, a influência do pai e o desafio de fazer o festival. Uma das fotos que ilustrou a matéria mostra a família, tendo Roberta e Rodolfo, hoje principais cabeças do festival, ainda bem crianças. Como “prêmio” fiquei 10 dias trabalhando no sol e na lama, escrevendo para o jornal críticas, matérias sobre comportamento, tudo o que estivesse acontecendo, e quando o festival acabou, Medina fez o convite para que no próximo eu integrasse sua equipe. E lá estava eu. Rock in Rio Eu Acredito.

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