Felicidades

O publicitário Nizan Guanaes publicou a semana passada na Folha de São Paulo, um belo artigo com o sugestivo título “Rezar”. Como eu rezo, compartilhei no FB e outros tantos amigos comentaram e multiplicaram a informação. Uma corrente bacana se formou. Até onde eu vi eram mais de 24 mil compartilhamentos.  Eu penso que o que passa pela nossa cabeça é o alimento para a alma e o coração. Minhas constatações, não tem fundamento científico, apenas um olhar à vida e um ajuntamento de leituras variadas.

Eu sei como é difícil silenciar a mente. Ela fala mais do que a boca, corre de um lado para outro, muda de assunto traz lembranças antigas, projeta diálogos que jamais existiram, anda para frente e para trás no tempo.  Aquietar é tarefa árdua, por isso creio que enquanto rezo ou medito ou repito um mantra fujo da “mente vazia morada do demônio”. Ouvi pela primeira vez esta frase devia ter pouco mais de 13 anos. Ao lado da grande casa em que morávamos na Tijuca vivia uma família que tinha apenas um filho estudante do Colégio Militar, aplicado e bonitão. A mãe zelosa repetia esta frase ao telefone para as garotas que o procuravam, acrescentando: “pensa em outra coisa, vai ser melhor para você. ” E eu ouvia por trás da veneziana da janela do meu quarto e imaginava como devia ser difícil pensar em outra coisa e sedutora a morada do demônio com desejos ilimitados…

anjo

O céu e o inferno, anjos e demônios, caminharam comigo ao longo dos meus 10 anos de idade. Na 4ª. série do primário, hoje ensino fundamental, entrou uma nova aluna que sentou na carteira ao meu lado. Sim, as carteiras escolares eram duplas, quem passou dos 50 conheceu esta forma integrativa nas antigas salas de aula. Rapidamente ficamos amigas e um dia ela confidenciou que via o meu anjo da guarda. Estudávamos em colégio de freiras e santos, anjos, querubins eram temas corriqueiros. Mas ver o anjo da guarda era delírio. E é claro que entrei nesta viagem sem contar para ninguém, nem mesmo ao padre no confessionário. Durante todo este ano, comi metade do prato de comida, meio sanduíche, meio picolé. Corri menos, pedalei menos ainda. Deixei de subir em árvores, pulei pouco corda, dormi num canto da cama, pois tinha que deixar espaço para o meu anjo. Ele não podia se cansar e também tinha suas vontades. Assim vivi um ano exercitando o dividir com quem não via. Apenas acreditava que estava comigo, zelava por mim. A garota foi embora o ano seguinte, e por mais doido que tenha sido a experiência aprendi a conversar com o meu anjo, com um Deus, sem qualquer medo do fogo do inferno.  Com Ele posso dividir alegrias, tristezas, duvidas… Prato de comida não é mais necessário…

Mesmo nos períodos em que estive mais para o profano do que para o sagrado, permaneci acreditando que foco, atenção, boas palavras e bons pensamentos, transformam.  Aonde você coloca a sua atenção – ou tensão, ou tesão – vai dar frutos. É por isso que neste final de ano, desejo que você ganhe alguns minutos de prazer em sua vida como uma prece, ou reflexão, ou meditação ou apenas um pensamento de gratidão por mais este ano.  Foi muito bom ter me disciplinado a escrever todas as semanas, feito novos amigos, compartilhado meus pensamentos. Que todas as boas coisas do universo façam parte do seu novo ano… Feliz 2016.

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2 Respostas para “Felicidades

  1. Que texto lindo, Léa!

    ️Feliz 2016 ️Feliz! Beijos com carinho

    >

  2. Carteira dupla, anjo da guarda, identifiquei-me total… Parabéns, Léa, lindo texto!

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