Tá tranquilo, tá favorável

Noite estrelada, estendi o lençol no fio de aço no jardim, as cadeiras foram distribuídas formando a plateia, fixei o projetor em uma escada, o notebook no banquinho mais alto, o som no mais baixo, tudo pronto para receber os amigos iniciando uma nova temporada do Cine Clip com filmes fresquinhos… Do Oscar para as telas de Santo André… Luzes apagadas, pipocas nos potes, começa a sessão com a exibição de “Spotlight”, segundo a academia americana o melhor filme de 2015, quando o telefone toca na sala. Poucos chamam este número, geralmente amigos muito próximos, a família. Corri para atender e em clima do filme no primeiro momento não reconheci a voz. Mas a notícia era contundente. Uma pessoa muito querida acabara de ser diagnosticada com Parkinson. Ouvi sobre a dificuldade na locomoção, as quedas e o estado depressivo com o resultado dos exames. Desliguei o telefone com o coração partido e voltei à plateia como se estivesse tudo ok. Este processo louco é muito meu frente às notícias ruins. Continuo firme no que está rolando em volta e preciso de um tempo para a ficha cair literalmente. E a ficha caiu no dia seguinte. Amanheci lendo tudo que encontrava na internet sobre o assunto, procurei uma amiga médica que em meio a um longo papo saiu com uma frase simples que mudou minha forma de encarar tudo isso.

“Só quem vive mais tem estas doenças”.

A mais pura verdade. Se eu só tivesse passado dos 15 anos teria apenas conhecido sarampo, catapora, caxumba, coqueluche e talvez hoje nem ouvisse falar sobre isso com tantas vacinas no mercado. Mas passar dos 70 se enquadra bem naquele trecho da música Esotérico do Gil :  “mistério sempre há de pintar por aí”… Vida e morte estão no percurso… Com isso lembrei de um fato interessante que aconteceu há alguns anos na minha vila.  Quando cheguei há quase 12 anos ouvi que era difícil alguém morrer, nascer era mais fácil. Contava-se nos dedos os velórios até que em um ano foram vários. E foi em um destes que ouvi do Vitório uma declaração surpreendente:

“Vou mudar daqui pois não quero que a morte me pegue”.

Vitório tinha idade indefinida. Provavelmente muito mais que 60. Negro e forte, rosto expressivo e vincado, cortava madeira na roça e vendia para fazer cercas. Mas o Ibama proibiu a poda que ingenuamente ele acreditava ser “árvores de mato”, mas eram da preservada Mata Atlântica. Com isso ele começou a vender vassouras de piaçava que fazia retirando o produto também da roça. Fazia uma porção de bicos, tomava uns tragos e saía tagarelando pelas ruas e vielas sobre a mudança que deveria fazer. Não conseguiu mudar de vila nem de vida, e não faz muito tempo partiu.

Foto : Cláudia Schembri

Então, quando reflito sobre o tempo, lembro que a morte não se escolhe, não se foge nem se espera. Ela chega na hora certa. Até lá o melhor é pensar que somos imortais. Acredito na qualidade dos meus pensamentos e dos meus desejos, o que jogo ao mundo volta para mim na mesma proporção e sempre há alguma coisa legal que se pode fazer…Por enquanto, tá tranquilo, tá favorável !!

Voltei

marebaixa

Nos últimos anos tem sido assim: os meses de dezembro, janeiro e fevereiro correm mais do que as minhas pernas podem alcançar…. Hospedes chegam e partem, amigos visitam, passam para uma conversa, um almoço ali, um jantar acolá, uma tapioca no café da manhã, um prosecco na praia – todo mundo toma espumante! – , um vinho no fim da tarde, eles estão de férias e eu trabalhando, em casa e na prefeitura. O filho me conforta por 4 semanas, longas conversas, vida colocada em dia, presente e futuro. Acompanho a sua maturidade, orgulho do seu caminho bem construído.  Fico feliz com suas escolhas e a forma clara, lucida de olhar o mundo.  Recebo como presente uma foto nossa reproduzida em um bordado. Não pode ser mais delicado… Continuo costurando amizades e afetos, em forma de bonecas e colchas… Num êxtase de inventividade, uni retalhos com bordados e ficou surpreendente… Nenhuma modéstia, a esta altura da vida este sentimento deixou de habitar em mim.

O carnaval passou e pela primeira vez vi como é em Cabrália. Acontece uma semana antes do original, já é tradição. É a Bahia com todos os Bs As Hs  Is e As em caixa bem alta. Impossível conversar no volume do trio elétrico. Entrei em um para ver como é e babei com a super sofisticação da área interna. Suítes de luxo, palco de responsabilidade. Fico surda e tento entender as letras geralmente com duplo sentido na mistura de ritmos sertanejo, arroxa, pagode e o que mais vier. É assim por aqui. Tão perto e tão diferente do bloco de Santo André que sai no sábado de carnaval com sua charanga tocando “mamãe eu quero” e outras tantas marchinhas, levantando poeira pelas ruas, homens vestidos de mulher, crianças de borboleta, fantasias bizarras, poucas baianas…Tudo inesquecível…Uma exaustão, um prazer único, quem viveu pode contar.

Aproveitando a entressafra de dois dias com casa vazia, dei folga para a turma que pega pesado comigo, tempo para respirar, bateu um banzo. Saudades de escrever e dos irmãos. Tenho muitos amigos e pouca família. Não vejo há tempo os que me viram com catapora, com quem dividi a lata de leite condensado, disputei o ultimo bife do prato, dancei até cansar, pedi colo, dormi junto, compartilhei sonhos e mangas caídas do quintal. Em volta da mesa no almoço de domingo éramos um grupo forte, parecia que a cena jamais se apagaria. Caímos na vida, os esteios da casa partiram e temo em nosso reencontro sermos apenas velhinhos com pouca memória…

Nas memórias recentes encontro para jantar um amigo que hoje mora em BH e conheci quando cheguei na Bahia. Pensei um projeto, ele deu força, montamos juntos e assim nasceu a Caravana Veracel, uma ação de cidadania que só por ter visto acontecer justificaria a minha existência. Já disse isso também no projeto de voluntariado em Lisboa em 2004, no relato sobre Jerusalém em 2012, e sou feliz por ter sido parte de tantos sonhos, por onde deixei um pedaço de mim, vi se tornar realidade. Como é bom fechar ciclos, iniciar novos…. Estou neste tempo, enfim um novo ano… Sei que algumas vezes o barco emperra na areia, o motor não pega, dá preguiça e não há muito a fazer senão esperar a maré subir e ganhar novamente o mar. E chegou a hora. Estou soltando as amarras, 2016 aqui vou eu…

Presente da Lilly

Jpeg

Chegou um panetone. Presente que a Lilly mandou de SP pelas mãos gentis da Ana e do Augusto que todos anos veraneiam em Vila de Santo André. Abri o pacote de veludo e enfeite dourado para saborear a iguaria com café e ao mesmo tempo uma gavetinha da minha história também se abriu. Ah! como a memória gosta de sair para dar umas voltas e se fazer lembrada.

Era 1991, pós Rock in Rio no Maracanã, uma amiga convidou para assistir a palestra de um médico brasileiro que morara nos Estados Unidos e chegava com a novidade de um curso que ia mudar meu jeito de encarar a vida, desfazer traumas, aprender a ser mais inteligente e maximizar o uso do meu cérebro. Não perderia essa novidade por nada neste mundo e no dia marcado lá estava eu no salão de um hotel em Copacabana, num grupo de quase 100 curiosos, onde se destacavam estrelas globais, donas de casa, esotéricos, filósofos, psicólogos, estudantes, aposentados, médicos, e por aí vai…

Professor, palestrante de primeira linha, deixou a plateia boquiaberta. As possibilidades que ele mostrava para compreensão das pegadinhas que se cria na mente e como superar eram fascinantes. Desfazer trauma era ali, em 5 minutos. Era melhor do que os tantos anos que fiz de análise. Trouxe meu filho para o assunto, fizemos outros tantos cursos surgindo assim uma amizade com Lair Ribeiro. Certa vez em uma passagem pelo Rio de Janeiro saímos para caminhar na praia e ele me revelou que estava escrevendo um livro que ia vender mais de 100 mil cópias. Achei um delírio! Eu tinha alguns clientes na área editorial, pensava conhecer o mercado e não quis ser a “estraga prazer”, mas achava que era sonhar demais.

Ledo engano. “O Sucesso Não Ocorre Por Acaso” lançado em 1992 foi lido por mais de um milhão de pessoas e ficou meses entre os mais vendidos. Por este motivo jornais e revistas que classificavam os livros em Ficção e Não Ficção criaram o segmento Autoajuda. Como já  ouvi o Lair dizer, livro de geografia também pode ser considerado autoajuda pois o ajuda a conhecer um assunto sem professor. Era mais cômodo pegar a denominação utilizada nos Estados Unidos para os manuais onde as pessoas resolviam seus problemas sem terapeutas, bem no estilo “do it yourself – faça você mesmo” que os americanos adoram. Rotularam sem querer entender o conteúdo científico em como usar o cérebro de uma maneira eficaz. Não é ovo de Colombo, publicações do gênero são centenárias, o homem sempre quis saber como se desenvolve o pensamento. E morando nos Estados Unidos ele foi estudando e buscando conhecimento em programação neurolinguística, aprendizado acelerado, gestalt e uma terapia corporal chamada Three-in-one, criando os cursos de onde vieram vários livros.

Lair virou estrela na mídia, acho que foi o único entrevistado que não deixou o Jô falar. E como em nosso país ser bem-sucedido é crime, com a grande exposição não demorou a surgirem comentários deselegantes à sua literatura e duvidosos às técnicas que utiliza. Para mim nada mudou. Estou acostumada a ter amigos alvos de polêmica. Tinha menos de 20 anos quando participei de movimentos de esquerda e pouco depois trabalhava com Flávio Cavalcanti que diziam apoiar a ditadura. Aprendi que os cães ladram, a caravana passa e o que importa é a ética e a fidelidade aos amigos.

Não vejo Lair há alguns anos. Sei que além de cardiologista fez uma formação como nutrólogo – não confundir com nutricionista – e segundo alguns amigos que atuam na área médica, ele é o médico deste tempo. Seu olhar sempre esteve voltado para o novo homem e hoje além da mente, se preocupa também com os alimentos, hormônios, desenvolvimentos frente a longevidade com qualidade. Criou um curso de Pós-graduação em Nutriendocrinologia Funcional com módulos sobre teorias do envelhecimento e metodologia científica, gerenciamento de estresse, função das proteínas, carboidratos e gorduras, doenças degenerativas, manutenção de fluídos corporais, envelhecimento cutâneo e rugas faciais, e por aí vai num mundo novo. Começou com 30 alunos, atualmente são mais de 400. Os livros vão muito bem, umas 3 dúzias, alguns esgotados, distribuídos por todo o mundo. …

Lembrei de tudo isso pois chegou um panetone que a Lilly, mulher do Lair, mandou e foi saboreando com café em torno da mesa, conversando com a Ana, o Augusto e o Bernardo vieram essas memórias de carinho e respeito pelos amigos.

Viva!

11129843_1029878993690528_1316757353_n (1)Pouco mais das 5 da manhã quando saí para a praia, olhei o quadro na varanda com fotos ​de muitos amigos e vi quantos já partiram… Nem chegaram a minha idade… ​Estou no lucro mesmo fazendo aniversário em tempo de ressaca de Natal e Ano Novo. Aprendi a festejar assim. Alguns amigos cansados de festas, muitos viajando, outros começando dieta, mas nem por isso deixei de ser feliz apagando as velinhas com grande ou pequena platéia.

Fui caminhando pela servidão, vendo o sol nascendo no mar e agradecendo pela vida… Extasiada com o  escândalo do canto dos pássaros, a beleza do flamboyant que por falta de chuva continua florido, tudo é motivo de gratidão. Aniversário é dia de reverenciar os antepassados, mesmo os que não conheci .  Estiquei a canga na areia e olhando o mar com o sol nascendo agradeci à família, ao meu filho, aos meus mestres, aos amigos de sempre, aos amigos recentes, aos amigos virtuais, muitos eu nem conheço a voz, nunca vi pessoalmente e leem meus textos, comentam meus posts, me querem bem…

Este aniversário chega acompanhado de uma reflexão promovida por um curso de Eneagrama que aconteceu esta semana em Vila de Santo André. Ah! esta vila sempre surpreende! Adriano Fromer Piazzi é um editor de livros bem-sucedido, nos últimos anos tem se dedicado a este estudo e aproveitou a semana para dar um curso com as primeiras noções. Eu conheço o assunto, estudei em dois workshops, mas num pré aniversário voltar a pensar em quem realmente sou foi mais que perfeito.  Eneagrama não tem a ver com signos, não vem no gene e nem se desenvolve com a educação familiar. São 9 perfis de personalidade, fala-se sobre isso  desde a antiguidade. Nos últimos tempos passou a ser uma ferramenta muito usada para autoconhecimento e por empresas para selecionar os profissionais adequados à cada função.

Neste curso de dois dias mais uma vez constatei que sou forte, obstinada, firme, confrontadora e não peço ajuda.  Como é duro não mostrar a fragilidade… Sou rebelde, mandona, radical… Já fui bem mais, nos últimos anos a vida me amaciou.  Assumo o controle do que faço, dos assuntos mais complicados aos mais simples, e como já ouvi dezenas de vezes “entrega para a Léa que ela resolve”. Falo o que penso, tenho uma ética muito pessoal, acredito na justiça e na integridade. Sou de explodir mas me recupero rapidamente. Nada como uma noite para aliviar. No dia seguinte passou, não guardo mágoa, posso ignorar quem me fez mal, mas não desejo o mal. Adoro a verdade, não consigo atuar nas meias palavras. Tem que ser certo, reto. Sou generosa, boa parceira, pau pra toda obra.​

Revi meus sentimentos e atitudes. Alguns a favor, outros mais delicados,  mas saber quem sou simplifica tudo. Sei aonde estou pisando e mesmo  quando parece que tudo vai desmoronar não tenho medo. Medo apenas de ter medo. Revi também a personalidade dos outros tipos. Do super exigente, ao temeroso, passando pelo romântico e o mental. Os que empurram com a barriga, os que não querem aplausos e os que sofrem por não ter… Bom constatar que não somos iguais, isto me reafirma a importância de ter mais respeito ao semelhante e, numa boa, eu não aguentaria  conviver apenar com Leas.

Jamais imaginei quantos anos viveria e aonde chegaria. Fazendo o que ? Com quem ? Não pensei sobre isso nem aos 20, nem aos 40, quanto mais passando dos 60. Fui fazendo a vida com o que se apresentava. Um dia de cada vez, sem muitos planos a longo prazo, com um enorme prazer em estar no momento presente que foi se desdobrando e me trazendo presentes. Presentes em forma de amigos, desafios, afetos, alegrias, conquistas, amores, aprendizados…

Este ano vivi mais Santa Cruz Cabrália, a cidade da minha doce Vila de Santo André. Expandi conhecimentos, fiz amigos e sou grata ao Prefeito Jorge Pontes por ter me convidado para ser Secretária de Comunicação. Um aprendizado todos os dias. Este ano me encantei com as aulas de cerâmica, dar forma ao barro, ver queimar, colorir, transformar em peças… Costurei menos do que queria, rezei bastante…

Ah! vida!!! Quanto ainda por fazer ! Mais amigos, mais conhecimentos, mais esperança, mais obras em casa, mais hóspedes, mais saúde, mais risadas, mais lágrimas de alegria, mais surpresas… Que coisa boa é estar ainda por aqui… E  que venham os dias, meses e anos que tiverem que vir e eu serei eternamente feliz !

 

 

 

 

 

Os números de 2015

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 20.000 vezes em 2015. Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 7 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

Felicidades

O publicitário Nizan Guanaes publicou a semana passada na Folha de São Paulo, um belo artigo com o sugestivo título “Rezar”. Como eu rezo, compartilhei no FB e outros tantos amigos comentaram e multiplicaram a informação. Uma corrente bacana se formou. Até onde eu vi eram mais de 24 mil compartilhamentos.  Eu penso que o que passa pela nossa cabeça é o alimento para a alma e o coração. Minhas constatações, não tem fundamento científico, apenas um olhar à vida e um ajuntamento de leituras variadas.

Eu sei como é difícil silenciar a mente. Ela fala mais do que a boca, corre de um lado para outro, muda de assunto traz lembranças antigas, projeta diálogos que jamais existiram, anda para frente e para trás no tempo.  Aquietar é tarefa árdua, por isso creio que enquanto rezo ou medito ou repito um mantra fujo da “mente vazia morada do demônio”. Ouvi pela primeira vez esta frase devia ter pouco mais de 13 anos. Ao lado da grande casa em que morávamos na Tijuca vivia uma família que tinha apenas um filho estudante do Colégio Militar, aplicado e bonitão. A mãe zelosa repetia esta frase ao telefone para as garotas que o procuravam, acrescentando: “pensa em outra coisa, vai ser melhor para você. ” E eu ouvia por trás da veneziana da janela do meu quarto e imaginava como devia ser difícil pensar em outra coisa e sedutora a morada do demônio com desejos ilimitados…

anjo

O céu e o inferno, anjos e demônios, caminharam comigo ao longo dos meus 10 anos de idade. Na 4ª. série do primário, hoje ensino fundamental, entrou uma nova aluna que sentou na carteira ao meu lado. Sim, as carteiras escolares eram duplas, quem passou dos 50 conheceu esta forma integrativa nas antigas salas de aula. Rapidamente ficamos amigas e um dia ela confidenciou que via o meu anjo da guarda. Estudávamos em colégio de freiras e santos, anjos, querubins eram temas corriqueiros. Mas ver o anjo da guarda era delírio. E é claro que entrei nesta viagem sem contar para ninguém, nem mesmo ao padre no confessionário. Durante todo este ano, comi metade do prato de comida, meio sanduíche, meio picolé. Corri menos, pedalei menos ainda. Deixei de subir em árvores, pulei pouco corda, dormi num canto da cama, pois tinha que deixar espaço para o meu anjo. Ele não podia se cansar e também tinha suas vontades. Assim vivi um ano exercitando o dividir com quem não via. Apenas acreditava que estava comigo, zelava por mim. A garota foi embora o ano seguinte, e por mais doido que tenha sido a experiência aprendi a conversar com o meu anjo, com um Deus, sem qualquer medo do fogo do inferno.  Com Ele posso dividir alegrias, tristezas, duvidas… Prato de comida não é mais necessário…

Mesmo nos períodos em que estive mais para o profano do que para o sagrado, permaneci acreditando que foco, atenção, boas palavras e bons pensamentos, transformam.  Aonde você coloca a sua atenção – ou tensão, ou tesão – vai dar frutos. É por isso que neste final de ano, desejo que você ganhe alguns minutos de prazer em sua vida como uma prece, ou reflexão, ou meditação ou apenas um pensamento de gratidão por mais este ano.  Foi muito bom ter me disciplinado a escrever todas as semanas, feito novos amigos, compartilhado meus pensamentos. Que todas as boas coisas do universo façam parte do seu novo ano… Feliz 2016.

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O inquilino

Bom dia Léa!

Bom dia João!

Durante quatro meses, todas as manhãs, repetia este diálogo.  Ele chegava de mansinho e me pegava no computador. Amigo de amigos de Belo Horizonte, João, poeta e advogado, veio passar uns dias na minha pequena Pousada Banana da Terra. Chegou em meados de junho, encontrou os primeiros dias chuvosos, mas na sequencia veio muito sol para curtir a praia. Foi à festa de São João na beira do rio, se encantou com os cenários que gratuitamente a natureza oferece, e a simplicidade da vila tranquila na baixa temporada fez João desejar por aqui viver quatro meses sabáticos. Voltou para BH só para organizar a vida, avisar aos filhos e amigos. Preparei um chalé para recebê-lo, construí uma pequena cozinha, uma nova varanda para a longa temporada. O quarto ganhou um gaveteiro para guardar mais roupas, na sala uma mesa para o poeta colocar seu computador e derramar a poesia.

JP_chegando

João chegou dia 11 de agosto com uma mala grande e o olhar curioso. Muitos livros na bagagem. Bermudas, camisetas, sungas para a praia, sandálias havaianas, um belo desafio pela frente, mas rapidamente se adaptou ao mundo semi rural. Conheceu os arredores, passeou de barco nos manguezais de Belmonte, navegou no Jequitinhonha, conheceu Canavieiras e em Porto Seguro foi apenas uma vez para comprar uma bicicleta e um par de tênis para as caminhadas na estrada de terra. Acordava por volta das 5 horas, andava na praia, pedalava 2kms até a balsa, fez aulas de yoga e de cerâmica, participou da cerimônia de meditação da lua cheia. Foi a festas, fez amigos, almoçou em todos os restaurantes e no final da tarde pegava uma cadeirinha e ia para a beira da praia ver a lua chegar.

Dr. João Paulo, de sobrenome tradicional mineiro, se transformou apenas em JP, mais um morador da vila. Não leu os livros, nem escreveu poesias… A escrita ficou restrita aos e-mails para a família e amigos dando notícias que estava bem. Talvez não acreditassem que fosse suportar tanto tempo longe da civilização. Sentiu-se solto e livre como um dos tantos passarinhos que iam comer mamão na frente do seu chalé. Todas as manhãs ele esperava um esquilo descer pelo velho cajueiro em busca de algum fruto do dendezeiro e mimava Xico e Akira dando biscoitos. Regou a grama do jardim próximo ao seu chalé, cuidou da planta que dei como presente no aniversário e teve festa surpresa com bolo. A saúde ficou ótima, com a  pressão estável e nem mesmo o tempero baiano fez qualquer mal.

Mas como o tempo era marcado no calendário, sexta-feira passada, cumpridos 4 meses, João voltou para BH… Foi organizar a vida, decidir o que fazer com o apartamento, os móveis, os objetos guardados em seus poucos mais de 70 anos, Quer voltar pois como cantarolava “tudo, tudo na Bahia faz a gente querer bem…”. Descobriu que pode viver com muito pouco, pois o que tem na natureza preenche o coração. Quando nos despedimos seus olhos ficaram cheios de água. Poetas são sensíveis. Disse que volta depois do carnaval, enquanto isso o esquilo, o Xico e a Akira, a grama e o vaso com planta, a lua e as estrelas, a Lelê, a Fatinha e o Emanoel, a bicicleta, o caminho da praia, as ondas do mar, a estrada até a balsa e todos os seus amigos ficarão com saudades…

Bom dia João !

Xico e Mario

najanela

Sábado pegamos a balsa das 6 da manhã para levar o Xico ao veterinário em Eunápolis. 80km de estrada. Sim, existem profissionais desta área em Santa Cruz Cabrália e em Porto Seguro, bem mais próximo de Vila de Santo André, mas nenhum é o Mario. Depois de ter perdido duas cadelas da raça Pastor Alemão, ainda em idade muito tenra, devido a tratamentos inadequados, resolvi seguir o conselho de amigos e fui conhecer o Mario. Uma figura fantástica, destes que você percebe o quanto ama animais no primeiro contato. O consultório fica em Eunápolis, uma cidade localizada estrategicamente à beira da BR-001, referência para todo o sul da Bahia, cercada por uma vasta área rural.  E veterinário não é apenas para cães e gatos de madame! Haja gado e cavalos no entorno.

Xico está com 11 anos, é um Golden Retriever que parece um labrador por viver com o pelo tosado por conta de um fungo que se desenvolve sei lá por que, mas que aumenta muito com calor e no contato direto com a terra e areia. Nas últimas semanas ele estava com um jeito cansado, caminhando devagar, latido rouco e lá fomos para a bateria de exames, vacinas e tudo mais…E a consulta é sempre regada com uma conversa interessante deste gaúcho que usa botas, tem jeito rude, e mesmo estando há algumas décadas na Bahia ainda carrega no sotaque…  Enquanto examinava falou sobre a relação entre o animal envelhecendo e seu dono.

“O cão é a alegria do primeiro ano, ele serve para te dar felicidade…” É esta a relação que fica na memória. Quando cresce um pouco se torna independente, faz graças e carinhos, mas é livre, e volta à se aconchegar na velhice quando o dono ao vê-lo vulnerável resgata o afeto do cão bebê. É exatamente isso que vivo. Mario vai falando, relembro Xico chegando no Aeroporto de Porto Seguro dia 9 de janeiro de 2005 e se tornando a grande estrela ao sair da caixinha que o transportara de Belo Horizonte. Não podia ser mais lindo! Todos paravam para ver, parecia cão artista na foto de embalagem de ração. Alguns meses depois, num domingo de Páscoa, a madrinha Cacaia veio batizar no mar, e com a ajuda do Louro, um labrador bem preto da Maninha, ele aprendeu a nadar. Comovente os dois cães nadando juntos, o cuidado do mais velho. E neste tempo de criancice ele destruiu dois lindos canteiros de samambaia e outros tantos de plantas variadas… Ainda acaba com pedaços do gramado onde gosta de ficar deitado, mas com olhar meigo e doce como zangar?

Há cinco anos tornou-se “mestre” da Akira. Uma relação encantada. Ela, Pastora Canadense avessa a água, aprendeu a nadar para acompanhar o amado. Estão sempre juntos e quando ele sai de casa, como neste sábado, ela fica rodando o jardim a sua procura. O amor é lindo!

“Quando o animal fica velho e vejo o sofrimento, sou um menino e choro…”, comenta Mario que conta o desespero dos donos: “uma senhora veio algumas vezes trazendo uma gata com câncer. Não tinha mais jeito, o animal sofria, mas não sabia se expressar…. Ela disse que ia ficar com a gata no colo, deitada no sofá da casa, até o final… Dias depois voltou ao consultório desesperada, me entregou o animal e poucos minutos depois já não mais respirava. O que dizer? ”

Para Mario os animais domésticos não foram feitos para viver tanto e as rações balanceadas trouxeram a longevidade, com o fígado e os rins funcionando bem. Mas a realidade é que a carcaça vai envelhecendo. “Cão não morre do coração, bicho é inteligente, tem sabedoria, quando percebe que vai morrer deixa de comer”. Recentemente acompanhei o final da Catraca, a bichon frisé de uma amiga que morreu aos 15 anos depois de uma vida de enorme alegria tanto 

Há cinco anos tornou-se “mestre” da Akira. Uma relação encantada. Ela, Pastora Canadense avessa a água, aprendeu a nadar para acompanhar o amado. Estão sempre juntos e quando ele sai de casa, como neste sábado, ela fica rodando o jardim a sua procura. O amor é lindo!

“Quando o animal fica velho e vejo o sofrimento, sou um menino e choro…”, comenta Mario que conta o desespero dos donos: “uma senhora veio algumas vezes trazendo uma gata com câncer. Não tinha mais jeito, o animal sofria, mas não sabia se expressar…. Ela disse que ia ficar com a gata no colo, deitada no sofá da casa, até o final… Dias depois voltou ao consultório desesperada, me entregou o animal e poucos minutos depois já não mais respirava. O que dizer? ”

Para Mario os animais domésticos não foram feitos para viver tanto e as rações balanceadas trouxeram a longevidade, com o fígado e os rins funcionando bem. Mas a realidade é que a carcaça vai envelhecendo. “Cão não morre do coração, bicho é inteligente, tem sabedoria, quando percebe que vai morrer deixa de comer”. Recentemente acompanhei o final da Catraca, a bichon frisé de uma amiga que morreu aos 15 anos depois de uma vida de enorme alegria tanto para o animal como sua dona. A tristeza foi grande, ao mesmo tempo um alívio por se saber que nada mais podia ser feito… Foi assim também com o meu poodle Pulga, partiu aos 14 anos…

Na volta de Eunápolis vim pensando na conversa. Cães que chegam e vão. Sempre acho que nunca mais vou querer ter um. Bastam os passarinhos que comem as bananas que coloco pela manhã junto com o resto do meu mamão. Não sei seus nomes, só suas raças, não temos intimidade. Nem sei se são os mesmos que vem todos os dias. Fantasio que sim. Mas como diz o Mário “animal serve para te dar felicidade”… O fígado e os rins do Xico estão ótimos. Trouxemos uma grande caixa com remédios, colírio, produto para o ouvido e uma lista de exigências… Banho a cada 4 dias, recomenda o médico. “E se puder só a cada 6 dias por conta da agenda do tratador, como faço? ”… Ele sorri “quando você voltar em três meses pode mentir que foi a cada 4 dias que eu acredito…” Como não se apaixonar por Mario Martins D´Avila? Que bom ter Mário e Xico em minha vida.

Jpeg

Não é Natal

A lama no Rio Doce, os tiros em Paris, a queimada na Chapada, tudo isso deixou meus pensamentos desordenados. Tragédias demais colaboraram para que as palavrinhas sumissem e nem consegui escrever na semana passada. Sem contar que quando se aproxima dezembro tudo me confunde…. Por mais que haja planejamento para receber os hospedes, a minha “São Silvestre particular”, uma corrida para que tudo esteja na mais perfeita ordem, acontece juntamente com o meu inferno astral… “Sinto muito, me perdoa, eu te amo, sou grata”, repetir centenas de vezes o mantra do Hoponopono para abaixar a ansiedade, pois sei que tudo vai dar certo, sempre deu…

akira e papai noel

Em meio a costumeira tensão, Helenita, a minha fiel escudeira, retirou do armário a caixa com enfeites de Natal. Tocada pela publicidade no rádio e na tv resolveu me fazer uma surpresa. Limpou cada peça do presépio, as bolinhas coloridas, luzes, anjinhos, enfeites antigos e deixou tudo exposto em uma grande gamela para que não ficasse despercebida a chegada de dezembro. Há alguns dias por onde meu olhar passa, entre a varanda e o escritório, os enfeites cutucam a memória. Dói… Apesar de algumas tentativas o evento “Natal” desapareceu do meu calendário há 14 anos quando, na antevéspera, enterrei meu irmão… Horrível enterrar, por favor me cremem, me joguem no mar, me façam desaparecer num toque de mágica, qualquer coisa mas na terra não… Acontece que naqueles tempos e nesta localidade era o que se podia fazer atendendo a um desejo de “me deixe por aqui, não me leve para o Rio”. Assim, num pequeno cemitério à beira da estrada, em uma cova aberta embaixo de uma árvore para dar sombra e sentir o vento do mar não muito distante, o que restou de seu corpo ficou num 23 de dezembro. Desde então tenho me esforçado para o Natal também não morrer em mim, mas tem sido uma luta árdua…

Há alguns anos coloquei luzes em uma árvore no jardim. Tinha decoração, mas não sentimento. Quase todos os anos insisto em fazer um arremedo de montagem de presépio, prendo umas bolas em um galho seco de açaí, crio um cantinho para o Natal, tudo sem a menor expressividade. Lembro de árvores enormes que com muito prazer montei nas salas de todas as casas por onde passei, sempre dia 1 de dezembro e desmontando 6 de janeiro. Gostava de colocar com antecedência os presentes em sua base e seguindo o meu exemplo, certo ano, um ex-marido deixou uma caixa grande de uma loja de roupas populares com um cartão em meu nome. Durante semanas temi o que encontraria lá dentro, mas na noite da festa ao abrir encontrei uma aliança de brilhantes! Já não tenho mais os brilhantes, há longo tempo troquei-os por uma árvore de natal em Nova York que é uma outra história. Mas o fato é que adorava embrulhar presentes, a cada ano escolhia um papel diferente, como o papel pardo com laço vermelho, papel chiffon vermelho com fita verde, muita imaginação para enfeitar a árvore, presentear a família e os amigos! Na noite de 24 havia a tradicional ceia com a família e antes da troca de presentes papai puxava o coro de “Noite Feliz”. Era uma desafinação coletiva. Ninguém aguentava as notas mais altas e se transformava em uma grande gargalhada. Eu ria para esconder as lágrimas disfarçando a emoção daquele ritual que nos acompanhava desde crianças… No dia 25 o almoço invariavelmente era na casa da Anna Ramalho com tantos amigos em torno de mesa farta e boas conversas…Era um fim de ano feliz.

Não que meus fins de ano deixaram de ser felizes, mas tem outro sabor. É o tempo que o filho chega para uma temporada longa, os hóspedes amigos vêm com novidades, clima de praia, muito sol e a vila que ao longo do ano é vazia, se transforma.  Intermináveis filas na balsa, o sufoco para não faltar mamão papaia nem queijo de minas no café da manhã (desaparecem dos mercados!!), as deliciosas baguettes do padeiro Gilmar, promessas à Santa Clara para que a chuva não atrapalhe os turistas, os brindes com espumante nos finais de tarde na casa de amigos, a alegria de ver os restaurantes cheios e os stands up paddles colorindo o rio e o mar… É tudo muito bom, só não é Natal… Da festa ficou a fé na renovação da vida com o nascimento de Jesus e um restinho de enfeites em algum canto da casa…

Ele voltou

Na contramão do “desapega”, quando retirei do guarda-roupa o suficiente para encher três sacos de 100 litros que seguiram para doação, fiz um resgate emocional. Percebi que nem tudo o que não se usa mais é para ser descartado e, como num passe de mágica, meu olhar se voltou para ele, repousando há anos bem ao meu lado, ao alcance dos olhos, um velho amigo de tantas alegrias, parceiro de momentos incríveis, companheiro fiel, jamais me deixou na mão, encoberto por uma capa prateada. Ali estava aquele que me trouxe do Rio para a Bahia há 11 anos, o meu Palio branco. Parado na garagem há uns 5 anos, apesar das diversas ofertas para compras, com muito ciúmes não o deixei sair…. Neste período duas tentativas para acordar o pobre carro foram em vão… Em uma o mecânico roubou os pneus, em outra engasgaram o motor.

Um dia eu cuido de você, pensava eu. Mas com a vantagem de um carro novo à disposição, cedido por uma amiga, o Palio foi ficando escondido atrás da capa prata que o protegia da maresia fazendo com que a minha dor de vê-lo abandonado fosse menor. O que os olhos não veem o coração não sente, diz o ditado popular. Guinho, meu braço direitos em assuntos de jardim e outros tantos da vida rural, sugeriu que de vez em quando fizesse uma vistoria para ver se não se transformara em residência de ratos ou outros animais da região como um horrível marsupial que faz ninhos onde menos se espera. Coloquei ratoeiras, mas não vi sinal de fios roídos.

O tempo foi passando e tristemente os pneus murcharam. Não se aguentava mais em pé. Fiquei com pena. Lembrei de quantas ofertas já tive para sua compra e recusei. Um fim inglório. Sem sair do lugar, retirei os pneus, um de cada vez, e levei para consertar. Não estavam furados, apenas cansados de ficar parados, ressecados, mas rapidamente ficaram firmes, tomaram forma… Mas ainda passou um bom tempo até que o ataque de desapega tomou conta de mim e depois de ter me desfeito de todas as roupas dos armários por quem não tinha o menor afeto que me lembrei do carro e resolvi trazê-lo à vida. Sem saber o que era preciso para sua recuperação em função dos anos sem emitir qualquer ruído nem se mexer, resolvi chamar o Samuel, o bom mecânico mineiro que conheci há pouco mais de um ano e por ter me provado total competência teve a honra de levar algo tão especial para a sua oficina.

Para mim, ele não é um Palio qualquer. Tem uma infinidade de referências, lembranças, memórias. Comprei logo depois do Rock in Rio 2001, ainda sob a orientação do meu irmão Victor, que sempre me aconselhava neste e em tantos outros assuntos…Era mais um Fiat na minha vida, pois aprendi a dirigir num 147.  Ele saiu zerinho da revendedora com ar condicionado potente, cd player, janelas e portas automáticas, um luxo para o meu coração… Grandes histórias, algumas alegres, outras menos, mas sempre valente. Quantos sonhos e pensamentos eu tive enquanto o dirigia nas ruas do Rio. Ele me levou ao aeroporto quando fui para Lisboa e me trouxe para a Bahia. Passeou comigo por todo o entorno da costa do descobrimento, me revelou este “quintal” baiano com mistura capixaba e mineirice, passou pelas 10 cidades onde aconteceu a Caravana Veracel, projeto que me permitiu comprar a casa onde moro. Como posso esquecê-lo!

Determinada deixei o Palio partir rebocado e eu não quis assistir a cena. A garagem ficou vazia. Quase todos os dias eu passava pela oficina do Samuel para vê-lo de longe. Respirava por equipamentos, muitos fios saíam do motor. Em outras vezes estava suspenso sendo examinadas as suas partes baixas… Fui forte, me controlei e em nenhum dia telefonei para saber o diagnóstico…. Temia o pior, uma resposta do tipo “não tem mais jeito, só se aproveita a carcaça que por sorte a maresia não comeu…”  Mas a semana passada uma mensagem no WhatsApp trouxe a felicidade de saber que ele estava OK… Havia sobrevivido à água que misturaram no tanque de gasolina que quase o afogou. A bateria que era nova, mas estava parada, reagiu a uma “chupeta” e até o ventilador funcionava mesmo sem gás do ar condicionado. Trocou pastilhas dos freios, filtros e tudo o mais que pudesse lhe dar uma longa vida. E o melhor: o som perfeito. Bota o Raul no CD player…

palio

E assim para a minha alegria ele voltou. Um som inconfundível do motor, prazer vê-lo entrando pelo portão. Nos últimos dias saí muito com ele…. Durinho, baixinho, batutinha, um sucesso. A direção não é hidráulica, mas estou adorando, assim faço musculação. Ainda falta acertar o ar condicionado para refrescar neste verão, resolver a elétrica da janela do carona, um tapete novo, lavar os bancos, um belo banho! Mas estou tão feliz que estes detalhes resolverei na próxima semana quando o levar para desfilar em Porto Seguro. Do jeito que ele está, preciso avisar para não se animar muito e querer pegar a estrada do Rio…