A Rainha do Carnaval

Houve um tempo, na primeira metade do século passado, em que as belas moças das famílias tradicionais eram as rainhas do carnaval. Não que hoje não seja assim, mas a historia que eu conheço e lembro em todos os carnavais conta de uma moça bonita, usando um longo vestido de seda e renda francesa, que passou a noite sentada num trono de rainha num clube tradicional e elegante de Curitiba. Entre o aceno para os foliões e o cantarolar das marchinhas, notou a presença de um rapaz fantasiado de dominó, com a cabeça coberta por um capuz, que rondava o seu trono… Ela não via seu rosto, mas prestou atenção na mão e no anel em destaque. O rapaz a noite inteira só tinha olhos para a moça. De família menos abastada, não era sócio do clube, nem tinha dinheiro para comprar ingresso. A fantasia de dominó foi uma forma de entrar disfarçado. Na entrada cumprimentou alegremente o diretor do clube como se fosse um assíduo freqüentador.

Acabou o carnaval e a rainha voltou a ser professora de crianças. O rapaz não a perdeu de vista, seguiu seus caminhos e descobriu que um sobrinho estudava na escola onde a moça dava aulas. Passou a ir buscar o menino no final da aula até que um dia, finalmente, a moça olhou prá ele, ou melhor, para as mãos dele, e reconheceu o anel. Amor a primeira vista ! Casaram, tiveram 5 filhos, brincaram muitos carnavais e viveram felizes por 59 anos. Esta é a historia de Yayá e Alceu, meus pais, que relembro todos os carnavais…

Da esquerda para a direita : Déa, eu, Victor, mamãe, Marcus (na frente), papai e Alceu Filho (foto : Paulo Martins - 1970)

 

Eu larguei tudo e fui viver em Nova York

“Não quero mais”. Lembro da frase reverberando na minha cabeça por muitos dias até explodir numa sexta-feira 9 de novembro. A minha insatisfação era geral. Não se tratava apenas de um problema externo como mudar de casa, marido, emprego, amigos. Eu sentia que estava tudo errado – nos treze anos de jornalismo, no relacionamento com o filho, nos dois casamentos fracassados e em toda a minha vida. Para os que viam a situação do lado de fora não havia o que mudar. Estabilidade profissional, bom nome no mercado de trabalho, apartamento com vista para o Cristo, carro novo e filho estudando em bom colégio. Nada disso me fazia acreditar que estava tudo certo. Era necessário parar e pensar. Antes vou tentar me localizar. Sou a 4ª. de 5 filhos de uma família de classe média unida e feliz. Casei a primeira vez com 21 anos. Paixão e casamento relâmpago sem papel nem festa: ele era desquitado. Paulo é cineasta e formávamos um típico casal “hippie de boutique” dos anos 70. Nosso casamento acabou depois de três anos por causa da nossa imaturidade. Como resultado Bernardo, hoje com 11 anos, e uma grande amizade. O segundo casamento aos 28 anos aconteceu depois de dois anos de namoro. Régis (Régis Cardoso) já era diretor de novelas da Globo e não tinha nada em comum com Paulo. Era um relacionamento maduro e o casamento foi muito discutido. Casamos com juiz, testemunhas, numa grande festa. Com ele minha vida mudou. Carro com chofer, apartamento de cobertura com piscina, muitas festas. E muito amor, carinho e amizade. Todos acreditavam que formávamos um par perfeito e eu também. Depois de quatro anos o casamento acabou. As razões foram muitas entre elas a impossibilidade dele de ser monogâmico. Para disfarçar a volta por cima que estava tentando dar com o final do segundo casamento, programei com Bernardo e mamãe, férias nos Estados Unidos. No roteiro Disneyworld, Washington e Nova York. Nada mais gratificante. Mas até quando eu continuaria a tapar o sol com peneira ? Não era só o fim do casamento que me incomodava. Tinha duvidas em relação à profissão, ao futuro, ao mundo em si. Sem contar a minha total incapacidade de viver sozinha, que poderia gerar um terceiro casamento sem a menor conseqüência. Naquela segunda-feira 9 de novembro mudei meus planos. Faria a viagem, mas Bernardo e mamãe voltariam e eu continuaria em Nova York. Um amigo que morava lá ofereceu-me hospedagem por quanto tempo eu precisasse. Meus pais concordaram em ficar com meu filho. Pedi demissão do jornal onde trabalhava há cinco anos, vendi o carro e em apenas um mês leiloei 32 anos de Brasil a preço de banana. A viagem foi perfeita, mas quando embarquei Bernardo e mamãe de volta para o Brasil tive a sensação de estar sozinha no mundo. Duas malas, alguns discos e um nó na garganta eram toda a minha bagagem. Chorei o suficiente para transbordar o Hudson e o East, os rios que envolvem esta louca e linda ilha de Manhattan. A minha cabeça era um caos e o meu inglês era de índio. Para resolver este problema fui morar numa escola em Staten Island, uma ilha que está para Manhattan como Niterói está para o Rio. Dividia o quarto com uma coreana e meus novos amigos eram árabes, gregos, japoneses, africanos, hindus e sul americanos, que se misturavam como numa torre de Babel. A superalimentação de um college americano somada a total carência afetiva me fez engordar muito. Eu me sentia horrorosa e, como um urso, me hibernei no primeiro inverno. Entrei num processo de respirar notícias do Brasil. Escrevia dezenas de cartas e quando recebia resposta era como uma baforada de oxigênio para continuar sobrevivendo. Mas havia também o ombro amigo do Zé Luis de Oliveira, na casa de quem vivi por nove meses. Pacientemente ele ouviu todos os problemas e foi um analista full time. Eu era a pessoa mais chata do mundo: um poço de mágoas e mau humor. Não queria ver ninguém e nem ia a lugar algum. O curso de inglês terminou no início da primavera e para praticar o idioma fui morar por quatro semanas com uma família americana em Larchmont, subúrbio de Nova York. Carol Greenwald e seus dois filhos me adotaram. Com eles aprendi a cozinhar, a economizar nas compras, usar a agenda para tudo e, a saber, como é uma típica família americana. Com Carol também aprendi que não é fácil ser uma mulher divorciada neste país. Single, em inglês, significa “um só, único” e designa também as pessoas solteiras ou divorciadas. Atrás dessa palavrinha existe uma grande indústria oferecendo viagens, festas, acompanhantes para ópera, e por vídeo-teipe pode-se até conseguir um namorado. Tudo mecânico e organizado para diminuir a solidão. Uma noite Carol me levou a um single party (festa para solteiros). Paguei 6 dólares na entrada com direito a vinho, café, biscoitos e colocaram na minha blusa uma etiqueta com meu nome. O salão decorado com flores de papel estava repleto de pessoas cuja idade variava de 40 a 70 anos. Eu era a caçula. Ao fundo um conjunto tocava baladas dos anos 50. A cena seria triste se eu não tivesse um ataque de riso quando o conjunto atacou um rock n´roll e todos invadiram a pista como se fossem adolescentes. Como disse Carol, eles pagaram para se divertir. Era bem melhor estar ali do que passar uma noite sozinhos em frente da televisão. Passei a entender o desespero da solidão dos singles. Eles aprendem muito cedo a viver longe da família e, quando ficam adultos, os laços familiares não existem mais. Não é como no Brasil em que a gente casa, descasa e continua sempre junto com pais e irmãos. Aqui é cada um por si. Terminei a temporada com os Greenwald e voltei prá Manhattan. Uma noite conversando com Zé Luis sobre a vontade e necessidade de trabalhar, ele teve a idéia de fazer uma revista brasileira nos Estados Unidos. Com a ajuda de outra brasileira, Dudu Continentino, pusemos mãos à obra. Acreditando na viabilidade do projeto, achei que era hora de trazer meu filho. Nessa época, Zé, Dudu e eu alugamos uma casa em Nova Jersey, um Estado vizinho de Nova York, e fomos viver em comunidade. Éramos uma “família” diferente na pacata cidadezinha de Maplewood, mas nem por isso fomos alijados. O sonho da casa com tomateiro no quintal, sótão, porão e lareira durou pouco. As divergências pessoas transformaram o que seria um paraíso em inferno. Ao mesmo tempo, nossas provisões destinadas a levar avante a revista chegaram ao vermelho. Ficamos com lindas idéias e bolsos vazios. Dudu resolveu voltar para o Brasil. Por que não voltar também ? Era a pergunta dos meus pais e do meu filho. Mas eu sentia que a batalha comigo mesmo estava penas começando. Estava tomando consciência de quantas vezes abri mão da minha opinião e objetivos só para agradar terceiros. Por que esta necessidade de ser eficiente, gentil, cordata ? Por que não me mostrar exatamente como sou : teimosa, frágil, carente, tímida, romântica ? Que medo de não ser amada ! Estava descobrindo dados que desconhecia. Sempre acreditei que era extrovertida e sou tímida. Não sou tão auto-suficiente nem tão forte para dar tantas voltas por cima. Ainda continuava sendo a adolescente tijucana que sonhou casar, ter filhos, uma casa com cadeira de balanço para fazer tricô, um gato preguiçoso e um canário cantador. Mas a vida andou por tantos caminhos que não dava para voltar atrás. Como voltar para o Brasil agora, sem saber ainda quem eu era e que queria dessa vida ? Resolvi continuar. Precisava trabalhar, o dinheiro estava acabando. Estava disposta até a ser doméstica quando um empresário paulista me telefonou. Estava abrindo uma agencia de turismo e precisava de uma secretária. Não o deixei terminar a frase “Sou a melhor secretária do mundo”, concluí. No final de setembro começava a minha vida 9 to 5 na Eron Travel, em plena Fifth Avenue, endereço chic e coração do mundo. Troquei o jeans por saia, blusa e meias de nylon, típicos das secretárias americanas. De setembro a dezembro foram meses duros, Morando em Nova Jersey para chegar a Manhattan eu pegava três trens e caminhava 20 minutos. Quase duas horas de viagem. Saía com o dia amanhecendo e voltava de noite. Bernardo aprendeu a ser independente, a preparar o breakfast, ir sozinho para a escola, ficar sozinho enquanto eu não chegava, Fiquei magra, com ruga e vi meus primeiros cabelos brancos. Aprendia lavar, passar, arrumar, cuidar das unha e cortar os cabelos. Cada dia minha cabeça mudava. Os valores materiais antes tão importantes, foram dando espaço a valores espirituais cada dia mais ricos e fortes. Percebi isso no dia em que vendi minhas jóias para comprar agasalhos para meu filho e uma árvore de Natal. Foram os anéis, ficaram os dedos e uma paz de espírito enorme. Cansada da viagem diária, da solidão do Bernardo, do alto custo de manutenção da casa, resolvi deixar Maplewood. Aluguei um pequeno apartamento em Larchmont, subúrbio onde morava Carol Greenwald e me separei de Zé Luiz, depois de um ano em que dividimos sonhos e problemas. Eu e Bernardo passamos o Natal sozinhos mas estávamos felizes na nova casa. No fim de semana brincávamos, lavávamos e cozinhávamos juntos. Pela primeira vez eu era mãe integral sem babá sem ninguém. Era uma relação bonita e profunda mãe e filho. Por outro lado a vida da Léa mulher era nenhuma. Quando as 9 da noite Bernardo apagava a luz do quarto eu ficava olhando as paredes da sala pensando o que tinha feito da minha vida. Algumas vezes telefonava para o Brasil apenas para conversar com um adulto, pois Bernardo não podia entender por que nossa vida havia mudado tanto. Em março comecei a pensar em voltar para o Brasil. Conversando com Bernardo ele achou que seria bom ficar com os avós por uns tempos. Ele iria primeiro e assim que eu resolvesse que rumo tomar com o trabalho e o apartamento iria também. Em abril iniciei a verdadeira experiência de viver sozinha. Sem Zé Luiz, sem Bernardo, era eu comigo mesma. Algumas vezes eu parava de falar na sexta-feira ao sair do escritório e só voltava a conversar na segunda. Hoje não vivo o drama do correio. Fiz novos amigos brasileiros que me trazem um pouco do Brasil nas conversas. Mas não vivo em gueto. A maior parte do tempo estou com americanos, sou a única brasileira na agencia. Todas s manhãs, pontualmente, às 8h02m pego o trem para Manhattan. Trem confortável, com ar condicionado no verão e calefação no inverno. Todos os dias encontro com as mesmas pessoas que não se olham nem dizem bom dia. Sentam nos mesmos lugares, abrem livros ou jornais, e viajam 35 minutos em silencio. Tenho a sensação que quando saem de casa vestem invisíveis bolhas de plástico para não terem contato com o mundo. É o que se chama de liberdade. Se conversam eu respondo, se não, tenho os meus botões para falar. Apesar disso não creio que perdi a minha sensibilidade ou espírito carioca. Apenas aprendi que para viver aqui tenho que me adaptar ao jeito deles. Por exemplo: tive um namorado americano que uma noite me convidou para jantar em sua casa. Na sala, uma mesa linda com flores e velas, e na cozinha ele preparava o jantar. Jantamos romanticamente e, ao perceber que ele ia lavar os pratos, me ofereci para fazê-lo .Cozinha limpa, ele me deu um longo beijo e me mostrou o caminho da sala. Sentei no sofá e acendi um cigarro e fiquei esperando por ele. Os minutos passaram, o cigarro acabou, e nada. Ouvi um barulho na cozinha e fui ver o que estava acontecendo: ele estava lavando o fogão. Diante do meu espantou comentou: “você esqueceu”. Agora me diga: qual brasileiro se preocuparia em lavar um fogão numa hora dessas? Em julho voltei ao Brasil para rever Bernardo, meus pais, irmãos e alguns amigos. No reencontro com os amigos uma sensação estranha : eles falavam, perguntavam e eu não conseguia responder. Era um bombardeio de amor e festa e já não sei mais como é isso. Algumas pessoas me acharam triste. Sei que não sou mais uma grande gargalhada, mas o sorriso é sereno e constante. Pais e amigos continuam a perguntar até quando continuarei aqui, levando esta vida. É difícil responder. Gosto da minha vida tranqüila, sem badalações, doméstica e interiormente profunda. Nasci de novo aos 34 anos de idade, Sei que perdi muita coisa. Não falo do plano material, isso não importa mais. Tenho consciência que meu filho passou por momentos difíceis. Talvez ele ainda não possa compreender mas um dia vai perceber que ganhou uma mãe muito melhor. Deixei a profissão de que tanto gostava e não sei se vou poder recuperá-la, mas por outro lado ganhei uma nova. Turismo já não é apenas um meio de sobrevivência, faz parte de mim e gosto muito do que faço. Sei que aqui sou apenas um numero a mais no Social Security. Mas não tenho que provar mais nada para ninguém, nem para mim mesma. Posso ser tímida, carente, apaixonada, teimosa, em qualquer idioma, pois descobri que sou uma boa companhia. Aprendi a viver comigo mesma e minha fé é tão grande que sei que amanhã será melhor, em qualquer parte do mundo em que eu estiver. Até mesmo no Brasil. Afinal eu quero e mereço ser feliz.

Nova York, setembro de 1983

Fogo e Paixão

Janeiro 1987 – Wando fazia temporada de muito sucesso no Canecão. Ainda não jogavam calcinhas no palco, mas se prenunciava a sedução entre o artista e a platéia. Creio que foi para preparar o release da temporada que fui à sua casa, um belo apartamento na Barra, mega hiper super cobertura… Ele simples, simpático e disponível, do mesmo jeito que vi receber os fãs no camarim… No meio dessa temporada aconteceu o meu aniversário e ele chegou para cantar parabéns. Com seu mesmo jeitinho mineiro, agradável, amoroso e feliz.

No final da década de 70 algumas de suas músicas faziam parte do repertório dos crooners das  noites no 706, um bar muito simpático (ou uma boate ??) que havia na Ataúlfo de Paiva no Leblon… Os “crooners” eram, entre outros, Djavan e Emílio Santiago e “..eu quero me enrolar nos teus cabelos…” se tornou trilha sonora dos namoros de uma geração que experimentava os motéis… A música era envolvente e quase imoral.Muito na surdina, um cochicho  no pé do ouvido, uma velada declaração de desejo.

Não tinham paparazzis nas saídas da boates e acompanhei amores célebres no escurinho do 706… E essas memórias me fazem ter a certeza de que os quase quatro anos que atendi ao Canecão como assessora de imprensa serviram como uma pós graduação em show business. Não apenas pela variedade de espetáculos que assisti, épocas em que tínhamos 4 atrações por dia, sabores tão diferentes assim como a diversidade do público. O sucesso não se media nos ingressos esgotados, mas no consumo das mesas… A cozinha sabia muito bem que em shows do Wando, Guilherme Arantes e Roupa Nova, os salgadinhos esgotavam. Já nos shows do Caetano ou  de roqueiros, o consumo era muito menor…

Ainda hoje Wando, Guilherme e Roupa Nova permanecem na trilha da minha vida. Hoje tenho um gemido saudoso de “meu iaiá meu ioiô…”  com uma prece para descansar em paz !

A viagem ao som do oboé

Escuto canções no oboé que meu hospede, um belo músico das Minas Gerais, executa no jardim. Deitada na rede olho as copas das árvores e ao som deste instrumento tão sofisticado me delicio com um repertório do Chico Buarque que é um luxo. No suave movimento dos galhos das árvores em contraste com o azul do céu, as vezes sou banhada por réstias de sol, os cachorros dormem aos pés da rede, uma folha cai no colo e agradeço uma vez mais estes simples prazeres da vida. Sim, tenho uma vida muito simples, talvez por isso tão rica em imagens, sons, pensamentos e percepções.

Faz alguns anos que li (ou vi?) algo sobre uma terapia que usa o recontar a vida como ferramenta para superar traumas. Recontar no sentido de escrever, contar de novo prá si mesmo, reconstruir a própria biografia. Creio que são profissionais na linha da antroposofia que desenvolvem este sistema, e venho escrevendo a minha historia sem nenhuma base científica, apenas como forma de autoconhecimento.
Por isso gostei tanto do vídeo que circula pela internet e assisti esta semana. A atriz Jane Fonda, num speach de pouco mais de 10 minutos numa conferencia produzida pela empresa de seu marido Ted Turner, se mostra lúcida, reflexiva e conclui a existência do que chama de “3º ato”, uma fase nova para os que passam dos 60, pois comprovadamente viveremos 34 anos a mais do que as nossas bisavós. Do seu ponto de vista, Jane que vem de uma família declaradamente depressiva, rever a trajetória e perdoar os erros são elementos para reformatar as células, um processo neurológico que em uma análise rudimentar comparo a liberar espaço no hard disk.
Gosto muito desta linha de raciocínio de liberação de culpa, não foi a toa que me identifiquei tanto com os estudos de Um Curso em Milagres. Já tem muitos anos, talvez mais de 20, que ouvi o Dr.Lair Ribeiro num curso dizer para algumas pessoas que reclamavam sobre os maus tratos no passado: “não importa o que seus pais fizeram com você. Eles fizeram o que melhor sabiam. Importa o que você fez do que eles lhe fizeram.”

Apesar de ter passado alguns anos em divãs e poltronas de analista, o tempo tem me ensinado que, vistos a distancia, problemas, medos e desafios se tornam pequenos. Acredito que todos os dramas antigos se percebidos com mais complacência e doçura, podem ser motivos para grandes gargalhadas, ou senão um risinho de confiança de quem superou uma etapa. Perceber que estou no 3º ato, sem queixas do passado, nem culpas ou arrependimentos, com esta qualidade de vida só posso me manter no caminho de buscar ser uma pessoa cada vez melhor. Não para os outros, mas prá mim mesma…

 

 

Aposentadoria ?

A aposentadoria da Rita Lee dos palcos está nos meus pensamentos desde ontem… Não só a dela, mas também a da Vanusa que, antes de tirar um tempo para se cuidar, me confidenciou que ia se aposentar. Não queria mais cantar. Fora todos os problemas gerados pela fatídica interpretação transtornada do Hino Nacional, ela estava cansada de aeroportos, aviões, solidão em quartos de hotel, abrir e fechar malas… Rita e Vanusa têm a mesma idade, mas acreditei que como sempre viveram bem com sua arte, passaram por muitos desafios, foram vitoriosas, permanecer no palco seria a melhor aposentadoria.

A verdade é que ninguém sabe o que se passa no coração do outro… Dores a parte, sempre acreditei que artista precisasse de palco “ad eternun” . Recentemente assisti no site do Sidney Rezende a um vídeo com uma gravação da Carminha Mascarenhas cantando a capela. Afinadíssima, mirava uma câmera que revelava a sua casinha no Retiro dos Artistas. O seu olhar era tão elegante, sua cabeça altiva, que imaginei pudesse naquele momento estar lembrando de qualquer um dos mais belos palcos por onde cantou…

Se Rita e Vanusa se aposentarem, seus shows farão falta. Não só para os que acompanham a trajetória de mais de 40 anos, mas também aos mais jovens que às vezes vão com a mãe ou a avó e acabam se encantando. Cada uma com seu jeito, loura ou ruiva, ambas foram radicais, esticaram a corda da vida no limite máximo e saíram para o aplauso. Um grande artista jamais deixa de ter platéia e este Brasil é tão grande que haja palco.

Este não é o caso do jornalista onde os espaços vão reduzindo. Mas eu não consigo me imaginar sem escrever, inventar, projetar, nem que seja colocar uma mesa no jardim e ali instalar um escritório de verão. Hoje pensei que amaria ter novamente uma barulhenta maquina de escrever Lexington, daquelas bem pesadas, e ver as letras saindo impressas no papel… Posso voltar a escrever em cadernos, fazer pequenos textos, talvez até tentar a poesia, caminho por onde jamais passei… Quem sabe a dramaturgia, escrever para teatro…Tentei uma vez, até para a propria Vanusa, podia fazer de novo mais ficcional…

As letras e os pensamentos me levam a um mundo mágico, como um mergulho no que a princípio é estranho, mas no final me surpreendo quando surge algo tão conhecido e íntimo… Por isso acredito que quando eu deixar de escrever, de pensar em projetos, de abandonar o sonho em construir uma casa de cultura, de fazer um novo livro, enfim, quando eu deixar de criar eu morro. Este é o meu pequeno palco…

Quando nada acontece

Algumas mudanças anunciadas nos últimos dias na pequena vila onde moro me levam à reflexão. Os queridos Olímpia e Claudio Calmon, cinéfilos e amigos deliciosos, anunciaram  mudança para Paraty. Querem ficar mais perto de uma civilização. Pablo y Amadeo argentinos já quase nativos, estão passando o ponto do Casapraia, uma referencia como restaurante, locais para encontros, festas e atividades culturais… Tudo isso surgiu num momento em que pensava que nada acontecia, trazendo-me a realidade do movimento das chegadas e partidas…

Na quietude do amanhecer deste domingo, dentro desta reflexão, uma simples folha que caiu da árvore impulsionou meu pensamento de como tudo está em movimento, mesmo que eu sinta certo marasmo. Pode ser que as expectativas sejam outras, mas dentro da minha máxima em viver sem ir contra a correnteza, fico feliz com o que está a minha volta.

Escrevi em   https://leapenteado.com/2010/07/18/periquitos-e-cupins/sobre umas maritacas (periquitos) que se instalaram na casa de cupins de uma árvore no quintal o que me deixou imensamente feliz com os novos vizinhos. O que não contei é que na seqüência um enxame de abelhas Europa, expulsas de algum lugar, colocaram as maritacas para correr e lá  ficaram… Nestes quase dois anos as abelhas transformaram a casa de cupins numa enorme colméia. Triplicaram o tamanho e começaram a amedrontar com a possibilidade da colméia cair com o peso do mel e as abelhas atacarem. Dois matutos – matutos mesmo, destes que vivem na roça – foram indicados para a missão de retirar a colméia. Chegaram ao final do dia, colocaram a escada dupla na árvore e usando uma tocha feita de piaçava na ponta de um bambu, espantaram as abelhas, mataram outras tantas e retiraram a enorme colméia. Encheram 2 grandes latas com o favo que depois espremeram delicadamente extraindo o mais saboroso mel que já saboreei. Os matutos levaram a cera retirada para consertar seus barcos, excelente para vedar pequenos buracos, e fiquei com o favo e o mel. Confesso que duvidei um pouco desta ação, mas na manhã seguinte poucas abelhas rondavam o local, creio que a Rainha foi brutalmente atingida e nada mais restou as servidoras a não ser procurar outro espaço…

Sou imensamente feliz por ter sempre muita coisa acontecendo em minha volta… Não espero o irreal, so tenho olhos prá ver o que a vida oferece… Isto não é uma questão de acomodação, mas de saber que a felicidade esta sempre perto, é só ter boa vontade com a vida…

Um pouco do favo...

Elis Regina

Os 30 anos da morte de Elis Regina, razão para tantas lembranças e projetos sensacionais, também me faz entrar no tempo e relembrar o que escrevi no livro “Um Instante Maestro! (Capítulo 22, pag 157) … Muitos jornalistas tem alguma coisa prá contar, afinal Elis foi pródiga em entrevistas e relações com a mídia. No texto abaixo está a minha historia e o orgulho de ter feito a sua última entrevista. Como ela era genial ! Saudades de Elis!

“Ao lado de Simonal e Roberto Carlos, Elis Regina era atração fixa do Programa Flávio Cavalcanti. Uma vez por mês, lá estava a baixinha no palco da Tupi com toda aquela emoção visceral, voz afinadíssima, forma única de divisão rítmica e um perfeito equilíbrio entre a técnica e a sensibilidade. Elis já era a mais importante cantora brasileira. Apresentava-se nos melhores palcos do mundo e, na televisão, com exclusividade para o nosso programa. Fazia turnês pelo exterior, e em 1969, junto com Roberto Menescal, percorreu alguns países da Europa, com muito sucesso. Mas, em entrevista a um jornal holandês, baixou malhação no regime político do Brasil, chamando, inclusive, os militares de “gorilas”. Quando voltou o circo já estava armado. Através de Armando Nogueira, diretor de jornalismo da TV Globo, soube  que o pessoal do Exército estava querendo ter uma conversinha com ela. Os militares foram informados sobre suas declarações no exterior e não gostaram nem um pouquinho. Elis não  tinha contrato com a Globo, apenas uma relação profissional, mas era comum naquela época todos se ajudarem em casos como esse. Por isso ela foi depor no CIE – Centro de Informações do Exército acompanhada do jornalista Aníbal Ribeiro, assessor de Walter Clark, então diretor geral da TV Globo. O jornalista não teve acesso ao local do depoimento e contou apenas que o encontro foi rápido. A cantora saiu comentando que havia sido bem-tratada, mas não entrou em detalhes. Para Ronaldo Bôscoli, seu marido na época, no entanto, contou que levara um aperto, que lhe tinham sugerido uma temporada fora do país e que diante disso resolveu não mais criticar o regime.

Aperto ou não, Elis passou a restringir seus comentários sobre política para as quatro paredes de casa, e dois anos depois, em 1972, cantava o Hino Nacional num show nas Olimpíadas do Exército, dentro das comemorações pelo Sesquicentenário da Independência. Elis teria  participado desse show porque o cacho pedido por Marcos Lázaro, seu empresário, era muito bom, e foi aceito pelo coronel responsável pela contratação dos artistas. Antes de fechar o contrato, Marcos lembra que consultou Elis e ela lhe disse que não tinha a menor objeção em fazer essa apresentação.

Pressionada ou não? Essa pergunta vai continuar sem resposta. O fato é que a história nunca foi digerida pela esquerda. A cantora passou a ser considerada simpatizante do regime e cabou sendo pichada. Nessa época, o cartunista Henfil publicava semanalmente no Pasquim o “cemitério dos mortos vivos”. Eram pequenas lápides com os nomes das pessoas que considerava de direita, onde ele fazia os “enterros”. Elis foi enterrada ao lado de Marília Pêra, Simonal, Roberto Carlos, Pelé e outros “traidores”.

Até 1973, com a esquerda massacrando, Elis permaneceu como contratada do Programa Flávio Cavalcanti. Nesse mesmo ano, transferiu-se para a Globo para participar do programa Som Livre Exportação, e, aos poucos, as facções políticas foram se rendendo ao seu indubitável talento. Foi louvada, endeusada, aplaudida. Até o próprio Henfil, tempos depois, tornou-se seu amigo. Muitos anos depois, no final de outubro de 1981, Elis veio ao Rio para assinar contrato com a gravadora Som Livre e estrear o show Trem Azul. Depois de um badalado coquetel no Hotel Caesar Park, numa suíte no vigésimo andar, ela me deu uma entrevista exclusiva para o jornal O Globo. Já nos conhecíamos há muito tempo. Antes de trabalhar com Flávio, eu fizera algumas reportagens com ela, inclusive a do nascimento de João Marcelo, seu primeiro filho. Elis estava com 36 anos, três filhos, dois casamentos, e era o maior nome da música brasileira. A sua frente eu sentia um misto de culpa e constrangimento. Apesar de ter entrevistado dezenas de pessoas tão famosas quanto ela, o que me deixava assim era o fato de estar envolvida emocionalmente com seu ex-marido, o pianista César Camargo Mariano, o que ela não desconhecia.

César passava as noites contando detalhes do casamento com Elis, as brigas, as voltas, os filhos, os erros, e, pacientemente, eu ouvia. Aquele romance, na versão dele, eu conhecia do avesso. E Elis também sabia disso, mas em nenhum momento naquela entrevista deixou de ser sincera, inteira, corajosa; expunha seus sentimentos sem reservas. Muito agitada, falando sem parar, às vezes interrompia o discurso, ia até o quarto e voltava ainda mais acesa, com um copo de vodca na mão. Conversamos até de madrugada, e, quando fui embora, ela me levou até a porta do elevador, me deu um longo abraço e disse baixinho em meu ouvido: “Eu não sou tão ruim como dizem.” Não sabíamos que aquele seria nosso último encontro e aquela sua última entrevista. No dia 19 de janeiro de 1982, quando eu morava em Nova York, soube de sua morte brusca e tumultuada. Ela não merecia ir assim.

Eis alguns trechos da entrevista.

“Casamento e separação:

‘Não estou preocupada em fazer uma avaliação de perdas e danos, nem rescaldos de incêndio. Isso não faz o meu modelito. Viver é melhor do que sonhar, por isso eu quero é mais.’

Produção de shows:

‘No Brasil a aspiração é americana, mas a organização é macunaímica. Quem está no palco envolvido com o processo de criação não vê, só sabe o que está acontecendo através de informações carregadas de visões pessoais, que acabam virando um patchwork, verdadeira colcha de retalhos de tendências. O fato de ser artista e empresário faz com que o artista, muitas vezes, acabe tomando aversão pelo que está fazendo, pois sabe que no final do mês tem que pagar INPS, FGTS e outras coisas.’

Cantar:

‘Cantar para mim é uma coisa séria, um sacerdócio. O resto é o resto. O meu futuro é cantar, pois quando ficar velha, como a Edith Piaf, vão me colocar no palco, e esta é a única coisa que vai me restar. Até meu filho, que tem onze anos, já passa noites fora de casa. Dediquei minha vida a cantar, e não tem homem, nem pai, nem mãe que me tire disso. Quem atravessar no meio para dividir ou diminuir vai ser atropelado como um trator passando por cima de uma margarida. Nada me segura quando o maestro conta quatro. Aí, danou-se! A catarse acontece, tem até vomitórios. Sábado passado chorei durante o show por causa de uma conversa que tive com minha mãe. Eu tenho o prazer de me danar e me recompor sozinha. Não preciso de muletas.’

Psicanálise:

‘É muita individualidade para a minha cabeça, que trabalha em mutirão, pagar três milhas por hora para falar dos meus problemas. Resolvi que nada mais me chateia, a não ser febre de menino. As pessoas ditas corretas estão frustradas por não terem um tipo de vida como a minha. A perfeição é uma meta defendida pelo goleiro, já disse Gilberto Gil, e, como não sou Waldir Peres e nem quero jogar na seleção, não estou preocupada com isso. Só quero levar adiante a minha vida sem machucar ninguém. É claro que continuo amarrando bodes e pagando caro o preço da liberdade. Tenho pânico de solidão, mas estou aprendendo a fazer mil coisas, até a jogar paciência comigo mesma. A minha lucidez me leva às raias da loucura.’

Amor-próprio:

‘Eu sou apenas o meu tipo inesquecível, apesar de às vezes me achar uma porcaria.’

Filhos:

‘O encargo de estrela é pesado, mas pior ainda é ode mãe. Eles que se virem como eu me virei.   Meu pai era chefe de expedição numa companhia de vidros, minha mãe de prendas domésticas, e eu cantora. Ninguém me valeu de nada, meus filhos vão ter que se virar. Ferre-se o avião que eu não sou o piloto.’

Emoção e técnica:

‘Não há artista que não tenha técnica e parâmetro para obedecer até chegar a um determinado ponto num show. Ficar uma hora e meia em cima dum palco com um sapato de salto alto e o estômago dançando, se não tiver um mínimo de controle, a cabeça estoura. Quem não tiver sutileza para entender que quem está ali é um ser tímido pode pensar mil coisas. Eu sou tímida, até as palhaçadas são um reflexo.’

Final:

‘Resultado final só quando eu acabar, e assim mesmo vou deixar testamento, mas não sei se vão me respeitar. Na verdade eu não afirmo nada em relação a ninguém: só dou o tiro, quem mata é Deus.”

No almoço

Tem um casal que ja passou dos 50 anos sentado em uma mesa próxima a minha. Estou almoçando mas não resisto a prestar atenção na cena. Vários momentos de gentileza, olhar de afeto, até que, com delicadeza, ele pegou o antebraço dela, bem naquela altura crítica para as mulheres onde a flacidez é difícil de segurar, so mesmo fazendo muita musculação. Mas o fez sem julgamento, com carinho de quem tem uma longa relação, onde ambos viram os cabelos embranquecerem e a idade chegar com dignidade. Passei o almoço acompanhando o movimento do casal que não conheço e está em férias num local onde não há como se esconder … A felicidade existe em pequenos gestos. Enviado do meu BlackBerry® da TIM

Só as cinzas…

Algumas árvores de casa

A árvore de almescla foi morrendo aos poucos. Durante alguns anos uma parte ficou saudável e a outra seca, até que veio uma grande chuva e a ventania jogou abaixo os galhos verdes prenunciando o seu fim. Ficou apenas o tronco seco com quase 2 metros de altura. Um dia colocamos fogo, mas restou o toco que a semana passada foi por terra com machadadas. Fizemos uma pequena fogueira e durante um dia a madeira foi se consumindo e perfumando o quintal. Ontem, sentada no pátio com noite estrelada, chegou um vento suave, mexeu nas cinzas e pequenas chamas surgiram…  Fiquei fascinada olhando aquele fogo e refletindo sobre quantas vezes acreditei que um sentimento estava apagado mas bastava assoprar um pouquinho para reacender. Tanto o amor como a mágoa voltam a incendiar quando não foram extirpados, quando ainda não viraram cinza, como foi o caso da almescla. Aproveitei a solidão com o silencio da noite para passar em revista algumas alegrias e tristezas, um bom exercício para o fim de ano. Fui separando os sentimentos, alguns achei que ainda poderiam ser inflamáveis, outros percebi que estavam ignifugados, livres de incêndio. E com a pequena luz da lua nova, guardei os amores para que sempre se acendam, e coloquei, mágoa por mágoa, dor por dor, para queimarem na pequena fogueira…Hoje recolhi as cinzas e coloquei na caixa de compostagem, misturei com as folhas secas, com os restos de cascas de frutas e legumes, e tudo vai virar terra. Aqui nada se perde, a vida e nós nos transformamos a cada dia. Com isso a casa está arrumada. Pode chegar 2012 e seja muito bem vindo !

Em tempo : quando vim morar na Bahia não sabia distinguir uma almescla de um pau-brasil. Mas aprendi bastante, tenho algumas almesclas no quintal, é uma árvore da Mata Atlântica e do seu tronco escorre uma seiva perfumada que usam para fazer incenso.  Esta seiva é facilmente inflamável e por isso quando há um incêndio na floresta, a primeira árvore a queimar é ela…

Presentes de Natal

 

Se Papai Noel passasse pela vila onde moro, pediria para me trazer como presente TEMPO, bastante TEMPO para me encantar cada vez mais com as manhãs, não só as que têm sol, como as cinzas, nubladas e chuvosas, pois todas têm alguma beleza… TEMPO para perceber com calma a maravilha dos sentimentos, sejam alegres, apreensivos, tristes ou transbordantes de esperança e magia…

Pediria também que junto com esse pacote trouxesse SAÚDE para respirar suave e profundamente, andar na praia, pedalar nas ruas de terra, subir e descer as escadas centenas de vezes, andar pelo quintal xeretando as novidades como o sabiá que arrumou uma namorada na árvore de murtinho, ou ficar uma madrugada no meio da rua esperando o tatu bola passar… Saúde para deitar na rede, embaixo das árvores, olhar o céu azul por entre as folhas e cochilar… Com SAUDE e com TEMPO posso muito…

E se não for pedir muito, adoraria ganhar um pouco mais de SABEDORIA para compreender as pessoas e suas diferenças, não tentar que elas sejam como eu quero, mas ser feliz com o jeito que elas são.  Mas se não passar por aqui tudo bem, vou continuar cuidando para que o TEMPO se prolongue, que a SAÚDE seja plena e que a SABEDORIA venha mesmo com algumas cabeçadas…