Durmam em paz…

Desde ontem tenho pensado no maluco que saiu dando tiros em crianças na escola em Realengo…  Impossível para quem não tem conhecimento profundo sobre a mente humana compreender o que leva alguém a fazer isto… Fico nas conjecturas e não dá para não sentir uma dor no coração ao ver tantas vezes a TV repetir as imagens das crianças correndo, algumas ensangüentadas, o desespero dos pais em uma tragédia inesperada. Enquanto me arrumava hoje de manhã para ir trabalhar tentando fugir do assunto acabei mudando de canal a tempo de ouvir a Ana Maria Braga perguntar a Jade, uma menina que estava na escola e viu toda a confusão, o que era a morte. E de maneira simplista a menina respondeu : é dormir e não acordar mais…

Seria tão bom pensar como a Jade! Talvez ela esteja certa, nós é que com a mania de querer saber mais começamos a viajar nas culpas e perdas, discutir de onde viemos e para aonde vamos…Prá que tanta filosofia ?

Dormir traz a sensação de tranqüilidade, conforto, acolhimento, bons sonhos… Não tem dor nem pesadelo… 

Vou tentar reconsiderar meu pensamento quanto a morte. Não sei se consigo a esta altura da vida rever a vontade de ter meus pais, irmão e amigos sempre ao meu lado… Vou tentar imaginar que todos dormem em paz, assim como os 12 adolescentes.

Foto : Capa do Jornal Meia Hora, Rio de Janeiro… Enorme sensibilidade.

No ônibus

A árvore no ponto de ônibus

Olho a cidade de São Paulo com admiração. Acredito que este sentimento tenha uma boa dose das lembranças da menina que aos 11 anos deixou a paulicéia e foi morar no Rio de Janeiro. Tudo me fascina na megalópole, assim como me assustam os enormes edifícios e gigantescos engarrafamentos… Há algum tempo estou ensaiando andar de ônibus e neste domingo nublado depois de ver a indicação no mapa do Google saí para a aventura. O trajeto era curto, mas valia a experiência. Percebi sentada no banquinho de um ponto de ônibus na Av. Nove de Julho que mesmo no domingo as pessoas têm muita pressa, os carros não andam, voam. Esperar é exercitar a paciência, é ter tempo prá pensar e até apreciar a árvore do outro lado da rua. Podia ter perguntado para a Malu que só anda de ônibus, foi até personagem de matéria na revista da Folha, por onde se entra e quanto custa a passagem, mas fui seguindo a fila onde estavam o nissei intelectual, o idoso e a moça de calça jeans, casaco de moleton roxo e bolsinha “chanel” . Entrando no ônibus antes de chegar à roleta um rapaz ofereceu lugar para sentar, outros fizeram a mesma gentileza e eu deveria ter uma plaquinha escrita “obrigada, vou em pé”… Eu queria olhar o caminho e as pessoas… A uma hora da tarde de domingo os passageiros eram jovens, quase todos com um “ear phone” e o fiozinho parava nas bolsas de “grife” das moças e nas jaquetas dos “manos”… Não consigo imaginar o que tocava nos MP3 e nos telefones, nem o que passava na cabeça dessas pessoas, mas fiquei feliz em ver desfilar as casas antigas da Nove de Julho… Algumas abandonadas fizeram parte das minhas fantasias infantis, o túnel que me causava um medo enorme com as cabeças dos leões na entrada e quantos planos de futuro devo ter feito nesta trajetória repetida tantas vezes do Brooklin ao centro da cidade, mas certamente jamais imaginei que a felicidade poderia ser simplesmente passear por ali de ônibus. Nada como o tempo para mudar o externo conforme o nosso sentimento interno…

Depois do 2o whisky…

Sempre que passava do 2º whisky vinha com o mesmo discurso de que uma moça dizia ter uma filha dele mas que não estava certo da paternidade. Estes comentários surgiam cada vez mais constantes, principalmente em jantares com amigos onde eu ficava como a resignada mulher traída que educadamente nada comentava… Pela idade da menina o fato teria ocorrido quando já namorávamos o que dava um tom ainda maior à traição. Um dia o 2º whisky aconteceu num jantar em casa e realmente cansei do teatrinho. Já tinha idéia sobre a mãe da menina e na frente os amigos telefonei  convidando a menina para uma visita na tarde de sábado para o pânico dos amigos a volta da mesa.  Na hora marcada a campainha tocou e quando abri a porta me deparei com uma menina com menos de 6 anos e não tive duvida de que era filha dele. A menina era muito parecida com a minha sogra !!!

A partir daí ela passou a ser minha filha do coração. Se o casamento teve vida curta, tivemos tempo suficiente para o reconhecimento da paternidade. A certidão de nascimento dela estava completa. Por boa vontade da mãe da menina jamais perdemos contato. Sempre me procuravam em datas festivas e ficava sabendo dos caminhos desta filha que crescia distante… E como tudo o que vai para o coração tem longa vida, em 2000 ela então jornalista veio trabalhar na equipe do Rock in Rio 2011, e enfim estávamos mais perto para estreitar amizade…

Há alguns anos ela casou com um médico, mudou para Friburgo, tem uma filha linda e lembrei desta historia quando hoje uma moça chic me parou no Shopping Iguatemi para saber onde eu tinha comprado a bolsa de bolinhas que é da griffe da Dany… Um enorme orgulho !!! As bolsas de tecido são incríveis, alô amigos e amigas produtores quem quiser conhecer as bolsas de tecidos da Dany o link é http://www.lovedrio.com.br/ Esta minha filha do coração descobriu sua essência como estilista de bolsas de pano e valeu a pena ter suportado tantos whiskys a mais do seu pai…

 

 

 

 

 

 

 

E ainda sobre Bethânia…

Eu sabia que estava mexendo num vespeiro e comentários surgiriam… Respondendo aos amigos Roberto Abramson e Almir Godoy : a Lei Rouanet e a Lei do Audiovisual foram criadas para incentivar a produção, criação e dar acesso à cultura aonde ninguém quer colocar dinheiro… Em nenhum momento ficou definida que esta lei é para artistas carentes, pois mesmo renomados tem dificuldade em conseguir patrocínios. Conheço vários projetos lindos que mesmo com a cartinha da Lei Rouanet ou da Lei do Audiovisual continuam engavetados. A democratização da cultura leva tempo… Fiz um curso de gestão cultural em Porto Seguro, na Bahia, patrocinado pelo Sebrae. Com professores excelentes – Fernando Portella e Rosa Villa Boas – começou com quase 60 alunos, no segundo dia reduziu para 50, assim foi abaixando e no final de 21 dias de aulas distribuídos em 7 meses éramos pouco mais 10… Não era aprender a fazer festa, mas a fazer cultura e isso requer um pouco mais de conhecimento… E la se vai tempo, escola e vida para o povo assimilar…

Li o projeto da Bethania, achei básico… Tem uns errinhos ali, acertos aqui, mas isso não me compete… Creio que a discussão que deve ser fomentada não é quem vai dar dinheiro para o projeto da poesia, mas como o governo federal em sua nova fase pretende colocar verba própria em benefício de projetos com expressão mas não a visibilidade que os patrocinadores exigem e irão desaparecer se não forem bem cuidados, como as manifestações folclóricas de dança, música e arte popular que eu vejo abandonadas no sul da Bahia… É questão de preservar a cultura nacional… Quanto a Bethânia, quem quiser que direcione seus impostos para o projeto e com certeza terá um produto da mais alta qualidade, acessível a todos pela internet ….

Um pouco de Bethânia e de Dercy…

Estou passada com o tamanho que tomou o fato de uma empresa ter entrado no Ministério da Cultura pedindo o direito de usar a Lei Rouanet para captar recursos de impostos na iniciativa privada para um projeto onde Maria Bethania apresenta poesias em vídeos na internet… A discussão que foi parar na mídia e alimentou a internet nas ultimas 24hs tem cheiro de patrulhamento… Fico envergonhada com a mesquinharia dos incompetentes que não conseguem fazer seus projetos e invejam a criatividade e a capacidade dos outros… Esta é a pior da inveja : não é querer o que os outros têm, mas não querer que os outros tenham…

Desculpe Bethania,você não merecia isso…

O seu talento, delicadeza, elegância são inesquecíveis para qualquer profissional que trabalhou com você… Já se passaram muitos anos mas guardo com carinho e respeito a longa temporada dos seus 20 nos de música que muito me orgulho de ter compartilhado como assessora de imprensa no Canecão…Um tempo que sem patrocínio os grandes artistas faziam longas temporadas no Canecão, a casa que existia em Botafogo, no Rio de Janeiro geralmente de 4a. a domingo… Consta que não ganhavam muito, mas era a grande vitrine para depois em turnê por todo o país encherem a bolsa… Foi um tempo divertido… Com Tereza Aragão, diretora do espetáculo e Alicia, uma fotógrafa brasileira radicada na França, depois que o show começava ficavamos do lado de fora da casa tomando chopp, fumando e jogando conversa fora…Uma conversa de qualidade com mulheres tão inteligentes… No final do espetáculo, o mesmo ritual : Bethânia ia para uma sala ao lado do camarim e recebia todos – eu disse TODOS – os fans que desejassem cumprimentá-la. Gentil, sempre com um sorriso, uma palavra carinhosa, uma rainha…

E aí com toda esta historia de coerência e qualidade profissional, usando um direito que todo o artista tem, aceita um projeto desta qualidade (link abaixo) e vem meia dúzia de incompetentes fazer patrulhamento… Lembrei enquanto escrevia de Dercy Gonçalves que, no mesmo Canecão, quando estreou o show com 80 anos em determinada parte do espetáculo dizia :

“Deus fez essa porra muito bem feita… Deu um saquinho de felicidade prá cada um, mas tem gente que não olha pro seu saquinho, só o do vizinho…”

Grande lição, a mais pura verdade… Ah! Me poupem, vão olhar para o seu saquinho e deixem o dos outros em paz…

http://www.implicante.org/arquivos/projeto_bethania.pdf

Atravessando a Sapucaí

Quando a Passarela do Samba foi inaugurada em 1984 eu estava voltando a morar no Brasil depois um longo período nos Estados Unidos e Carlos Imperial me convidou a fazer parte de um grupo de possíveis jurados. Ainda bem que não fui sorteada pois perderia a experiência de ficar vendo tudo de perto. Voltei várias vezes. Algumas como espectador, outras desfilando. A última vez foi em 1993 com o Salgueiro no enredo “Um ita no norte” que deu a vitoria a escola da Tijuca. Desde o ano passado estou envolvida com a Beija Flor e o enredo ” A Simplicidade de um Rei” e virei azul e branco, impossível não entrar com coração num processo como este. Diante dos tantos encontros e reuniões com a presidência e diretores um dia antes do desfile recebi do pres. Anisio uma camisa com a inscrição Diretoria nas costas. Levei a sério a condecoração e vim na frente num trabalho de ser uma a mais a ajudar a levantar o publico que ficou embaixo de chuva esperando a escola.
Foi uma alegria enorme e também meu reencontro com o Rio. Desfilando revi na platéia amigos como o Gonçalo da Tap, o Antonio Pedro ex-deputado e Heloisa. da equipe Cesar Maia, Mauricio Mattos do Rio Samba e Carnaval, e muitos outros. Atravessei cantando, feliz e pingando de suor. Olhando nos olhos o publico nas frisas, incentivando a cantar, fazia a minha parte com a responsabilidade de estar vestindo a camisa da diretoria.
E foi com este espírito que fiquei acompanhando o resultado até a vitoria merecida. Foi unânime a nota 10 para o enredo assim com o aplauso dos jurados qdo RC passou no alto do carro. Respeito, consideração, ele merece. Sábado estarei de volta com todo gas. E vamos levantar de novo a Sapucaí. Enviado do meu BlackBerry® da TIMAdicionar uma imagem

A espera

Estes últimos dias tenho vindo constantemente à Beija Flor na contagem regressiva para o desfile de 2a, ou melhor, na madrugada de 3a. No barracão os carros alegoricos estão lindos e todos mais do que viver, respiram carnaval. Interessante perceber que é um evento masculino no pensar e decidir. Mulheres nas costuras e adereços mas em colocar a escola na avenida é coisa de homem com paixão.
Os detalhes de acabamento dos carros são de uma delicadeza como as de pequenos glacês que os confeiteiros colocam em bolos e doces . Tudo muito cuidado, pensado e planejado. Um show que levam 1 ano preparando.
E ca estou eu no meio desse burburinho do samba, de amores desmedidos em dia de expectativa e tensão. Ja vi muita previa de show mas estar no coração de uma escola é emocionante. E na foto um pedacinho do que vai ser o desfile de amanhã. Que o Arcanjo Miguel nos proteja e seja o que Deus quiser. Enviado do meu BlackBerry® da TIM

Loura… de novo !

No dia 17 de dezembro de 2002 fiz duas mudanças radicais : deixei de fumar e de ser loura. Passei o ano inteiro tentando abandonar o cigarro e pintar o cabelo,  não virei o ano sem atingir o objetivo. O cabelo foi praticamente tosado com uma maquina, depois de muito implorar ao Carlos Amolinário, meu cabeleireiro. E aí se passaram 9 anos…. O cigarro esqueci completamente mas o cabelo vivia em crise. Se por um lado eu estava feliz pela libertação da tintura, por outro sentia falta da minha alma loura…Fiz algumas tentativas, ser um  pouco mais morena, meio loura com henna, até que em dezembro de 2011 reencontrei Carlinhos no Rio, agora no salão do Copacabana Palace, discreto fez apenas um comentário : vai ficar assim grisalha ?? E é claro que fiquei pensando nisso estes meses até que hoje, de volta ao Rio fui procurá-lo…

A medida que ele foi trazendo a lourice ao meu cabelo fui sentindo diferente… Excitadíssima, entendi o quanto um corte de cabelo, uma tintura pode mudar uma vida… Aconteceu comigo… Tanta coisa aconteceu nestes 9 anos mas sinto que a minha essência rejuvenesceu…Estou com um enorme prazer de viver.. Thanks Amolinário, por ter me dado a maturidade quando raspou meus cabelos e me deixou grisalha, thanks por ter me dado a alegria com os cabelos louros… Enfim cá estou com quase certezas, muitas incoerências e novamente uma loura…

 

O sabor da casa nova

Conforme fui tirando as roupas da mala e pendurando no armário tentei fazer as contas de quantas vezes fiz este gesto de chegar a uma casa nova. Desde que saí da casa dos meus pais para morar com o Paulinho num pequeno apartamento no Leme, foram mais de 30 mudanças considerando 2 internacionais e algumas interestaduais… Tive uma casa em que o colchão ficou no chão por um bom tempo e o armário era um cabideiro suspenso por 2 escadas. Pintei caixotes de madeira que se transformaram em apoios para televisão e discos, usei fogão jacaré, fiz estantes de tabuas apoiadas em tijolos, almofadas jogadas em cima de colchões para justificar a ausência do sofá… Tive casa com piscina sauna e 7 banheiros, e também um apartamento que meu filho achou ser menor do que seu quarto de brinquedos na casa anterior… Pintei moveis para disfarçar o tempo de uso, me emprestaram armários e mesas, e o dia em que ganhei um sofá de couro fui a pessoa mais feliz do planeta…

Queria levar todas as minhas coisas em duas malas, mas ainda não cheguei a este requinte. Minimalista no conteúdo e nas palavras. Uma amiga querida limitou em uma caixa de 1m cúbico tudo o que amealhou de memorias em seus 50 anos. Fez uma seleção fina, só deixou o que realmente era muito importante como o vestido de noiva da avó! Pode ser que um dia eu chegue lá, mas por enquanto fico feliz em chegar numa nova casa é encontrar gavetas vazias para encher e prateleiras esperando livros. Um apartamento pequeno, bem decorado e aconchegante que começa a ter minha cara numa vizinhança que ja conheço… Na cozinha, a geladeira e o armário estão com o básico para a sobrevivência na próxima semana. Hoje fiz a primeira refeição e Nescafé com leite é o verdadeio sabor de que estou morando sozinha…

Um novo ano

Praia de Jacumã, Vila de Santo André da Bahia

Desconectei o skype e fui almoçar sem prestar atenção no que estava comendo… Fiquei desconcertada com o que ouvi durante 1h10 min …Tem coisas que a gente sabe da gente e acha que mais ninguém sabe… Tem outras coisas que a gente não sabe por que acontecem com agente, nem se acontecem ou se é apenas delírio… E por isso que de repente quando chega alguém que nunca te viu e numa ligação por skype fala sobre tudo isso com a maior clareza e simplicidade é de perder o fôlego… Passei o fim do dia e a noite pensando em todas as letras e números com seus significados que fazem de mim o que eu sou … Isso tudo não em num dia comum, mas num momento em que tenho que escolher se quero ser baiana ou paulista este ano… O convite para fazer um vôo de helicóptero sobre a minha vila foi providencial… Já que é prá voar nos pensamentos eu quero mais é ter asas e ver tudo do alto… Casas pequenas, muitas árvores e a imensidão do mar… Com a cara colada no vidro da janela para não perder uma só fração das imagens, fiquei atenta na subida vendo o quintal do resort vizinho, a obra da casa da Beth, o terreno da Anna, o encontro do rio com o mar e a pousada na ponta, a graça do rio no meio da vila, a seqüência do mangue e num segundo já estávamos em Cabrália na travessia da balsa e retornando pelo mar com o espetáculo dos maravilhosos recifes na água transparente … Um presente para um dia em que se tem que decidir… Do alto a certeza de que tudo estará sempre aqui me esperando… Por mais que os homens enlouqueçam e queiram acabar com o mundo, esta vila é tão distante e esquecida que continuará do mesmo jeito… Um bom momento para dizer ate breve de alma lavada… Viajo no fim de semana para mais uma temporada paulista… Acho que tenho fôlego para mais esta empreitada, pois como disse a Aparecida Liberato, “este é um bom ano para novos desafios” .