Desafios

E você acorda vê o céu azul, o jardim esta verde, percebe como as árvores cresceram nestes 34 dias distante e no meio do primeiro gole do café o telefone toca e a noticia é bombástica. Na madrugada o coração parou. Mas como parou ? Por que ? E não há resposta.
O café fica na xícara, o céu continua azul, as árvores frondosas, o jardim verde mas alguma coisa mudou. Não importa mais as pequenas manchas de sol (ou de senilidade?) que surgiram nas mãos, nem a constatação de uma certa flacidez nos braços. Vale que ainda tenho um coração que bate e tenta imaginar o tamanho da dor do pai que perdeu a filha. Vale ainda ter este dia para agradecer pela vida e fazer uma prece tendo como trilha sonora o bater das ondas do mar e as folhas da enorme amendoeira que me protege.
Vale lembrar que os desafios surgem quando menos esperamos e a vida é um presente a cada dia.

Enviado do meu BlackBerry® da TIM

Alô alô tia Léa

Eu jamais pensara em exercer qualquer função em administração pública nem tivera qualquer envolvimento com política até que um dia o telefone lá em casa tocou e era Aloysio Legey. Junto com o Walter Lacet e o Jerson Alvim ele era sócio da Eventus, produtora dos shows do Canecão, a maior casa de espetáculos do Rio de Janeiro e onde fui assessora de imprensa por mais de 4 anos. Legey contou que estava fazendo a campanha do César Maia para a prefeitura do Rio e o candidato sempre falava que gostaria de ter em sua equipe um profissional que ele sempre se lembrava de mim. “Ele quer alguém com seu jeito, sua cara…” Não sei o que imaginavam ser “ a minha cara” mas dias depois encontrei com o César e, depois de 15 minutos de conversa, fui convidada para o cargo que, em sendo eleito, criaria prá mim. Ele não pediu meu voto para o segundo turno, só avisou que sairia uma notícia no jornal e foi quando soube que era a primeira convidada a integrar sua equipe… Cesar Maia foi eleito e no dia 1º de janeiro de 1993 assumi a Assessoria de Eventos da Prefeitura do Rio de Janeiro, cargo com status de Secretaria. O primeiro desafio era a festa 20 dias depois em homenagem ao padroeiro da cidade São Sebastião. Montamos palcos nos bairros da Penha, Campo Grande, Barra da Tijuca e Arpoador para shows que aconteceriam nos mesmos horários com várias atrações. Enquanto produzíamos eu dizia que só mesmo de helicóptero para visitar todos os palcos e ver um pouco dos shows. Apesar de o helicóptero estar pronto, o 20 de janeiro amanheceu nublado, ameaçando chuva, vento, e preferi correr os 4 bairros de carro. A parada final seria no Arpoador onde se apresentaria Jorge Benjor e foi lá que fiquei para ver o reencontro do artista com a cidade do qual estava afastado há tanto tempo… Foi emocionante ele ver uma juventude incrível cantando suas musicas num fim de tarde na Zona Sul… No mês seguinte, fizemos o Camarote Cidade Maravilhosa para o desfile das escolas de samba e Benjor era convidado de honra… Tempo depois quando ouvi a gravação “W Brasil”, era muito escancarado o trecho do “alô, alô, tia Lea se tiver ventando muito não venha de helicóptero” tinha sido feito prá situação do show do Arpoador e o seu retorno ao Rio que, indiretamente eu teria proporcionado…Mas como dizia meu pai “é muita cabotinagem” o auto elogio e fiquei calada até um dia que Bernardo chegou em casa com uma reportagem na revista Capricho onde Benjor explicava a letra e eu era citada… Nunca escrevi sobre isso, evito comentar, mas hoje ao ler a noticia da morte da querida Léa Millon, advogada e empresária tão importante no meio artístico, tratada carinhosamente por Tia Léa, seguida da informação que foi imortalizada por Jorge Benjor no verso de sucesso de “W Brasil”, achei que seria legal contar… Tia Léa que nesta despedida siga em paz com o nosso helicóptero…

Durmam em paz…

Desde ontem tenho pensado no maluco que saiu dando tiros em crianças na escola em Realengo…  Impossível para quem não tem conhecimento profundo sobre a mente humana compreender o que leva alguém a fazer isto… Fico nas conjecturas e não dá para não sentir uma dor no coração ao ver tantas vezes a TV repetir as imagens das crianças correndo, algumas ensangüentadas, o desespero dos pais em uma tragédia inesperada. Enquanto me arrumava hoje de manhã para ir trabalhar tentando fugir do assunto acabei mudando de canal a tempo de ouvir a Ana Maria Braga perguntar a Jade, uma menina que estava na escola e viu toda a confusão, o que era a morte. E de maneira simplista a menina respondeu : é dormir e não acordar mais…

Seria tão bom pensar como a Jade! Talvez ela esteja certa, nós é que com a mania de querer saber mais começamos a viajar nas culpas e perdas, discutir de onde viemos e para aonde vamos…Prá que tanta filosofia ?

Dormir traz a sensação de tranqüilidade, conforto, acolhimento, bons sonhos… Não tem dor nem pesadelo… 

Vou tentar reconsiderar meu pensamento quanto a morte. Não sei se consigo a esta altura da vida rever a vontade de ter meus pais, irmão e amigos sempre ao meu lado… Vou tentar imaginar que todos dormem em paz, assim como os 12 adolescentes.

Foto : Capa do Jornal Meia Hora, Rio de Janeiro… Enorme sensibilidade.

No ônibus

A árvore no ponto de ônibus

Olho a cidade de São Paulo com admiração. Acredito que este sentimento tenha uma boa dose das lembranças da menina que aos 11 anos deixou a paulicéia e foi morar no Rio de Janeiro. Tudo me fascina na megalópole, assim como me assustam os enormes edifícios e gigantescos engarrafamentos… Há algum tempo estou ensaiando andar de ônibus e neste domingo nublado depois de ver a indicação no mapa do Google saí para a aventura. O trajeto era curto, mas valia a experiência. Percebi sentada no banquinho de um ponto de ônibus na Av. Nove de Julho que mesmo no domingo as pessoas têm muita pressa, os carros não andam, voam. Esperar é exercitar a paciência, é ter tempo prá pensar e até apreciar a árvore do outro lado da rua. Podia ter perguntado para a Malu que só anda de ônibus, foi até personagem de matéria na revista da Folha, por onde se entra e quanto custa a passagem, mas fui seguindo a fila onde estavam o nissei intelectual, o idoso e a moça de calça jeans, casaco de moleton roxo e bolsinha “chanel” . Entrando no ônibus antes de chegar à roleta um rapaz ofereceu lugar para sentar, outros fizeram a mesma gentileza e eu deveria ter uma plaquinha escrita “obrigada, vou em pé”… Eu queria olhar o caminho e as pessoas… A uma hora da tarde de domingo os passageiros eram jovens, quase todos com um “ear phone” e o fiozinho parava nas bolsas de “grife” das moças e nas jaquetas dos “manos”… Não consigo imaginar o que tocava nos MP3 e nos telefones, nem o que passava na cabeça dessas pessoas, mas fiquei feliz em ver desfilar as casas antigas da Nove de Julho… Algumas abandonadas fizeram parte das minhas fantasias infantis, o túnel que me causava um medo enorme com as cabeças dos leões na entrada e quantos planos de futuro devo ter feito nesta trajetória repetida tantas vezes do Brooklin ao centro da cidade, mas certamente jamais imaginei que a felicidade poderia ser simplesmente passear por ali de ônibus. Nada como o tempo para mudar o externo conforme o nosso sentimento interno…

Depois do 2o whisky…

Sempre que passava do 2º whisky vinha com o mesmo discurso de que uma moça dizia ter uma filha dele mas que não estava certo da paternidade. Estes comentários surgiam cada vez mais constantes, principalmente em jantares com amigos onde eu ficava como a resignada mulher traída que educadamente nada comentava… Pela idade da menina o fato teria ocorrido quando já namorávamos o que dava um tom ainda maior à traição. Um dia o 2º whisky aconteceu num jantar em casa e realmente cansei do teatrinho. Já tinha idéia sobre a mãe da menina e na frente os amigos telefonei  convidando a menina para uma visita na tarde de sábado para o pânico dos amigos a volta da mesa.  Na hora marcada a campainha tocou e quando abri a porta me deparei com uma menina com menos de 6 anos e não tive duvida de que era filha dele. A menina era muito parecida com a minha sogra !!!

A partir daí ela passou a ser minha filha do coração. Se o casamento teve vida curta, tivemos tempo suficiente para o reconhecimento da paternidade. A certidão de nascimento dela estava completa. Por boa vontade da mãe da menina jamais perdemos contato. Sempre me procuravam em datas festivas e ficava sabendo dos caminhos desta filha que crescia distante… E como tudo o que vai para o coração tem longa vida, em 2000 ela então jornalista veio trabalhar na equipe do Rock in Rio 2011, e enfim estávamos mais perto para estreitar amizade…

Há alguns anos ela casou com um médico, mudou para Friburgo, tem uma filha linda e lembrei desta historia quando hoje uma moça chic me parou no Shopping Iguatemi para saber onde eu tinha comprado a bolsa de bolinhas que é da griffe da Dany… Um enorme orgulho !!! As bolsas de tecido são incríveis, alô amigos e amigas produtores quem quiser conhecer as bolsas de tecidos da Dany o link é http://www.lovedrio.com.br/ Esta minha filha do coração descobriu sua essência como estilista de bolsas de pano e valeu a pena ter suportado tantos whiskys a mais do seu pai…

 

 

 

 

 

 

 

E ainda sobre Bethânia…

Eu sabia que estava mexendo num vespeiro e comentários surgiriam… Respondendo aos amigos Roberto Abramson e Almir Godoy : a Lei Rouanet e a Lei do Audiovisual foram criadas para incentivar a produção, criação e dar acesso à cultura aonde ninguém quer colocar dinheiro… Em nenhum momento ficou definida que esta lei é para artistas carentes, pois mesmo renomados tem dificuldade em conseguir patrocínios. Conheço vários projetos lindos que mesmo com a cartinha da Lei Rouanet ou da Lei do Audiovisual continuam engavetados. A democratização da cultura leva tempo… Fiz um curso de gestão cultural em Porto Seguro, na Bahia, patrocinado pelo Sebrae. Com professores excelentes – Fernando Portella e Rosa Villa Boas – começou com quase 60 alunos, no segundo dia reduziu para 50, assim foi abaixando e no final de 21 dias de aulas distribuídos em 7 meses éramos pouco mais 10… Não era aprender a fazer festa, mas a fazer cultura e isso requer um pouco mais de conhecimento… E la se vai tempo, escola e vida para o povo assimilar…

Li o projeto da Bethania, achei básico… Tem uns errinhos ali, acertos aqui, mas isso não me compete… Creio que a discussão que deve ser fomentada não é quem vai dar dinheiro para o projeto da poesia, mas como o governo federal em sua nova fase pretende colocar verba própria em benefício de projetos com expressão mas não a visibilidade que os patrocinadores exigem e irão desaparecer se não forem bem cuidados, como as manifestações folclóricas de dança, música e arte popular que eu vejo abandonadas no sul da Bahia… É questão de preservar a cultura nacional… Quanto a Bethânia, quem quiser que direcione seus impostos para o projeto e com certeza terá um produto da mais alta qualidade, acessível a todos pela internet ….

Um pouco de Bethânia e de Dercy…

Estou passada com o tamanho que tomou o fato de uma empresa ter entrado no Ministério da Cultura pedindo o direito de usar a Lei Rouanet para captar recursos de impostos na iniciativa privada para um projeto onde Maria Bethania apresenta poesias em vídeos na internet… A discussão que foi parar na mídia e alimentou a internet nas ultimas 24hs tem cheiro de patrulhamento… Fico envergonhada com a mesquinharia dos incompetentes que não conseguem fazer seus projetos e invejam a criatividade e a capacidade dos outros… Esta é a pior da inveja : não é querer o que os outros têm, mas não querer que os outros tenham…

Desculpe Bethania,você não merecia isso…

O seu talento, delicadeza, elegância são inesquecíveis para qualquer profissional que trabalhou com você… Já se passaram muitos anos mas guardo com carinho e respeito a longa temporada dos seus 20 nos de música que muito me orgulho de ter compartilhado como assessora de imprensa no Canecão…Um tempo que sem patrocínio os grandes artistas faziam longas temporadas no Canecão, a casa que existia em Botafogo, no Rio de Janeiro geralmente de 4a. a domingo… Consta que não ganhavam muito, mas era a grande vitrine para depois em turnê por todo o país encherem a bolsa… Foi um tempo divertido… Com Tereza Aragão, diretora do espetáculo e Alicia, uma fotógrafa brasileira radicada na França, depois que o show começava ficavamos do lado de fora da casa tomando chopp, fumando e jogando conversa fora…Uma conversa de qualidade com mulheres tão inteligentes… No final do espetáculo, o mesmo ritual : Bethânia ia para uma sala ao lado do camarim e recebia todos – eu disse TODOS – os fans que desejassem cumprimentá-la. Gentil, sempre com um sorriso, uma palavra carinhosa, uma rainha…

E aí com toda esta historia de coerência e qualidade profissional, usando um direito que todo o artista tem, aceita um projeto desta qualidade (link abaixo) e vem meia dúzia de incompetentes fazer patrulhamento… Lembrei enquanto escrevia de Dercy Gonçalves que, no mesmo Canecão, quando estreou o show com 80 anos em determinada parte do espetáculo dizia :

“Deus fez essa porra muito bem feita… Deu um saquinho de felicidade prá cada um, mas tem gente que não olha pro seu saquinho, só o do vizinho…”

Grande lição, a mais pura verdade… Ah! Me poupem, vão olhar para o seu saquinho e deixem o dos outros em paz…

http://www.implicante.org/arquivos/projeto_bethania.pdf

Atravessando a Sapucaí

Quando a Passarela do Samba foi inaugurada em 1984 eu estava voltando a morar no Brasil depois um longo período nos Estados Unidos e Carlos Imperial me convidou a fazer parte de um grupo de possíveis jurados. Ainda bem que não fui sorteada pois perderia a experiência de ficar vendo tudo de perto. Voltei várias vezes. Algumas como espectador, outras desfilando. A última vez foi em 1993 com o Salgueiro no enredo “Um ita no norte” que deu a vitoria a escola da Tijuca. Desde o ano passado estou envolvida com a Beija Flor e o enredo ” A Simplicidade de um Rei” e virei azul e branco, impossível não entrar com coração num processo como este. Diante dos tantos encontros e reuniões com a presidência e diretores um dia antes do desfile recebi do pres. Anisio uma camisa com a inscrição Diretoria nas costas. Levei a sério a condecoração e vim na frente num trabalho de ser uma a mais a ajudar a levantar o publico que ficou embaixo de chuva esperando a escola.
Foi uma alegria enorme e também meu reencontro com o Rio. Desfilando revi na platéia amigos como o Gonçalo da Tap, o Antonio Pedro ex-deputado e Heloisa. da equipe Cesar Maia, Mauricio Mattos do Rio Samba e Carnaval, e muitos outros. Atravessei cantando, feliz e pingando de suor. Olhando nos olhos o publico nas frisas, incentivando a cantar, fazia a minha parte com a responsabilidade de estar vestindo a camisa da diretoria.
E foi com este espírito que fiquei acompanhando o resultado até a vitoria merecida. Foi unânime a nota 10 para o enredo assim com o aplauso dos jurados qdo RC passou no alto do carro. Respeito, consideração, ele merece. Sábado estarei de volta com todo gas. E vamos levantar de novo a Sapucaí. Enviado do meu BlackBerry® da TIMAdicionar uma imagem

A espera

Estes últimos dias tenho vindo constantemente à Beija Flor na contagem regressiva para o desfile de 2a, ou melhor, na madrugada de 3a. No barracão os carros alegoricos estão lindos e todos mais do que viver, respiram carnaval. Interessante perceber que é um evento masculino no pensar e decidir. Mulheres nas costuras e adereços mas em colocar a escola na avenida é coisa de homem com paixão.
Os detalhes de acabamento dos carros são de uma delicadeza como as de pequenos glacês que os confeiteiros colocam em bolos e doces . Tudo muito cuidado, pensado e planejado. Um show que levam 1 ano preparando.
E ca estou eu no meio desse burburinho do samba, de amores desmedidos em dia de expectativa e tensão. Ja vi muita previa de show mas estar no coração de uma escola é emocionante. E na foto um pedacinho do que vai ser o desfile de amanhã. Que o Arcanjo Miguel nos proteja e seja o que Deus quiser. Enviado do meu BlackBerry® da TIM

Loura… de novo !

No dia 17 de dezembro de 2002 fiz duas mudanças radicais : deixei de fumar e de ser loura. Passei o ano inteiro tentando abandonar o cigarro e pintar o cabelo,  não virei o ano sem atingir o objetivo. O cabelo foi praticamente tosado com uma maquina, depois de muito implorar ao Carlos Amolinário, meu cabeleireiro. E aí se passaram 9 anos…. O cigarro esqueci completamente mas o cabelo vivia em crise. Se por um lado eu estava feliz pela libertação da tintura, por outro sentia falta da minha alma loura…Fiz algumas tentativas, ser um  pouco mais morena, meio loura com henna, até que em dezembro de 2011 reencontrei Carlinhos no Rio, agora no salão do Copacabana Palace, discreto fez apenas um comentário : vai ficar assim grisalha ?? E é claro que fiquei pensando nisso estes meses até que hoje, de volta ao Rio fui procurá-lo…

A medida que ele foi trazendo a lourice ao meu cabelo fui sentindo diferente… Excitadíssima, entendi o quanto um corte de cabelo, uma tintura pode mudar uma vida… Aconteceu comigo… Tanta coisa aconteceu nestes 9 anos mas sinto que a minha essência rejuvenesceu…Estou com um enorme prazer de viver.. Thanks Amolinário, por ter me dado a maturidade quando raspou meus cabelos e me deixou grisalha, thanks por ter me dado a alegria com os cabelos louros… Enfim cá estou com quase certezas, muitas incoerências e novamente uma loura…