Mudam os tempos, mas os desejos são iguais

Entrei no túnel do tempo quando, segunda-feira, pouco antes das 7 da manhã, iniciando os alongamentos no pilates, fui interrompida com um carro parando na porta do estúdio e dele saindo a professora puxando uma malinha, ainda com o figurino da noite .

Eu ali me vi há mais de 50 anos, recém separada, com um filho pequeno, voltando à vida social nas noites do Rio de Janeiro nos anos 70. Exatamente o que acontece com a Tai, a fisioterapeura que há 9 anos me iniciou no pilates e mora ao lado do estúdio.  E quem conhece a Bahia sabe que esta é a época das grandes festas/shows e, aproveitando o novo status, voltava com uma amiga da melhor de todas no sul da Bahia, o Pedrão na cidade de Eunápolis.  

Enquanto ela trocava o vestido preto e as botas pela calça legging e a camiseta do pilates, continuei nas minhas práticas e pensamentos. De repente, me vi pegando um taxi na porta do prédio onde morava em Botafogo rumo ao Flag, o bar que o Chef Zé Hugo Celidônio abrira em Copacabana, uma das maravilhas das noites cariocas no início dos anos 70.

O Flag fora instalado em uma uma casa dos anos 30 na esquina das ruas Aires Saldanha com Xavier da Silveira.  Na parte de cima, um piano-bar onde se revezavam alguns pianistas, me lembro do Laércio Freitas e Luiz Carlos Vinhas, sempre acompanhados de crooners incríveis, como Emilio Santiago. Ao longo da noite passavam notáveis para dar uma “canja”, como Johnny Half, Simonal e Nara Leão (gravou um álbum ao vivo, “Palco, Corpo e Alma”). Na parte de baixo havia um elegante restaurante estilo parisiense, o L’Orangerie.  Zé Hugo morou em Paris na década de 50 e ganhou notoriedade por adaptar técnicas de pratos de tradições italiana e francesa com temperos brasileiros.  

Apesar de todo esse luxo e glamour, nada impedia que, por “costumes da época” ou para proteger os frequentadores elegantes de “moças da noite”, era proibida a entrada de mulheres desacompanhadas… Que tempos!!! Como jornalista, frequentadora assídua, quando chegava sozinha o porteiro para seguir as regras, chamava um dos músicos amigos para me receber e assim liberava o acesso. Tenho na memória grandes momentos…. Muitas risadas, copos de whisky com muito gelo, uma nuvem de fumaça no ar – sim, todos fumavam muito – e entre os tantos shows inesperados um momento único: Simonal cantando “Tatuagem” encostado ao piano.

Sem o clima intimista do piano-bar, Tai está vivendo seu momento de liberdade definido como “adolescente com cartão de crédito”. A desnecessária companhia de um homem para entrar em qualquer lugar, faz uma grande diferença. O cartão de crédito e a autonomia profissional também. Com as amigas foi curtir as noites do Pedrão e os shows de Ivete Sangalo, Belo, Ana Castela, Maiara Maraisa e grande elenco. E ainda fez registro para a posteridade no paredão “instagramável”. Se não sumirem do celular, essas fotos serão uma ótima lembrança quando chegar na minha idade. Lamentavelmente não tenho qualquer foto das noites no  Flag… Mas na memória passa um filme…

Lembrando Raul…

Nas celebrações dos 80 anos de Raul Seixas, volto ao passado e lembro do selo criado pela Artplan para os Correios como ação do Rock in Rio 1991…Toca Raul…

No livro “A Verdade é a Melhor Notícia”, conto detalhes como o Rock in Rio 1991 começou a ser planejado após Roberto Medina ter sido libertado pelos sequestradores e como foi fundamental para a mudança na promoção de eventos em geral… Segue parte do texto…

“No dia seguinte (ao retorno do sequestro), antes mesmo de Roberto (Medina) ter qualquer contato com a imprensa, o Presidente da Coca-Cola, Jorge Giganti, telefonou dando sinal verde para o festival que aconteceu seis meses depois, em Janeiro de 91, no Maracanã.  Era sinal de bons tempos. No final de julho organizamos uma super entrevista coletiva na Tribuna de Honra do Maracanã para anunciar o evento. Trouxemos jornalistas de diversos Estados, uma mega repercussão, porém alguns dias depois surgiu na imprensa uma notícia muito estranha: o Maracanã estaria com sérios problemas na estrutura e poderia cair. Bom, ao que consta era uma jogada política. O governo estadual do PDT sentiu-se ameaçado com a projeção que Roberto teve com o sequestro e isso poderia agregar valor à família Medina, com Rubem, irmão, deputado federal e possível candidato ao governo do estado.

Roberto, por questões estratégicas, preferiu ficar fora de cena enquanto não saíssem os laudos técnicos que comprovassem que estava tudo bem com o estádio, pois cada jornalista que se aproximava vinha com a mesma pergunta: “o Maracanã vai cair ou não?”. Sabíamos que era um movimento para desestabilizar o festival e como o meu negócio não era política mas ganhar espaço na mídia, resolvi destrinchar os “riders técnicos” e transformar em notícias. Rider técnico é uma espécie de manual de instrução que acompanha o contrato de qualquer artista e/ou banda onde consta tudo o que o contratante deve fornecer para o show acontecer da maneira que o artista quer. Lendo os riders descobri um baú de maravilhas para alimentar a imprensa.

Era isso que eu precisava para ter espaço nas publicações. Separava as notícias por veículo, dando exclusividade a fatos como que Billy Idol ia trazer seu “chef de cuisine” para preparar as refeições no camarim; que Axl Rose queria duas dúzias de rosas brancas e o mesmo número de rosas vermelhas no hotel; as exigências de George Michael vinham num livreto de 55 páginas e constavam garrafas de vinho branco francês (Chablis ou Chadornnay), vinho tinto  também francês (Gevrey, Chambertin Nuits St.George), pães de trigo e centeio, sete variedades de frios, sete variedades de frutas, seis litros de suco natural, água mineral francesa Evian ou Perrier, além de um rabino para preparar seus alimentos no tradicional estilo kosher servido num camarim  que deveria ser enfeitado com quatro palmeiras e cortinas azuis. Detalhe: sua roupa só podia ser lavada com sabão biodegradável. Distribuí com todas as medidas a receita de um bolo especial de batata com carne, típico da culinária irlandesa, pedido por Joe Cocker, além das lendárias 200 toalhas brancas que Prince exigia em cada uma de suas apresentações. O resultado de divulgação foi excelente. A partir daí, os riders técnicos passaram a fazer parte de todas as assessorias de imprensa.

Mas precisávamos de muito mais. Nos Estados Unidos e Europa estávamos cobertos com duas assessorias que trabalhavam com os maiores nomes da música internacional. Os escritórios do Lee Solters, em Los Angeles e o de Laister&Dicknson, em Londres, trabalhavam diretamente com a minha equipe. Formamos um bom time e tivemos poucos pontos de stress. Roberto Medina entende muito de comunicação, é um campeão na relação com a imprensa. Mas até definir a situação do Maracanã optou ficar de fora e estimulada, comecei a criar tudo o que pudesse gerar notícia. Ele ainda estava nos Estados Unidos contratando o cast internacional quando um dia pensei que poderíamos ter um selo com a marca Rock in Rio. Um selo mesmo, feito pela empresa de Correios, comercializado nas agências de todo o país, pois havia lido em algum lugar que a memória do mundo se fez através de selos e moedas. Enviei a sugestão por fax e ele deu carta branca. Fiz contato com a diretoria do Correio, fui a uma reunião em Brasília e aprendi muito sobre os selos. Não poderia fazer o selo de uma marca/produto, mas poderia homenagear ícones da música e ninguém melhor do que Cazuza e Raul Seixas. Conseguimos de forma muito discreta colocar um dos ícones da marca do patrocinador, a onda da Coca-Cola, unindo as duas imagens junto à logo do Rock in Rio. No dia do lançamento chorei copiosamente de emoção, parecia que eu era mãe do Cazuza ou viúva do Raul…

Ainda fizemos a Escalada Rock – um festival para escolher uma nova banda que abriria um dos dias do festival e gravaria um disco, e o Vestibular do Rock, do qual tenho enorme orgulho… O Vestibular do Rock era mesmo para ganhar espaço na mídia, pois na verdade eu precisava de 8 a 10 estagiários para a sala de imprensa e poderia muito bem recrutar nas faculdades.  Coloquei uma pequena nota em um jornal, distribuí cartazetes em algumas universidades que já estavam terminando as aulas, achei que viriam não mais do que 50 estudantes e faríamos a prova no auditório da Artplan. No dia da inscrição cheguei à agencia me deparei com uma fila que subia e descia a sem saída rua Negreiro Lobato e seguia pela Av. Borges de Medeiros na Lagoa… Mais de 1000 inscritos, inventamos um teste de inglês para uma primeira seleção de onde saíram 800 e o vestibular foi realizado dias depois nas cadeiras da Tribuna de Honra do Maracanã… Subdimensionei a demanda e passei 2 dias corrigindo provas… As provas eram múltipla escolha com fatos da 1ª. Edição do festival, informações sobre os artistas da nova edição, detalhes estruturais, e uma redação.  Para identificar os melhores, comecei corrigindo a redação e dependendo das primeiras linhas eu seguia em frente ou eliminava o candidato.  Foram selecionados 10 rapazes e 10 moças, uma equipe de qualidade.

Tínhamos uma sala de imprensa no Hotel Rio Palace, hoje Sofitel, no posto 6 em Copacabana e outra no Maracanã. A sala do hotel recebia os jornalistas que iam para as coletivas e quase todos os artistas lá estavam hospedados. Um forte esquema de segurança para evitar assedio em áreas em que as estrelas circulavam e montamos uma superestrutura para atender a imprensa de diversas partes do mundo. Antes da primeira coletiva internacional, nos reunimos para acertar sobre a dinâmica, quando uma das garotas da equipe inglesa sugeriu que eu fosse a mestre de cerimônias em português e ela em inglês. Confesso que não conhecia este detalhe de cerimonial e foi com elas aprendi a fazer o “announcement” de uma grande estrela de forma mais artística.

A sala de imprensa do Maracanã foi instalada num dos vestiários. Alugamos dezenas de máquinas de escrever, alguns raros repórteres internacionais traziam seus editores de texto, primórdios dos notebooks. A informática engatinhava, a internet começava a aparecer ainda muito restrita desde 1988 e o festival fechou parceria com a Unysis, uma empresa americana de alta tecnologia em TI e software. Com isso caiu em nossa mão o desafio de viabilizar uma ação para ser feita na sala de imprensa com o objetivo de atender aos jornalistas e promover o produto. Comentando o fato nos dias de hoje, parece que estávamos no tempo das cavernas. Fomos extremamente ousados ao criar uma redação com editora, repórteres e duas tradutoras (espanhol e inglês). A cada dia os repórteres tinham uma pauta a cumprir que incluía cobrir os shows e a área vip, recolher no final da noite os números oficiais do festival referentes a venda de produtos, público, consumo de bebidas, personagens interessantes na plateia, entre outros.  Traziam detalhes exclusivos dos bastidores além das notícias dos shows que iriam acontecer no dia seguinte, incluindo set list e nome dos músicos. Todo este material era editado/datilografado em português e simultaneamente vertido para o inglês e o espanhol. Na madrugada uma equipe da Unysis recolhia estes dados, digitava e quando no dia seguinte chegávamos à sala de imprensa todo o material estava disponível em cinco gigantes computadores que hoje se assemelhariam a terminais de banco. Os jornalistas podiam ler na tela ou imprimir as informações tanto dos shows do dia anterior como os que aconteceriam naquele dia. Era simplesmente o máximo da tecnologia…

Entre as funções da sala de imprensa havia a tarefa de acompanhar os fotógrafos à frente do palco. Cada artista determinava em contrato qual o tempo que poderiam ser clicados em um espaço que chamávamos de “curral”, mas era privilegiadíssimo, bem em frente ao palco. Alguns não se incomodavam que os fotógrafos ficassem o tempo todo do show, outros autorizavam no máximo uma música e estabelecemos no máximo três músicas. Para evitar qualquer atrito entre fotógrafos e seguranças, fato muito normal, eu seguia junto com o grupo antes de cada show. Os profissionais se posicionavam da melhor forma e ficavam esperando o momento de serem convidados a sair, com toda a delicadeza… Foi por conta disso que tive o prazer de assistir de muito perto alguns artistas como Prince. Jamais vi um adulto tão pequeno, com um salto tão alto e uma bundinha tão estreita… Apesar da Guerra do Golfo ter estourado no dia da abertura do festival, o Rock in Rio II foi um sucesso…Um dos melhores casts que já vi em um festival. Obrigada Maria Rita Stumpf, Deborah Bermann e todos os estagiários.  Nada aconteceria sem vocês.

Tempos de recuperação pós rock. Não conseguia desligar da tomada. Minhas pernas estavam irremediavelmente marcadas com uma safena esclerosada e princípio de trombose diante das tantas horas em pé. Para acalmar aprendi a meditar, reabri o escritório e segui minha vida. “

Momento em que recebi do representantes dos Correios o primeiro selo.

Com Lucinha Araújo, Jorge Gigante então presidente da Coca-Cola, Caio Valli diretor da Artplan

Reflexão

“Gente eu vou falar no grupo pois eu não tenho como dar essa notícia tão dolorida, meu Samuelzinho acabou de falecer…”

A mensagem em áudio com voz embargada era de uma mulher num grupo de whatsaap com mais de 500 integrantes.  Olhei o nome, a foto e não reconheci. Em instantes chegaram mensagens de pêsames, a foto do menino com uns 3 ou 4 anos, e em breve a tragédia estava revelada: um acidente na piscina na casa da avó. O relato desesperado era da própria avó.

Quem escreveria roteiro tão cruel ?

Maior do que a dor, me tocou a forma como essa mulher comunicou o ocorrido: um aplicativo.

Falando para muitos que talvez não a conhecessem e nunca tivessem visto Samuelzinho, fiquei com o sentimento de que não tinha alguém para segurar a mão, abraçar, chorar, até ficar exausta e sem voz. Ou lhe bastaria saber que tantos estariam se solidarizando com o seu sofrimento, mesmo que nunca a tivessem visto, o que era o meu caso.

O tamanho dessa solidão me levou a refletir quando as pessoas deixaram de ter amigos fora das telas do celular.

Na sequencia das mensagens de dor e pêsames que corriam na tela, se intercalavam os assuntos corriqueiros do grupo, conserto de fogão, venda de pão, horário da balsa, telefone de alguém… E para muitos a vida segue, como uma mensagem a mais no whatsaap, páginas viradas e qualquer assunto é só para passar o tempo.

Samuelzinho descanse em paz.

Yayá chegou num dia 5 de maio

Estava na travessia de balsa do rio João de Tiba, distraída, quando uma foto me encontrou: uma cachorrinha magrinha, encolhida na calçada do restaurante Berimbau. O alerta veio pelo grupo de WhatsApp dos “cachorreiros” da Vila de Santo André — gente que tem o coração atento aos cães perdidos ou abandonados. A imagem me tocou. Enviei para a Alexandra, dona do restaurante. Ela, generosa como sempre, logo conseguiu atraí-la com um pouco de ração e água.

Na saída da balsa, passei por lá para conhecer a pequena.

Eu vinha de um luto silencioso, dobrado. Em janeiro, perdi Akira. Em março, Chiquinho. Dois companheiros que deixaram um vazio enorme. Tinha decidido dar um tempo, respirar sem patas pela casa, sem pelos nas roupas. Mas bastou aquele olhar desconfiado e o corpo frágil perto de mim para que algo mudasse. Foi encantamento. Foi flecha certeira.

Ela não se deixava pegar. Arisca, como quem já apanhou demais na vida. Tentamos colocá-la no carro, mas ela fugiu. Escapou de laços, pulou muros, correu para uma casa onde o morador estava ausente. Alexandra pulou a cerca atrás dela, mas a pequena fugiu de novo, dessa vez para o condomínio ao lado. E nós atrás. Quanto mais nos aproximávamos, mais ela se escondia no mato. Desistimos, por ora. Era preciso respeitar seu tempo.

Espalhei fotos pelos grupos. Pedi ajuda. Torci. Até que veio a boa notícia: ela estava bem, acolhida em uma casa do condomínio. Mas a alegria durou pouco — a família já tinha outros cães e não poderia ficar com ela. Ainda assim, era um sinal: talvez ela fosse mesmo minha.

Na sexta-feira, a confirmação. Fui com Alexandra buscá-la. Ela veio ainda assustada, mas quando chegou em casa, se aconchegou como se já conhecesse cada canto. E ali mesmo ganhou nome: Yayá, homenagem à minha mãe, dona Yayá, que faria aniversário naquele 5 de maio. O dia em que encontrei a cachorrinha — ou melhor, o dia em que ela me encontrou.

Porque talvez seja sempre assim: achamos que estamos salvando alguém, mas no fundo, somos nós que estamos sendo salvos.

TV Globo 60 anos

Em 1984, voltei ao Rio depois de três anos morando em Nova York.
Trazia três malas, alguns dólares e um certo desconforto no peito. Eu tinha visto de trabalho e caminhava para um green card, mas o Brasil que me recebia estava mergulhado na campanha das Diretas Já. Que país eu iria encontrar ?

Henfil, no dia em que nos reencontramos, resumiu com sabedoria:
“Você precisa mergulhar nas águas do Rio São Francisco para voltar ao Brasil.”

De certa forma, eu era quase uma americana: calçava sandálias com meias, sonhava em inglês e usava cinto de segurança para dirigir.

Foi então que os amigos se aproximaram, trazendo propostas de trabalho que ajudaram a me reconectar com o meu país. Primeiro, Cidinha Campos me convidou para integrar a equipe do programa “Cidinha Livre”, na Rádio Tupi, como redatora ao lado de Heloneida Studart. Conviver com duas mulheres tão brilhantes e engajadas nas mudanças do país foi um privilégio — e o primeiro banho no Rio São Francisco.

Quase ao mesmo tempo, Régis Cardoso, ex-marido e amigo, me chamou para ser pesquisadora de arte no programa “Caso Verdade”, na TV Globo.
Recebiam dezenas de cartas reais e era preciso sensibilidade para descobrir boas histórias. Fui fundo nas leituras…

Em pouco tempo, Régis seguiu para outro projeto e “Caso Verdade” ficou sob a direção de Reynaldo Boury, um mestre da narrativa sensível. Em uma conversa sobre novas pautas, comentei com Boury que a atriz Darlene Glória, Melhor Atriz no Festival de Berlim por Toda nudez será castigada, havia se tornado pastora e estava pregando num teatro em Copacabana.
Ele pediu que eu investigasse. Voltei com uma história tão forte que tive a oportunidade de estrear como autora em “Todo Pecado Será Perdoado”, ao lado de Ivan Yazbeck.

Outros “Casos Verdade” vieram, até que precisei fazer uma escolha.
Eu já estava dividida em três frentes: TV Globo, Rádio Tupi e o convite para voltar ao jornal O Globo. Na sequência já aparecia o Rock in Rio, o Canecão e a assessoria de imprensa com tantos movimentos culturais inesquecíveis.

Não foi fácil decidir. Naquele momento, a TV Globo começava também a formar oficinas para jovens autores, e fui convidada.
Mas sou muito feliz pelo caminho que escolhi — e imensamente grata à TV Globo, que me ensinou tanto, me enraizou de volta no Brasil e me abriu as portas para ouvir, sentir e contar histórias.

Porque mergulhar de volta ao Brasil é, também, reaprender a viver com o coração.

Santa Cruz Cabrália no Mapa da Criatividade Mundial

Em quase 21 anos como testemunha do desenvolvimento de Santa Cruz Cabrália, sul da Bahia, o momento de maior projeção internacional que presenciei foi em 2014, quando a Vila de Santo André foi escolhida como base da seleção alemã de futebol durante a Copa do Mundo. Foram dezenas de jornalistas do mundo todo voltados para o pequeno povoado.

Por isso, quando Gregorio Marin trouxe o convite para a cidade participar do Dia Mundial da Criatividade e Inovação, vi ali um passo gigante para um município com pouco mais de 30 mil habitantes e que, nos últimos anos, não havia desenvolvido uma linguagem própria — vivendo à sombra da vizinha Porto Seguro.

O Dia Mundial da Criatividade e Inovação é celebrado em diversos países com o objetivo de estimular o pensamento criativo e propor soluções inovadoras para os desafios globais. Criado em 2001 no Canadá por Marci Segal, a data — 21 de abril — foi escolhida para anteceder propositalmente o Dia da Terra (22 de abril), simbolizando a importância de novas ideias para um futuro sustentável. Em 2017, a ONU reconheceu oficialmente a data, e agora, em 2025, Santa Cruz Cabrália se insere nesse movimento global, entre mais de 100 mil participantes em todo o mundo.

Embora o número exato de países e cidades participantes deste ano ainda não tenha sido divulgado, edições anteriores contaram com cidades de mais de 15 países, como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Itália, Portugal, Emirados Árabes Unidos, Japão, Índia, República Dominicana e Sérvia.

Gregorio Marin, apaixonado por inovação e criatividade, chegou a Cabrália há pouco mais de dois anos. Com os amigos Grasi e Loredano Aleixo Junior, Elaine Camacho, Viko Tangoda e Marcos Teixeira, plantou uma semente ao adquirir uma casa centenária em ruínas na Praça Pedro Álvares Cabral. Ali nasceu o “Seu Beira Mar”, restaurante cujo cardápio é assinado pelo chef Viko Tangoda, que logo se tornou referência em alta gastronomia e bom gosto. Aos poucos, foi transformando o movimento da praça com eventos culturais pontuais.

Hoje, o “Seu Beira Mar” é mais que um restaurante: é um agente cultural e o mantenedor do Dia Mundial da Criatividade e Inovação em Cabrália. Com a colaboração de Izabel Tieri e em parceria com a prefeitura e apoio da secretaria de cultura, o projeto saiu do papel, ganhou site, presença nas redes sociais e atraiu convidados ilustres.

A programação destacou a diversidade cultural, reunindo acadêmicos, escritores premiados, educadores, mulheres que trabalham com piaçava, grupos indígenas Pataxó, apresentações de capoeira, maculelê, folia de reis, estética afro, animação com celular e tantas outras manifestações.

Um dos pontos altos foi a roda de conversa sobre Tecnologias Ancestrais, no auditório da Casa de Cultura Seu Jique. Três horas de troca intensa entre convidados e agentes locais, com depoimentos, experiências e propostas para o futuro e a promessa de nos reencontrarmos no ano que vem para acompanhar os avanços.

Tive a honra de ser mestre de cerimônias dessa conversa inspiradora, que contou com as sabedorias de :

Sérgio Bicudo – Consultor e mentor em economia criativa, inovação e transmídia. Mestre e doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP.

Maurício Negro – Artista gráfico, ilustrador, escritor e gestor cultural, premiado internacionalmente.

Bruno Moraes – Educador, mestre em Educação Ambiental e coordenador da Escola da Floresta (RS).

Edson Kayapó – Historiador, escritor e professor indígena do IFBA e UFSB.

Jaime Maciel Bertolino – Psicólogo e diretor terapêutico com foco em saúde mental e desenvolvimento humano.

Álamo Pimentel – Pedagogo, doutor em Educação, professor da UFSB e Secretário de Educação de Cabrália.

Indara Mel – Advogada, professora universitária e Secretária de Meio Ambiente.

Andreza Anjos – Secretária de Cultura, multiartista, conselheira de Igualdade Racial e ativista.

Thayamehy Pataxó – Educadora e Secretária para Assuntos Indígenas.

Nitynawã Pataxó – Liderança da Aldeia da Jaqueira e autora do livro As Guerreiras na História Pataxó.

Aptxiena Pataxó – Jovem liderança e guardião da memória de seu povo.

Com essa mobilização, Santa Cruz Cabrália se tornou a única representante do sul da Bahia entre as mais de 100 cidades brasileiras participantes do World Creativity Day 2025 — ao lado de Salvador, Feira de Santana, Lauro de Freitas, Camaçari e Mata de São João.

A programação dos dias 20, 21 e 22 de abril incluiu:

  • Grupo Cultural Tapurumã ui ikhã do Colégio Estadual Indígena de Coroa Vermelha
  • Encontro de Capoeira com Prof Pinguim e Mestres Barriga e Pé de Chumbo, e Oficina de Maculelê com Professor Pinguim
  • Boneco Budião Azul (Bloco Manga Rosa) com Marquinhos e Vinícius
  • Oficina de Estética Afro – Turbantes, com Moara Sachi
  • Desafio Criativo das Piaçaveiras do Ponto Central
  • Exposição do Coletivo Ybryda, com os artistas Tamykwã Pataxó, Evelyn Emi, êmydyô Tupinambá, Karolaine Pataxó e Jaqueline Pataxó i
  • Oficina de Animação com Celular, com Filip Couto
  • Fábrica de Aplicativo, com Luca Ranna e Evandro Ariqui
  • Moda e Estética dos Cortes de Cabelo da Periferia, com João Pedro S. Fernandes
  • Encontro de Percussão, com Timbaleiros e Grupo Maré da Lua do Centro de Convivência e Cultura de Sto André
  • Bloco Mestre Dezinha e as Nagôs de Belmonte
  • Folia de Santos Reis com Mestre Pedro Piroca e Samba de Roda Pataxó com Mestre Matigoti Pataxó

 Para 2026, uma nova edição já começa a se desenhar em uma cidade que gosta de criar, inovar e, cada vez mais, afirmar sua identidade.

40 ANOS DE AXÉ

Da esquerda para a direita Diana Aragão (O Globo), eu, Christine Ajuz (O Dia), Angela Tostes (assessoria de imprensa) e, segurando minhas mãos, Luiz Caldas.

Este texto faz parte do livro “A VERDADE É A MELHOR NOTICIA” que lancei em 2015 contendo “cases” de assessoria de imprensa…. O Axé e Luiz Caldas fazem parte, e compartilho uma das sementes que plantou o movimento levando a musica baiana ao seu maior patamar…

“A Polygram era uma das 5 maiores gravadoras do país e tinha em seu elenco artistas do prestígio de Maria Bethânia e Caetano Veloso. Eu tinha uma relação amigável com seus diretores, alguns conhecia há muito tempo, como era o caso de Armando Pittigliani, que um dia em 1986 me telefonou convidando para um café na gravadora na Barra da Tijuca. Estava de olho em um grande lançamento. A novidade era um rapaz da Bahia que estava fazendo o maior sucesso com um ritmo novo e uma música chamada “Fricote”, estourada nas rádios de Salvador e no interior do estado. A gravadora planejava fazer um show fechado do cantor no Canecão, apenas para convidados, reunindo o melhor da mídia nacional, trazendo jornalistas e radialistas de diversos estados, apostando todas as fichas neste movimento musical que vinha com uma dança contagiante. Armando apertou o botão do gravador e o espaço se encheu com o som de uma música original, um ritmo diferente, bem mexido, cuja letra, nos dias de hoje seria considerada politicamente incorreta pois dizia:

Nega do cabelo duro / Que não gosta de pentear / Quando passa na baixa do tubo / O negão começa a gritar / Pega ela aí, pega ela aí / Pra que ? / Pra passar batom / De que cor? / De violeta / Na boca e na bochecha / Pega ela aí, pega ela aí / Pra que ? / Pra passar batom / De que cor? / De cor azul / Na boca e na porta do céu /

A letra fácil ficou cantando na cabeça. Para quem tem faro fino na descoberta de valores musicais, a gravadora estava no caminho certo. Pittigliani falou maravilhas do rapaz no trio elétrico, a multidão que o seguia no carnaval, uma verdadeira coqueluche. E ainda mostrou umas fotos do cantor bem magro, um cabelo longo no estilo de Michael Jackson no videoclipe “Thriller”, pés descalços e uma roupa largada. Ainda se falava que tinha uma dança acompanhando a música que era chamada de “deboche”. 

Com este volume de informação carregado de cheiro e frescor da Bahia, eu não conseguia ver o cantor no palco do Canecão. Se tinha mesmo este sucesso todo por que não levar os convidados para um show em Salvador? Iam sentir na pele a energia e estariam compactuando com a chegada de um novo artista. É o que nos dias atuais chamam em marketing de “brand experience”. Lembrei que quando morei em Nova York trabalhei em uma agencia de viagens e uma das agentes tinha na sua carteira de clientes uma pequena gravadora que quando queria apresentar algum artista novo no mercado convidava os radialistas para um fim de semana em uma das 3000 ilhas das Bahamas. Na piscina, aproveitando o sol, os radialistas viviam imersão sobre os novos artistas e jantavam assistindo os pocket shows. Ali mesmo a gravadora sabia se o produto iria para frente ou não, se mereceria um investimento maior.

A gravadora contestou minha sugestão preocupados com o orçamento, mas eu só pensava no impacto que faria o artista em sua própria cidade, com uma plateia já conhecendo a sua música e isto seria um ponto muito forte neste lançamento. Voltei para o escritório, fiz o levantamento do custo de 50 passagens saindo do Rio e de São Paulo para levar alguns jornalistas, radialista e produtores de TV, e dias depois voltei a me reunir na gravadora mostrando que não seria tão mais caro e poderiam aproveitar estes dias para reforçar a relação com os jornalistas.  Os 50 convidados se transformaram em quase 100. Vieram diretores da matriz na Holanda e o então Hotel Mediterranée em Salvador viveu dias de festa.

Num palco montado na Praça Castro Alves, com mais de 100 mil pessoas na plateia em total delírio, Luiz Caldas foi apresentado com todo seu tempero para a mídia nacional. Uma noite que ficou na história do rapaz e dos jornalistas, radialistas e produtores de TV que viram ali nascer o que veio depois ser o movimento do axé. Em poucas semanas o “Fricote” era sucesso absoluto e o cantor com seu jeito diferenciado de se apresentar descalço virou figurinha fácil em todos os programas de TV, páginas de revistas e jornais. No ano seguinte, aos 24 anos, ele se tornou rei absoluto do mais esfuziante carnaval de rua do país, Salvador bombava com o seu som do “deboche”. A música que trazia o batuque do negro da Bahia, o ritmo balançado da salsa e do merengue mais outras influências do caribé e as guitarras do rock, ele era a estrela máxima. Em 04 de março 1987 Luiz Caldas com seu melhor sorriso ganhou as bancas de revista de todo o país como capa da revista Veja. A gravadora teve um retorno financeiro e promocional muito maior do que o esperado com o lançamento no Canecão, impulsionando uma nova vertente musical.”

Parabéns @luizcaldas … este é um pedaço da sua historia…

Uma peregrina em Santo André

Nos conhecemos em um cenário bem diferente do que Vila de Santo André. Era janeiro de 1985 quando me recebeu em sua casa na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro) para uma entrevista com seu marido Roberto Medina, contando com a presença dos filhos Jomar Jr, Rodolfo e Roberta. A reportagem foi capa do Segundo Caderno do jornal O Globo, edição de domingo, estávamos em pleno Rock in Rio!

Maria Alice Couto Fernandes, ou Maria Alice Medina, mais de 1m70 de altura, o máximo de elegância em bem receber em todos os cenários que nos reencontramos desde então.  E não foram poucos. Do estilo roqueira chic à dona de casa, ela não deixava de ser notada. Eu a via num grupo de meditação ao nascer do dia no período em que o marido esteve sequestrado, como também estudando para o vestibular na faculdade de fisioterapia, acompanhando o marido em viagens ao exterior para contratação de artistas para outras edições do Rock in Rio, se preparando para fazer o caminho de Santiago, e em várias áreas VIPs do festival ao longo de todos esses anos. Uma amizade que não precisa ter presença constante, mas a certeza de que do outro lado tem alguém que lhe quer bem e conhece sua história.

Em 2002 me acompanhou até Santo André numa visita à casa do meu irmão que falecera meses antes. Foram poucos e intensos dias. Há 7 anos morando em Lisboa, vindo ao Brasil algumas vezes para visitar a família e amigos.  Desta vez me deu o privilégio de passar uns dias em minha casa. Chegou um dia antes da Festa de Iemanjá, trazendo como recomendação terapêutica tomar sol, banho de mar e pé na areia. Foi o que encontrou, além de boas conversas e atendimento com ótimos profissionais de bem-estar que lhe cobriram de cuidados. Dias encantados…

Tive tempo de saber dos seus passos em Portugal, sua realização como autora do livro “Do Rock a Compostela” lançado em 2019, onde conta a sua trajetória como mulher e mãe até se tornar peregrina na primeira passagem pelo Caminho de Santiago em 1999. Já fez o trajeto 14 vezes, sendo três saindo da França e as outras de Portugal. E não bastando ainda foi estudar na Universidade de Santiago da Compostela. O livro tem um texto primoroso, pessoal, interessantíssimo, profundo e com fotos belíssimas de sua autoria. Uma peça de edição sofisticada, um livro de mesa, cujo conteúdo bem que mereceria uma edição básica para atingir um público ainda maior.

Falamos também sobre seu envolvimento com projetos sociais em Portugal como Embaixadora da Plataforma do Agora, criada por uma portuguesa residente na Islândia que dá voz aos trabalhos sociais em mais de 60 países via rádio e outros meios de comunicação; diretora e fundadora de Zencancer e diretora de acontecimentos do Instituto Rope, instituição que realiza ações com portadores de doenças terminais. Na área literária, marca presença como membro da Academia Peregrina de Letras, cadeira 21, em São Paulo; participante da Academia Europeia de Escritores da Língua Portuguesa, Embaixadora do Instituto IMLUS, instituição do mundo da língua lusófona e Sócia Fundadora do MIMA – Museu Internacional da Mulher da Língua Lusófona.

Maria Alice não para. Com esse volume de conhecimento se tornou palestrante para peregrinos, mulheres 50+ e também no mundo corporativo onde fala sobre a capacidade de se reinventar. Ainda encontra tempo para ser mãe de três, avó de oito e cultivadora de amigos. Como consta no subtítulo do livro, “às vezes se ganhas às vezes se aprende”, e neste verão creio que percebeu que por aqui sempre sairá ganhando e aprendendo..

Esperamos um breve retorno!

As fotos da festa de Iemanjá são de Maria Alice…. as demais são dos amigos

Uma trajetória no showbusiness

Desde 1986 quando conheci a história de Dody Sirena, quis contar em um livro. As primeiras anotações foram em 1994 e, de lá pra cá, acompanhando sua trajetória, fazendo parte da equipe em diversos projetos, tentei algumas vezes convencê-lo o quanto poderia servir de inspiração para tantos outros sonhadores… Foram algumas negativas, sempre gentis. De tempos em tempos eu voltava ao assunto, até que em dezembro de 2021 acendeu uma esperança…Ele já havia trilhado um longo e bem-sucedido caminho no showbusiness, havia enfrentado a pandemia e, ao contrário de muitos empresários, não se retraiu, mas expandiu os negócios. Foi numa conversa por telefone que propus escrever o livro. Partiria do que vi, dos relatos de muitos profissionais com quem trabalhou, familiares, amigos, além de uma grande pesquisa. Se aprovasse publicaríamos.

Em novembro de 2023 entreguei os originais para análise. Ele ia embarcar alguns dias depois para fechar um grande negócio em Nova York, ficaria alguns dias com uma agenda mais tranquila e poderia ler. Dias depois enviou a mensagem que estava gostando bastante e quando voltasse queria conversar a respeito de algumas passagens. Foram duas longas conversas online quando trouxe comentários relevantes que engrandeceram o meu relato.

E assim, em maio de 2024 “DODY SIRENA, OS BASTIDORES DO SHOWBUSINESS”, lançado pela Matrix Editora, foi lançado com noites de autógrafos no Rio e em São Paulo, e a programada para Porto Alegre foi adiada para novembro devido as enchentes na cidade.  Ótimas críticas, muitas entrevistas e a surpresa para muitos do quanto esse homem construiu em mais de quatro décadas.

Quem quiser conhecer essa história, pode adquirir o livro no link abaixo…

https://matrixeditora.com.br/produtos/dody-sirena-os-bastidores-do-show-business/

Saindo do armário

Estou no clima de “Mudanças”, igual a música da Vanusa e do Sérgio Sá onde sou parceira com o texto falado. Trocando de quarto, fazendo limpeza nos armários constato mais uma vez que a função do guarda-roupa duplex é ser depositário de tudo o que não faz a menor falta no dia a dia, mas acreditamos que um dia vamos precisar… E assim passam anos com “fantasmas” presos em malas e caixas… Esta arrumação era inevitável, procrastinada diversas vezes quase que falou por si pedindo socorro. Me liberte, parece que diziam as caixas de CD e DVD. Estou em tempo de reduzir as memórias físicas, afinal está tudo na nuvem. Já tinha doado uma parte, não tenho nem equipamento e agora resolvi guardar somente registros muito especiais onde o meu trabalho aparece creditado no encarte ou com enorme memória afetiva que poderiam até se transformar em quadros.

Foi assim ao rever “Alma Mater”. Se tivesse que escolher apenas uma trilha sonora dos meus tempos morando em Lisboa seria esta. Descobri por acaso ao ouvir no rádio de um taxi e me encantei com a sonoridade do Rodrigo Leão, ex integrante do grupo Madredeus, que fui direto ao El Corte Inglês, uma enorme loja de departamentos, encontrar este que seria meu grande companheiro em terras lusas.  Além desta “alma” guardada estavam outras memórias que fui folheando e me levando aos momentos em que um dia foram importantes.  Folhear o passado é bom, mas o melhor é começar um álbum novo de figurinhas….

Em tempo : Rodrigo Leão e “Alma Mater” facilmente encontrado no Spotfy e outras plataformas. Trilha nova na casa !