Inbox

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A mensagem pedindo o número do meu telefone para alguém que não vejo há dezenas de anos chegou inbox. Li, reli e fui levada para um tempo muito distante quando esperava encontrar um grande amor que tirasse meus pés do chão e me fizesse voar à lua. Como fotos de um álbum antigo veio a imagem do primeiro encontro e, como todos aqueles que marcam a vida, foi ao acaso. Amigo de amigos nos reunimos num escritório para discutir algum projeto e, de repente, nem sei mais o que falávamos, com o coração batendo tão forte que parecia sair da boca e não consegui mais olhar para ele. Saímos para comer alguma coisa e no final da noite eu estava encantada. Tenho um grave defeito: só me apaixono por pessoas inteligentes. O simples sedutor não me convence. Apenas o que tem algo a dizer, discutir, compartilhar, vida corrida com inteligência, perspicácia, humor e uma certa ironia … E ele era exatamente tudo isso ! Ainda tinha um cabelo desalinhado, uma cara amarrotada, um certo ar blasée no vestir e amigos poetas, músicos, escritores, artistas maravilhosos…. Óbvio que aconteceu um grande amor que só não foi mais longo pela distância. Por razões profissionais voltei a morar no Rio e a ponte aérea foi dificultando a relação. Creio que ele também tinha uma pendencia emocional em outra cidade e o tempo se encarregou de colocar um outro “grande amor” na fila.  Incrível hoje constatar que em uma certa idade há volúpia e sequência de “grandes amores” o que deixa a vida simplesmente fantástica e traz um tempero especial às lembranças na maturidade.

Aquela mensagem inbox ficou rodando um fim de semana em minha cabeça gerando uma questão: o que ele quer comigo ? Na segunda feira ao voltar para a casa depois de uma caminhada na praia recebi o recado de que alguém com um nome diferente telefonara se identificando como um grande amigo, fazendo uma porção de perguntas que variavam da localização geográfica de Vila de Santo André até o meu atual estado civil! Tudo muito divertido e surpreendente se você imagina que alguém está saindo de um baú depois de 45 anos…E quantas águas já rolaram neste tempo, quantas vidas e encarnações que ele nem imagina…

No meio da tarde o telefone tocou e era ele. A voz inconfundível, o tempo não havia passado. O mesmo tom bem-humorado, ironia fina, sedução inteligente… “Você foi o grande amor da minha vida”, ele soltou assim em meio de uma frase e eu quase caí do sofá! Como em uma tarde sem aviso prévio, sem clima de sinos tocando ou qualquer outro cenário de paixão surge esta declaração? Como se guarda por tantos anos o desejo de dizer “você foi o grande amor da vida” ?

Não levei a sério, mudei de assunto, ele repetiu a frase… O que continuava me impressionando não era o amor guardado, mas a sua voz firme, como se fosse um elemento protegido das agruras do tempo. O pensamento corria com o mesmo discurso ágil, inteligente, atualizado. A voz sem rugas, sem catarata, cabelos brancos, peles flácidas ou qualquer outra mazela que os anos trazem à matéria que somos. Não tinha botox, nem lifting, nem lipo, nem implante. Era uma voz no auge dos seus quase 40 anos, igualzinha quando nos conhecemos. Enquanto conversávamos, comecei a fazer cálculos de quantos anos ele teria e não aguentando a curiosidade perguntei:

“E com quantos anos você está ?”

“Vou fazer 80 !!”

Não fiz silêncio. Gritei.

“Como assim ? A sua voz é a mesma…”

“Eu sou o mesmo”.

E ele era realmente o mesmo inteligente jornalista, produtor, criador, escritor, inventor de artistas, poeta, romântico meio sem jeito… O resto são fantasias, preconceitos, idiotices que construímos mentalmente sobre velhice. Neste dia aprendi que estamos inteiros em qualquer tempo, basta não perder a essência…

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Comparações

foto-claudia_schembriEmbaixo da amendoeira, vejo os meses de verão acontecer na praia de Santo André…Amigos chegam para férias, contam as novidades do ano que passou, e é impossível não notar as marcas do tempo… Uns mais gordos, outros frequentaram academia estão malhados, percebo cabelos que ficaram grisalhos enquanto outros mais tintos, comentamos quanto foram prósperos ou difíceis os negócios, a política ou o simples fato de termos sobrevivido. Um ponto é fatal: silenciosamente todos se comparam…. Isto é inerente ao ser humano, o animal não olha para o outro para ver se está mais velho ou mais jovem, gordo ou magro, só mesmo o homem.

Lembro que a primeira vez que me percebi nas comparações foi no início da adolescência quando trocávamos de roupa para a aula de ginástica, e discretamente todas queriam saber quem já usava sutiã ou havia menstruado.  Às vezes mentiam quanto à menstruação para serem dispensadas das aulas… Depois, um pouquinho mais velha, a pesquisa ficava nas que eram ou não virgens, comparava-se o tamanho do salto do sapato, a roda do vestido, o perfume Avon ou importado, e por aí seguia numa disputa sem fim…. Tudo muito silencioso…Depois comparava-se o marido, o emprego, o carro novo, o apartamento, as férias no exterior, a casa na praia ou na serra, a escalada social…

Hoje me percebo curiosa em saber a idade das mulheres da minha faixa etária para ver quem está fisicamente melhor…Não sei qual o critério que uso para saber o que é melhor, mas discretamente analiso se os antebraços estão firmes para dar tchauzinho,  como estão as celulites nas pernas e no bumbum, a gordura que ganha forma nas costas e nos seios, a barriguinha, as varizes, as rugas em volta dos lábios denunciando as fumantes, tristes comparações mas totalmente verdadeiras… O tempo é implacável, esta não é uma boa disputa mas é a realidade desta vida mais longa e liberta que ganhamos… Mamãe jamais se permitiu ao se aproximar dos 70 colocar os braços de fora muito menos a barriga em um maiô de duas peças… E nós só tínhamos 30 anos de diferença… Tudo correu muito rápido e vamos tentando nos adaptar à nova realidade. Às vezes sinto que há um fio da navalha entre o adequado e o ridículo, mas é impossível julgar pois cada um vê no espelho a imagem que interessa.

Desde que voltei a praticar Pilates tenho pensado no meu bem-estar físico, pois as pernas que abalaram Paris jamais voltarão. Ficaram nas fotos e nas lembranças de quem viu. A flexibilidade do corpo e da mente são meus grandes objetivos. A agilidade dos pensamentos e a facilidade em me movimentar, cruzar as pernas, esticar os braços, andar firme, são meus desafios… Sei que com a determinação e juventude que tenho –  eu já contei que acredito ter 35 anos ? – vou bem longe.

 

Foto :  Cláudia Schembri

Outros carnavais

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Sentada a beira do rio esperando o bloco Unidos de Santo André passar, lembrei da foto com Paulo Martins que recentemente emoldurei e pendurei na parede da sala e me remete a outros carnavais. Meus pais se conheceram num baile de carnaval. Minha mãe era a rainha, ficava no trono acenando para os súditos; meu pai entrou no baile como penetra, não era sócio do clube e vestiu uma fantasia de dominó (não consigo imaginar!!!) com capuz na cabeça para não ser reconhecido… Ouvi esta história dezenas de vezes quando me vestiam de bailarina ou qualquer outra fantasia que “herdava” das primas ricas e me levavam para o clube com um saco de confete, um pacote de serpentina e uma lança perfume Rodo Metalica.

Sempre me senti ridícula fantasiada. Até mesmo quando adolescente saía no grupo das  garotas da rua da Cascata vestida de índio ou melindrosa para brincar no baile no Montanha Clube. Em grupo o vexame era menor. Deve ter sido isso que me estimulou a aceitar o convite dos incríveis Stenio Pereira e Equio Reis para sair na comissão de frente da Portela. Na verdade era um séquito que acompanharia a colunável milionária Beky Klabin em sua estreia no carnaval.  Equio e Stenio eram dois artistas sensacionais que marcaram o fim dos anos 60 e início dos 70 em Ipanema. Um baiano, ator e diretor de teatro, o outro arquiteto carioca, foi o primeiro casal assumidamente gay que conheci. Juntos criaram uma grife, um estilo que fez sucesso entre artistas e descolados.

Beky era uma grande figura. De origem turca, chegou menina ao Brasil, casou com o empresário do ramo de papel e celulose Horácio Klabin com quem teve dois filhos. Foi jurada do programa do Chacrinha, namorou o cantor Waldick Soriano, o cirurgião plástico Hosmany Ramos que anos depois foi preso e julgado como traficante… Ela “causava” na sociedade carioca e por ser apaixonada por samba foi parar na Portela. As portas da sua cobertura na Av. Vieira Souto – o metro quadrado mais caro do mundo! – eram abertas para ritmistas e passistas realizarem os ensaios da “trupe” que a acompanharia na avenida. Claro que tudo regado a muito champagne e caviar. Não lembro quantos éramos naquele carnaval de 1972, mas viemos em torno de Beky que “carregava” um vestido branco, coberto de plumas e pedrarias. Evoluíamos numa coreografia ensaiada durante semanas seguindo a letra do samba “Ilu aiê odara, negro cantava na nação nagô…” Dizem que as joias que Beky usava eram de muitos quilates, por isso, discretamente, alguns seguranças a acompanhavam. Ainda não havia o sambódromo, as escolas se exibiam na Presidente Vargas, e quando terminou o desfile, lá estava nos esperando o seu motorista com o porta malas da Mercedes aberto repleto de bebidas e comidinhas para o grupo… Lembro voltando para casa com a maquiagem escorrendo no rosto …

Beky foi a primeira personalidade do “high society” a desfilar em uma escola de samba o que causou furor e se tornou um escândalo… Sua personalidade era tão marcante como referência em glamour e poder, que segundo consta, Gilberto Braga nela se inspirou para escrever a personagem Stela, vivida por Tônia Carrero na novela “Agua Viva” em 1980. Resgatei um de seus pensamentos: “Assim como Stela, detesto praia. Mas mando o copeiro buscar a água do mar para jogar no meu corpo porque queima mais”.

E, na doce brisa do fim de tarde do sábado de carnaval, vendo a explosão de cores do por sol relembrei deste carnaval enquanto esperava o bloco passar… Sem abre alas e coreografia, prefiro ver a vida de camarote…

Na foto abaixo, Beki Klabin (10 de setembro de 1921 – 20 de agosto de 2000.

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Alongar

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Sempre ao sair do Pilates tenho a sensação de estar mais alta. Hoje voltei pela estrada sentindo o sol estourar na pele, o cheiro das árvores nativas misturadas com o do asfalto, como se estivesse caminhando sob pernas de pau.  Acho que cresci uns 10 centímetros nesta última hora… O tempo que passo entortilhada em mim mesma sobre o teclado ou no sofá enquanto faço bordados desaparece. Sinto como se eu fosse uma roupa que ficou muito tempo pendurada no varal, embaixo do calor escaldante da Bahia e ao ser retirada está bem esticadinha… Enquanto caminho reflito que além do corpo deveria alongar os pensamentos. Esticar tal qual o elástico que levanta as minhas pernas e faz com que eu me sinta como uma bailarina em piruetas…. Alongar percepções, sentimentos, intuições…. Um pouco de Pilates para a alma, decifrar o que parece indecifrável no conhecimento de mim mesma… Sou uma porção de mulheres misturadas e apesar de tantos anos convivendo com esta questão ainda me surpreendo… Vou me alongar para a vida que ainda me espera…

De mulher prá mulher…

 

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Hoje estava na praia quando ouvi a notícia da morte de Da. Marisa Letícia Lula da Silva. 66 anos, pouco mais jovem do que eu, e, de repente, uma gavetinha abriu na minha memória e lembrei que um dia estive com ela. Era o dia 27 de setembro de 2010 e a DC Set  estava produzindo a festa de gala dos 100 anos do Corinthians no Auditório Elis Regina, no Anhembi (SP) com mega show do artista Roberto Carlos. A plateia estava repleta de celebridades, jogadores de todos os tempos, políticos, e na lista constava o presidente Lula da Silva, corinthiano roxo… Naquele mês de setembro o presidente Lula  estava empenhado na campanha da então candidata Dilma Roussef e, coincidentemente, naquele dia. faria um comício nas redondezas… As equipes DC Set e RC estavam a todo vapor na super produção e, entre outras funções, caberia a mim, junto com Andres Sanches, presidente do clube, receber Lula e comitiva… Pouco antes do show começar um telefonema avisa que o comício havia se delongado e o presidente pedira à sua esposa, Da. Marisa Letícia Lula da Silva, para representar a família. Rapidamente a equipe afinou a logística e fomos receber a primeira dama no estacionamento. Uma chegada discreta, pouco aparato, e me lembro bem do seu jeito delicado ao descer do carro, recompor o casaco em tom caramelo que ia até abaixo dos joelhos, estender a mão e dizer “muito prazer” com um simpático sorriso. Expliquei que para escapar do assédio do público iriamos entrar pelos bastidores, que o caminho era um pouco tortuoso e, enquanto caminhávamos entre fios e caixotes, ela com salto alto e eu com o privilégio de um sapato baixo, senti que segurou o meu braço buscando apoio e fomos andando como duas amigas que vão às compras de braços dados.  Era uma mulher de estatura mediana, magra, falando baixo, um jeito delicado. No nosso trajeto, talvez uns 500 ms, em certo momento ela foi vista por parte da plateia que estourou em gritos e aplausos. Da. Marisa respondeu ao aceno não como uma estrela entrando no palco, mas como uma pessoa comum que revia os amigos à distância. Detalhes dos bastidores não importam…O que ficou foi a simplicidade ao andarmos de braços dados… Desejo que sua nova caminhada seja  de luz, amparada por bons amigos  ….

Foto : Revista Veja – Abril

Feliz 2017

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A Murta com seus frutos

Acordei e vi a árvore de Ingá florindo de um lado da casa e a de Murta cheia de frutos do outro. Para quem vive em um grande centro esses fatos nada representam, mas para quem tem uma exuberante natureza a sua volta são sinais, nem que seja a promessa da chegada de muitas abelhas que passarão a rodear com um zumbido tão alto que me levam a crer que tem uma serra elétrica nas proximidades… Ah! prazeres de uma outra qualidade de vida… Neste tempo de verão vejo a alegria com que os turistas por aqui passam e se encantam… É uma vila muito simples, por isso a cada dia mais raro em meio a tanta tecnologia, tragédia, violência urbana, pressão, caos, medo…

Todos os meus amigos e também os amigos dos meus amigos deveriam ter o direito de passar uma semana por ano em um local como Vila de Santo André, onde as ruas são de terra, onde espontaneamente acontecem pequenos eventos a beira do rio para alegrar os visitantes, onde a gastronomia vai do PF básico ao restaurante de luxo, onde chove nas madrugadas e tem sempre estrelas e uma lua desenhada no céu, onde se toma banho de mar pois até as ondas são tranquilas.

O meu prognostico é que este será meu ano azul…. Não são previsões da astrologia, do tarô ou da bola de cristal, mas assim defini com dias tão azuis e por ter ganho uma bolsa, um colar, uma agenda e uma luminária da mesma cor.  Basta muito pouco para se colorir um ano e se reposicionar diante de um futuro que começo a desenhar nestes primeiros dias… Se o azul ficar marinho vou dar um jeito de clarear… Feliz 2017 em seu 7º dia…

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O Ingá com suas flores

…e assim se passaram 15 anos

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Apesar de minha mãe dizer que acabamos como pó, prefiro acreditar na alma e que quando as pessoas morrem vão para um outro local, um novo cenário e um dia nos reencontramos. Este sentimento espiritualista cristão me acalma.  Mas em nenhum momento diminui a vontade em estar junto. Recentemente na novela “Eta mundo bão” o personagem central repetia que “tudo de ruim que acontece é pra melhor”. Desculpe Walcir Carrasco, autor da novela, mas esta frase é minha, repetida intensamente nos últimos anos. Repito para mim  e para amigos em crise… Nada poderia ser pior do que a partida tão rápida do meu irmão. Em apenas 9 meses aquele homem lindo, cheio de sonhos, cumpriu sua parte nesta dimensão e se foi. Se ele ainda aqui estivesse certamente eu continuaria vivendo em uma vida louca entre Rio e São Paulo, sabe-se lá por onde mais, e apenas usufruindo deste paraíso nas férias… Não teria aprendido com a mudança das marés e as luas o verdadeiro movimento da vida… Hoje vivo na casa que foi dele, ainda com muitos de seu mas do meu jeito…Sou feliz em saber que ele está só do outro lado da cortina … Quem sabe vendo eu cuidar de tudo, da grama que nasceu, as árvores que estão altíssimas, das novas flores que plantei, da horta e dos amigos que me visitam e ouvem eu lembrar de suas historias… Cada dia que amanhece ou mergulho no mar agradeço por este presente. Qualquer hora nos vemos meu querido irmão… Hoje são 15 anos de sua partida…

Foto feita por Leila Castanheira, primeira travessia da balsa, 1992.

Meu Natal

dd4dc2c5-a22c-4f2b-9efd-f89009b4ef11Então é Natal… Não vou cantar a música da Simone nem lembrar que desisti de festejar há 15 anos… Este ano tudo está diferente. Em julho quando vi o meu braço esquerdo imobilizado devido uma queda, tive tempo para refletir sobre a importância dele… Sou destra, mas a parceria é dos dois… Pra escrever, pra me banhar, pra dirigir, pra comer, pra tanta coisa, inclusive costurar… E aí me deu uma vontade enorme de fazer bonecas, mas como ? Então para estimular o braço a ficar bom, prometi a mim mesma que faria muitas bonecas para distribuir às crianças da escola infantil de Santo André… 22 meninos e 19 meninas…   E assim, depois de 1 mês de gesso, dois meses de fisioterapia, fui recuperar os movimentos brincando de fazer bonecas de pano, com enorme carinho e amor, imaginando cada criança que iria receber. Detalhes de laços de fita, babados, bordado inglês na saia, arremate feito a mão nas camisetas dos meninos, cabelos de lã … Estes meses se passaram e com a ajuda da Lelê na “”costura reta” completei minha missão… Ainda fiz sacos para embalar e coloquei o papelzinho com o nome da criança para Papai Noel não se confundir… A festa aconteceu a semana passada e não assisti. Acho que iria me debulhar em lágrimas e tinha a desculpa da chegada de um amigo… Agradeço à Claudia Schembri que fez as fotos, a Sara Amorim que gentilmente trouxe de sp tecido marrom que não encontrei por aqui e Patricia Farina, diretora do Centro Educacional Maria Marta, que me permitiu fazer este sonho. O meu Natal já rolou… Não vi Papai Noel, mas não importa…

Em tempo : as bonecas de pano que faço são inspiradas na Tilda, criada pela design norueguesa Tone Finnanger que também desenvolveu outros tantos produtos em tecido como coelho, colchas, almofadas, etc… A minhas Tilda tem 53cm de comprimento, olhos pequenos, bochechas rosadas e pescoço alongado… Como todas as Tildas do mundo não tem boca, as crianças falam por elas…

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Carlos Alberto Vizeu

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Carlos Alberto Vizeu com seu grande amigo Boni.

Quando ainda não se falava em preservar memória, eu já guardava fotos, cartas, recortes das reportagens que escrevi…. Isto faz tão parte do meu DNA que escrevi  3 livros que caminham nesta esfera : Um Instante Maestro, sobre o apresentador de TV Flávio Cavalcanti; O Rei na Terra Santa, sobre a produção do show em Jerusalém, e A Verdade é a Melhor Notícia  onde relato a experiência de 30 anos em assessoria de imprensa. Com as empresas e pessoas com quem trabalhei, fechei cada projeto em caixas, pastas, onde entreguei todo o processo bem detalhado, documentado… E acho que foi esse meu olhar para a história / estória que me aproximou de Carlos Alberto Vizeu, profissional de publicidade, produtor e diretor de TV, que cuidou da memória da TV brasileira como se fosse a da sua família.

Conheci Vizeu quando ele procurava um jornalista para apresentar um programa de entrevistas que ocuparia um horário que a sua produtora, TeleTape, tinha na antiga TV Corcovado, de segunda a sexta, das 19 às 20hs. Nós tínhamos amigos em comum e foi num fim de tarde no Antoninos, à beira da Lagoa, que ele me falou sobre o projeto e dei a sugestão de uma série de profissionais que poderiam exercer a função… Mas foi na saída, me acompanhando até o carro, que Vizeu foi definitivo: “eu quero você apresentando o programa. ” Delírio, pensei. Eu tinha um escritório de assessoria de imprensa, muitos clientes e nenhum interesse no assunto. Televisão era uma lembrança do início da vida profissional, sempre morri de vergonha de me ver na telinha, fazer entrevistas fora de cogitação… Aconteceram mais alguns encontros para falarmos sobre este suposto programa que “alguém” iria apresentar e no final Vizeu me ganhou… Superei as dificuldades, aceitei a minha voz rouca, arrumei espaço na agenda e foi um ano imensamente feliz produzindo e apresentando o “Programa da Noite”.

Um ano feliz onde tive a oportunidade de conhecer o Vizeu devoto de Santa Edwiges, filho da Da. Yolanda e do Sr.Ary.  De conhecer Vizeu diretor de comerciais premiados nacional e internacionalmente, que preservava a memória da publicidade através do programa Intervalo, exibido durante muitos anos na então TV Educativa. E conhecer também o Vizeu apaixonado pela TV e sua trajetória, que anos depois pesquisou, escreveu, roteirizou e dirigiu um belíssimo documentário sobre os 60 anos da tv brasileira abordando os temas Os Pioneiros, Teledramaturgia, Telejornalismo, Show e Auditórios, Humor, Infantil, Propaganda, Tecnologia e TV’s Educativas. Este documentário é de tal importância que TODAS as emissoras de tv cederam seus arquivos para compor a série…

Vizeu foi um amigo de vida, daqueles que podemos ficar anos sem ver e quando encontramos nada mudou pois a essência do carinho e fidelidade à amizade permanecem… Desde 2003 ele atuava como consultor do Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho) na Rede Vanguarda.  Juntos eles desenvolveram várias peças de publicidade, e o mais recente foi em agosto com o comercial de 13 anos da emissora que atua no Vale do Paraíba. Há poucos meses liguei para contar que a Luciana Savaget encontrara nos guardados da família uma longa entrevista que fiz com Edna Savaget, sua mãe, pioneira da TV, e gostaria de utilizar no documentário que está produzindo. Ele ficou feliz, “pede para ela me ligar, libero com o maior prazer”. E assim nos despedimos…Ele sempre doce, delicado, elegante… E assim, desta forma, ontem ele partiu deixando tantas memórias dos outros, mas não teve tempo de escrever o livro com a sua história…  Adoraria ter escrito este livro, assim como ter a cópia de todos os programas que fiz… Eu também preservo a memória dos outros e não cuido da minha… Mas encontrei no Youtube este vídeo do acervo do Dr. Jorge Bastos Garcia com a abertura do programa e parte de uma entrevista … Obrigada Vizeu por você ter passado em minha vida e deixado tão boas lembranças !

 

 

 

Meu voto

MARÇO 2016

Com Fabiana e Alexandre em foto de Cláudia Schembri

Há 12 anos quando escolhi viver em Vila de Santo André, abraçava causas e projetos em torno apenas do povoado. Passava correndo por Santa Cruz Cabrália, louca para pegar a balsa, cheguei a fazer uma camiseta com a inscrição Vila de Santo André – Bahia – Brasil.  Mas aos poucos a cidade foi se revelando prá mim. Assim como tantas outras entre as mais de 5500 cidades do país, Cabrália tem enorme extensão territorial e poucos recursos. Um diamante bruto, enorme potencial para o turismo em seus mais de 35 kms de praias – muitas semi-virgens –, e uma área rural em plena expansão. Uma cidade que tem identidade e cultura próprias, um lugar bom para se viver que vai buscando seu jeito e o orgulho de ser “santa-cruzense”.

Junto com a minha mudança que veio do Rio de Janeiro, trouxe além de um cão, livros, fotos e discos, o título de eleitor que não demorei a transferir. E assim, neste exercício de cidadania, estou chegando ao 3º pleito e não me arrependo das escolhas que fiz. Mesmo os que não foram eleitos, eram os que eu considerava mais alinhados às minhas propostas, independente de partido.

Estou acompanhando o movimento eleitoral com as novas leis. E muito mudou. Menos poluição visual e sonora, mais transparência nos recursos, e os candidatos hão de gastar muita sola de sapato para convencer o eleitor em quem depositar a sua confiança com o voto. Nesta campanha nem dá para falar mal da concorrência, o tempo é curto para bla bla bla e mi mi mi. É preciso objetivar, mostrar quem se é de cara e de ficha limpa.

Eu já escolhi o meu candidato e o conheci há alguns anos por acaso, enquanto fazia uma operação em um caixa eletrônico no banco e alguma coisa deu errado. Olhei para o lado e vi um rapaz alto, vestindo camisa social com as mangas dobradas, à primeira vista parecia o gerente. Pedi ajuda, ele disse não ser funcionário do banco, mas mostrou boa vontade em ajudar e logo viu que a solução era simples. Agradeci e só fui saber seu nome alguns anos depois, em março do ano passado, quando assumi a Secretaria de Comunicação e Governo de Santa Cruz Cabrália e fui formalmente apresentada a Alexandre Carvalho, Vice-Prefeito e Secretário de Planejamento.

Aquele rapaz de cabelos e olhos claros, sempre em movimento, falando alto, um enorme sorriso, me mostrou que suas decisões eram firmes. Estreante na política, trouxe consigo a experiência de administrador,  com a maturidade adquirida na gestão privada. Suas respostas eram objetivas, nada de empurrar as questões com a barriga. E, quando o soube candidato, decidi meu voto.

Sinto-me confortável em declarar meu apoio pois não trabalho na sua campanha nem sou filiada a qualquer partido. Acredito na democracia, no debate aberto e honesto, na construção em conjunto de uma cidade próspera, humana e com o olho no futuro. Boa sorte Alexandre Carvalho !