Do avesso

Foto: Cláudia Schembri

Foto: Cláudia Schembri

Choveu tanto nas ultimas semanas, dias seguidos, que agora quando aparece o sol tenho vontade de virar a casa do avesso e pendurar no varal. Tirar a umidade das paredes antes que se transforme em mofo, sacudir o colchão e colocar os travesseiros na janela… Aprendi muito nestes quase 9 anos em que moro na Bahia. Sei reconhecer o canto dos diversos pássaros e a entender um pouco o movimento da natureza. Tempos de sol, tempos de chuva… Entrou um vento sudoeste, choveu na mudança de lua, a seca está prolongada, tudo é motivo para se perceber a vida que está no entorno.

Nos primeiros meses eu ficava espantada com tudo, incluindo a diversidade dos insetos. Não eram apenas os que se transformam em cupim e ficam no entorno das lâmpadas até perder as asas que são vistos nas grandes cidades. Mas dependendo do vento, da temperatura, surgiam uns muito estranhos, cores diferentes, cascudos, deixando as lagartixas excitadas. Lagartixas? Sim, elas andam pelas paredes da varanda e se me causavam certo desconforto, hoje encaro com a maior tranquilidade. Fazem parte do estilo de viver ruralmente. E nessa vida rural, surpresas constantes. Hoje fui visitar umas amigas de São Paulo que tem casa de veraneio do outro lado da rua e enquanto conversávamos surgiu uma família de macaquinhos no muro. Era uma meia dúzia, ágeis e com focinho branco. Um pulou para a janela e ficou olhando insistentemente como se perguntasse: não tem nada para nós?

Voltei prá casa me lembrando do olhar pidão do macaquinho que se somou aos olhares das crianças, velhos, aposentados, doentes, jovens, trabalhadores que tem desfilado nas ultimas semanas na tela da TV e no monitor do meu computador … Todos buscam uma vida melhor, mais decente, digna… E se está difícil para os macaquinhos que tinham toda a Mata Atlântica para viver e está sendo destruída, imagine para nós…

Cara Dilma

dilma hjPermita a informalidade no tratamento, mas me sinto à vontade por sermos da mesma geração e talvez tenhamos nos encontrado em alguma passeata contra a ditadura ou em reunião fechada de “subversivos” nos anos 60. Trilhamos caminhos distintos, mas a base dos nossos sonhos de  juventude era a mesma: a luta por um país mais justo e melhor. Fomos intensas nas Diretas Já, depois na campanha da anistia e enfim a democracia no país, com todas as dificuldades de estabilização da economia, mudanças monetárias, corremos da inflação, conquistamos direitos, e a vida seguiu em movimento constante de perdas e ganhos. Apesar de não ter votado em você, passei a admira-la nos primeiros meses de mandato. Lembro da alegria de estar na praia conversando com amigos e até me sentindo culpada por não ter acreditado em você.  Entretanto o tempo foi passando e percebi que se o país já estava mal, ficou pior. Impunidade, corrupção, gastos enlouquecedores, uma profusão de ministros e cargos públicos, inflação na nossa cara, e sempre me lembrava do velho ditado: quer conhecer alguém, lhe dê poder. E já não era mais a Dilma que eu estava achando bacana, com boas atitudes e colocações quem estava à frente do país. Era outra mulher que parecia estar seguindo outra cartilha que não a sua…

Nesta tarde meio chuvosa no Sul da Bahia, sentei na sala para ouvir o seu pronunciamento antes da reunião com governadores, prefeitos e alguns ministros e as suas propostas para esta gritaria que ganhou ruas, vielas, estradas, enfim, até os becos deste país. E nos primeiros momentos, enquanto as câmeras se alinhavam, acertavam o som e esperavam que todos se acomodassem, a sua imagem passou a ser transmitida e o seu ar era de enfadonho. Que preguiça! Parecia que você estava entediada de estar frente àquelas pessoas para se colocar, discutir, ponderar, conciliar, negociar, justificar, enfim, dar algum jeito neste imbróglio… E só você pode fazer isso! Fiquei prestando atenção nas suas caretas que, como toda imagem, valeram mais que mil palavras… Ninguém pode resolver uma questão tão séria de um país com este mau humor. Prá completar, você escolheu errado o figurino. A blusa com listras pretas e azuis escuras estava sombria demais. E na sequencia, todo o discurso, com muito marketing para o meu gosto… Plebiscito faltando 15 meses para a eleição, tá certo isso ?

Dilma querida quisera poder crer que algo vai ser feito, pois as mulheres da nossa geração, como se diz na Bahia, são “porretas”. Engoliram a pílula para não engravidar, testaram relações antes do casamento, contestaram, queimaram sutiãs, tiveram filhos e seguraram a barra muitas vezes sozinha, foram atrás de uma vida profissional e ainda foram felizes… Por favor, não decepcione a nossa geração…

Que Deus nos proteja

Beijinho

Fotos Memória

E entre livros e objetos guardados no Rio de Janeiro resgatei o que um dia foi um quadro, estava quase desmontado, hoje em fase de restauração, com fotos da vida.

???????????????????????????????Com Ray Connif, na outra ponta Erick, inesquecivel maquiador e transformista, como Carmem Miranda; de pulover laranja Tania Ferraz, mais embaixo com Vanusa, Tereza Sodré e Carlos Alberto, embaixo a esquerda com Fagner e Miguel Plopshi, e no canto a direita, foto do casamento com Regis Cardoso e Bernardo.

???????????????????????????????Na parte superior, da esquerda para direita, com João Bosco em show no Pão de Açucar; com George Benson e a mulher em Nova York, com os saudosos amigos Seve Sombra e José Antonio, com Alfredo Sirkis nos tempos de Prefeitura Rio; com Tetê Nahaz, Jalusa Barcelos, Carlos Imperial e Leda Nagle numa festa em homenagem a Ana Farias… A foto do centro em preto e branco é historica : eu e Marcia de Windsor embaixo com Flavio Cavalcanti, e em cima tanta gente boa como Simonal, Sérgio Bitencourt, Carlos Imperial, Eli Halfoun, José Renato, José Messias… preciso refazer esta foto com uma camera melhor, só no detalhes… Colada a esta foto estou com Angela Rego Monteiro; no cantinho com Cristina Ramalho e Angela Tostes. Na ultima fila equipe Rock in Rio 1991, Michael de Penasse, Manoel Ribeiro, Eduardo Souto Neto,Peter Gasper, eu, Maria Alice Medina, Dody Sirena. Embaixo : Paulo Marinho, Roberto Medina, Cacá e Mario Monteiro, e Jomar Junior. Ao lado acima, estou com o Xexéo, depois com Christopher Lambert, e embaixo de novo Ray Coniff agora aparecendo meu amigo Luiz Felipe Lopes de Sousa.

???????????????????????????????No alto com Simone, depois com Roberto Medina e Lobão, mas abaixo com Djavan, depois com Ney Latorraca num iate, com João Bosco em PB; na fileira abaixo, bem no centro, foto PB com Paulo Gracindo e Angela Gonzaga, estréia de “O Preço” no Teatro do Copacabana Palace. Ainda apareço um pouquinho com Pelé, e depois a continuação da foto com Ana Maria Farias, Imperial, Leda, Tetê, Jalusa e Evaldo Lemos…

???????????????????????????????Com Elymar Santos e Billy Paul nos bastidores do Canecão; com a equipe de voluntários do Rock In Rio; com Flávio Cavalcanti no palco da TV Tupi; abaixo com RC e Miriam Rios no People, e a foto do canto abaixo é um dos registros mais importantes : minha 1a, entrevista, com Chico Anysio e Armando Pitgliani acompanhando…

???????????????????????????????Com Haroldo Costa; com Paulo Martins e Bernardo em 81; com Marcia Mendes em uma entrevista quando estava internada na ABBR; a equipe do Globo (foto PB) Leonel Kaz, Flavia Vilas Boas, Ana Maria Ramalho, Flavio Marinho, Fuad Atala, Helo Dadario, Terezinha Larcher, Eliane Levy… Com RC em um camarim… Na redação de O Globo com Boechat, Sonia Biondo, Flavio Marinho, Helô Dadario e Joana Angelica. No centro, com Gilda Mattoso, nós de vermelho…Com Neuza Amaral, Cidinha Campos, Zuzu Vieira, Hyldegard Angel …Bem abaixo com a equipe DC Set num show produzido para a Simone no antigo Metropolitan. Com Maria Alice Medina, e a foto da ponta abaixo é com Aerton Perlingeiro, a primeira vez que apareci na TV.

???????????????????????????????Da esquerda para a direita, com Lali Jurowski, em 85, no Corcovado, voltando ao Brasil. Mais acima com Cesar Maia, carnaval 93; depois com Leila Castanheira, primeira travessia da balsa para Santo André em 93. No centro com Henry Kissinger, Carlos Alberto Torres e Regis Cardoso, jogo de despedida do Pelé, Nova York. Uma foto pequena com Moyses Fuks, ao lado com Hyldde Roza e Fernanda Cavalcanti. Embaixo com Walmor Chagas, lançamento de uma novela dirigida por Régis, festa em nossa casa, e com Bernardo no Empire State Building em 94.

 

 

 

Analfabetismo Zero

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“Zé aprendeu a ler!”

Zé é nome fictício de um dos 94 alunos da Escola Municipal de Santo André e quem dá a boa notícia por telefone é a diretora da escola, entusiasmada, até emocionada, com a vitória. Um analfabeto a menos!

Na pequena vila onde moro todos sabem de tudo, as boas e as más noticias correm rápido, e as que vem da escola me encantam. Zé seria classificado por qualquer psicóloga como hiperativo, mas na vila é conhecido como terrível.  Mas conseguiu ler, foi como se uma torneirinha que estivesse fechada se abrisse e com ela vieram as letrinhas em palavras que há anos Zé vem ouvindo das professoras, mas sem conseguir entender… Assim como um click, um milagre, um estalo, Zé começou a ler tudo e o menino se acalmou. Ainda é hiperativo, mas parece que liberou alguma coisa que estava entalada na mente e deu-lhe outro rumo para as doideiras que faz, como qualquer menino que viver solto numa vila que tem ruas sem calçamento, sem calçadas ou praças…

Temos ainda muitos analfabetos na vila. Alguns adultos, com pouca possibilidade. Outros jovens e não consigo imaginar com viver assim. Deve mesmo dar certa agonia interna, o não alcançar ao conhecimento. Mas a campanha que estou imbuída nesta vila é não permitir que as crianças saiam da escola sem saber ler. Isto pode parecer simples nas grandes cidades, mas não é. Como a lei do MEC não permite reprovação, as crianças vão mudando de série como mudam de idade e se não estiverem acompanhando a turma, quem sabe o aprender fica para outra encarnação… Não aceito isso… E ainda bem que tenho outros que também pensam assim e este empenho é da diretora da escola…

Faço parte de um grupo que se movimenta para a  melhoria da escola…No início do ano letivo conseguimos tinta para pintar a escola, a própria diretora pintou… Depois conseguimos recursos para a merenda que ainda não havia chegado e também para o material de papelaria. Recentemente fizemos a campanha do uniforme e todos já estão vestidos… Duas moradoras da vila doaram o mobiliário que estará chegando à próxima semana e agora o meu desafio é analfabetismo zero… Quem sabe daqui a quatro anos quando o Prefeito Jorge Pontes e a Secretária de Educação encerrarem seus mandatos em Santa Cruz Cabrália possam colocar com orgulho em seus relatórios :  a Escola Municipal de Vila de Santo André alfabetizou todas as crianças que por lá passaram….

De volta

Depois de tres meses no Rio de Janeiro assim sou recebida em casa. Um sol escandoloso no poente, o canto das maritacas, o barulho do motor da balsa e so falta tirar o sapato e o relogio para me sentir do jeito que mais gosto. No meu canto simples e rural, exuberante na vegetação, um esplendor de natureza. Aqui esta minha alma. Viva Vila de Santo Andre da Bahia, meu porto de paz e de vida. Enviado do meu BlackBerry® da TIM

No armário

guardados

E, como no bolero, “assim se passaram 10 anos…”  sem abrir as portas superiores do armário de um apartamento que ficou ocupado por amigos. Não sei se consta no meu mapa astrológico que estou em tempo de colocar tudo em pratos limpos, mas tenho procurado resolver pendências e uma delas significava liberar este armário. Fiz isso e a vida veio abaixo. A princípio pensei que eram só livros e papéis que deveria enviar para o Bernardo em São Paulo. Mas conforme fui abrindo as caixas, objetos que imaginava perdidos surgiram. O álbum de fotografias da viagem à Guarujá aos 7 anos, a pomba azul lembrança de Santiago do Chile, a caixinha de prata presente da VS Escala quando completei a ultima das 10 etapas do programa “Sem Limite” na TV Manchete… Encontrei  meu primeiro baralho de tarô dos anos 80, o Pequeno Príncipe com dedicatória datada de 66, significativa lembrança do professor de português que namorei e me “ensinou” a ler e, com isso, a gostar de escrever. Dei um grito ao encontrar o original da mini biografia manuscrita da Maysa, são apenas 4 paginas tamanho A4, dobradas como num pequeno livro, onde resumiu a sua vida. O presentinho da Lali quando parti de Nova York em forma de algumas páginas desenhadas, coladas e “escrituradas” com amor e humor.

Muito da minha vida estava ali. Fotos, cartas, os enfeites da árvore de Natal e a surpreendente caixa com os copos e taças de cristal! Passei a infância olhando estas delicadezas com pequenos desenhos geométricos sem jamais tocar.  Não era coisa para criança.  Meus pais ganharam no casamento o conjunto completo com todos os tipos de copos, taças e ainda algumas jarras que enfeitavam a cristaleira.  Ao lado, ficavam dois potes de frutas em conservas, também presente de casamento. Decidiram abrir as compotas no nascimento do 1º filho, vieram mais 4 e lá estavam os potes… Depois nas bodas de prata, e assim o tempo foi passando. Cresci imaginando o sabor e ao mesmo tempo pensando que as frutas morriam sufocadas com falta de ar. Quando falava sobre isso mamãe dizia: “Tudo tem sua hora”. A hora chegou sem data especial, creio que em alguma boa faxina na cristaleira ou na mudança de móveis, e quando as compotas foram abertas concluiu-se que as tão almejadas frutas em compotas  já não prestavan…

Enquanto coloco os “cristais” em uma caixa que seguirá para a Bahia, lembro das compotas e penso em como deixamos objetos e situações guardadas para momentos que nunca chegam. O amanhã pode ser longe demais e quem sabe na hora que acharmos exata descobrimos que as frutas já estão passadas. Como gosto de   aproveitar o que a vida oferece de bom, a partir da proxima semana vou usar todos os copos de cristal, mesmo que seja com água de coco.

manuscruto maysaManuscritos de Maysa…

A casa

IMG00078-20130524-1228Um dia o filho sai de casa, muda de cidade, faz seu estilo de vida. Escolhe onde morar, a parceira, o lençol com a estampa favorita, a toalha para se enxugar, os copos, panelas, enfim, vive ao seu gosto.

Um dia a mãe visita o filho e encontra uma casa com um jeito diferente. Não é mais como a casa que seu menino cresceu. Alguns objetos do passado permanecem em uma estante na sala, fotos amarelecidas em porta retratos com os sorrisos dos pais e da sua infância, uma taça de cristal da vovó, o prato da parede com o brasão da bisavó, enfim, referencias da vida.

A mãe senta-se no sofá e o filho deita em seu colo como se tantos anos não tivessem passado. O homem é apenas o menino que cresceu rápido e hoje tem seus próprios desafios. É o trabalho, o coração, o futuro, muito que se preocupar.  E a mãe nada tem a fazer a não ser pedir licença para arrumar as estantes de CDs, DVDs e livros, organizar papéis e remédios em caixas, preparar um almoço, lavar a louça e ficar admirando o filho que é feliz do seu jeito. Não cabe julgar, só pedir que Deus o proteja.

Amor de mãe

lea beTenho pensado onde Deus buscou inspiração para criar o amor de mãe …

Houve alguma pesquisa, teste de produto, discutiu-se a viabilidade do negócio, planejamento de gestão, a área estava aquecida para este segmento?

Nada disso, foi na lata, e fez o que há de mais incoerente em forma de amor.

Não creio que seja amor, deveria ter outro nome este sentimento que em nada se assemelha com o amor do coraçãozinho feito com as mãos em conchinha, nem os suspiros apaixonados, as borboletas no estômago, o frisson que gera taquicardia quando o outro surge ou o que está na poesia, na letra das músicas…

Não parece com o amor que sentimos por irmãos, parentes e amigos, ou por algo material, como uma bolsa, um sapato, um vestido que se enche a boca para dizer AMO…

Nada disso, amor de mãe é desmedido, enlouquecido, às vezes contido e disfarçado para não ficar ridículo.

Amor de mãe é babão, chora por dentro, sofre,  se descabela com os desacertos dos filhos, como se fosse possível tomar para si as decepções, tristezas e os maus tratos que a vida lhes dá.

Amor de mãe é atemporal, disponível 24hs por dia, um ambulatório para emergências.  Nem mesmo os absurdos que às vezes os filhos dizem num rompante de desespero são possíveis de enfraquecer o sentimento.

Amor de mãe é o único tipo de amor que vem com culpa (“onde eu errei?”) e com responsabilidade (“que mundo é esse para o meu filho?”).

Os pais que me perdoem mas jamais entenderão este amor, é privilégio das mãe e nem as filhas imaginam a sua extensão.  Só mesmo quando se tornarem mães.

Paciência

tv antiga

Não aguentava mais todos dizerem que seu aparelho de TV era superado e ainda por cima sem net. Ela estava acostumada com a telinha com pouco mais de 14 polegadas que ficava bem em frente ao sofá e transmitia a programação dos canais abertos, suficiente para seguir a novelinha das 6 na Globo, o jornal do Boechat na Band e alguma outra bobagem. Mas insistiram tanto que ela passou a sonhar com TV tela plana e os filmes da net… Anotava a sugestão dos amigos, fez uma lista de boas séries e  programas que poderia assistir. Depois de uma pesquisa decidiu se adaptar aos novos tempos. Comprou o aparelho que mais parecia uma tela de cinema. Estava exultante com as 32 polegadas, TV digital, conseguia ver todas as rugas dos artistas da novela, notou que o Boechat usava maquiagem e percebeu que um novo mundo se revelaria em mais de 100 canais. Agora so faltava a net. Contratou o serviço, o técnico puxou os fios, colocou o receptor, deixou tudo pronto e partiu.

Uma noitada e tanto a esperava. Mas antes de mergulhar na experiência foi ao mercado comprar uma cerveja para celebrar. Só cometeu um erro : desligou a TV e na volta ao se ver com 2 controles remotos na mão ficou completamente perdida. Com a TV antiga era só apertar o botão e a imagem aparecia. Está certo que não era digital, mas funcionava. Começou a se angustiar. Ligou um controle, acendia uma luz e nada mais. Tentou o outro, os dois simultaneamente, varias possibilidades, nada acontecia.  Telefonou para o filho que com paciência tentou explicar, mas era muito prá cabeça daquela mulher independente, com curso superior, considerada culta e preparada, ser dominada por dois simples aparelhinhos. Foi se irritando. Teve um ataque de nervos. Desligou todos os fios, tirou a tv da tomada, engoliu um calmante e foi dormir jurando que no dia seguinte ia comprar uma TV modelo antigo, algo que entendesse… 

Outra cidade

calçada

Neste retorno ao Rio depois de 10 anos me chama atenção :

A vegetação que cresceu exuberante no Joá. Cada vez que atravesso o túnel em direção a Barra ou quando retorno fico admirada com as tantas árvores que escondem as casas.

Os divertidos parquinhos para adultos nas praças… Da zona sul à zona norte a 3ª. idade tem onde brincar, fazer exercícios e se relacionar…

As longas filas para atendimento médico nos laboratórios de diagnostico e imagem. Acho que aconteceu uma debandada do SUS e não me avisaram, ter plano de saúde não faz diferença.

A cratera enorme numa pedra ainda maior na Barrinha. Jesus é o metrô chegando na Barra da Tijuca!

O incrível número de agencias do Itaú. A cidade ficou azul e laranja.

A proliferação de farmácias.  Saí da farmácia de uma grande rede e no quarteirão seguinte encontrei outra igualzinha.

Para onde foram as papelarias? Andei muito para encontrar uma. Creio que só compram lápis, caderno, borracha e cola nos shoppings.

Obra por todos os lados da Praça Mauá e a surpresa de ver entre elas o prédio do MAR.

Os vendedores de chapéu estilo panamá no calçadão de Copacabana.

A Cidade da Música no meio da Av.Ayrton Senna. Não entrei, vi de longe a construção faraônica, mas não me falaram coisas boas a seu respeito.

A cidade limpa, bem sinalizada, policiada e o metrô é ótimo!

E o bom humor , o jeitinho, a malandragem, o sotaque arrastado do carioca. Isto não mudou.