1994

World Economic Forum em Davos? Eu fui em 1994…

Não para ver Shimon Peres e YasserArafat subindo de mãos dados no palco do Congresso nem para discussões dos foruns econômicos e políticos. Naquele ano Davos se transformara na “Cúpula das Cúpulas”, com encontros paralelos informais entre líderes de organização de negócios, líderes regionais, mídia líderes, personalidades culturais, prefeitos globais e líderes globais para amanhã, reunindo mais de 1000 pessoas, o que fez com que estabelecessem que este fato não mais se repetiria…

Cesar Maia, então prefeito do Rio de Janeiro, fora convidado a participar do encontro dos prefeitos globais  que reuniria 20 cidades dispostas a apresentar projetos de um evento para celebrar a virada do milênio, que aconteceria a partir de 1996…O Rio fora a única cidade brasileira a participar e, se não me falha a memória, a única da América do Sul.  Um juri formado por técnicos mundiais capitaneados por Quincy Jones, escolheria 5 cidades que teriam os eventos patrocinados pelo Banco Mundial.  Como Assessora de Eventos da prefeitura, quando o convite chegou ao prefeito, fui chamada para criar este projeto e premiada com o reforço luxuoso do jornalista, diretor de TV e multi mídia Macedo Miranda Filho, que havia participado da campanha do prefeito e era um show de criatividade… Fizemos uma dupla e tanto, criamos uma série de eventos que aconteceriam em toda a cidade durante 30 dias precedendo a virada para o ano 2000. Todas as regiões ganhariam destaque, o projeto ganhou um vídeo e uma revista em inglês apresentando a cidade e a proposta.

Duas semanas antes viagem para Davos o prefeito avisou que estava com outros compromissos e a apresentação ficaria por minha conta.  Pânico total. Eu conhecia o projeto em todos os detalhes, afinal tinha construído com o Macedinho, mas daí fazer apresentação em inglês havia uma certa distância… Contratei um professor e todos os dias praticava inglês com foco na apresentação que teria duração de 30 minutos. Os ouvintes seriam um um juri de notáveis e os representantes de 19 cidades que também disputavam a primazia de ter um evento patrocinado pelo Banco Mundial e com a assinatura do World Economic Forum… Como companheiro de viagem me foi designado o ex-Ministro Marcílio Marques Moreira, sub-secretário para Políticas Públicas da Prefeitura, um diplomata de carreira, um gentleman. Como sabia da admiração do super maestro e compositor Quincy Jones por alguns artistas brasileiros, coloquei na mala cds para agradar a fera.

Chegamos em Zurique na manhã de sábado e o carro que nos levaria a percorrer menos de 150 kms até Davos era blindado. Não tínhamos tanto prestigio, mas como Yasser Arafat por questões de segurança preferiu ir de helicóptero, nos foi cedido o que fora reservado para ele. Um belo caminho entre montanhas branquinhas. Três invernos morando em Nova York vi muita neve, mas nada se comparava…  Nesta noite assisti ao emocionante encontro Arafat com Perez frente uma plateia em delírio. Na agenda de domingo tinha o dia livre e um jantar de gala com os participantes do encontro de prefeitos. Na segunda-feira pela manhã seria a apresentação do projeto. Voltei do jantar me sentindo mal, e o estado piorou durante a madrugada. Certamente o camarão do vol-au-vent servido como entrada estava com defeito. Uma noite trágica, às 8 da manhã já estava andando na rua repleta de neve em busca de uma farmácia. Cheguei para a apresentação medicada e à base de chá de erva doce…

Não sei de onde tirei forças, mas eu não tinha viajado mais de 9 mil quilômetros para ficar passando mal num quarto de hotel. Fiz o melhor que pude! Os astros colaboraram, os anjos disseram amém, o inglês soou perfeito, distribuí a revista sobre o Rio de Janeiro e os cds para o maestro que ficou encantado. Voltei para o quarto do hotel com febre e passei a noite suando e delirando. No dia seguinte retornei para Zurique aonde tomaria o voo para o Rio e estava passando muito mal. Não perdi a pose, não deixei o ex-ministro Marcílio perceber, e ainda conheci a cidade, almocei talharim na manteiga num restaurante superelegante e ao embarcar, senti o quanto estava fraca… Viajei sozinha e desmaiei à bordo. Desci no Rio e uma ambulância me levou direto para o hospital onde foi diagnosticado um processo de envenenamento alimentar. O remédio que eu tinha tomado em lugar de liberar o alimento ruim, simplesmente estancou. Um susto…. Recuperada, semanas depois chegou o resultado: Rio de Janeiro ficara entre as cinco escolhidas… 

Valeu o esforço!

Em tempo: os eventos não aconteceram por falta de patrocínio…

Sobre meu parceiro de projeto Macedo Miranda Jr, um pouco da sua trajetória,  numa homenagem póstuma:

Filho do escritor Macedo Miranda, foi o mais jovem repórter especial do Jornal do Brasil, promoção que conseguiu antes de completar 20 anos de idade. Com passagens pela Editora Abril e Bloch , criou e dirigiu diversos programas na Rede Globo como o Fantástico e o Globo Repórter.

Foi responsável por dirigir o primeiro Rock in Rio em 1985. Através de sua produtora – Arte & Fato – inovou, não somente na narrativa e linguagem, mas também na estética de diversos programas de televisão.

Construiu no bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, a sede para sua empresa que trazia para a época a mais avançada tecnologia e condições inigualáveis para produção independente audiovisual.

Comandou diversas campanhas políticas, reconhecidas como inovadoras na área de marketing político televisivo, sendo responsável por inúmeras campanhas, entre outras, de Aureliano Chaves para a Presidência da República, de César Maia e Conde para prefeitura da cidade do Rio de Janeiro (estas últimas vitoriosas)

Strangers in the Night

Outubro de 1979 – Depois de 6 anos entre namoro e “juntamento” numa segunda-feira o caminhão do primo Joãozinho parou na garagem do prédio e levou a mudança. Para trás ficava uma longa história e todos os moveis, utensílios, aparelhos, discos, quadros, lençóis de seda, aparelho completo de louça portuguesa, enfim, uma vidinha que fora bem legal. A relação chegara ao fim na noite de domingo com a presença da contadora para resolver a burocracia da empresa que tínhamos em comum. Deixava um apartamento duplex com piscina no Posto 3 para um simpático sala e dois quartos na rua Djalma Ulrich, Posto 6, na mesma velha e boa Copacabana. Em uma semana a casa estava montada, um fusca azul na garagem e o desejo de começar de novo…

No “treding topics” daquele final de ano estava a vinda de Frank Sinatra em janeiro para inaugurar o Hotel Rio Palace com três shows e um no Maracanã para mais de 60 mil pessoas.  Contrariando todas as previsões de uma cigana de que morreria ao vir à América do Sul, Sinatra estava fechadíssimo com o publicitário Roberto Medina e não se falava em outra coisa… Eu não iria perder esta oportunidade de assistir ao vivo “the old blues eyes” e logo que os ingressos foram postos à venda garanti dois para o Maracanã, nas cadeiras em torno do palco, local mais nobre do estádio e apesar de salgado o preço se encaixava no meu orçamento de jornalista.

O fim de ano fora tranquilo, Natal na casa dos meus pais, ano novo com amigos e sobre o ex o que sabia é que tinha viajado para ver a família no Rio Grande do Sul e estava choroso com a separação. Minha vida ia muito bem obrigado. Não era a primeira nem a última vez que daria a volta por cima… Trabalho e filho pra criar eram meu foco… Qualquer referência amorosa estava fora dos meus planos, afinal antes dos 30 anos estava na segunda separação e casamento não podia ser algo tão fugaz como trocar de camisola…

No dia 3 de janeiro, meu aniversário, convidei uns amigos para um brinde no novo apt e estava acabando de me arrumar quando a campainha tocou. Era o porteiro entregando uma caixa enorme que haviam deixado em meu nome. A caixa era leve, amarrada com um belo laço de fita vermelha e ao abrir encontrei embrulhado em papel de seda um longo vestido preto com alças finas, tecido leve esvoaçante salpicado de pequenos bordados em lantejoulas foscas…. Acompanhava uma sandália preta de salto 12, delicadíssima, uma pequena trousse e um envelope com um cartão “Aceita assistir comigo ao show do Sinatra no Rio Pálace ?” …. A assinatura eu reconheceria até usando simplesmente o tato… Era de um homem 15 anos mais velho e que um dia ao vê-lo entrar num teatro comentei com uma amiga: ainda caso com ele…. Cuidado com o que você pede, um dia acontece. Alguns meses depois fomos apresentados e engatamos um romance incrível, com altos e baixos, crises de ciúme dignas de cenas de novelas como as que ele dirigia na Globo… A proposta do bilhete era irresistível e algumas semanas depois ele veio me buscar para a noite encantada … Assistindo Sinatra numa mesa frente ao palco, cercada de amigos, brindamos o retorno ao grande amor … Compartilhei com ele o ingresso para o show no Maracanã, e, na semana seguinte, a mudança saiu do Posto 9 e retornou ao Posto 3.

Estas lembranças vieram hoje ao ler no Segundo Caderno de O Globo a reportagem sobre os 40 anos do show do Sinatra no Rio…. Não tenho fotos, mas lembro de todos os detalhes, e até algum momento em que acreditei que Sinatra passou os olhos por mim… A vida é boa, eu sei…

Em tempo: creio que alguma foto foi feita pelos tantos profissionais que cobriam a noite no Rio Palace, afinal dividíamos a mesa com Carlos Manga, Chico Anysio e Boni….

As mães

As amigas astrólogas sempre falam sobre o meu inferno astral que vem na aba das festas de fim de ano. Capricorniana de 3 de janeiro, sempre foi difícil conviver com a miscelânea entre Natal e Ano Novo. Para culminar a conjunção astrológica, foi numa antevéspera de Natal que enterrei meu irmão há 18 anos. Enterrei literalmente: caixão em cova rasa num pequeno cemitério à beira da rodovia BA-001 seguindo seu desejo. Nos tempos em que me debatia nas celebrações, insistindo em fazer uma grande árvore, comprar presentes e fingir que estava tudo bacana, havia o reforço do Natal na casa dos meus pais. Mamãe primava na organização. Algumas semanas antes, enquanto arrumava a árvore e espalhava a decoração pela casa, tirava as toalhas bordadas do armário que seriam exibidas na ceia do dia 24 quando toda a família se reunia.  Mamãe fazia a festa para a família, presentes para todos aos pés da árvore, ceia atendendo os desejos : torta de nozes para um, bacalhau para outro, tender para um terceiro, e assim ia o cardápio. Esta semana lembrei muito dela ao pensar na noite de Natal que se aproxima quando estarei com meu filho e ao ver Lurdes, a personagem da Regina Casé na novela “Amor de Mãe”, preparando no capricho o almoço de domingo para receber o rico namorada da filha. Minha mãe faria igual, mesmo sem saber cozinhar daria um show de ordens na cozinha e provavelmente serviria o mesmo chester e salada de maionese. Um parêntese: esta mãe que Regina construiu é perfeita, tem gestos de enorme força como as mãos que espalma nas costas de quem abraça, quando olha nos olhos e diz “você agora tem mãe”… Apesar da minha não ser nordestina, era muito parecida. Era capaz de qualquer loucura pelos filhos, menos vender a casa pois meu pai não permitiria… Mas a verdade é que este ano, particularmente, minha mãe tem me feito muita falta nestes dias e, junto com este sentimento, me veio a lembrança de duas grandes mães que protagonizaram 2019: Mercedes, a mãe do querido Ricardo Boechat, e Maria do Céu, a mãe do Gugu Liberato.  Quanta dignidade que estas mulheres com muitos anos de vida passaram num momento que nenhuma mãe espera: enterrar o próprio filho. Não eram personagens de novela, era dor na carne, no sangue, na alma. Assim como elas, centenas de mães choraram a perda dos seus filhos na violência urbana destes país… Meu desejo para 2020 é que as mães sofredoras fiquem apenas nas novelas, no talento da Regina Casé , Tais Araujo e Adriana Esteves. E de resto, a vida segue…

João

A música me leva longe. Cenários, aromas, sabores, amores, momentos, tudo volta e me transporto. Assim como os amigos distantes que num reencontro parece que o tempo não passou, a música exerce esse efeito em mim. Esta semana chegou na caixa postal um cd do João Caetano, presente precioso, e nem precisei chegar em casa para ouvir. Esperando a balsa abri o pacotinho e lá foi o cd engolido pelo som do carro e eu engolida por uma saudade imensa do João, dos nossos anos 80 no Rio, e de ouvir nova boa música.  A minha trilha sonora não tem novidade há muito tempo. Fico revisitando os cds digitalizados, fazendo playlists em aplicativos, que falta me fazia descobrir novas letras e sons numa voz que me preenche de boas memórias.

João além de belo compositor, interprete é um talentoso profissional que sempre atua com alguma forma de arte, mesmo quando dá um tempo para a música. Seja na moda quando teve as lindas lojas Fórum no Rio, seja no Arquivo Contemporâneo seu projeto atual. A sonoridade sempre serpenteando, desde os tempos da faculdade de medicina, por que ele também é médico… E aí aparece neste final de ano transbordando poesia num cd que não pode ser mais biográfico, a começar pelo título, apenas JOÃO, com sua assinatura…

Ah João você está tocando direto no cd player do meu coração desde que atravessei a balsa com as janelas fechadas e aumentei o som pois minha alma precisava do seu delicioso cantar. Repito : que falta faz ouvir novas músicas. Músicas com cheiro de terra, memória rural de Goiás, sua raiz, a começar com “João”, mais autobiográfica impossível; músicas apaixonadas, românticas, delicadas como “A Voz do Coração” e “Te Amo”, as homenagens ao Rio de Janeiro em “Cem por Cento Carioca”, e para um seleto grupo de inspiradores que já partiram como Baden, Vinicius, Candeia, Braguinha, Lamartine, Donga, Lupiscinio em “Lugar Sagrado”, e ao design Sergio Rodrigues em “Almas Gêmeas”.  São 14 maravilhas, músicas que falam no meu coração, num tempo em que havia delicadeza, respeito, amizade. Um registro forte de uma época feliz. E ao ouvir “Porta Retrato”, descobri que mesmo vasculhando minha caixa de fotografias não tenho uma com você. Ainda está em tempo. Precisamos nos ver, no Rio ou na Bahia, pois o tempo passa como na letra de “Flor do Cerrado” “lembra do tempo / veloz ou lento / passando assim por nós / então me diga / que vão da vida / quis nos deixar tão sós? ”

Historias de pescador

Adriano e “seu”Laurindo voltando da roça

Adriano trabalha na construção civil, é também pescador e presidente da associação de pescadores do Guaiú. Sempre frente aos movimentos da comunidade, como abrir o acesso do mar para o rio a fim de salvar as espécies, buscar caminhos para os pescadores chegarem com seus carros para retirar a produção do dia, Adriano sonha estudar engenharia e a primeira vez que o vi foi vestindo beca e usando capelo na formatura em administração de empresas. Dias depois nos encontramos no Fórum num grupo que ia ao encontro do promotor para discutir o alto preço das passagens para travessia da balsa, e foi na sala de espera que ouvi um pouco de sua história. Tem uma garra e um brilho nos olhos que atraem quem gosta de ouvir historias, como eu.

Passei a fazer parte dos seus grupos de whatsaap, a seguir suas redes sociais e quando o Nordeste começou a ser banhado com o óleo sua atuação passou a ser constante. Com a matéria cada vez mais descendo para o sul da Bahia, Adriano passou a alertar em vídeos sobre o grande mal desconhecido. Munido de um celular, diariamente, envia um relatório mostrando a praia ainda limpa, a chegada das pequenas partículas na areia, o mutirão com voluntários unindo folhas de coqueiros, redes e sombrites para impedir o óleo de entrar no rio e destruir os mangues e pequenos crustáceos…. Ele é o meu “Bom Dia Brasil” noticiando o que está acontecendo no Guaiú posso prever como estará em Vila de Santo André.

Adriano hoje enviou um áudio contando sobre o avô por quem foi criado, sua maior referência, grande inspiração. Laurindo Francisco de Souza, tem 100 anos, nasceu na região de Santa Maria Eterna, na vizinha Belmonte, e mora no Guaiú desde 1940.  Com tanta conversa sobre o derramamento de petróleo, ele contou que por volta dos anos 60 também apareceu muito óleo na praia, bem parecido com o que está acontecendo. Sem redes sociais e difícil comunicação, nem havia energia elétrica, apenas umas 3 casas no Guaiú, o mesmo número em Santo Antônio e Santo André, os moradores tomaram providencias. “Seu” Laurindo conta que há algum tempo guardava tonéis que tinha encontrado na praia e os aproveitou para armazenar o piche que chegava. Aos poucos a praia ficou limpa e durante anos guardou esta matéria que utilizava para calafetar os barcos que usava para pescar e trazer alimento à família….

Vendo os “novos invasores” que o neto vai recolhendo, “seu” Laurindo compara ao que retirou nos anos 60. Segundo ele, primeiro chegaram bolas pequenas, depois um volume maior e acredita que por ser inverno os blocos eram mais duros, não tão pastosos como tem visto. Na sabedoria e lucidez dos seus 100 anos, na experiência de quem viveu sempre à beira mar, ele sabe muito bem o quanto aumentou a temperatura no planeta. Não precisa de qualquer aparelho para medir o efeito estufa, acredita que isso poderá influenciar no movimento e a expansão deste derramamento. Reflexões, análises de um simples pescador que teme pelas praias, mangues, peixes, crustáceos, restinga, tudo que o cerca e onde plantou sua vida, sua família. Mas tem esperança de que em mais alguns anos tudo isso seja apenas uma história para o seu neto contar.

Vidas cruzadas

Estou em tempo de memórias, mexer em fotos, contar histórias para a os mais jovens da família. Este é Tio Tózinho (Antônio Penteado) tio do meu pai… Era uma grande figura que conheci em 1961 quando mudamos de São Paulo para o Rio de Janeiro. Funcionário da prefeitura, exercia algum trabalho burocrático, pois sua paixão era ser charadista, ou cruzadista como também eram chamados os que criavam palavras cruzadas. Ele fazia parte de um grupo aonde era muito prestigiado com o pseudônimo de Paraná, estado onde nasceu toda a família Penteado. Ouvi muitas histórias sobre ele e uma delas mostra que tinha visão de marketing mesmo no fim do século 18 quando nasceu e ter morrido sem ouvir sobre esta ferramenta…. Quando rapaz, morando em Curitiba, fazia enorme sucesso nas altas rodas com sua elegância, bom humor, raciocínio rápido e inteligência. Certo dia procurou o sapateiro mais chic da cidade para encomendar um sapato. Ouviu a lamúria sobre um couro alaranjado que o sapateiro tinha encomendado e estava encalhado. Propôs que fizesse o sapato custo zero. Caso ninguém procurasse para encomendar modelos com o mesmo couro, ele pagaria. Sapato pronto saiu a desfilar pela Rua XV, local de grande movimento no centro Curitiba aonde se usava fazer footing, andando de um lado para o outro para ver e ser visto. Em pouco tempo só dava sapato alaranjado na Rua XV, criou moda.

Mas a história que mais gosto é de amor. Casou em Curitiba com a moça da foto que faleceu 6 meses depois. No leito de morte ele prometeu à amada que não casaria no próximo ano, mas se acostumou a viver sozinho e assim ficou por toda a vida…. Mudou para o Rio e descobriu o prazer de estar num balneário. Frequentava a Cinelândia onde ia aos cinemas nas sessões da tarde. Tomava banho de mar na antiga praia do Flamengo, andava na calçada de Copacabana e circulava de lotação pela cidade.  Era feliz do seu jeito. Nos seus últimos anos, já aposentado, quase todos os sábados almoçava na nossa casa na rua da Cascata, na Tijuca. Chegava perfumado, cabelos brancos fartos, penteados com gumex, vestindo ternos de linho, ou apenas calça e camisa sempre de linho…Lenço de cambraia no bolso para enxugar o suor do verão, roupa impecavelmente amarrotada por conta do linho, mas isso não tirava o charme. Quando morreu eu tinha 15 anos, coube ao meu pai cuidar do enterro e desmontar o apartamento que morava na praça da Cruz Vermelha, no centro do Rio. Um apartamento simples onde se destacava uma escrivaninha e uma grande estante repleta de livros e calipídios (acho que assim que se escreve o termo que só ouvi falar), uma publicação encadernada escrita à mão com palavras para serem usadas em charadas, naquelas palavras cruzadas difíceis de resolver… Estes livros foram doados para uma associação de charadistas (ou cruzadistas) e para mim ficou um pecúlio da prefeitura, em dinheiros de hoje deveria ser uns 2 mil reais, motivo de alto consumo, inclusive uma meia peruca muito em moda na época… Tio Tózinho sempre esteve em minhas lembranças e, como sempre os fios da vida voltam a se entrelaçar, quando morava nos Estados Unidos houve um tempo que achei estar totalmente esquecida no Brasil. Ate receber por correio a carta de um sobrinho com uma página da revista Coquetel onde numa palavra cruzada aparecia : (L..) Penteado jornalista brasileira com 3 letras ! Era eu !!  Ele também não esqueceu de mim…

O professor de português

Com Professor Délcio, as professoras que não recordo o nome, e Janine Thomas

Tenho fugido dele há muitos anos. Quando se apresenta é sorrateiramente, no meio de uma grande mudança, ressurge do nada e me olha desafiador. É apenas um livrinho sem capa, com algumas folhas soltas, mas mexe com as minhas entranhas. Não pelo teor dos poemas de Castro Alves e nem por saber de cor “Vozes D´África” – Deus! Ó Deus, onde estás que não respondes!? Em que mundo, em que estrela tu te escondes, embuçado nos céus? Há dois mil anos te mandei meu grito, que embalde, desde então, corre o infinito… Onde estás, Senhor Deus?…-  mas por lembrar sempre de onde veio.

A dedicatória quase apagada mesmo que desaparecesse eu não esqueceria e diz “À aluna Léa Ceres Viana Penteado vencedora do “I Concurso de Redação” realizado no Ginásio Batista Brasileiro em 1962”. Acompanha as assinaturas da diretora Zeni e do professor Delcio. Aos 13 anos cursando a 3ª série, como todas as alunas do ginasial tive que fazer uma redação para participar do concurso. Não lembro se o tema era livre, mas a minha tinha o título “Saudades”. Nunca fui atenta às regras de gramática, mas tinha estilo. Me lembro das 3 folhinhas retiradas do caderno onde passei a limpo com a letra cuidadosa e sem rasura a redação. Eu sabia que estava bacaninha, mas a estima não era tão elevada ao ponto de achar que seria a melhor. E não é que foi?

Como eu era apenas uma aluna mediana, nem tão bonita, nem rica, nem da Igreja Batista, ter sido a vencedora causou um mal-estar. Poucas horas depois do anuncio feito no alto falante do pátio com todas as alunas formadas em fila, começou o zumzumzum de que eu não podia ser autora daquela redação tão surpreendentemente boa. Eu gostava de ler e escrever, sempre fui criadora de histórias que só ficavam nos meus pensamentos e não sei de onde tirei inspiração para colocar no papel. Lembro alguns trechos e deve ter chamado a atenção do professor Delcio, um homem negro, muito magro, com mais de 60 anos, o fato do primeiro e o último parágrafo começarem exatamente iguais. Nem sei aonde vi isso, mas sei que fiz assim e deu um diferencial à redação.

A revolta das colegas era velada. Não falavam abertamente, só no cochicho. Fiquei constrangida, triste, fora do prumo durante algumas semanas. Puro bulling, diriam nos dias de hoje. Engoli seco, não comentei em casa, tive vergonha. Em algum pensamento maluco nos longos seis quarteirões que caminhava da minha casa à escola cheguei a duvidar que tivera competência para escrever. Eu não era tão boa assim. Meu guarda-roupas era uma bagunça, eu odiara meu irmão quando nasceu, roubei bombons de minha mãe, assisti TV escondido e com tantos erros como podia escrever bem e ganhar um concurso?

Perguntas que ficaram nas pedras chutadas e o tempo passou mostrando que escrever era mais forte do que todas as dúvidas, minhas e dos outros. No ano seguinte, na formatura do ginásio, fui escolhida para ser a oradora da turma e fiz um lindo discurso que ninguém mais podia contestar a autoria.

E bem nesta semana quando acerto escrever para o portal da minha amiga loura, o livro “Espumas Flutuantes” voa da estante e a história de como tudo começou vem à tona. Um fato jamais comentado nem nos divãs dos analistas, nem nas confissões da igreja, nem repetida para a família, filho, maridos, namorados, amigos chegados… Guardada no fundo do coração saiu sem dor e com uma enorme gratidão ao concurso de redação que mostrou o meu caminho.

Esta cronica, escrita para o portal Anna Maria Ramalho e publicada em 23 de março de 2015, republico em honra ao professor inesquecível…

São João, acende a fogueira do meu coração

No final da rua da Margaridas, do lado esquerdo, antes de chegar no riacho, ficava a casa dos italianos Orabona. Nós morávamos no Brooklin, naquele tempo era um bairro distante do centro de São Paulo, onde ainda haviam chácaras, um rio aonde as crianças tomavam banho escondido dos pais, ruas sem calçamento, alguns sobradinhos, um colégio de freiras e outro dos padres, uma igreja a ser construída em mutirão, um pequeno comércio. Os italianos eram festeiros, assim como os espanhóis Alarcon que tinham o empório na esquina das Margaridas com Acácias.   

Eu esperava o ano todo pelas festas dos Orabona. Era tão bom quanto as férias no Rio. Nas semanas que antecediam a casa deles se transformava em atelier para construção de balões. Às vezes papai me levava prá ver aquele monte de papel de seda colorida que com recortes exatos e colagens magnificas com cola de farinha, se transformavam em peças únicas de uma beleza incrível. Tinham expertise em fazer a bucha e colocar de forma que subissem sem “lamber” (queimar), colorindo e iluminando o céu até se perderem no infinito. Na noite da festa me importava mais ficar olhando os balões no céu do que qualquer comilança… E a mesa era farta, mas eu só admirava sem preocupação com o meio ambiente ou o que a queda poderia provocar. Apenas sonhava em voar junto.   

Esta era a memória de São João até mudar para o Rio na adolescência e conhecer as enormes festas que aconteciam nas ruas da Tijuca. Cada dia uma rua enfeitada com bandeirinhas e bambu, quadrilha, barraquinhas, comilança com quentão, vestido estampado com enfeite de renda, chapéu de palha com flor. Uma agenda disputadíssima e eu nem olhava mais para o céu procurando balões, mas sim para os lados interessada nos rapazes…

São João sumiu e voltou quando eu tinha menos de 30 anos e passou a ser festejado em casa, aniversário do marido que também tinha o nome do padroeiro. Toda festa tinha um clima caipira, mesmo que discreto. Uma vez ousamos ao extremo e transformamos o quintal da casa dos meus pais em arraial com cenografia impecável, música ao vivo com um trio de zabumba, sanfona e triangulo, quentão, amendoim torrado, cachorro quente, milho, canjica, bolos… Festança para ninguém botar defeito. Da diretoria do Salgueiro aos atores do elenco da novela que ele dirigia !!

Acabou o casamento e São João também. Reencontrei o santo há 15 anos quando vim morar no Nordeste onde a festa é tão grande, como o fim de ano no Sul quando as famílias se reúnem, ou um thanksgiving na América. São muitos dias de celebração. Em Santa Cruz Cabrália é praticamente o mês inteiro. Tem festas no centro da cidade, nos bairros, nos distritos. Tem até um bairro com um Santo Antônio com mais de 14m de altura onde acontecem 13 dias de festas, com missas, bingos, shows, para a alegria do padre e do povo. Consta que em Vila de Santo André, antigamente a festa durava 3 noites e 3 dias de musica, brincadeiras e comilança. Este ano se repetem 3 noites com apresentação de quadrilhas, barraquinhas com quentão de jenipapo, amendoim cozido, curau, caldo de pinto, pipoca, bolo de milho. Forró tocando alto, criança correndo, a temperatura mais fria, mas não tem fogueira nem balão no céu… O que sobrou da Mata Atlântica agradece.

Rock’n roll na veia

Em julho de 1990 quando foi lançada a 2ª. edição do Rock in Rio em uma entrevista coletiva na Tribuna de Honra do Maracanã, local aonde aconteceria o evento, foi feita uma superprodução com jornalistas vindos de diversos Estados, o que gerou uma grande repercussão. No entanto alguns dias depois veio um balde de água fria com a divulgação da notícia de que o Maracanã estaria com problemas na estrutura e poderia cair. Tudo levava a crer que era briga política.  O governo estadual sentiu-se ameaçado com a projeção que Roberto Medina teve com o sequestro sofrido um mês antes e o fato poderia agregar valor à família Medina, com Rubem, irmão, deputado federal e possível candidato ao governo do estado nas próximas eleições. 

Por questões estratégicas, Roberto Medina preferiu ficar fora de cena enquanto não saíssem os laudos técnicos que comprovassem que estava tudo bem com o estádio. Sabíamos que era um movimento para desestabilizar o festival e como o meu negócio não era política, mas ganhar espaço na mídia, várias ações foram criadas, entre elas a “Escalada do Rock”, onde bandas novas participavam de um concurso, a ganhadora teria contrato com uma gravadora e se apresentaria uma noite.  Centenas de fitas cassete* chegavam por correio ou eram entregues na recepção da Artplan, agencia que produzia o evento. Passei dias, noites, fins de semana, todos os horários livres, junto com o produtor Charles Nogueira fazendo uma peneira que depois era enviada para uma comissão passar o pente fino.  

Um dia chegou não uma fita, mas o próprio interessado em participar. Tratava-se de Serguei, que conheci ao lado de Janis Joplin numa entrevista coletiva na pérgola do Copacabana Palace em 1970, e ao longo dos anos vinha batalhando na carreira de rock star… Serguei queria participar da “Escalada do Rock”, estava fazendo o maior movimento na imprensa e foi se candidatar. Super alto astral, uma figura fora de qualquer padrão, muito divertido, onde chegava se tornava estrela… A produção definiu que ele poderia se apresentar na seleção como “hors concours” e em honra ao rock teria seus minutos de fama na abertura de um dos shows… Serguei vibrou!  Acreditando ter sido eu a responsável sua participação, ao longo dos anos jamais deixou de telefonar, mandar recados por amigos, flores, elogios na imprensa, sempre agradecido pela realização do sonho… Confesso que não fiz nada, apenas levei o assunto ao “dono” do evento, Roberto Medina, ao produtor Dody Sirena, e ambos concordaram que ele era a cara do rock and roll… E foi e será para sempre a cara do rock … Agora é tempo de ser estrela no céu ! 

O cantor Serguei morreu na manhã desta sexta-feira (7), aos 85 anos, no Hospital Zilda Arns, em Volta Redonda (RJ), onde estava internado desde o fim de maio.  

*A fita cassete ou compact cassette é um padrão de fita magnética para gravação de áudio lançado oficialmente em 1963, invenção da empresa holandesa Philips. Também é abreviado como K7.

O cassete era constituído basicamente por 2 carretéis, a fita magnética e todo o mecanismo de movimento da fita alojados em uma caixa plástica, isto facilitava o manuseio e a utilização permitindo que a fita fosse colocada ou retirada em qualquer ponto da reprodução ou gravação sem a necessidade de ser rebobinada como as fitas de rolo. Com um tamanho de 10 cm x 7 cm, a caixa plástica permitia uma enorme economia de espaço e um excelente manuseio em relação às fitas tradicionais.

O audiocassete ou fita cassete foi uma revolução difundindo tremendamente a possibilidade de se gravar e se reproduzir som. No início, a pequena largura da fita e a velocidade reduzida (para permitir uma duração de pelo menos 30 minutos por lado) comprometiam a qualidade do som, mas recursos tecnológicos foram sendo incorporados ao longo do tempo tornando a qualidade bastante razoável. Recursos como: novas camadas magnéticas (Low Noise, Cromo, Ferro Puro e Metal), cabeças de gravação e reprodução de melhor qualidade nos aparelhos e filtros (Dolby Noise Reduction) para redução de ruídos.

Os primeiros gravadores com áudio cassete da Philips já eram portáteis, mas no final dos anos 70 com a invenção do walkman pela Sony, um reprodutor cassete super compacto de bolso com fones de ouvido, houve a explosão do som individual. ( Fonte Wikipedia)

Em memória do Segundo Caderno O Globo

Em novembro de 1976, numa certa manhã na redação da revista TV Guia (Editora Abril) o editor Edgard Catoira me chamou para avisar que ia ter um “passaralho”, termo muito utilizado nas redações em referência a demissões em massa, e meu nome não constava da lista. Porém, buscava colocação para os que seriam demitidos e numa conversa com o Henrique Caban, editor de O Globo, soube que havia uma vaga para cobrir a área de TV no Segundo Caderno do jornal. Caban se interessou pelo meu currículo, já vinha me acompanhando e, caso eu aceitasse, a minha vaga iria para um colega que estava na mira do corte… Fui pra casa pensar. Nunca tinha trabalhado em jornal, toda a experiência era em revistas e tv, o salário não mudava muito, mas soava como um desafio sedutor.  No dia seguinte fui conversar com o Caban e assim começou a minha vida nas Organizações Roberto Marinho onde mais do que jornalismo, aprendi a me colocar como mulher e profissional. Não que eu não soubesse me portar, mas diante daquela redação repleta de intelectuais, o que eu escrevia era considerado subproduto…. Além disso, constava no meu currículo ter sido secretária do apresentador de TV Flávio Cavalcanti, considerado super de direita, ter escrito e dirigido revistas de fotonovelas… Popular é pouco…

Era um tempo em que ainda havia o discurso “passei pela área de serviço e a minha empregada estava assistindo o Chacrinha” ou a referência à qualquer outro programa popular, onde também se incluíam as novelas. Sim, eu sabia sobre os bastidores deste mundo ‘pouco qualificado’ e ainda namorava um diretor de novelas… Conviver com uma repórter assim era divertido para a “inteligentzia” que queria saber se a Sandra Bréa era caso de que diretor, se determinado ator era “bicha” – ninguém era gay naquele tempo- ,  se a cantora era “sapatão”, se fulano tinha um contrato com tantos cifrões, e  outras tantas curiosidades do submundo do subproduto das celebridades… Apesar de todo o ar político e culturalmente correto, a redação era um mafuá. Móveis velhos e empoeirados, janelas enormes que descortinavam para o Batalhão da PM, a trilha sonora das teclas nas máquinas de escrever, os cinzeiros cheios de bitucas de cigarro e o desfile de lendas do jornalismo que entrava silenciosamente para entregar seus artigos, alguns até escreviam em máquina no fundo da sala… Um calor infernal, o sol da tarde era inclemente, mas foi ali que eu comecei a forjar essa mulher que sou hoje… Foi no campo do que hoje seria o “bulling” que me fortaleci e passei a ter orgulho do meu caminho… Diferente dos meus amigos, eu não tinha cursado qualquer universidade. Sou do tempo que para ter registro de jornalista bastava apenas mostrar serviço, e assim me tornei uma.  As tendências ao brega que construí ouvindo o rádio da Rosalina na cozinha da infância, as raízes da Tijuca no grupo MAU, tudo formava a identidade do que eu estava me tornando.

Foi a partir de uma reportagem onde eu revelava o conteúdo das cartas que os fãs mandavam para os atores, que o seleto grupo de colegas passou a olhar o meu trabalho com mais atenção. Eu era um pouco mais do que uma “repórter de tv”. Consegui esta matéria graças à “santa” Guta, diretora de elenco da Globo e com poderes sobre as grandes estrelas globais, que me permitiu ler as cartas onde os fãs revelavam seus sonhos e intimidades em relação aos artistas. Como exemplo, um determinado ator recebeu uma caixinha que continha um vidro para que colocasse o seu esperma. Ela sonhava ter um filho e poderia ser até desta forma.  Foi a partir daí que meu caminho na redação ficou mais fácil e passei a me sentir pertencente ao time.

Tite de Lemos, Ivo Cardozo, Leonal Kaz e por último Fuad Atala acompanharam essa minha trajetória em 5 anos na redação do Segundo Caderno. Eles nunca souberam o quanto eu era feliz em compartilhar nas páginas do Segundo Caderno, entre matérias sobre sofisticadas montagens teatrais, operas, exposições de arte, concertos sinfônicos, autores premiados, cinema de arte, as matérias popularescas como as que fiz com Gretchen, Wando, Sidney Magal, Júlio Iglesias, entre muitas outras, além das estreias de todas as novelas…

Estas lembranças chegaram ao amanhecer quando soube da partida do querido Fuad Atala para redações celestiais. No ultimo dia 4 de abril quando reunimos uma parte dos Dinossauros de O Globo num jantar no Rio, chegamos a fazer um crachá para ele, mas com a saúde debilitada não pode brindar a amizade deste tempo tão feliz… Na foto, a alegria da nossa juventude e Fuad atrás da grande mesa com total maestria regendo todos nos… dezembro de 81, um pedaço da nossa equipe… ja não estão mais Sonia Biondo e Flavia Villas Boas… Presentes Leonel Kaz, Ana Maria Ramalho, Flavio Marinho, Terezinha Larcher, Eliane Levy de Souza e um pedacinho da Heloisa Daddario… Fomos muito felizes e continuamos a ser por ter tanta historia prá rever…