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6 anos na Bahia

Amanhã fazem 6 anos que saí do Rio de Janeiro, percorri 1150km até chegar a Vila de Santo André para um ano sabático que não aconteceu. No carro a mudança quase completa. Acredito que o meu coração já sabia que eu ia ficar aqui e por isso me lembrou de trazer muitas tralhas. Não tenho planos de viver em outro lugar. Vou e volto sempre. Mas isso não me impede de perceber nas conversas entre alguns dos quase mil moradores desta vila, que muitos sonham em viver numa cidade grande, conhecer outros lugares, mas nem sabem por onde começar esta mudança…

Penso na busca do homem em melhores lugares. Aprendi vivendo no meio de tantas pessoas que querem conhecer outros mundos que o melhor lugar está dentro de mim. Não há mundo mais rico, mais belo nem mais aberto para explorações do que o meu interior… Mas não espero isso para todos, pois as descobertas são individuais e únicas. Por isso quando a vila fica repleta de turistas no verão, ou como esta semana com os velejadores do cruzeiro Costa Lestes que alegram as ruas, bares e restaurantes, imagino por onde viajam os sonhos dos nativos diante tantos que chegam e partem… Fica sempre um olhar comprido para um barco que pode levar sei lá prá onde, ou trazer algo novo e inusitado… E lembro de um povoado que ficava longe de tudo, até que uma fábrica de celulose surgiu bem próxima e para descarregar a produção iam construir uma estrada que ligaria a um porto.  Para manter a tranqüilidade do local, os engenheiros traçaram a estrada fora do povoado e os moradores protestaram. Queriam a estrada cortando a rua principal para o progresso chegar mais rápido. Conversei com a balconista de um bar que disse que com os caminhões indo e vindo a sua porta, quem sabe teria chance de ir embora…

Não preciso mais ir nem vir, me basta ficar por aqui com o cheiro da almescla, a gritaria das maritacas no fim do dia e os sabiás nas manhãs, o barulho do mar, a primeira estrela no céu, caminhar na areia, as coisas bem simples desta vida…

Esqueci…

Depois que reli o texto postado ontem sobre amigos à distancia, dei conta que desde agosto de 2004 quando vim morar em Vila de Santo André os amigos ficaram cada vez mais distantes literalmente e tive que fazer novos. Estou a 1150 km do Rio de Janeiro, minha base de quase toda vida, e nestes anos apesar de tentar seduzir amigos e familiares com fotos e historias exóticas poucos chegaram aqui. Nem meu irmão caçula ainda veio me visitar…  Mas entre os que chegaram aqui,  seria injusto não incluir neste texto Roberto Abramson.

Somos amigos do tempo do cursinho para o vestibular, podemos nos perder por alguns anos, mas sempre acabamos nos achando… Há uns 2 ou 3 anos estava em Trancoso e veio com a família almoçar comigo. Foi inesquecível! Imagino que daqui a 20 anos não sei se vamos conseguir sair andando de um lado para o outro em visitas, mas ainda estaremos nos falando com o meio de comunicação que tiverem inventado. Enquanto não nos encontramos de novo, ele  mandou por email uma música que fez em homenagem a Cataguazes onde está há alguns anos. Jamais imaginei que ele fosse trocar a Av. Atlântica no Rio pelo Rio Pomba na Zona da Mata de Minas Gerais, mas o amor faz dessas coisas… E o samba é tão gostoso que divido com vocês…

https://leapenteado.com/wp-content/uploads/2010/08/sba-cataguases1.mp3

Sba Cataguases

Meus amigos à distância

Tenho amigos que só encontro virtualmente e nem sei há quanto tempo não nos vemos. Tenho amigos alemães e libaneses que colocam mensagens no Facebook em seu idioma, eu não entendo, mas me sinto participante do grupo. Tenho amigos de infância que perdi em tantas viagens e me reencontraram no Orkut. Entre eles uma amiga que mora em Berlim e o ano passado, depois de quase 30 anos, estivemos juntas em São Paulo num jantar emocionado. Às vezes sinto que estou numa redação virtual com tantos amigos jornalistas trocando comentários no FB.

Hoje passei no correio – o carteiro não atravessa o rio – e encontrei na caixa postal um livro do poeta Francisco Perna Filho, cujo blog descobri fazendo uma pesquisa na internet. Trocamos emails e gentilmente ele enviou o “Visgo Ilusório” seu 4º livro que faz parte da Coleção Goiânia em Prosa e Verso, publicado pela Secretaria de Cultura de Goiânia. Morador de Tocantins, Chico que é Mestre em Letras e Lingüística é uma figura interessantíssima, um poeta que escreve de forma tão leve que até me fez acreditar que é fácil escrever poesias…

Sou imensamente feliz em saber dos meus amigos, novo e antigos, mesmo que a milhas de distancia via email ou qualquer outro tipo de comunicação virtual. Comecei este texto para falar de Marília Barbosa cantora e atriz de enorme talento, boa de andanças e mudanças como eu. Morou em muitos lugares, hoje vive em Poços de Caldas perto do filho e das netas, e as vezes nós dá o prazer de mostrar seu trabalho no teatro ou na TV. A Marília mandou um email onde comenta sobre perdas familiares e o quanto a dor de Cissa Gumarães está tocando seu coração. E tocou em mim a frase final de seu email, que peço licença para publicar um trecho….

“ Ontem li nas bancas a frase lapidar de uma das capas de revista:

– “Meu filho está mais vivo do que nunca, eu é que morri”.

Não tem remédio, a gente morre mesmo, não há como tentar levantar a cabeça e tocar a vida pra frente.

Ela deverá encontrar um jeito de renascer outra pessoa, caso contrário ficará definitivamente louca, pois essa dor não cabe em nós. Não cabe, não cabe, não cabe.

Foi por isso que fui para o meio do mato em 1985, sem luz, sem água corrente, sem telefone, sem vizinhos e sem nenhum vestígio de vida moderna num raio de 10 km, no meio da Mata Atlântica.

Começamos do zero, meu filho e eu e renascemos juntos para um mundo que começou a crescer conosco, do modo que conseguimos encará-lo e superarmos as suas dificuldades.

E a dor foi sendo superada pela vida nova bem difícil que se nos apresentava, e assim fomos renascendo pouco a pouco e voltamos a sorrir.

Um sorriso para sempre, amarelo…

Marília querida, luto para não ter este sorriso amarelo. Não seria justo aos que se foram e me fizeram tantas vezes sorrir com todas as cores… Reflita… Um enorme beijo e não se esqueça do livro prometido… Aguardo ansiosa suas historias…

O Dia do Padre

A Igreja de Santo André hoje, antes da missa.

No fim da missa, entre os avisos da comunidade e a bênção final, o Padre lembrou que este domingo é o Dia do Padre.  No mesmo instante lembrei do meu pai. Nenhuma analogia pai = padre, mas por ser um sujeito sempre participativo, um dia juntou-se a um grupo para levantar fundos e ajudar a construir a Igreja na Av. Morumbi, no bairro do Brooklin, em São Paulo, onde morávamos. Com seu jeito simpático, ficou amigo de todos os padres que jamais souberam ser ele espiritualista, estudioso de Kardec e preferia receber um passe a uma hóstia. Quando mudamos de São Paulo para o Rio a amizade de papai com o clero do Brooklin permaneceu. Um dia Padre Vicente, pároco da Igreja, telefonou consultando se podíamos hospedá-lo num fim de semana.  Ia à Roma atendendo um convite do Papa, e como naquele tempo os vôos internacionais só saiam do Galeão no Rio de Janeiro, aproveitaria a oportunidade para nos visitar.

Nossa casa era grande, com um entra e sai de hóspedes que até parecia uma pensão. Preocupados com a inusitada visita, papai e mamãe não pouparam recomendações: eu estava proibida de usar shorts, os meninos de circularem sem camisa e a minha irmã mais velha deveria reduzir a maquiagem e não abusar dos decotes. Se o Padre quisesse rezar antes das refeições nós deveríamos seguir a ladainha. E se fôssemos convidados para um terço na hora da Ave Maria deveríamos acompanhar. Nada de brigas, discussões ou palavrões. Imbuídos deste espírito recebemos Padre Vicente.

Ele chegou num fim de tarde, jantou e ficou na varanda do quintal, embaixo da grande mangueira, conversando com papai e tomando vinho. Fomos autorizados a ligar a TV com o volume baixo para não incomodar… O Padre Vicente era um italiano muito culto e politizado, e para papai que era conversador, uma agradável visita. Antes de dormir papai combinou com o padre a programação do dia seguinte: depois do café iríamos passear de carro pela cidade, conhecer as praias de Copacabana, Ipanema e Leblon, encerrando na Barra da Tijuca para comer milho verde e beber água de côco. Avisou aos filhos para vestirem roupas comuns, nada de banho de mar. Mas qual não foi a nossa surpresa na manhã seguinte ao ver o padre chegar na sala de shorts, camisa de mangas curtas, sandálias franciscanas e óculos escuros RayBan. A partir deste momento todas as recomendações foram água abaixo.  O padre sem a batina era muito mais divertido, nem parecia o pároco que temíamos quando crianças. Hoje quando lembrei desse caso, refleti que a vida eclesiástica seria mais divertida se todos fizessem como o Padre Vicente, algumas vezes usassem  shorts e óculos escuros…

……….

E por falar em missa, as que acontecem na Igreja de Santo André são incríveis. Hoje Walli Bush, alemã, que faz uma porção de ações voluntárias na comunidade, com bela voz de soprano, interpretou em seu idioma os cânticos de entrada e ofertório. Não é o máximo !!

………

A foto foi feita hoje antes da missa começar. Decoração com plantas nativas…

Outra “encadernação”

A simplicidade, ou melhor, a precariedade de onde eu moro é tal que hoje no café da manhã a Helenita avisou que não tinha pão francês, pois o único padeiro estava com dor de dente e não colocou a mão na massa. Pra mim não faz diferença, se não tem pão vou de brioches, como recomendou a Maria Antonieta, Rainha de França, esposa de Luiz XVI, às vésperas da Queda da Bastilha! Não é a queda da monarquia, mas estamos vivendo um clima surreal em Santa Cruz Cabrália. Em pouco menos de 20 dias, a prefeitura já teve seu representante principal trocado quatro vezes. Duas vezes assumido o prefeito cassado, Jorge Pontes (PT) e as outras duas, a prefeita Maria Ozélia. Hoje é ele que está no poder, a semana que vem pode ser ela. E só não é o assunto mais importante na balsa, por que os buracos na rua da Vila de Santo André estão horríveis.

Ontem  a 3ª. aula de blog para a turma Impacto Jovem que faz uma web rádio e tv do IASA (Instituto Amigos de Santo André) dei no pátio da minha casa, pois o sinal para internet é muito melhor. Escolheram o assunto, construíram o texto, colocaram a foto, fizeram a primeira postagem sozinhos. Ficou ótimo, para conferir http://ijsantoandre.wordpress.com

E num experimento de vida que chego a considerar como outra “encadernação”, tão diferente dos universos que conheci, ganho no final de tarde uma cena preciosa. Não foi um por do sol, nem uma nova árvore florindo, nem um ninho de um pássaro exótico. Uma cena que poderia ser corriqueira se não tivesse invadido meu coração.

Eu já comentei que do outro lado da minha rua, numa casa muito simples, mora a Nalanda com sua mãe, Tiana, uma cozinheira de mão cheia. A menina está mal na escola e tem aula de reforço com a Claudia que usa um método de alfabetização com base na pedagogia Waldorf.  Hoje Nalanda entrou em minha sala e ficou encantada com a antiga cristaleira onde guardo pequenos objetos recebidos de amigos, lembranças de viagens e uma coleção de caixinhas de música. Comecei esta coleção quando constatei que este era o meu sonho de criança jamais concretizado. Não fui convincente o bastante para que Papai Noel, ou meu pai ou os namorados e por fim os maridos me presenteassem com uma. No dia em que caiu a ficha  entrei numa loja e comprei a caixinha delicada, feita em porcelana, com uma menina de cabelos cacheados que roda sobre um tamborete enquanto toca Pour Elise, muito semelhante comigo. Outras tantas chegaram. Ganhei de amigos e comprei mundo a fora com trilhas de I left my heart in San Francisco, Le Lac de Comme, New York, NewYork, Lago dos Cisnes …

Mostrei uma a uma à Nalanda a medida em que ia colocando para tocar. A menina olhava com o mesmo encantamento que eu teria caso tivesse uma caixinha de música na sua idade. Ficou fascinada com uma em especial, ligeiramente brega, um porta jóias com um espelho e uma bailarina rodopiando. E olhando Nalanda eu percebi que ainda tenho esse olhar alguns dias quando acordo blue e coloco todas para tocar ao mesmo tempo. Saio do chão, não estou em Santo André, nem São Paulo, ou qualquer outro lugar no mundo. Apenas flutuo nos meus sonhos…

Reconhecimento

Qualquer profissional preza o respeito à assinatura do seu trabalho. Está ali o reconhecimento de quem fez e tenho refletido a forma como se trata este assunto. Na última 3a. feira assistindo ao programa Studio I na Globonews, falavam sobre a estréia da novela Ti-Ti-Ti e mais do que justo foi lembrado Cassiano Gabus Mendes. Citaram sua importância como pioneiro na televisão brasileira, primeiro diretor da  TV Tupi, a ida para a TV Globo criando uma nova linguagem para novelas no horário das 7 estreando com “Anjo Mau”.  Em nenhum momento foi feita referência ao diretor Régis Cardoso, responsável pela ida de Cassiano para a Globo (eram amigos da época da Tupi) e diretor da novela da estréia.  A bem da verdade, este estilo leve, com charme e humor para o horário das 7 foi idéia do Régis que vinha de um grande sucesso como diretor da novela  “Escalada”, ganhador dos grandes prêmios em 1975. Fiquei danada com a exclusão do crédito. Não era preciso nem falar o nome dele, bastava colocar o crédito em uma legenda enquanto rolavam as imagens.

Ontem no Fantástico uma longa reportagem sobre o lançamento do filme O Bem Amado falando da importância da obra de Dias Gomes e das edições como novela em 1973 e seriado em 1980, ambos na TV Globo, me entristeceu. Nenhuma referencia ao diretor.  Em minha opinião, tão importante quanto a qualidade do texto do Dias, o linguajar de Odorico Paraguaçu e a fidelidade com que retrata tantas cidades do nordeste com a sua Sucupira, é o fato de que O Bem Amado foi a primeira novela a cores na TV brasileira. Era um fazer todo novo ! Equipamento, cenografia, figurinos, enquadramento, fotografia, tudo se buscava um jeito. Lembro Régis contando historias divertidíssimas desta empreitada,  dificuldades para conseguir a mesma qualidade de cor para as cenas externas e em estúdio, e a lenda da câmera que se perdeu no mar. Régis aprendeu fazendo, como foi em toda a sua vida.

O quanto conheci Régis Cardoso posso afirmar que estaria danado com este descaso com seu trabalho… Fomos casados durante um bom tempo e amigos por toda a vida. Ele foi um profissional sério e dedicado, tinha o apelido de “Boi” por ser incansável. Seus últimos anos poderiam ter sido mais alegres, mas deixou um legado magnífico. E, antes que se esqueçam dele de novo, lembro que além de Cassiano, Régis também levou para a TV Globo Mario Prata, estreando com “Estúpido Cupido” (ultima novela em preto e branco) e Silvio de Abreu com “Pecado Rasgado” .

Régis Cardoso

E como estou falando sobre créditos, pesquisando na internet para confirmar as datas das novelas encontrei um texto super legal sobre o Régis no site do Sérgio Mattar que têm ótimas historias…

Surpresas

Mogiquiçaba hoje no fim da tarde

Para quem vive em uma capital e não conhece o outro lado do rio João de Tiba, em Santa Cruz Cabrália, é difícil explicar. As fotos que coloco mostram a natureza exuberante. Isto é real. Mas tão exuberante como a natureza são as pessoas que moram por aqui.  Os nativos são sábios e generosos ao ensinar como sobreviver neste mundo rural tropical. Os estrangeiros – argentinos, alemães, italianos, franceses, americanos, suíços… – em pouco tempo se adaptam ao clima baiano e convivem harmoniosamente. Continua a verdadeira miscigenação das raças que encantou os portugueses. E como brasileira fico encantada com tamanha diversidade.

Conheço as pessoas na balsa, ou num restaurante, no mercado, andando na praia… Tudo muito informal. Diante do tamanho do horizonte onde o olhar perde de vista com tanto mar, as relações fluem descontraidamente. Impossível ser formal usando sandálias havaianas? Não se vive como em um edifício numa grande cidade onde mal se conhece o vizinho da porta ao lado.

Para quem vive do outro lado do rio, a balsa é praticamente uma sala de visitas. Moradores de Santo André, Santo Antonio, Guaiu, Mogiquiçaba e Belmonte são tão “commuters” de balsa como eram os meus companheiros no trem que sai da Grand Central e faz a ligação de New York a Larchmont, na área de Westchester onde eu morava.  No horário de “rush” os 15 minutos de travessia não são suficientes para falar com tanta gente. E é ali que se sabe de tudo: do entra e sai de liminares do prefeito que foi cassado e da briga com sua vice que nos intervalos assume o posto, da chegada de novos moradores, da baixa temporada dos turistas, de casamentos – separações e traições, confusões em família, má qualidade de ensino, festas e aniversários, por aí vai…

Foi numa travessia que conheci uma moça com um jeito ex-urbano aculturando-se a região. Nos encontramos outras vezes em pleno rio e a semana passada ela telefonou convidando para almoçar na sua casa. Nestas curtas conversas soube que era gaúcha, viera dos Estados Unidos onde morou 20 anos, o marido é um fotógrafo americano e moram em Mogiquiçaba um pequeno povoado há 25km de Vila de Santo André, no município vizinho de Belmonte, com kms e kms de praias semi virgens e algumas fazendas a beira mar.

Com mais 3 amigas – uma mineira, uma libanesa e a outra portuguesa – e depois de 25km de estrada, mais 2 km numa estradinha de terra e areia no meio de coqueiros,  nenhum vizinho, apenas terras separadas por  cercas feitas de estacas de madeira e arame farpado, chegamos a casa. A minha melhor fantasia jamais chegaria perto do que era a casa. Uma miragem !  Num estilo “Americano-mexicano” – se é que isto existe? –  a casa é muito especial…  E a arte dos seus moradores ainda muito mais…

Que dádiva ser surpreendida a cada dia não apenas com os pássaros, paisagens e a natureza que tenho a minha volta, mas por pessoas que conheci numa travessia de balsa. É o que dá estar disponível para a vida !

Novas páginas

O grande barato de escrever um blog é o fato de ser uma obra aberta. A cada dia vou aprendendo a usar as ferramentas, peço socorro a Lady Rasta que me introduziu no WordPress ,  vou cutucando e no final dá certo. Nada melhor do que a liberdade de escrever o que quer e como quer.

Esta semana mudei a cara geral: a do blog e a minha própria. Para comemorar a entrada da lua crescente abri mais duas páginas, uma sobre a minha busca pessoal e outra sobre reflexões, com textos curtos que retiro de diversos livros incluindo de Um Curso em Milagres, e estão nas minhas preces e meditações…

E para marcar esta nova cara, uma das poucas poesias que sei de cór …

Ouvir Estrelas, Olavo Bilac

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pátio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Ipanema mais longe de mim

Com Anna Maria Ramalho, amiga querida, fiel ao Jornal do Brasil.


Quando li sobre o fim do Jornal do Brasil impresso achei que era mais uma das noticias relacionadas a crise que se arrasta há alguns anos… Ledo engano era pura verdade… Minha escola como jornalista foi a Bloch, depois a Abril e O Globo, mas confesso que tinha um olho comprido no Jornal do Brasil… Para quem vivia na Tijuca o Jornal do Brasil tinha a cara de Ipanema e este era o sonho de bairro para muitos tijucanos. Não tinha apenas cara de Ipanema, tinha postura, linguagem, estética e para lembrar aqueles bons tempos, tinha um clima “avant gard” … Era um jeito de Brasil inteligente, charmoso, dando nó em pingo d´água em plena ditadura…
Na Bloch e na Abril eu vivia no “mundo das celebridades” e sabia que era considerado um sub jornalismo. Mas lembro o dia em que o Catoira (Edgard),meu editor na revista TV Guia, uma tentativa da Abril em fazer uma revista inteligente sobre televisão, me chamou e disse que o Caban (Henrique) do Globo estava procurando gente com o meu perfil para o Segundo Caderno. Queriam dar mais destaque para o “mundo das celebridades” no caderno de cultura dos intelectuais e seria uma ótima experiência. Eu não podia dizer que preferia o JB e aceitei a proposta. Não me arrependo, vesti a camisa de O Globo literalmente, mas continuei assinando o JB pela vida a fora, com o mesmo olho comprido… Hoje ao ver seus ultimo dias fico muito orgulhosa dos queridos amigos que lá estão e continuam, honrosamente, a exercer o oficio de criar pautas, buscar noticias, escrever matérias, fazer fotos e fechar o jornal todos os dias… E com esse final do JB, sinto que o Rio de Janeiro vai ficando menos charmoso, mais burro e Ipanema cada vez mais longe de mim…

Metade

De um lado a chuva, do outro ainda o sol. Como se um quadrado perfeito tivesse separado um espaço no céu para garantir um cenario unico. Meio chuva, meio sol. Nós e nossas partes. A natureza ensina a respeitar a dualidade e as multiplicidades de todos. Encontrei este presente e com ele a reflexão andando pela praia esta manhã. Isto é Santo André na Bahia. Léa Penteado enviado do meu Blackberry