Copacabana

Em construção o palco para o show de Roberto Carlos na noite de 25 de dezembro.

Estava com saudades de caminhar na areia fofa da praia de Copacabana.  Não sei por que achei que o mar estaria poluído, mas a água estava transparente. Olhei o horizonte e vi navios ancorados. Em Vila de Santo André quando olho para o mar o horizonte é pleno. Às vezes um barquinho de pesca, uma chalana ou escuna, mas nada estático… Com o sol nascendo fui caminhando até o Leme procurando encontrar algum amigo entre as pessoas que passavam. Passou por mim “quase” que um Renato, “quase” que uma Celina e “quase” tantos outros queridos que não encontro há muitos anos… Era usual encontrá-los nestas caminhadas nos anos que morei em Copacabana… Passei por um grupo que ao longe, com meu olhar anos 70, pensei que eram hippies, mas de perto vi mendigos. Sentei para meditar, respirei fundo para sentir a delicia do cheiro do mar e o arrulhar dos pombos tirou a minha atenção. Lembrei então de quantos pombos ciscam na areia.  Voltei à meditação, e quando estava num momento íntimo de agradecimento e adoração ao dia passou o vendedor oferecendo mate e biscoito Globo. Estou realmente em Copacabana !!!

 

Avião

A primeira vez que viajei de avião foi de São Paulo para o Rio, tinha 9 ou 10 anos. Era inverno e mamãe preparou o figurino para a viagem com capricho : saia de lã xadrez cinza mescla e azul + conjunto de BanLon azul claro. Lembro do deslumbramento ao subir a escada do avião da Aerolineas Real, me senti uma princesa. Os anos passaram, viajei milhares de vezes e apesar dos aeroportos e os vôos terem perdido o glamour eu continuava me vendo de sainha xadrez e banlon mesmo com o vizinho da poltrona ao lado de bermudas e havaianas.
Hoje passei praticamente o dia em um aeroporto sujo, calorento e em obras esperando um avião da Trip me levar de Porto Seguro ao Rio e pensei em desvincular a imagem glamurosa das viagens. O barulho das furadeiras, serras elétrica e martelos me faz sentir dentro de um canteiro de obras. Mas mesmo estando quase que numa rodoviária de interior lavo o rosto, passo baton e não jogo fora, por nada desse mundo, minhas boas recordações. Voar ainda é um sonho em todas as formas. Enviado do meu BlackBerry® da TIM

O canoeiro do João de Tiba

A balsa que atravessa o rio João de Tiba é como o portão da rua, o balcão do bar, o banco de uma praça. É possível ficar apenas olhando o movimento, mas se estiver disponível sempre aparece alguém para conversar. Conheci ótimas pessoas neste leva e traz fluvial, recentemente um homem magro de chapéu de palha fumando cachimbo se apresentou como mineiro poeta e novo morador da vila. A semana passada ao encontrar o poeta pescando na praia ganhei de presente um livrinho de cordel que ele escreveu com a historia “O canoeiro do João de Tiba” . E não é que o poeta escreve ?

Ali no cais de Sta Cruz Cabrália havia duas opções de travessia para os povoados de Sto André, Sto Antônio e Guaiu e há os que se atreviam a seguir mais adiante chegando a Belmonte. Ou se seguia pela bareeira, ruidosa na batida do motor ou se assentava sereno qualquer passageiro na retaguarda do canoeiro que seguia de pé feito um guia de travessia e de existência. Cobrava uma moeda que já tinha algum valor um pouco antes do cruzeiro virar real. Num desses dias de sol a pino, o poeta que dispensava a balsa e nem se dava bem com o ruído da bareeira sentou-se pela primeira vez na retaguarda do canoeiro e ambos desfilaram primeiramente o silêncio de cada um. Não era de fato um silêncio pesado e sim aquele silêncio de respeito pela calmaria das águas e o andar trôpego e sem sentido dos caranguejos do mangue.

– O Senhor faz esta travessia há quanto tempo? – indagou o poeta, observando a alva barba despontando até o peito castigado pelo sol.

– Primeiro gastei dois anos de minha vida trabalhando a tora para que virasse canoa e aqui são vinte e seis anos corridos em cima da tora que eu mesmo fiz canoa.  – de súbito, respondeu, sentindo-se assim invadido em seu silêncio, mas assentiu de bom grado percebendo naquele passageiro algo especial no contemplar de olhos séquitos e reverentes diante daquele verdadeiro espetáculo que para ele, canoeiro era sempre desafiador.

– E dá para sobreviver bem com uma moeda aqui e outra ali nesse vai e vem?

– Moro naquela mata acolá, onde ninguém me acha, os pássaros que tenho nem preciso tratá-los. O dinheiro que ganho aqui é mais para a palha e o fumo que acendo a noitinha pras muriçocas

– E água e comida? – rearguiu o poeta.

– Água doce e limpa para beber e banhar é abundante aqui e comida a mata me dá tudo o que preciso.  – desta feita ele respondeu com mais tenacidade sentindo-se invadido na decisão e opção de vida.

O poeta pressentiu o incômodo que começava a causar no canoeiro e delimitou-se apenas a comentar: Deve ser maravilhoso ter como rotina o ir e vir dessas travessias e quantas histórias já deve ter ouvido…

– Melhor são as histórias que se ouve do que as histórias que se conta.

Não se contentando, o poeta num tom desafiador afirmou:

– O senhor não tem histórias para contar?

_ Tenho muitas e tantas histórias, mas as de mim mesmo, prefiro deixar embaixo dessas águas, empurradas pelo meu remo; mas as histórias dos mistérios dessas águas e desses mangues gostaria de ter ouvidos para escutá-las.  – revidou assim o canoeiro em tom mais desafiador ainda a indagação daquele poeta curioso.

O poeta se arrepiou dos pés a cabeça e disse para si mesmo: trata-se também de um poeta. Esse velho homem de barba alva, castigado pelo sol, ouve também as mensagens do mistério natural e sobrenatural desses lugares paradisíacos e decifra tão bem seus mistérios. Já não se sentia tão só ali, o escritor, e permitiu um largo sorriso ao canoeiro e aumentou o tom pressentindo a resposta.

– Canoeiro, o senhor consegue tirar palavras e músicas dessas águas?

– As duas coisas de uma só vez ou uma de cada vez; mas o que mais me intriga é saber que aqui há um espelho mágico nessas águas. Todos aqui se revelam.

Uma pessoa chega aqui pensando ser uma coisa e vai fazendo miração nessas águas e acaba descobrindo que não é nada daquilo que achava ser. Vi pessoas chegarem aqui com muito ouro e prata e terminarem descobrindo muita pobreza em si. Vi outros que penavam na idéia de se enxergarem miseráveis e depois da miração se entenderam riquíssimos. As mulheres procuram amores verdadeiros e fortes e há homens que passam a tocar as fêmeas com as costas da mão. Há meninos que ficam velhos e velhos que ficam meninos. Um sonho que era por demais colorido se enegrece e outro que rebrilhava prateado se torna de um dourado solar. A natureza quando pega forte na veia faz muita coisa virar do avesso. Sou apenas um remador que observa e se sigo sempre em frente, indo e voltando é porque aprendi a fazer de um pouco, um tanto bom de se viver.

Naquele momento o poeta se reportava a tudo o que foi escrito e reescrito por toda humanidade. Lembrava-se de pensadores, profetas, poetas e mergulhava fundo em sim mesmo e chorou copiosamente sem deixar perceber, o pescador entretido pela serenidade do mangue, que já se avizinhava na margem. Descortinava-se para ele a verdade absoluta da vida. Outros tantos pela história das navegações pequenas ou grandes puderam confirmar o que para ele era nítido: Uma canoa e um remo podem ser de madeira ou de ouro. Naquele momento ele estava assentado na retaguarda de uma canoa dourada com remos de ouro. Ali no sul da Bahia, na travessia do João de Tiba, na Santa Cruz Cabrália, na Costa do Descobrimento.

O livrinho de Cássio Poetta está à venda  na lojinha da Monica, Cores e Sabores, no restaurante Gaivota ou através do próprio poeta que está sempre pela vila.

 

 

Mães são todas iguais

Ninguém é mais diferente de mim e, incoerentemente, ninguém é tão igual a mim, como meu filho… Eu sou um milhão de amigos, ele é de poucos, raros e as vezes  nem os procura. Sou facebook, blog, twitter, MSN, blackberry, Nextel e skype, ele navega em busca de conteúdo num processo  introspectivo, solitário… Leu e viu mais filmes do que eu,  sou emoção, ele cérebro… Enquanto me reciclo, me refaço, jogo fora o que não uso, ele guarda, acumula coisas que até Deus duvida… Ambos nos encontramos na criatividade, mas até agora foi impossível criar juntos…

Desde 2005 ele mora em São Paulo, integra a equipe do Tom Cavalcante, se encontrou como autor de comédia, redator de humor… Eu jamais consegui contar uma piada, o que dirá escrever… Nos tempos em que tinha uma banda de rock com contrato em gravadora, cd na praça, na trilha de Malhação e tocou no Rock in Rio 2001 na Tenda Brasil, jamais se imaginou neste caminho. A música entrou em recesso, passou para a publicidade e a convite do Tom usou a criatividade no humor. E foi dando certo. Tratou com seriedade o desafio. Dignidade e respeito ao novo projeto de vida, mudança total, de cidade e produto.

Convivendo com o maior comediante brasileiro, tenho a impressão que aprendeu a fazer um mix de todas as suas experiências. De uma maneira genérica acho que pega uma parte da obra de Shakeaspeare que leu num carnaval quando não quis viajar comigo à Bahia, os livros de PNL que lê em inglês desde os 18 anos, mais a vivência em Nova York e Los Angeles por quase 3 anos, soma isso aos filmes de todos os estilos e gêneros que assiste compulsivamente, com um olhar crítico presta atenção o povo na rua, mistura tudo e sai humor…

Tem livros escritos pela metade, sonhos de montão e poucos sabem o quanto em casa é irônico e engraçado… Fala pouco do seu trabalho, às vezes telefona apenas para jogar uma idéia na roda como se pensando alto surgisse a solução para os roteiros que escreve… Aprendeu a viver em São Paulo e nestes anos jamais me enviou uma foto com algumas das “estrelas” do Show do Tom, nem mesmo com o próprio patrão. Mas na ultima semana enviou a primeira com o seguinte email:

Oi mãe, tudo bem?

Eis uma foto minha com o Pedro Manso, que faz o Faustão do Tom. Carlinhos, que faz o Mendigo. Além de Solange, a Gaga de Ilhéus, Paloma e Mariana, sobrinha do Tom. Acho que ficou boa essa foto.

bjo, Bernardo.

Não resisti a colocar no post… Mães, são todas iguais !

Bernardo, Pedro, Paloma, Carlinhos, Solange e Mariana.

Vila de Santo André para iniciantes

Conversando com a Joyce Pascovitch sugeri uma matéria para a sua revista sobre Vila de Santo André e o texto abaixo foi o que seguiu para a redação. Na JP deste mês serão publicadas dicas sobre Sto André baseadas nestas informações…

Que os marinheiros de primeira viagem sejam muito bem vindos !

Meu irmão Victor contou que em meados dos anos 80 viajou com um amigo italiano a Porto Seguro e num carro alugado saíram em busca das praias. Seguindo em direção norte numa estrada de areia à beira do mar, chegaram a uma pequena cidade onde havia um rio, um atracadouro e barcos pesqueiros. Atravessaram o rio com ajuda de um barqueiro, caminharam por mangues, seguiram o rio que se encontrava com o mar e “descobriram” um povoado que nem tinha luz. Era Vila de Santo André, um paraíso praticamente secreto. Assim como eles, muitos brasileiros e estrangeiros cansados da metrópole fizeram este trajeto e por aqui ficaram extasiados pela beleza natural.

Há seis anos vim morar neste lugar e apesar dos upgrades com a balsa para a travessia do rio, luz, telefone, internet, resort, pousadas e restaurantes, Vila de Santo André mantém a mesma essência de povoado tranqüilo com ruas de terra, vegetação exuberante e uma pacata comunidade com menos de 800 habitantes. Mas no verão a população chega a triplicar. No reveillon de 2009 a vila foi foi deliciosamente invadida por uma “tribo” de jovens de São Paulo e do Rio que vieram atrás do som do Duty e seus DJs convidados para a grande Dolce Vita Party. Foram cinco noites com o som rolando até o sol nascer à beira mar. O encontro se repete este ano e para os marinheiros de primeira viagem seguem informações e pequeno roteiro com um olhar muito pessoal.

A travessia do rio João de Tiba é linda em qualquer horário e não leva mais do que 10 minutos. Das 6 às 19h30hs a balsa sai a cada 30 minutos e a partir das 20hs, a cada hora. Do outro lado do rio são 2 km de estrada asfaltada até uma bifurcação à direita numa rua de terra e entra-se na vila. É uma vila que não tem praça. O movimento acontece à beira do rio, em alguns bares e no campo de futebol. São 4 times de futebol (1 infantil, 1 feminino e 2 adultos) e no dia 1º de janeiro é tradição o jogo com os homens vestidos de mulher. A vila tem uma igreja, um posto de saúde com consultório dentário, uma escola municipal de ensino fundamental, uma escola para alfabetização e duas ONGs (IASA e Centro de Convivência). É possível ouvir pelos becos e vielas o som de flautas tocando “As Quatro Estações” de Vivaldi ou ”Asa Branca” de Luiz Gonzaga.  São as crianças do Ambiente Musical, um projeto do IASA que pretende formar uma orquestra.

 

Visual do El Floridita voltado para o rio.

A rua de terra com muitos quebra molas vai beirando o rio, continua paralela ao mar até se encontrar novamente com a estrada de asfalto que leva a Santo Antonio (8 km), Guaiú (14 km) e termina no município de Belmonte (50km) onde o rio Jequitinhonha desemboca no mar. Esta rua “principal” – Av. Beira Mar – dá acesso ao Resort Costa Brasílis, às pousadas e a quase todos os restaurantes. Logo na entrada tem o camping da Vera e do Nelson Zippin (completamente anos 70!); em frente e escondida em meio a árvores, a lanchonete do Nelmo com o melhor hambúrguer da região…   Seguindo a estrada de terra, voltada para o rio tem a Pousada Corsário com o restaurante El Floridita. A Mikie comanda a cozinha e vale provar a lagosta com arroz negro, o peixe com gengibre e inhame rosti, frango com queijo coalho. A gastronomia em toda vila é um luxo!  Vide as referencias do expert em turismo Ricardo Freire, em seus artigos. Ainda na beira do rio os restaurantes La Fragata, Sant´Annas (pastas italianas e carnes argentinas) e Gaivota (vale provar o Veleiro, um PF chic…).

Fora da rua principal, as placas indicam a Pizzaria Varanda da Joyce Hermetto, artista plástica que morou muitos anos em Arraial d´Ajuda e faz luminárias, almofadas, panos pintados com desenhos temáticos e um traço inconfundível .  Quase ao lado da Joyce, a Barraca Nativa do Paulo onde tem forró, e na frente a pequena loja de artesanato da Monica. Continuando na principal rua de terra da vila, tem o trabalho da mineira Leila Tassis em seu atelier na Pousada Ponta de Santo André com luminárias, papelaria e uma infinidade de produtos feitos com reciclagem da fibra de bananeira; a Loja Santo André da Zélia, com vestidos, batas, chapéus e biquínis, e no Resort Costa Brasilis a “boutique” Dé Bahia, da Patrícia Farina que vende do chapéu Panamá a maravilhosas colchas, jogos americanos e almofadas feitas de fuxico pelas mulheres da comunidade.  As “Jóias da Floresta”, criativos colares e pulseiras feitos com sementes pela artesã Lady, se tornaram marca registrada da vila e produto de exportação, estão à venda numa lojinha a beira do rio.

No coração da Vila, os restaurantes Aroeira, comidinha caseira feita pela Lia, no maior capricho e o Almescla, da Zeti e do Célio, que dividem o espaço com a Pizzaria Estrela. Vatapá, caruru e moqueca, comidas típicas é assunto para autêntica baiana Tia Carmen (desde 1987!!), e a Silvia, no Restaurante Orquídeas. Sanduíche, brigadeiro, empadinha, sorvete e açaí na Rô, ao lado da escola municipal, com jardinzinho gostoso para o rio… Saindo de Santo André vale esticar até o Guaiú para provar a comida da Maria Nilza feita no fogão a lenha. Um luxo!

Um jardim surpreendente à beira mar na Pousada e Restaurante Jacumã. Os seus proprietários, os italianos Simona e Stéfano, cuidam das plantas com o mesmo esmero com que criam pratos sofisticados com massa caseira e frutos do mar. Um cardápio de respeito.

 

Pousada Victor Hugo

A Pousada e Restaurante Victor Hugo é do italiano Ugo Colombo que chegou nos anos 80 com meu irmão, e tem “um terraço debruçado sob o mar” com coqueiros, caminhos de hibiscos e sombras de amendoeiras. Não há lugar mais bonito! O Resort Costa Brasilis tem 122 apartamentos e bangalôs espalhados em uma área de 50 mil m2.  Um conforto diferenciado numa vila quase rural. Lá dentro, o Spa Ruby,  da carioca Flávia Pereira, atende não apenas aos hóspedes com massagens restauradoras com óleos e pedras quentes, banhos com especiarias, shiatsu, yoga, sauna, hidromassagem  e ofurô.

Para quem segue pela estrada de terra, ao lado do Costa Brasilis está a Pousada Villa Araticum do arquiteto argentino Luiz Busquetti. Um projeto arquitetônico charmoso no meio de árvores. Para quem segue pela praia, um caminho entre coqueiros leva à Casa Praia, o restaurante dos argentinos Pablo y Amadeo, referencia em uma gastronomia inventiva. Lá pode se curtir em alguns dias uma “jam session” com músicos locais e cinema. No verão a tela onde o filme é projetado fica embaixo dos coqueiros, e com as estrelas no céu e o barulho do mar o clima é cinematográfico…  Há alguns anos o cinema se incorporou à cultura local incentivado pelo casal cinéfilo Olímpia e Claudio Calmon que leva seu equipamento para as exibições no Casa Praia e uma vez por semana realiza o Cine Cajueiro no jardim de sua casa com filmes voltados para as crianças e os jovens que namoram no escurinho. Os cartazetes com a programação, dia e horário são colocados nos postes da rua, nos centros de cultura, no mercadinho do Maciel e no portão da própria casa.

O Mercado Maciel, na rua principal, é praticamente um Carrefour, tal a variedade de produtos e tem pão fresco pela manhã. Apesar de a economia ser voltada para o turismo são poucos os estabelecimentos que aceitam cartões de crédito/débito. Os restaurantes Jacumã, El Floridita, Gaivota e da Pousada Gaili aceitam, assim como o Mercado Maciel, o Atelier Leila Tassis, o Spa Ruby e a loja Dé Bahia. Em Santa Cruz Cabrália tem uma agencia do Banco do Brasil, o Bradesco como Banco Postal no correios (segunda a sexta das 8 às 16hs) e um caixa eletrônico da Caixa.

A manicure Si – Sirlene – atende com hora marcada na bucólica varanda de sua casa e tem os esmaltes com as cores da estação.  A Vila é um paraíso para os velejadores. Profissionais e amadores podem contar com o Carlindo, nativo que conhece todos os caminhos do rio e do mar. Além das aulas de kitesurf, hobicat e veleiro, Carlindo faz deslumbrantes passeios subindo o rio para ver o sol se por ou até Araripe, um banco de areia cercado por piscinas naturais, distante 2 horas da costa. É possível também aprender a surfar em Mogiquiçaba (25 km da vila), uma praia com boas ondas. Luca que morou na Austrália transporta em sua Kombi temática os alunos para um “surf day class” com prancha inclusa.

 

Carlindo e seu veleiro...

Santo André está localizada dentro da APA Santo Antonio, uma área de proteção ambiental cercada por mata Atlântica, com praias semi virgens e certas restrições para edificações. No encontro do rio com o mar há cadeiras, guarda-sóis e pequenas cabanas que recebem grupos de turistas que saem de Cabrália em passeios de escunas. Anda-se muito a pé nas ruas de terra, mas quem quiser pedalar o Joab aluga bicicletas. Algumas pousadas oferecem conexão wi fi, e ainda tem a Internet Café Mata Encantada e a Lan House Universo, do Joelson.  A Dolce Vita acontece na Fazenda Amendoeira, pousada e restaurante do “chef” italiano Federico Idi, no final da Praia de Jacumã quando passa a se chamar Praia das Tartarugas. Um visual lindo, paradisíaco, 600 ms de areia antes da entrada do mangue. O DJ e produtor Duty organiza este reveillón feito especialmente para amigos e pessoas divertidas. A festa começa dia 25 de dezembro com DJs internacionais da Suécia, Estônia, Argentina, Espanha, Estados Unidos e Hungria… E quem vier fora da estação, conhecerá uma vila quieta e se apaixonará, assim como eu. As fotos são da Cláudia Schembri.

Um Natal de outro jeito…

 

Esta é a rua principal de Vila de Santo André. É difícil Papai Noel chegar aqui. (Foto: Cláudia Schembri)

A verdade é que nós somos mais semelhantes do que imaginamos… O meu desabafo com as dificuldades pessoais neste tempo de Natal teve eco em amigos que também vivem o mesmo. Não tenho a solução, mas busco alternativas para conviver melhor com dezembro pois  é impossível pular 30 dias em um ano… Geralmente depois que falo, ou melhor, que escrevo, alguma coisa começa a mexer dentro de mim e se não me resolvo, alivio… Uma catarse singela para ver onde posso melhorar e isto nada mais é do que um processo de análise sem terapeuta… Tive alguns terapeutas, não significa que encontrei uma fórmula para resolver neuroses e superar traumas sozinha, mas vou arriscar um jeito de conviver melhor com os 16 dias que ainda tenho até o Natal.

Aprendi que o primeiro passo é encarar o problema e a conclusão é simples : tive muito mais “Noites Felizes” do que Infelizes… E em honra ao meu passado, a todas as festas na infância e as que produzi para meu filho, família e amigos, estou improvisando uma pequena árvore de Natal e um presépio. Estou fora de qualquer amigo oculto, nem quero fazer ceia, assar peru e cozinhar castanhas. Resolvi ser amiga declarada de algumas crianças em Vila de Santo André onde dificilmente Papai Noel chega.

Vai me fazer muito bem, pois já o fez em 2006 quando fiz um Natal diferente. Em meados de dezembro fui a Porto Seguro e vi a montagem do Circo Beto Carrero. Foi uma viagem no tempo. Sou fascinada por circo e nos meus sonhos infantis creio que em algum momento pensei em ir embora com alguma trupe. Por isso ao ver aquele circo à beira do mar tive vontade de pedir a Papai Noel alguns ingressos para levar umas crianças de Santo André a assistir o que me emocionou e marcou por toda vida.

Repito sempre que a única coisa que vale na vida são os amigos.  E como nunca me faltaram, lembrei de Ligia Pontes, amiga do Rio de Janeiro, na época assessora de imprensa do Beto Carrero e enviei um email pedindo 10 ingressos. Como resposta ela me oferecia quantos eu julgasse necessário para levar as criança. Tive que fazer uma pequena produção, pois para transportar todos até Porto Seguro precisava de um ônibus, e apelei para outro amigo, Ubaldino Junior, radialista super bem relacionado que conseguiu na empresa Expresso Brasileiro. Ainda tínhamos o desafio de atravessar o rio, pagar a balsa, e o meu amigo Rogério Paixão, da Pousada Ponta de Santo André, conseguiu a liberação dos bilhetes.

No dia 26 de dezembro de 2006, 140 pessoas de Vila de Santo André tiveram a oportunidade de assistir pela primeira vez um grande espetáculo circense. Não sei me emocionei mais em ver o brilho nos olhos das crianças ou o êxtase dos pais diante do show. Elefante que até então era figura de livros e imagem na TV, estava ali, de verdade, dançando no picadeiro. Camelos, cavalos, pôneis, palhaços, malabaristas, trapezistas, bailarinas, contorcionistas, atirador de faca, mágicos e o incrível final com 5 motocicletas rodando no globo da morte! Até hoje este dia é lembrado…

Como não tem circo por perto, começo amanhã a preparar o Natal para 10 crianças que moram perto da minha casa. Vou costurar sacolinhas de pano para colocar os presentinhos que serão entregue dia 27, quando voltar do trabalho no Rio. Faço a festa com bolo, pipoca, cachorro quente. Acho que as crianças vão adorar e chega de me lamentar…

Então é Natal…

Eu não chutei o balde nem abandonei o blog, mas nos últimos anos tem sido assim quando se aproxima dezembro: um mau humor infernal e a vontade que os dias passem rapidinho até o novo ano. Já gostei muito de Natal. Montei lindas árvores, reuni a familia, decorei a casa, fiz muitas festas. Ganhei tudo o que pedi e também o que não pedi à Papai Noel.  “Uma boneca preta, uma boneca branca e um carrinho de puxar bonecas”, sussurrei no ouvido do bom do velhinho sentada no seu colo na loja Mappin em São Paulo, e no dia 24 a meia noite lá estavam meus presentes na árvore. Ganhei aliança de brilhantes deixada em uma caixinha simples no meio de muitos embrulhos como se fosse algo de pouco valor, como também um carro surpresa com laço de fita e luzes piscando. Tive sim maravilhosas noites de Natal… Recebi muito amor e carinho, compartilhei na mesma medida com enorme alegria…Até que em 2001 dezembro começou a contagem regressiva de uma vida muito querida diagnosticada a não resistir a virada do ano, e assim se foi. Nestes quase 9 anos estes dias de preparativos da festa se transformam em lembranças de saudades… Terrível esta mente teimosa que insiste em se apegar nas dores e resiste em virar a página… Um lamentar profundo, doído e sem sentido. É claro e transparente  que o que foi não volta e um fato é certo : o Natal,  nascimento de Jesus, este sim é eterno…Acho que ainda tenho tempo de me resolver…

Viva Santo André

Hoje é dia de Santo André, com festa na igreja e procissão na vila onde moro. Esta imagem de Santo André que estou postando é quase a verdadeira, é o mais puro exemplo do charme da vila. Paolo Dolfini, um diretor de arte italiano que mora em Milão, tem casa na vila onde passa as férias com a mulher Maura e o filho Alfa, como todo criativo, um dia pegou a imagem de Santo André e deu um toque tropical. Retirou o livro da mão e colocou uma arara, envolveu com folhas de coqueiros, colocou uma cesta de hibiscos no chão e como cenário a nossa maravilhosa praia. Imprimiu como um santinho e conta que quando foi mostrar para o meu irmão Victor, diante da qualidade da montagem, extasiado comentou “e não é que o santo tinha uma praia igual a nossa…” .

Paolo me deu esta imagem que transformei em bandeirinhas que dou pra amigos e também são vendidas na lojinha da Monica em frente da Pizzaria Varanda, com renda para projetos sociais. Esta imagem já foi usada em  cartazes de festas anteriores, estampadas em camisetas do pessoal da Igreja e se tornou real… E isso tem mesmo cara de Santo André, um vilarejo que apesar de ser referencia em livros datados de 1600 só teve sua primeira Igreja Católica construída há 6 anos. Neste curto tempo uma briga entre o clero e a comunidade fez com que os poucos fiéis debandassem. Lamento não estar lá hoje. Vou à missa aos domingos, gosto da cerimônia e é uma forma de estar com os moradores. A distância faço a prece e deixo um pouco da historia do santo.

Santo André nasceu em Betsaida, foi discípulo de João Batista e a margem do Rio Jordão encontrou Jesus e começou a segui-lo :

O que buscam ? perguntou Jesus e André respondeu

Senhor, onde vives ? e Jesus disse-lhes

Venham e verão….

Na lista dos 12 apóstolos André está incluído entre os quatro primeiros. Era irmão de Pedro, e esteve presente no milagre da multiplicação dos pães. Evangelizou na Ásia Menor, na Capadócia e na Rússia onde é venerado. Enfrentou demônios, salvou um barco naufragado cheio de pessoas e no ano 60 d.C. durante o reinado de Nero foi capturado, julgado e condenado à morte dia 30 de novembro. André foi amarrado a uma cruz onde sobreviveu durante dois dias rezando. No momento de sua morte uma luz divina envolveu seu corpo paralisando todos os presentes. Padroeiro dos pescadores, açougueiros e mineradores, fazedores de cordas e dos casamentos, é patrono de diversos países como a Escócia, Espanha, Rússia e Grécia.

ORAÇÃO A SANTO ANDRÉ APÓSTOLO

Santo André, vos que tivestes o privilégio de caminhar com Jesus e d´Ele ver e ouvir tantas maravilhas, concedei-nos, aos apóstolos de hoje, vossa esperança, heroísmo, santidade e espiritualidade, aumentando cada vez mais em nós o espírito da verdadeira caridade. Por Cristo Nosso Senhor, Amém.

 

Post #100

Resolvi não falar ou

Rio João de Tiba, restaurante El Floridita

escrever sobre partidas e neste 100º post reflito sobre a vida, o tempo inexorável e os aprendizados. Tem sempre uma palavra, um comentário, uma cena que surge trazendo alguma novidade. É só ter um pouco de boa vontade. Não é fácil, ninguém também me disse que seria fácil… Cheguei sem manual de instrução e sem perceber anotei a cada dia um pouco na memória. Quando achei que já sabia tudo, olhei prá traz me perguntando que caminho foi esse…

Comecei a fazer um exercício para que o hoje não tenha cara de ontem e nem queira ser amanhã. Conclui recentemente quando um dia, ao me olhar no espelho, percebi que buscava a imagem de 20 anos atrás, como uma velha fotografia. Devo ter identificado aquele rosto, com menos rugas, mais magro e ainda emoldurado com cabelos louros, como meu registro definitivo. Procurava aquela imagem como se fosse possível congelar a vida num só instante e me manter para sempre como uma estátua exalando o mesmo perfume, com as mesmas informações e perspectivas de futuro… Ah! Que enorme loucura… Estes últimos 20 anos podem até se revoltar ao saber que não foram levados em conta! Li em algum lugar sobre uma terapia em que se escreve a própria historia em episódios de 7 anos… Pode ser uma boa experiência se for possível não ficar agarrada ao passado…

Lembro que quando criança a curiosidade era a minha grande companhia. Qualquer cisco, pedaço de pano, vidro vazio me levavam às mais deliciosas pesquisas… Hoje uso o outro brinquedinho que me faz navegar e a investigar centenas de possibilidades no mundo virtual. Foi assim que cheguei aqui e reencontrei amigos… Descobri que tenho leitores com quem compartilho meus pensamentos, quase que um divã com muitos analistas… Sou grata pela companhia de vocês e pela disponibilidade de me “ouvirem”. Bom sábado !!

 

The Old Fashioned Way

Um amigo colocou no Facebook um vídeo do Charles Aznavour de 1995 que me encantou. Não resisti e passei a frente a canção numa voz mais do que sedutora. Amigos repicaram comentários, podia ouvir os suspiros e rodopios mentais… Mas o comentário da Marília Barbosa foi mais contundente “meu Deus, parou o domingo, me “chapou” na cadeira, não vou mais conseguir levantar… Onde ficou esse tempo, meu Deus, morreram esses homens, acho tudo hoje tão seco e cruel…”

Ao ler procurei resposta e estou concluindo que o tempo não ficou nem os homens mudaram, nós é que deixamos de sonhar… Não sei se os homens eram românticos, mas sei que os nossos desejos em viver grandes paixões faziam com que o nosso olhar fosse amoroso para os menores gestos… Projetamos os amores que queríamos viver, e dávamos cores, matizes de acordo com nossa imaginação… E tudo acontecia como num conto mágico com pó de pirlimpimpim e vivíamos aqueles momentos de forma tão intensa que até hoje continuam escondidos na memória… E aí qualquer canção do Aznavour embalada pelo menor movimento de corpo nos leva ao delírio e uma saudade de nós mesmos….

Como escreveu Cazuza, o tempo não para… Vamos nos reinventar, ainda há tempo…

http://www.youtube.com/watch?v=cDi1sQO1MJI