Arquivo da categoria: turismo

Grão de areia

E então descobri que me colocaram no segmento “idosa” de uma forma totalmente pejorativa. Enquanto estava na terceira idade, na melhor idade, ou outros rótulos criados para mostrar a delícia de passar dos 60 (ou quiçá dos 70, 80…) havia um certo glamour… Mas de repente soltaram um vírus no planeta com endereço certo, como se fosse crime ter conquistado uma vida longa e saudável… O idoso penalizado, diminuído, como algo que pudesse ser descartado, jogado no lixo e aí me lembro das sábias palavras da Dercy Gonçalves inseridas no texto de um espetáculo que estreou ao completar 78 anos. Dercy falava magistralmente bem sobre a condição de se sentir olhada com desprezo por conta da idade, isto em 1985. E como resposta mostrava as pernas em vestidos curtos e respondia com inúmeros palavrões. Esta foi a sua arma…

Mas nos tempos de hoje, sem Dercy que viveu até os 101 anos para me defender, declaro em alto e bom tom que me recuso a acreditar que perdeu a graça o charme dos cabelos brancos, o prazer do conhecimento para ser compartilhado, a experiência como assunto na conversa entre amigos mais jovens, as descobertas que tenho com as situações mais simples que me deparo… Não estou no fim da vida, cada dia vou entendendo a minha missão no planeta.

Ontem fui dar um mergulho, não levei nem celular, óculos, chapéu, cadeira. Apenas um mergulho às 11 da manhã e fiquei encantada ao ver a praia completamente vazia. Nenhuma pegada na areia, nenhuma alma viva… Jamais vi cena assim num dia de sol neste horário, mesmo em períodos de baixa estação. Até os cães sumiram.  Mirei o infinito, mar calmo, céu azul, poucas nuvens, na sequencia fechei os olhos e fiz uma prece. Foi neste momento que me senti envolvida por uma energia tão intensa, tudo tão puro e vibrante na natureza, que aos poucos senti como se meu corpo diminuísse de tamanho, fui encolhendo em câmera lenta, vagarosamente, até me sentir menor que um grão de areia diante do gigantesco universo. Sem medo fiquei curtindo aquele momento único e especial. Um presente.

Somos exatamente isso, um grão e areia de passagem pelo planeta. Mas a vida não pode ser só isso, me colocar frente ao tiro certeiro de um vírus. Tomo todas as precauções, mas me recuso morrer na praia. Continuo na quarentena que, a bem da verdade, já estou há tanto tempo, e lastimo muito pouco.  Não posso abrir mão dos sonhos que tenho, vocês não imaginam o tamanho da minha lista de desejos. Ainda não acabei de descobrir metade de mim, estou disposta e aberta à tantas novidades e aprendizados que virão… Alto lá! Sem chances de me aceitar no rol dos que estão no fim da vida…

E hoje conversando por whatsaap com uma amiga que passa por um processo de saúde e o peso do vírus faz se sentir mais insegura, mesmo sendo uma mulher forte, com longa atividade política e pouca familiaridade com assuntos da espiritualidade, escreveu “acho que estamos chegando ao fim do poço, do túnel. Depois disso, é só luz”. É exatamente isso que acredito, estamos mudando a rota e este tempo é para pensar… Vamos tirar nossos sonhos do caderninho, marcar tempo para realizar, desacelerar do que não vale a pena, dar gás ao que é fraterno, amoroso, colaborativo… Acredito que ser menor que um grão de areia é um enorme exercício para os novos caminhos…

Em tempo : para quem quiser saber um pouco mais da minha história com Dercy Gonçalves, segue o que escrevi no livro “A Verdade É A Melhor Noticia”.

Com palavrões

Walter Lacet, um dos diretores artísticos do Canecão e diretor da TV Globo, telefonou contando que Dercy Gonçalves faria uma temporada na casa num horário alternativo às 7 da noite. Fez questão de explicar que ela não era uma pessoa de fácil acesso, para relevar qualquer mal-estar e que ao conhecê-la pessoalmente eu iria me apaixonar. Seguindo a recomendação, na hora marcada telefonei para a casa da Dercy com a minha mais tranquila e aveludada voz. A própria atendeu ao telefone de maneira brusca e assim que comecei a explicar a razão da chamada, da vontade de fazer um belo trabalho para dignificar e promover ainda mais a sua arte, ela interrompeu avisando que não daria entrevistas por ter nada a dizer, nem fotos para divulgar e quem quisesse saber alguma coisa que fosse assistir. Num tempo sem Google para a pesquisa, recorri aos arquivos da Biblioteca Nacional, fiz um release enxuto com pinceladas de sua trajetória enaltecendo os seus 78 anos! Era essa a idade da atriz com quem eu iria trabalhar, considerada irreverente e obscena por dizer palavrões no palco sem o menor pudor. E ainda por cima bem mal criada.

Lembro que na minha infância, uma vez por mês meus pais iam ao teatro e quando Dercy estava em cena com alguma comédia, era certa a presença deles, apesar do rubor de mamãe com os trechos mais picantes. Dercy era um mito, mas creio que não sabia disso. Até então nunca tinha se apresentado para uma plateia deste tamanho e num local com tantas referências importantes para o mundo dos espetáculos. A princípio o release caiu nas redações como pássaro sem ninho. Olhar enviesado dos editores que não sabiam aonde encaixar a informação. Não podia entrar na “retranca” teatro nem show. Era o que? Um espetáculo, dizia eu. Mas no fundo eu percebia que havia um sub texto que dizia “como no palco do Tom, do Vinicius, da Bethânia, do Caetano, do RPM vai se apresentar Dercy?”. Ela não era considerada nem atriz pela maioria da imprensa, mas uma velha vedete do teatro de revista.

Conheci Dercy um dia antes da estreia durante o ensaio. O espetáculo escrito por Mario Wilson tinha o ator Luiz Carlos como “escada” para suas piadas e também como partner num número de dança. Diante da forma seca como me recebeu eu poderia ter desistido, mas percebi que era gentil à sua maneira. Em pouco tempo nos tornamos grandes amigas. Dercy chegava ao Canecão antes das 5 da tarde. Era o hábito antigo de quem praticamente viveu nos bastidores dos circos e mambembeava pelo país. Usava seu camarim como casa. Na antessala aguardava o horário do espetáculo assistindo TV, comendo salgadinhos e bordando suas sapatilhas com pequenas lantejoulas, paetês e canutilhos e não usava óculos. Nos primeiros dias eu chegava cedo, bom estar ao lado de alguém com tanta história. Mas por alguma razão de trabalho, certo dia cheguei na hora do show e ela reclamou da minha ausência. Confesso que me senti valorizada pela companhia e durante toda a temporada eu levava algum bordado ou tricô, para ficarmos juntas. Às vezes ela conversava, contava altas historias, outras ficava em silencio e eu acompanhava seu humor.

O espetáculo se transformou num grande sucesso de público e um dos fatores que alavancou a procura de ingressos foram os comerciais e reportagens da TV Globo, pois na mídia impressa somente esparsas notícias. Nenhum perfil, nenhuma crítica, nenhum destaque. Ela estava fora do padrão de artista naqueles tempos, creio que sua genialidade sempre esteve fora de qualquer parâmetro.

Acontece que este suporte das chamadas para o show e do jornalismo da TV Globo acontecia em função da comediante ter sido contratada da emissora nos seus primórdios, que levantara a audiência com um programa popular e muito divertido. Boni, então todo poderoso diretor geral, não escondia a sua amizade e carinho pela mulher que tinha história, passado e respeito, por mais controverso que isso pudesse parecer. Sem crítica ou fotos nas colunas, bastava seu nome gigantesco na porta do Canecão para atrair um público de todas as idades. Assisti todos aos seus shows e sabia o espetáculo de cor. Tirei deste espetáculo um trecho que carrego como aprendizado de vida. Dercy dizia “Deus fez esta porra mui to bem feita. Deu um pacotinho de felicidade pra cada um, mas tem gente que não olha o seu saquinho, fica olhando o do vizinho e não consegue ser feliz”. Esta era Dercy. Soube cuidar bem do seu saquinho, viveu 101 anos.

Rosas e tomates

Quando começaram a dizer que eu deveria ficar em quarentena, respondi que assim já estou desde que escolhi morar longe dos grandes centros. Pouco mudou a rotina. Ida ao centro de Cabrália ou Porto Seguro para supermercados, banco, comércio, correio, há algum tempo restringi para uma vez por semana.  Muitas vezes chego a ficar 15 dias, resolvo na vizinhança sem atravessar a balsa… Diante do Covid-19 criamos um grupo entre amigas para compras solidárias e buscar correspondência no correio. Só vai à cidade quem realmente tem necessidade, e assim vamos nos “quarentenando”.

Solidão não me assusta pois entre as constatações destes últimos anos com uma vida mais quieta, mas não reclusa, estão a de que sempre soube brincar sozinha. Devido a diferença de idade entre os meus irmãos – o mais próximo 4 anos, o mais novo quase 9 – bonecas, panelinhas, costurinhas, revistinhas, fizeram parte de um mundo particular. Na infância eu vivia escondida embaixo da escada. Morávamos num sobrado no Brooklin (São Paulo) e junto da escada havia uma saleta onde ficava o telefone e um pequeno sofá. O meu paraíso ficava exatamente ali, embaixo dos degraus, um lugar só meu. Era um espaço reduzido onde eu cabia direitinho com brinquedos, pensamentos, viagens e sonhos. Uma vez por semana a Rosalina vinha com a vassoura e, apesar dos meus protestos, desmontava o reino geralmente no horário em que eu estava na escola. Quantas vezes esqueceram de mim ali quieta, brincando com as bonecas de papelão ou fazendo roupa para as bonecas de louça, montando casinhas com blocos de madeira, jogando cinco marias com saquinhos de arroz ou apenas olhando para o teto e contando os degraus. Não me lembro mais quantos eram, mas contava debaixo prá cima, de cima prá baixo, quase que num transe hipnótico até dormir… Acordava com o telefone tocando ou minha mãe chamando para tomar banho e jantar…

Hoje o meu “reino” é um pouco maior. Tem uma área de 2.130m2, me sinto acolhida como no tempo em que ficava embaixo da escada e tenho muito com o que brincar. Uma querida amiga passou uma semana comigo e atacou de “me ajuda decora” dando um up nos chalés. Trocamos luminárias, interruptores, até uma parede foi pintada…Também aproveitei a chuva e replantei a horta. Beterraba, cenoura, salsa, cebolinha, alface e rúcula estão por vir. Há algumas semanas plantei em um grande vaso uma muda de pequenas rosas e qual não foi a surpresa ao ver um mato surgir no entorno. Com o cheiro que vinha quando molhava descobri que cresciam tomateiros.  A terra é produzida no quintal através de compostagem e às vezes acontece…. Com isso, estou acompanhando um tomateiro em flor com uma rosa envergonhada embaixo dos longos galhos.

Cancelei o agendamento na Policia Federal para um novo passaporte, assim como o projeto de ir à Andorra visitar as amigas Nenô e Denise. Seguindo a sugestão de uma amiga médica vou suspender o Pilates até o final do mês. Alongamentos em casa na medida do possível, caminhar na praia e na rua que, dependendo do horário, não encontrarei uma viva alma.  Aproveitei e desmontei a lavandeira provocando um desapego nas roupas de cama e banho que estavam mais usadas. Também doei as primeiras colchas de retalho, estavam um pouco desbotadas, mas um amigo gostou tanto que levou uma. É sempre assim, o que não serve para um é ótimo para outros. Muitos tecidos me esperam para serem cortados e surgirão novas colchas para enfeitar os chalés redecorados. Mas antes tenho a encomenda de duas bonecas de pano, pedido de uma amiga que disse ter sonhado com elas… E tantos anos se passaram e continuo brincando de bonecas.

1994

World Economic Forum em Davos? Eu fui em 1994…

Não para ver Shimon Peres e YasserArafat subindo de mãos dados no palco do Congresso nem para discussões dos foruns econômicos e políticos. Naquele ano Davos se transformara na “Cúpula das Cúpulas”, com encontros paralelos informais entre líderes de organização de negócios, líderes regionais, mídia líderes, personalidades culturais, prefeitos globais e líderes globais para amanhã, reunindo mais de 1000 pessoas, o que fez com que estabelecessem que este fato não mais se repetiria…

Cesar Maia, então prefeito do Rio de Janeiro, fora convidado a participar do encontro dos prefeitos globais  que reuniria 20 cidades dispostas a apresentar projetos de um evento para celebrar a virada do milênio, que aconteceria a partir de 1996…O Rio fora a única cidade brasileira a participar e, se não me falha a memória, a única da América do Sul.  Um juri formado por técnicos mundiais capitaneados por Quincy Jones, escolheria 5 cidades que teriam os eventos patrocinados pelo Banco Mundial.  Como Assessora de Eventos da prefeitura, quando o convite chegou ao prefeito, fui chamada para criar este projeto e premiada com o reforço luxuoso do jornalista, diretor de TV e multi mídia Macedo Miranda Filho, que havia participado da campanha do prefeito e era um show de criatividade… Fizemos uma dupla e tanto, criamos uma série de eventos que aconteceriam em toda a cidade durante 30 dias precedendo a virada para o ano 2000. Todas as regiões ganhariam destaque, o projeto ganhou um vídeo e uma revista em inglês apresentando a cidade e a proposta.

Duas semanas antes viagem para Davos o prefeito avisou que estava com outros compromissos e a apresentação ficaria por minha conta.  Pânico total. Eu conhecia o projeto em todos os detalhes, afinal tinha construído com o Macedinho, mas daí fazer apresentação em inglês havia uma certa distância… Contratei um professor e todos os dias praticava inglês com foco na apresentação que teria duração de 30 minutos. Os ouvintes seriam um um juri de notáveis e os representantes de 19 cidades que também disputavam a primazia de ter um evento patrocinado pelo Banco Mundial e com a assinatura do World Economic Forum… Como companheiro de viagem me foi designado o ex-Ministro Marcílio Marques Moreira, sub-secretário para Políticas Públicas da Prefeitura, um diplomata de carreira, um gentleman. Como sabia da admiração do super maestro e compositor Quincy Jones por alguns artistas brasileiros, coloquei na mala cds para agradar a fera.

Chegamos em Zurique na manhã de sábado e o carro que nos levaria a percorrer menos de 150 kms até Davos era blindado. Não tínhamos tanto prestigio, mas como Yasser Arafat por questões de segurança preferiu ir de helicóptero, nos foi cedido o que fora reservado para ele. Um belo caminho entre montanhas branquinhas. Três invernos morando em Nova York vi muita neve, mas nada se comparava…  Nesta noite assisti ao emocionante encontro Arafat com Perez frente uma plateia em delírio. Na agenda de domingo tinha o dia livre e um jantar de gala com os participantes do encontro de prefeitos. Na segunda-feira pela manhã seria a apresentação do projeto. Voltei do jantar me sentindo mal, e o estado piorou durante a madrugada. Certamente o camarão do vol-au-vent servido como entrada estava com defeito. Uma noite trágica, às 8 da manhã já estava andando na rua repleta de neve em busca de uma farmácia. Cheguei para a apresentação medicada e à base de chá de erva doce…

Não sei de onde tirei forças, mas eu não tinha viajado mais de 9 mil quilômetros para ficar passando mal num quarto de hotel. Fiz o melhor que pude! Os astros colaboraram, os anjos disseram amém, o inglês soou perfeito, distribuí a revista sobre o Rio de Janeiro e os cds para o maestro que ficou encantado. Voltei para o quarto do hotel com febre e passei a noite suando e delirando. No dia seguinte retornei para Zurique aonde tomaria o voo para o Rio e estava passando muito mal. Não perdi a pose, não deixei o ex-ministro Marcílio perceber, e ainda conheci a cidade, almocei talharim na manteiga num restaurante superelegante e ao embarcar, senti o quanto estava fraca… Viajei sozinha e desmaiei à bordo. Desci no Rio e uma ambulância me levou direto para o hospital onde foi diagnosticado um processo de envenenamento alimentar. O remédio que eu tinha tomado em lugar de liberar o alimento ruim, simplesmente estancou. Um susto…. Recuperada, semanas depois chegou o resultado: Rio de Janeiro ficara entre as cinco escolhidas… 

Valeu o esforço!

Em tempo: os eventos não aconteceram por falta de patrocínio…

Sobre meu parceiro de projeto Macedo Miranda Jr, um pouco da sua trajetória,  numa homenagem póstuma:

Filho do escritor Macedo Miranda, foi o mais jovem repórter especial do Jornal do Brasil, promoção que conseguiu antes de completar 20 anos de idade. Com passagens pela Editora Abril e Bloch , criou e dirigiu diversos programas na Rede Globo como o Fantástico e o Globo Repórter.

Foi responsável por dirigir o primeiro Rock in Rio em 1985. Através de sua produtora – Arte & Fato – inovou, não somente na narrativa e linguagem, mas também na estética de diversos programas de televisão.

Construiu no bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, a sede para sua empresa que trazia para a época a mais avançada tecnologia e condições inigualáveis para produção independente audiovisual.

Comandou diversas campanhas políticas, reconhecidas como inovadoras na área de marketing político televisivo, sendo responsável por inúmeras campanhas, entre outras, de Aureliano Chaves para a Presidência da República, de César Maia e Conde para prefeitura da cidade do Rio de Janeiro (estas últimas vitoriosas)

Historias de pescador

Adriano e “seu”Laurindo voltando da roça

Adriano trabalha na construção civil, é também pescador e presidente da associação de pescadores do Guaiú. Sempre frente aos movimentos da comunidade, como abrir o acesso do mar para o rio a fim de salvar as espécies, buscar caminhos para os pescadores chegarem com seus carros para retirar a produção do dia, Adriano sonha estudar engenharia e a primeira vez que o vi foi vestindo beca e usando capelo na formatura em administração de empresas. Dias depois nos encontramos no Fórum num grupo que ia ao encontro do promotor para discutir o alto preço das passagens para travessia da balsa, e foi na sala de espera que ouvi um pouco de sua história. Tem uma garra e um brilho nos olhos que atraem quem gosta de ouvir historias, como eu.

Passei a fazer parte dos seus grupos de whatsaap, a seguir suas redes sociais e quando o Nordeste começou a ser banhado com o óleo sua atuação passou a ser constante. Com a matéria cada vez mais descendo para o sul da Bahia, Adriano passou a alertar em vídeos sobre o grande mal desconhecido. Munido de um celular, diariamente, envia um relatório mostrando a praia ainda limpa, a chegada das pequenas partículas na areia, o mutirão com voluntários unindo folhas de coqueiros, redes e sombrites para impedir o óleo de entrar no rio e destruir os mangues e pequenos crustáceos…. Ele é o meu “Bom Dia Brasil” noticiando o que está acontecendo no Guaiú posso prever como estará em Vila de Santo André.

Adriano hoje enviou um áudio contando sobre o avô por quem foi criado, sua maior referência, grande inspiração. Laurindo Francisco de Souza, tem 100 anos, nasceu na região de Santa Maria Eterna, na vizinha Belmonte, e mora no Guaiú desde 1940.  Com tanta conversa sobre o derramamento de petróleo, ele contou que por volta dos anos 60 também apareceu muito óleo na praia, bem parecido com o que está acontecendo. Sem redes sociais e difícil comunicação, nem havia energia elétrica, apenas umas 3 casas no Guaiú, o mesmo número em Santo Antônio e Santo André, os moradores tomaram providencias. “Seu” Laurindo conta que há algum tempo guardava tonéis que tinha encontrado na praia e os aproveitou para armazenar o piche que chegava. Aos poucos a praia ficou limpa e durante anos guardou esta matéria que utilizava para calafetar os barcos que usava para pescar e trazer alimento à família….

Vendo os “novos invasores” que o neto vai recolhendo, “seu” Laurindo compara ao que retirou nos anos 60. Segundo ele, primeiro chegaram bolas pequenas, depois um volume maior e acredita que por ser inverno os blocos eram mais duros, não tão pastosos como tem visto. Na sabedoria e lucidez dos seus 100 anos, na experiência de quem viveu sempre à beira mar, ele sabe muito bem o quanto aumentou a temperatura no planeta. Não precisa de qualquer aparelho para medir o efeito estufa, acredita que isso poderá influenciar no movimento e a expansão deste derramamento. Reflexões, análises de um simples pescador que teme pelas praias, mangues, peixes, crustáceos, restinga, tudo que o cerca e onde plantou sua vida, sua família. Mas tem esperança de que em mais alguns anos tudo isso seja apenas uma história para o seu neto contar.

O cajueiro

IMG_20181009_075718748 (1)

Há 14 anos descobri os cajueiros ao aprender a conviver com os dois plantados no jardim de casa… Troncos com formas sinuosas, ora buscando o sol, ora se enterrando na areia e depois retomando seu caminho que ameaçavam os telhados. Deram poucos frutos, muitas flores, mas gosto de admirar a sua força, a determinação em crescer, mesmo sem receber muita água. Bastava a da chuva e às vezes alguma que do gramado escorria para seus pés…

Porém, com o tempo seus troncos saíram do meu jardim, atravessaram a servidão* e quase se derramaram no caminho, inibindo a entrada de veículos mais altos. Para evitar que derrubassem a frágil cerca de madeira da minha casa como também a cerca de eucalipto de outro vizinho, há algum tempo coloquei uma estaca aparando um pesado galho, tudo paliativo… Sabia que um dia teria que ser podado. Na verdade, o que me seduz são seus galhos, muitos secos, fazendo como um “túnel de acesso” ao meu paraíso… O portal da minha alegria…

Ontem o vizinho de servidão, proprietário da Pousada Victor Hugo, construída nos anos 90 por meu irmão Victor e seu sócio Hugo, veio pedir socorro. Precisa de forma urgente da entrada de um caminhão por uma questão estrutural do seu empreendimento e com os galhos é impossível…

Ouvi o pedido, prometi refletir e fiquei divagando sobre a necessidade relevante do vizinho e a estética poética dos galhos, às vezes misturados com bouganvilles, dando boas-vindas à quem chega. O vizinho é meu bem e meu mal. Se for feliz e próspero, serei também. Doeu profundo o tempo de vazio, o abandono, a pousada sem saber que rumo tomar, muitas vezes fechada por longo tempo. Só sobreviviam os jardins, por total dedicação do Beto, jardineiro da época do meu irmão. Havia amor e cuidado por aquele espaço que vi ser construído, estava na inauguração, acompanhei a expansão, e se tornou ponto de referência no povoado, recebeu elogios nos cadernos de turismo, estrelas referendando os bons serviços, e vi também a partida do meu irmão. Foram anos difíceis de um inventário empacado na morosa justiça no sul da Bahia, a desavença entre o sócio e a minha família e, por fim, a venda há 4 anos. Período de altos e baixos, e a bela Victor Hugo perdendo a identidade…. Até que há seis meses chegou um empresário paulista cheio de sonhos para ser pousadeiro à beira mar… Um respiro para o meu coração…

Nestas divagações, me coloquei no lugar do vizinho…. Conclui a importância da poda …. Clareou a servidão, tenho esperança que vai renascer com vigor, assim como a pousada.

*Servidão – um acesso público para o mar, muitas são tão estreitas que veículos não entram. Esta servidão é mais larga, com acesso a veículos exclusivamente para minha casa e para Pousada Victor Hugo.  

Escolhas

6637ad2e-2968-451f-80ad-410018aada7f

Esta semana, duas postagens com muitas curtidas e comentários levaram-me a refletir. Na primeira, me solidarizei com os jornalistas demitidos na Editora Abril; a segunda comemorando 14 anos morando em Vila de Santo André.  Os dois assuntos apesar de dispares, se encontram num mesmo tema: escolhas.

Quando optei em sair do olho do furacão das grandes cidades e vir para a pequena Vila de Santo André, eu não estava desempregada. Ao contrário, estava num excelente momento profissional. Era diretora de uma promissora agencia de eventos da qual fiz parte da criação, completamente integrada no mercado de jornalismo, produção, eventos e marketing. Não sei se foi Deus, o destino, a casualidade que me fincaram na Bahia para não ver o meu Rio de Janeiro desmoronar e descobrir que, mesmo a mais de mil kms distante, posso participar de qualquer processo que necessite uma profissional criativa, experiente, integra, disponível 24hs, texto bacana, capacidade organizacional, bem-humorada e pau para toda a obra.

Nada foi previsto, tudo aconteceu com um desejo de entender melhor a vida e experimentar novos desafios. E foi possível. O mundo é maior do que o Rio e São Paulo, há muito a se doar e ensinar em localidades menores.  Estou sempre somando em algum projeto social ou na gestão pública. Fui secretária de cultura e de comunicação, em duas administrações distintas, cujos prefeitos não compartilhavam da minha escolha política. Como técnica aprendi e ensinei muito em Sta Cruz Cabrália, pouco mais de 28 mil habitantes, e em Vila de Sto André, com menos de 800 habitantes. Todos os egos e vaidades existem, como em qualquer lugar do planeta, e aprendi como conviver é delicado e rico…

Como jornalista, graças a internet, estudei redes sociais, e atuo postando fotos todos os dias no @santoandredabahia, na página http://www.facebook.com/santoandredabahia/ e mantendo atualizado o site www.santoandre-bahia.com . Todas estas redes tem o obetivo de promover o destino turistico onde escolhi viver, e isso é trabalho… Sou voluntária na área de comunicação do IASA, uma ONG que oferece aulas de música; vice-presidente do Conselho de Turismo de Cabrália; e, como uma região turística hospedagem é o que muitos procuram, tenho uma pequena pousada com três chalés para receber amigos e amigos de amigos, de um jeito muito especial…

Em 14 anos escrevi dois livros, atuei como consultora de comunicação em crises empresariais, participei da criação de projetos que se tornaram grandes eventos, dei palpite, somei, acrescentei, descasquei abacaxis com primor. E, nesse ínterim, lendo jornais e revistas online, ainda tive o prazer de ver muita folha no chão se transformando em adubo, maré subir e descer, lua nascendo, sol se pondo, vento derrubando galhos, passarinho cantando… Vi uma pequena muda de roseira dar flor, ouvi o silencio na madrugada, sol amanhecendo no meu rosto, cigarras anunciando o verão, chuvas lavando a alma em longo e úmido inverno…. Plantei árvores, acompanhei cachorro morrendo e crescendo, passarinho no ninho, amigos chegando e partindo, primeira estrela; júpiter, marte e saturno no céu… Rezo todos os dias agradecendo o que tenho, a minha família, aos amigos e aos que não gostam de mim… Nas minhas muitas mudanças, nacionais e internacionais, sempre soube que tinha um lugar para voltar, era a casa dos meus pais… Esta não existe mais e meu único lugar é o que construí. Com muito mais qualidade, precisando de muito menos, entendi que o amor incondicional, a delicadeza, o compromisso com a verdade, a fidelidade aos amigos é o que importa…

Por isso, em tempos de escolhas e mudanças, para quem não sabe o que fazer da vida, fica a dica : experimente sair da caixa e começar uma nova história… O mundo é acolhedor… Sempre vale à pena…

O Vestido Verde

MURIEL

A tarde estava deliciosa, amigos reunidos num almoço de aniversário, à mesa delicias e conversas divertidas…. Aos nossos pés um visual maravilhoso da natureza exuberante de Santo André, mar ao fundo se perdendo no infinito, céu azul pontuado por nuvens branquinhas… Me sentia como se fosse um drone admirando a vila do alto, voando livre no novo vestido verde. Praticamente uma libélula. Como na canção infantil da Terezinha de Jesus, “de uma queda fui ao chão”… Tropecei num degrau e fui… Acudiram muitos cavalheiros e cavalheiras para estancar o sangue escorrendo do nariz. Era muito sangue. Na ridícula posição de quatro, o braço direito fortalecido pelo Pilates sustentou o corpo, os óculos voaram, o pratinho de sobremesa na mão esquerda espatifou-se na pedra São Tomé, e eu só pensava em não sujar ou rasgar o vestido de seda verde que ganhei no Natal.

Enquanto me acudiam – “traz um pano… gelo… tylenol” – eu estancava o sangue com as mãos lembrando a fatídica frase da minha mãe que se tornou lenda na família “rasgou o vestido? ” Saíamos para uma festa com nossas melhores roupas e ao descer a escada escorreguei com o sapato novo, sola em couro fino sem ranhuras, e de degrau a degrau cheguei ao chão. Ao ouvir o barulho mamãe correu para ver se tinha algum estrago no vestido de organdi com rendas e fitas. Foi assim que me senti, ainda tonta ao ser amparada por amigos e atendida por uma médica doutora de muitos títulos, mas que no passado teve experiência em pronto socorro. Deitada no sofá, com muito gelo no nariz, ri da cena ridícula. Tudo podia ser pior: quebrar o nariz ou os dentes, talvez os óculos ou o prato pudessem cortar o rosto… Mas foi apenas um pequeno talho no nariz e o joelho ralado. Nem hematomas e o melhor de tudo : o vestido está intacto. Nenhuma gota de sangue, nenhum arranhão… Como o de organdi com rendas e fitas.

Foto : Cláudia Schembri

A visita

2016-12-21 13.26.50

Estava entretida costurando bandeirinhas para enfeitar o verão quando o celular avisou que tinha mensagem. Era uma amiga que não vejo há séculos, está de férias em Arraial e com dia chuvoso saiu de carro sem destino. Chegou em Cabrália, pegou a balsa e no meio da travessia mandou o whatsapp “se você estiver de bobeira passo aí para dar um beijo”. Sempre estou de bobeira para receber beijo e, enquanto enviava as informações de como chegar até minha casa e prendia os cães, lembrei do seu irmão, um grande amor que passou no meu caminho e foi embora muito cedo… Um amor que durou pouco, mas nem por isso foi raso. Um dos homens mais brilhantes que conheci, com senso de humor refinado, jeito de intelectual desprotegido, ideias aos borbotões, grande figura. Certa noite, no final de um jantar,  ele confessou estar com a vida confusa demais para entrar num relacionamento mais sério. Dei o maior vexame ao chorar na mesa do restaurante. Como eu ia perder alguém tão legal ?

Ah! o amor, “o ridículo da vida” como escreveu Herivelto Martins, fez desmoronar uma mulher que chegava aos 40 anos, com muitas experiências e ainda com sonhos de ter um bom companheiro… Ficaram as boas memórias, o  livro de fotos do Salvador Salgado que ganhei no aniversário, a trilha sonora no CD da Bethânia cantando Roberto Carlos que ouvimos muito e um par de brincos de lápis-lazuli comprados no Chile.  Não fui ao Chile com ele, mas comprei quando lá estive, pensando que iria de gostar de ver nas minhas orelhas.

Tudo isso passou na minha cabeça “como se fosse um filme”, diria o Faustão, em menos de 10 minutos, tempo de a balsa chegar em Santo André e ela tocar a campainha do portão. Entrou pelo jardim tão linda, a maturidade está lhe fazendo bem, acompanhada de um casal de amigos. Dia chuvoso, muitas árvores no jardim, sinto que a casa fica triste, mas se alegrou com as visitas. Sentamos na varanda e, como sempre, conto a minha saga de 13 anos longe da “civilização” e o quanto faço e produzo, que meus dias nunca são iguais e nem monótonos. Nas entrelinhas sempre estou dizendo “fiquem tranquilos, estou feliz nesta reencadernação“. Trocamos pensamentos de vida, fui mostrar o mar, puderam perceber como tudo pode ser mais lindo com o sol e, meia hora depois, já nas despedidas, me perguntam se não sentia solidão. Devem ter achado que o tempo cinza, temperatura mais fria, morando sozinha com dois cães pudesse bater uma vontade de ir embora.

Mas cada dia tenho mais certeza que não poderia estar em lugar melhor para ver meus cabelos embranquecerem. Encaro sem subterfúgios os prazeres e as mazelas que aparecem…. Posso ser o que quero, bem boazinha e bem mazinha, é só escolher em que sintonia vou navegar…. Tenho uma casa que me permite o privilégio de receber amigos o ano inteiro. Conversas que entram e saem, como as que virão no início de outubro, quando cinco pessoas que não se conhecem, mas circulam nas mesmas áreas, vão se tornar amigas aqui…. Tenho certeza…. Nada combinado, tudo por conta do universo que sabe o quanto eu gosto de juntar pessoas e dá uma mãozinha.  E aí rolam altos papos, um bom peixe na mesa grande do jardim e a alegria do momento. Depois os visitantes partem,  mais alguns dias ficam silenciosos, até que chegam outros amigos, novos assuntos…

Estou conectada 24 horas para atender um cliente de são paulo que pode nem precisar de mim em um dia, mas quando chama estou tão perto como se fosse na mesa ao lado no seu escritório… Nas horas de folga me entretenho com costuras, leio o que aparece no papel e jornais na tela do Ipad, sem compromisso faço clipping de assuntos que podem interessar aos amigos, invento projetos, sou cidadã aonde moro, estudo redes sociais, refaço o site de turismo da vila, me alongo no pilates, ando na praia, assisto novelas e, sinceramente, não tenho tempo para pensar em solidão. Como postou no facebook minha prima Livia Garcia-Roza “A solidão pode ser cheia de encantos para certas pessoas. Me incluo entre elas.”

 

Fátima

Fatima4

Com Juliana Braga, num retorno à Fátima, embaixo de muita chuva, dia 31 de janeiro de 2004. A foto é da Denise Chaer.

Neste 13 de maio em que se celebra 100 anos da aparição de N.Sa.de Fatima aos pastorinhos, lembrei de 2003 quando fui morar em Lisboa integrando a equipe de produção daquele que, no ano seguinte, se tornaria o maior sucesso dos festivais de música em Portugal: o Rock in Rio-Lisboa. Fiquei imensamente feliz ao ser convidada a fazer parte do grupo que iria implantar este mega evento na Europa levando know how brasileiro.  Afinal aquele seria o meu 4º Rock. Mas as primeiras semanas na “terrinha” foram difíceis. A produção luso brasileira ainda se formava. Linguagens e culturas distintas. O escritório não estava pronto e improvisadamente ocupávamos uma suíte no 5 estrelas Hotel da Lapa. O apartamento que dividiria com outras brasileiras estava em fase de montagem, sem tv nem internet. Há muitos anos não sabia o que era compartilhar uma casa e me sentia sem chão. O assunto referente ao trabalho eu conhecia profundamente mas havia algo muito estranho naquele começo, eu era um peixe fora d´água. Estava quase arrependida de ter aceito a proposta, quando duas semanas após a chegada, num fim de semana, fui convidada a visitar Fátima. Com duas brasileiras peguei o ônibus e percorri pouco mais de 120km até chegar na cidade que respira turismo religioso. Todo o comercio vive do milagre das 3 crianças que tiveram a visão da Santa. Dos hotéis aos restaurantes, é só esse o tema. Chegamos ao Santuário e na pequena capela onde consta ter acontecido o milagre procurei um lugarzinho para fazer as minhas orações. Abri meu coração e travei uma conversa franca com N.Sa. de Fátima. Mesmo sem ter grande intimidade com a Santa, a não ser pela lembrança da infância quando, na escola das freiras, fazíamos procissão e cantávamos “A treze de maio na Cova da Iria no céu aparece a Virgem Maria…”, fui sincera. Coloquei as dúvidas e incertezas sobre o rumo que havia dado à minha vida, o compromisso de morar quase um ano em Portugal, o desafio em construir um projeto tão inovador num país desconhecido, o começo confuso e perguntei “o que estou fazendo aqui, o que tenho que aprender? ”.  Foi neste momento que o telefone, que eu retirara o som, se mexeu na bolsa encostada ao corpo. Olhei na tela e a chamada era da Roberta Medina. Atendi discretamente, ela perguntava se eu estava bem… O telefonema naquele momento serviu como resposta imediata à minha pergunta. Como se uma luz tivesse acendido na minha cabeça, dissipado qualquer dúvida, eliminado todos os problemas. Eu estava ali para fazer o meu trabalho de promover e trazer a memória do festival para outras terras. A família Medina confiava em meu trabalho e, como fiel seguidora do Don “Roberto” Quixote, iria às batalhas contra os moinhos de vento. Obrigada N.Sa. de Fátima por esse telefonema que sinalizou sua milagrosa presença e mudou meus pensamentos transformando minha estada em Portugal em uma experiência inesquecível.

Feliz 2017

murta

A Murta com seus frutos

Acordei e vi a árvore de Ingá florindo de um lado da casa e a de Murta cheia de frutos do outro. Para quem vive em um grande centro esses fatos nada representam, mas para quem tem uma exuberante natureza a sua volta são sinais, nem que seja a promessa da chegada de muitas abelhas que passarão a rodear com um zumbido tão alto que me levam a crer que tem uma serra elétrica nas proximidades… Ah! prazeres de uma outra qualidade de vida… Neste tempo de verão vejo a alegria com que os turistas por aqui passam e se encantam… É uma vila muito simples, por isso a cada dia mais raro em meio a tanta tecnologia, tragédia, violência urbana, pressão, caos, medo…

Todos os meus amigos e também os amigos dos meus amigos deveriam ter o direito de passar uma semana por ano em um local como Vila de Santo André, onde as ruas são de terra, onde espontaneamente acontecem pequenos eventos a beira do rio para alegrar os visitantes, onde a gastronomia vai do PF básico ao restaurante de luxo, onde chove nas madrugadas e tem sempre estrelas e uma lua desenhada no céu, onde se toma banho de mar pois até as ondas são tranquilas.

O meu prognostico é que este será meu ano azul…. Não são previsões da astrologia, do tarô ou da bola de cristal, mas assim defini com dias tão azuis e por ter ganho uma bolsa, um colar, uma agenda e uma luminária da mesma cor.  Basta muito pouco para se colorir um ano e se reposicionar diante de um futuro que começo a desenhar nestes primeiros dias… Se o azul ficar marinho vou dar um jeito de clarear… Feliz 2017 em seu 7º dia…

inga

O Ingá com suas flores