Ipanema Adeus

Está rolando nas redes sociais no sul da Bahia um trecho do filme “Ipanema Adeus” com imagens do centro e cais de Santa Cruz Cabrália datado de 1974. O filme tem roteiro, direção e produção do Paulo Martins, primeiro marido, pai do meu filho, e começou a ser desenvolvido quando estávamos nos separando. Na sinopse Carlos, um executivo carioca de meia idade com um emprego estável e uma grande família, diante uma crise existencial abandona tudo e se muda para a Bahia para iniciar uma nova vida. O tema muito parecido com o que Paulo estava vivendo e, acompanhado dos protagonistas Hugo Carvana e Monique Lafond, viajou num fusca para filmar na região que, por total ironia do destino, eu vim viver há 20 anos. Razões totalmente diferentes me trouxeram, mas me levam a refletir sobre as “coincidências” da vida.

Há algumas semanas fui procurada por Diego Hamilton Reis, um professor de Porto Seguro que, junto com outros interessados na preservação da memória da cidade, está debruçado sobre as cenas dos anos 70. Considera um registro raro em formato audiovisual que mostra o casario, o cotidiano, personagens locais. Ele estava querendo localizar Paulo Martins, mas chegou tarde.

Paulo me visitou diversas vezes e ficaria imensamente feliz ao saber do legado de sua obra. Hoje quando completa cinco anos de sua partida, faço essa homenagem e convido aos interessados a assistir “Ipanema Adeus” disponível no Youtube…
Salve Paulinho !!

…e lá se foram 20 anos

Foi morando em Portugal, trabalhando no Rock in Rio-Lisboa, que um dia acordei decidida a parar de trabalhar por 6 meses. Os anos anteriores foram de glórias profissionais, perdas e dúvidas pessoais. Voltei ao Brasil, fechei o apartamento no Rio e vim para Vila de Santo André, Sta Cruz Cabrália, Bahia, que eu conhecia bem. Vim para a casa que era do meu irmão e que após sua partida minha mãe herdara. Cheguei com algumas malas, muitas interrogações, o desafio de vender a casa e buscar meu prumo.

Hoje fazem exatamente 20 anos que cheguei.  Me atirei como num trapézio sem rede para a experiência de viver num povoado à beira mar, na época com menos de 400 habitantes. Foi como ouvir de novo “eu caçador de mim” que me inspirou nos anos 80 a deixar tudo e ir morar em Nova York. Se lá deu certo, por que não tentar?

O destino fez sua parte e trouxe o recurso para comprar a casa. Fui de pedaço em pedaço, assim como os mosaicos, as colchas de retalhos e de crochê que faço montando um quebra-cabeça mental. Descobri que podia trabalhar em home office com internet discada. Primeiro seriam 6 meses que se tornaram dois anos e no dia em que decidi ir embora, fui convidada para ser Secretária de Cultura. Irresistível!

Ganhei muito em qualidade de vida. Tudo mais simples, apesar das dificuldades para uma urbanoide em estar numa área semi rural. Escrevi três livros, textos em blogs, criei o site da região em 2006, fui secretária de Comunicação em outra gestão e, seguindo um amigo craque em turismo, abri a minha casa para receber viajantes. Cidadã Cabraliense, título na parede e no coração, me tornei conhecida numa cidade onde não tinha raízes e adoro quando andando pela rua alguém diz: “oi dona Léa”.  

Fui mais longe do que podia sonhar. Agradecimentos são muitos, tantos amigos e histórias que preencheriam um livro.  Quem sabe um dia. Acompanhei a transformação do povoado, muros onde haviam cercas, uma comunidade amigável de nativos e chegantes. Estou cercada pela exuberância da natureza com pássaros, marés, luas, sons e movimentos que me falam sobre a impermanência dos tempos. Tudo é fluído.  E a vida é boa.

Para celebrar a data foto da Cláudia Schembri  

Casa da Léa

Quando tudo começou eram os chalés que a jornalista Léa Penteado tinha em sua casa no vilarejo de Santo André, Santa Cruz Cabra, Bahia, aonde recebia informalmente amigos e amigos dos amigos. Depois que o Ricardo Freire e o Nick Santiago ficaram hospedados trazidos pela querida Cacaia, seguindo a sugestão de quem entende de turismo nasceu a “Pousada Banana da Terra”. Mas os que chegavam diziam: “é a casa da Léa”.

Este verão, quase que numa crise de identidade, conversando com a Aline e a Esther, amigas profissionais de marketing e comunicação, surgiu a ideia de fazer um “rebranding” da Banana da Terra, um processo usual para ajustar a maneira como marcas se colocam perante ao público e o mercado. Concluímos facilmente que o certo era dar o nome da própria essência: CASA DA LÉA.

A bem da verdade, “Banana da Terra” sempre foi CASA DA LÉA. Até o localizador do Google sabe disso, era só criar uma nova identidade visual. Todos que por aqui passam conhecem o atendimento sob medida, das boas conversas no café da manhã, das colchas e os cabides que faço para os chalés, dos livros para empréstimo, das dicas de passeios e, como Freire escreveu no @viajenaviagem ,“é como se hospedar na casa de uma amiga que você fez no Facebook (não por acaso, as reservas são realizadas por lá).” E agora também as reservas são por aqui, ou no www.acasadalea.com site criado pela @krissubtil ou no www.santoandre-bahia.com

Parece que nada mudou, mas para mim tem sabor de começar de novo.

Chico 80 anos

Lendo nos jornais as homenagens aos 80 anos do Chico Buarque na próxima 4ª feira, lembrei de um encontro que tive com ele que, se não tivesse testemunhas, ficaria calada. Em 1967 eu fazia o curso pré-vestibular na rua México, centro do Rio de Janeiro, e entre os colegas havia o tímido Léo. O cursinho preparava para diversas áreas, eu fazia para psicologia, mas haviam aulas compartilhadas com alunos de economia e administração, a turma do Léo. Eu morava na Tijuca, assim como Ângela, a minha melhor amiga, com quem diariamente ia de ônibus para as aulas. Certo dia Léo convidou 10 amigos para seu jantar de aniversário e lá fui com Ângela para o endereço que era a Galeria Menescal em Copacabana. O apartamento ocupava toda a extensão da cobertura, da N.Sa. de Copacabana à Barata Ribeiro. Eu já tinha ido a casas elegantes, mas nada se comparava àquela. Sofisticada e conservadora, havia obras de artes em todas as paredes que eu reconhecia pela assinatura dos artistas que tinha lido em livros ou visto em museus.

Foi só então que soubemos da família do Léo. Era filho do Leão Gondim de Oliveira e de dona Lili (Amélia Whittaker Gondim de Oliveira), o pai diretor dos Diários Associados e a mãe presidente da revista O Cruzeiro, que fazia parte do mesmo grupo. Os Diários Associados foram criados por Assis Chateaubriand e se tornou o maior conglomerado de mídia da história da imprensa no Brasil, tendo no seu auge cerca de 100 empresas. Era a Rede Globo de hoje, com emissoras de rádio, TV, jornais e revistas em todo o país. O impacto do ambiente não tirou o jeito descontraído dos jovens e depois do jantar, um strogonoff como mandava o cardápio da época, fomos levados à uma sala e como sobremesa a grande surpresa: um tímido Chico Buarque sentado na sala, com o violão ao colo esperando a turma para tocar e cantar as canções que já faziam sucesso… Ele já era famoso e não sei qual a lembrança que os outros amigos guardam, mas eu fiquei encantada em ver um ídolo tão de perto. Fez um show acústico particular, e nós fizemos coro com as músicas do seu primeiro LP, lançado no ano anterior… Nos esbaldamos com “Quem Te Viu, Quem Te Vê”, “A Banda”, “Noite dos Mascarados”, “A Rita”, “Madalena foi pro Mar”, “Você não Ouviu”, “Juca”, “Olê Olá”, “Meu Refrão”. 

Uma noite para nunca esquecer… Ninguém tinha máquina fotográfica, eu não imaginava ser jornalista e o registro na memória é impecável. Anos depois entrevistei Chico Buarque algumas vezes e não toquei neste assunto, mas jamais esqueci o privilégio de ter feito parte de uma plateia tão seleta. Dos amigos do cursinho testemunhas deste encontro, ficou o Roberto Abramson, a Ângela se casou com o Gonzaguinha, partiu há alguns anos, e os outros perdi o contato. Assisti a muitos shows do Chico, nenhum igual a este. Nunca mais soube do Léo, mas onde estiver agradeço imensamente o privilégio e espero que seu caminho tenha sido tão feliz como é o meu. Quanto ao Chico, desejo cada vez inspiração para continuar nos deliciando com a sua arte. 

Seu Beira Mar

Escrevo livros, já são 4. Escrevi reportagens para jornais e revistas, argumento para cinema, mini novelas, releases, cartas de amor e comerciais, apresentação de discos, musical para teatro, projetos, blog, posts nas redes sociais… Eu gosto tanto de escrever que, atendendo ao convite do chef Viko Tangoda, escrevi sobre a lenda do “Seu Beira Mar” para o cardápio do restaurante com esse nome no centro histórico de Cabrália . Muitos chegavam ao local perguntavam “quem é Seu Beira Mar” e agora ja sabem sobre a lenda que pesquisei com muito alegria, escrevi e assinei, na ultima página do cardápio … Para quem não conhece, segue abaixo.

“A Bahia, terra do sincretismo religioso, dos cultos de matriz africana e dos orixás, que inspirou na busca do nome para coroar a realização do sonho de um grupo de amigos de trazer nova vida e vitalidade ao Cais do porto de Santa Cruz de Cabrália.

Encontramos na força da lei, da ordem e da retidão de Pai Ogum e da força da maternidade, da geração e da criatividade de Mãe Iemanjá, o Seu Beira Mar, um lindo Caboclo da linha de trabalho destes dois Orixás.

Conta a história que um caboclo caçador certo dia andando por uma praia foi surpreendido por uma linda indígena e se encantou. Ao procurar o pai e o cacique para pedir sua mão em casamento, uma decepção! Ela estava comprometida e o pedido foi negado. Com um amor tão grande no peito, o caboclo arquitetou um plano, matou o pretendente para se casar com a amada.   

Nem todo o amor afastou do caboclo um pesadelo aonde aparecia um indígena morto em uma praia. Certa madrugada saiu em busca do local e foi surpreendido por uma onda com um brilho intenso. Era Iemanjá que vinha cobrar a morte do seu filho. Queria o caboclo para lhe servir e, ao tentar levá-lo, surgiu Ogum anunciando que o filho era seu. Iemanjá refletiu e propôs à Ogum que o caboclo servisse a ambos. Até a 7ª onda serviria a ela, levando os pedidos dos que precisam da sua proteção. E atenderia à Ogum nas rogativas dos perdidos e aflitos nas beiras do mar, tormentas e naufrágios. E assim, Iemanjá e Ogum estão sempre nas praias acompanhando o Caboclo Beira Mar e nos inspirando na realização de nosso sonho!

Salve Seu Beira Mar!!! ”   

Outono

Na madrugada de amanhã começa o outono. Hoje é o dia de São José e na Bahia o verão continua como se a vida fosse sempre um eterno sol, brisa, mar e noites estreladas… As amendoeiras não seguem o outono, trocam as folhas quando bem entendem. Mas o outono deixou marcas em mim… O primeiro que vi na sua essência foi em Maplewood, um distrito de New Jersey, onde morei por um curto e inesquecível tempo em uma casa no estilo dos subúrbios americanos como se vê nos filmes da “sessão da tarde”. na Oakland Road. Éramos 3 adultos, 2 crianças e o sonho de fazer uma revista para os brasilianistas que tinham aos montes nos anos 80. O sonho não era meu, entrei no projeto dos amigos que não aconteceu. Para continuar por mais tempo na América fui trabalhar numa agencia de turismo na rua 47, esquina com a 5ª avenida, em Manhattan, mais de hora e meia de viagem. Caminhava em torno de 20 minutos até a estação de trem, ruas lindas, arborizadas, passava por um parque e ia apreciando as árvores mudando de cor pensando na vida que mudara de rumo. De trem seguia para Hoboken, fazia o traslado para o Path que atravessa as águas do rio Hudson e me levava até Manhattan onde um metrô me deixava próximo ao escritório. Pode parecer dureza, mas era muito divertido este novo mundo “9 to 5” no “american way of life”. Assim era de 2ª a 6ª e no sábado havia um turbilhão de coisas para fazer como retirar as folhas do jardim, pois no fim de semana que não fizemos, quase fomos multados… A casa da Oakland Road durou exatamente um outono. A amiga voltou para o Rio, eu cansei da longa distância para o trabalho e mudei para Larchmont, uma vila no Condado de Westchester, Nova York, um encantamento:  o apartamento estava há duas quadras da estação e em 32 minutos, num único trem, chegava na Grand Central, no coração de NYC, bem perto do escritório. Vi todas as estações de forma intensa nestes anos na América, mas a melhor de todas foi um outono em Boston quando visitei um amigo que estudava em Harward. Andei nos parques, sobrevoei a cidade de helicóptero e vi o espetáculo de folhas coloridas, variando do amarelo e marrom, passando pelo vermelho e laranja. Fecho os olhos e ainda tenho essas imagens, como se todos os outonos continuassem em mim, eternizados na folha de Oak colhida do meu jardim, guardada num livro muito especial, que me acompanha na cabeceira.  

Em referencia a árvore Oak, o carvalho em português, é forte e poderosa. Possui uma copa frondosa, não se deixa dobrar ao vento forte. É usada na composição do floral Oak do Dr. Bach e atua nos sentimentos de desânimo e desespero. Segundo Dr. Bach “é para aqueles que se esforçam e lutam para melhorar, tanto no que se refere à vida diária quanto aos assuntos profissionais. Continuam tentando uma coisa depois da outra, mesmo sem esperança.”

Uma folha de oak não entrou em minha vida por acaso… E quando me sinto frágil abro o livro e converso com ela…

Sullivan & Massadas

Foram várias as citações nas redes sociais de amigos, matérias em sites e revistas, comentando sobre a série e mergulhei nos 5 capítulos de “Sullivan & Massadas – Retratos e Canções” no Globoplay. Uma viagem no túnel do tempo, somos da mesma geração, e aquela música romântica que eles compuseram em profusão nos anos 80, mesmo considerada “brega” por alguns puristas da MPB, fez parte da minha playlist. Voltei ao Canecão nos anos 80 e vi a casa lotada ao ritmo de “Whisky a Go Go”. Lembrei da dificuldade em conseguir espaço na imprensa para divulgar o Roupa Nova, mas bastava colocar o nome no grande outdoor na porta da casa de shows em Botafogo que os ingressos esgotavam.

Assistir séries documentais é um convite para relembrar momentos que estão escondidos em alguma gavetinha da memória, e me deparei com a citação do Lincoln Olivetti que trouxe junto Vanusa do jeito que a conheci em 1973. Ela tinha acabado de gravar “O Mago de Pornois”, uma música infantil do Paulo Massadas lançada no Fantástico. Alguns anos depois estive mais próxima do Lincoln quando retornou ao Brasil depois de um tempo nos Estados Unidos e participou ativamente do disco “Vanusa 30 anos”, mas aí já é outra história…

Voltando à importância de Sullivan e Massadas, o jornalista Sérgio Martins coloca muito bem o que representaram na década de 80, lembra o movimento dos “falsos gringos”, cantores brasileiros que faziam sucesso cantando em inglês como era o caso do próprio Michael Sullivan. Outro momento delicioso é a sequência de clips, trechos de novelas com as dezenas de trilhas sonoras e um filme vai passando na cabeça de quem viveu aquele tempo. Algumas vezes dei um stop no vídeo para repensar aonde eu estava naquele momento…

A forma como o diretor André Barcinski conta esta história, utilizando alguns artistas que não são desse tempo, como por exemplo Zeca Baleiro e Carlinhos Brown, atesta a atualidade das músicas que podem ser interpretadas em diversos estilos como mostra o sambista Ferrugem com uma versão de “Talismã”, sucesso dos sertanejos “Leandro e Leonardo”.  E é claro que lá também estão os depoimentos de muitos dos que venderam milhares de discos com suas obras, como Gal Costa, Alcione, Angélica, Roberto Carlos, Xuxa, Serginho do Roupa Nova, entre outros tantos… A participação do Pedro Bial em entrevistas pontuais, e dos homens do disco e da TV como Edison Coelho e o Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho), atestam a importância da dupla. No último episódio, Massadas define de forma clara o porquê do sucesso: “a nossa música penetrou na alma, nós geramos memória”… Simples assim… Vale viajar nesses Retratos e Canções…

Léa e João

Quando a moça do cartório com um papel na mão se dirigiu a mim e perguntou Léa e João, soou estranho. Saí do cartório com a cópia da certidão de casamento com a averbação da separação consensual necessária para a 2ª via do RG, pensando que se fôssemos apenas Léa e João poderíamos estar casados até hoje. Mas não tinha como ser assim, a começar pela forma como nos conhecemos. Em 1976 eu estava morando em São Paulo e o vi entrar de braços dados com uma atriz no teatro onde haveria a entrega do prêmio APCA. Não sei por que falei para Maria Helena Dutra, a jornalista amiga que estava ao meu lado: vou casar com ele. Naquela noite não cheguei perto, voltei para casa pensando no ímpeto das palavras que fugiram pela boca sem imaginar o poder que teriam. Nunca tinha ouvido a sua voz, só sabia que era um diretor de novelas. Alguns meses depois, no dia 23 de outubro, morando de volta no Rio de Janeiro, fui convidada com outros tantos jornalistas e artistas para assistir a um show da Angela Maria com Cauby Peixoto, e ele fazia parte do grupo. Fomos apresentados rapidamente e fez um comentário que achei muito pretencioso. Saí do show e fui com amigos para o “706”, no Leblon, o piano bar da moda, onde logo depois ele chegou. Bastou um olhar, o convite “quer dançar” e tudo começou ao som de “Poxa”, um dos mais belos sambas da época. Namoramos bastante, alguns anos depois nos casamos apaixonadamente, mas na verdade, nunca fomos apenas nossos prenomes. Tínhamos história, cargos, funções, responsabilidades, num mundo de aparências e pouca essência. Eu era Léa Penteado, ele Régis Cardoso, primeiro nome, João. Por mais tentativas que fizéssemos para nos manter juntos, pois a química e a paixão era intensa, sempre aparecia algum impedimento. Ciúmes de um lado, tentações do outro e, mesmo quando depois de separados, tentamos reconstruir o amor, não deu mais match. E de tudo o que ficou, além das boas memórias, um documento me acompanhará aonde ali somos Léa e João.

7.5

Houve um tempo em que 3 de janeiro era dia de festa na redação do Segundo Caderno do jornal O Globo com quatro capricornianos aniversariando: Anna Maria Ramalho, Elda Priami, Paulo Alberto Monteiro de Barros (Artur da Távola) e eu.  Em muitos 3 de janeiro comemorei com uma amiga da mesma data, Ângela, sendo que um foi muito especial, quando nos reunimos em minha casa com nossos ilustres maridos. Ela com Gonzaguinha, eu com Regis Cardoso… Apesar do dia do meu nascimento ser logo depois do réveillon, quando muitos ainda estão de ressaca e entrando na dieta, não trocaria ele por qualquer outros 364 do ano. Adoro ser uma capricorniana de boa cepa, com ascendente leão e lua em peixes.

Este ano homenageio Ângela e Anna, amigas confidentes.  Ângela desde os 15 anos e Anna conheci aos 22. Ângela foi a amiga da adolescência, com quem me fechava no quarto (na casa dela ou na minha) para elucubrarmos como seria um grande amor, de onde viria e como chegaria. Foi numa destas conversas que confidenciou estar apaixonada por aquele que viria seu grande companheiro e comporia diversas obras marcantes para a música brasileira, muitas tendo a amada como inspiração. Com Anna ainda haviam amores, alguns desfeitos, outros recompostos, os filhos pequenos, o futuro profissional e sempre muitos planos maravilhosos que eu lia nas cartas de tarô.

Não tenho como reclamar da falta de amigas, foram muitas chegando ao longo da vida, algumas ficaram outras são vagas lembranças, mas estas duas queridas no dia 3 de janeiro sempre me fazem muita falta. Penso o que falaríamos nestes tempos em que estamos setentonas.  Certamente, como sempre acontecia, estaríamos dando boas risadas de nossas mazelas… Creio que foi com elas que aprendi a gostar mais de mim e rir até dos descaminhos…E vou brindar Joca e Loura, assim as chamava… Que estejam na luz e na paz…

Reflexões de 2023

Recentemente li sobre escrever uma retrospectiva pessoal no fim do ano deixando canais limpos para 2024. Não creio que os finais de ano sejam conclusivos, os ciclos não se fecham enquanto estamos vivos, são apenas dias que entram e saem num calendário. Neste período desfilam as estações do ano e alguns nem notam, só tiram e colocam os casacos dos armários. Como nasci no 3º dia do novo ano, o meu ciclo inicia junto, e sempre tenho uma enorme disposição com a nova idade.
2023 começou estranho. Em março fui surpreendida com o covid e em abril, o que jamais imaginei aconteceu, retirei um órgão. A vesícula se foi, fiquei triste, gostava dela. Recomposta dos sustos tive o prazer de colocar o ponto final num livro que estava escrevendo há 18 meses (publicação em breve). Ufa! Também aprendi muito quando, a convite do Jan, topei rejuvenescer o http://www.santoandre-bahia.com criado em 2006. Fizemos um trabalho lindo com a Kris, um orgulho contribuir para ver a região bem promovida e ainda encaramos juntos a realização do 6º Festival da Lagosta. Turma boa! Fiz curtas viagens, reencontrei amigos, trabalhei com o que gosto nas relações com a imprensa, algumas vezes administrando crises, buscando saídas, colaborando para um final feliz. Nos últimos seis meses acompanho o envelhecimento da Akira, a pastora canadense entrando nos 13 anos. Cardíaca, aos poucos vai perdendo os sentidos e com a idade se entregou aos afagos o que jamais permitiu.
Li em algum lugar e colei no mural a reflexão que me foi útil para tentar entender o que tenho visto por aí: “as pessoas não se unem mais para um objetivo em comum, mas para um inimigo em comum. O opositor se nutre do seu sucesso. Os que não tem sucesso se unem para ser contra quem tem. Na mesma proporção que crescem quem é a favor de você, crescem quem é contra. Mas o “a favor” é maior. ” Como a frase em para-choque de caminhão “A inveja é uma merda” e, por mais que o homem crie a inteligência artificial, descubra a cura de males, dê piruetas no espaço e tente se superar, o 3º pecado capital continuará existindo. Como diz o provérbio árabe “os cães ladram e a caravana passa”. Pense nisso ao longo de 2024, feliz novo ano…