Da. Peninha morreu ontem a noite. Aquela senhorinha miúda e magrinha fazia jus ao apelido. Nunca eu soube seu nome, poucas vezes ouvi a sua voz. Nos encontrávamos aos domingos na missa, sempre vestida com simplicidade, roupa limpa, cabelos bem penteados presos num coque. Nos últimos meses deixou de frequentar a igreja. Disseram que estava doente, fora internada e depois levada para a casa de um filho. Recentemente uma candidata a vereadora fez uma pesquisa visitando todos os moradores da pequena vila onde moro e chegou a uma triste constatação : 10 casas não tinham banheiro. Uma delas era de Da. Peninha. Fiquei chocada, assim como tantos outros moradores. No movimento Linda Vila que tem como objetivo pintar e arrumar o povoado, Zé de Broi, o idealizador, se ofereceu para construir o banheiro, Maninha doou o vaso e uma pia. Mas Da. Peninha não viveu para ver o sonho, simples como ela, de ter um banheiro em casa. Um direito de todos, assim como água na torneira.
No velório conversando com Sebastião, seu marido, soube que Da. Peninha teve 7 filhos, mas só restaram 2. Um caiu no mundo e o outro ainda nem sabia da morte da mãe. Olhando o corpo dormindo no caixão simples, a pele morena, a blusa clara com rendas, fiquei imaginando quantos anos teria vivido e antes de me despedir perguntei ao marido.
“64”, respondeu ele. Voltei prá casa repetindo a idade dela. Parecia que carregava todos os anos nas costas curvadas, mas só tinha um ano a mais do que eu.








