9 anos se passaram

acessoPassei o último dia 9 pensativa celebrando silenciosamente 9 anos de vida no sul da Bahia.  Outra “encadernação”… Pensei em muitos temas para escrever e hoje fazendo uma geral nos arquivos encontrei as fotos do projeto que foi razão de estar aqui. Não vim por causa dele, mas o destino nos uniu. Tenho orgulho de todos os meus trabalhos. Alguns tiveram mais representatividade, outros mais singelos. Mas se eu tivesse feito só esse, teria valido a minha existência.

Caravana Veracel foi um presente para que eu visse o mundo além do Rio de Janeiro, São Paulo, Lisboa e Nova York, cidades onde vivi e todas os países e cidades que conheci. Foi um projeto criado para atender a necessidade da fabrica de celulose Veracel  se relacionar com os municípios do seu entorno e dizer prá que vinha. Um projeto que me levou para o interior do país e de mim.

Uma caravana de cidadania e alegria que em 10 semanas percorreu 1200 Km passando por Barrolândia, Itagimirim, Canavieiras, Itapebi, Eunápolis (duas vezes, nos bairros do Alecrim e Juca Rosa) Guaratinga, Porto Seguro (Bahianão), no Campinho em Cabrália e Belmonte. Mais de 30 mil crianças passaram pela área de recreação, 2000 famílias levaram para casa uma foto num porta retrato, 5000 crianças aprenderam a escovar os dentes, 950 pessoas passaram pelas oficinas, 300 crianças receberam óculos, 818 pessoas foram atendidas na tenda de saúde para diagnostico de hanseniase e quase 70 mil pessoas conheceram a Caravana Veracel.

Em 10 semanas Mariangela Sedrez (produtora), Cezar (Diskstand) e suas equipes se tornaram uma grande família. Eram 35 pessoas viajando e em cada localidade mais 30 se juntavam como apoio. Chorei em todos os fins de semana. Para quem viu mega eventos a simplicidade da caravana e o resultado colhido era comovente.

E continuo me comovendo com a simplicidade deste pedaço de Brasil… Aqui eu sei que posso fazer a diferença e o retorno é deslumbrante… Não é dinheiro, não é  título nem poder… Mas uma vida especial que nasce todos os dias com um passarinho colorido comendo o que restou do mamão, outro dia se vê uma lua cheia, criança livre na rua, chuvarada seguida de arco íris, um pedaço de grama que nasceu na areia e seguiu em frente, uma cigarra avisando o sol no dia seguinte, e toda a noite procuro a primeira estrela no céu e faço o mesmo pedido: ficar aqui prá sempre.

Tirando mofo

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Esta passando o tempo do mofo… Foram tantos dias de chuva que até as hóstias na Igreja mofaram. Creio que o Papa Francisco não soube, mas são tão raras as pessoas que comungam nesta vila que o fato foi comprovado por uma amiga que ficou com vergonha de falar com padre e em panico de engolir a poeirinha cinza… Acontecem coisas nesta vila que beiram Saramandaia, e no inverno se tornam ainda mais contundentes…

Neste tempo em que os dias são mornos e as noites frescas lavei muita roupa,  pendurei os casacos no sol, a casa foi limpa e agora vou forrar com placas de isopor algumas partes do armário próximas da parede.  Este é o processo de quem vive tão perto do mar numa casa cercada por muitas árvores no pós-inverno baiano.

Retirar o mofo tem também o sentido de sair de casa, visitar e receber amigos, andar de bicicleta, retomar as sessões de cinema no jardim, mesmo que seja preciso colocar alguma coisa nas costas. É começar a pensar no verão, nos amigos que virão, na alegria de descobrir no calendário que o carnaval é em março e a temporada será mais longa, separar os tecidos para novas colchas, tempo de produção…

E também tirar o mofo do que está parado, como um livro de memórias, uma blusa de crochê, 4 livros lidos só até a metade, enfim, tempo de colocar o trem nos trilhos e botar lenha prá andar…

Exercício

Ontem a internet me deu uma surra navegando a passos de cágado ate às 9 da noite. Hoje a energia elétrica desapareceu no meio da manhã. Sobra-me um blackberry para estar no mundo e o exercício da paciência.
Estar na fila do banco ou no transito engarrafado requer paciencia muito maior. Tenho a opção de ficar na rede, ouvir os passaros, sentir uma brisa, e a maior interferencia é o som distante da serra elétrica na obra de um novo condomínio.
Paciência é aprender a respeitar o que voce nao tem o poder de interferir nem com a força bruta nem com o poder econômico.
É deixar de ter controle do tempo e se permitir que a vida corra solta como o universo quer. Fico aqui deitada na rede contando folhas nas árvores.

Enviado do meu BlackBerry® da TIM

Pensando

Na beira do mar fico pensando ate que ponto quero saber de tantas notícias ruíns no facebook e na internet. Sera que isso vale à pena ? No pequeno povoado onde me refugio a realidade é outra. Não importa se o diploma do Ministro da Saúde é falso, se os alunos acampam em uma universidade discutindo o currículo, se a presidente rezou com os evangelicos. O que importa é ter comida na mesa, mesmo que seja pouca. Vale gás, vale educação, vale qualquer coisa desde que se sobreviva. Pois o acordar e o anoitecer são sempre nesta calmaria. Enviado do meu BlackBerry® da TIM

Muito marketing, pouca fé

papaLeio hoje na Folha de São Paulo que a visita do Papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude custara até R$350 milhões e imediatamente me vem o pensamento de que a Igreja da vila onde eu vivo além de ter minguado o número de fiéis teve a luz cortada por falta de pagamento. Será que acreditam que a evangelização no país se faz com a vinda do Sumo Pontífice para um encontro de poucos dias ?

Estudei em colégio de freiras, ia à missa aos domingos e passei a infância com a presença da Igreja no bairro simples na Zona Sul de São Paulo. Além de darem aula nas escolas com um ensino de qualidade, os padres passavam filmes para as crianças nas tardes de domingo num barracão transformado em cinema e jogavam futebol com os meninos, as freiras visitavam doentes, distribuíam comida aos pobres, ensinavam as mães a fazer o enxoval para seus filhos. Padres e freiras eram amigos das famílias, iam às festas de aniversário, conheciam os problemas dos moradores do bairro.

Mas tem alguma coisa estranha na Igreja dos ultimos tempos, muito marketing para pouca fé. Tenho este sentimento por viver numa comunidade com menos de 800 habitantes onde a Igreja Católica não consegue agregar nem 5 fiéis nas missas dominicais. Os devotos da “palavra do Senhor” que seguiam a procissão na festa do padroeiro, cantavam no coro e faziam fila para a hóstia baldearam-se para as 2 igrejas evangélicas.  O “Senhor” também está nestes espaços e deve ter algo mais sedutor, talvez garanta um lugar melhor no céu.

Por isso neste domingo com a notícia do jornal fico pensando o que a Igreja pretende alcançar com tal investimento. É assim que se consegue mais fiéis por este país de meu Deus? Nesta reflexão acrescento também a notícia de um número absurdo de árvores cortadas no local onde haverá a grande missa, na possibilidade da retirada de coqueiros da praia de Copacabana e outras tantas propostas absurdas que estão sendo tomadas para este encontro. E pensar que o cara que trouxe a base para a criação desta Igreja era tão simples, com um pensamento claro e seus ensinamentos fáceis de serem seguidos… Mais de 2 mil anos depois ainda fala-se sobre ele e do jeito que seus seguidores estão se comportando não entenderam a sua mensagem.

Em tempo : nada contra o Papa Francisco, até acho bem simpático e com bom discurso…

Querida Betty,

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Nos últimos dias vi na web fotos onde você aparece curtindo a praia de biquíni e lí comentários do incomodo que isso causou em algumas pessoas… Cá entre nós, achei o máximo você continuar se posicionando como uma mulher acima de qualquer discussão, falando direto e objetiva. Você sempre foi de “causar”, isso faz parte da sua historia, onde se imaginou nos anos 60 a filha de um militar ser vedete dos musicais do Carlos Machado ? Ali começou a trajetória da grande estrela. Mas você sempre foi descolada, levou a vida com cara alegre, fez foto sensual para a capa da revista Amiga, fez furor quando posou para a Playboy em 1978, repetindo a dose seis anos depois em plena forma….

Entrevistei você em algumas fases de vida, no início dos anos 70, não lembro qual a novela você era protagonista, fui encontrá-la para a entrevista numa casa na Joatinga (ou no Joá?) onde vivia no mais autêntico estilo “comunidade hippie”. Éramos mesmo um pouco hippies, nem que fosse de butique… Depois, quando você era casada com Daniel Filho e eu com Regis Cardoso, ambos diretores de novelas na Globo, em uma entrevista fiquei encantada pelo seu perfume. Tentei discretamente perguntar o nome, mas você desconversou. Passei dias pesquisando até descobrir qual era e comprar um vidro bem grande… Coisas de mulher…

E por ter acompanhado você durante tantos anos, respeitar e admirar seu trabalho, e por sermos quase da mesma geração, fiquei orgulhosa ao ver você expondo na praia do Leblon a sua maturidade para quem quisesse ver… Foi um aval para tantas mulheres que passam dos 60 e deixam o prazer de um dia na praia, um banho de mar, envergonhadas por não terem o corpinho dos 20… Ver a sua foto na web foi quase o mesmo que me ver frente ao espelho acertando o biquíni para caminhar de manhã… Faço isso com a maior tranquilidade e caso tivesse algum pudor teria perdido com convivência com a vizinha, uma italiana que, quase chegando aos 80, todas as manhas ao acordar mergulhava no mar apenas de calcinha. Pode ter coisa melhor?

Vou revelar um segredo : algumas noites quentes, vou nadar sem roupa… Também tiro o sutiã depois que atravesso a parte mais “movimentada” da praia. Topless não assusta ninguém por aqui, talvez cause um pouco de estranheza aos hóspedes do resort vizinho, mas ninguém ainda se manifestou… Por isso aproveito este bilhetinho, para convida-la a passar uns dias em minha casa. Garanto um chalé confortável, uma rede na varanda, vegetação exuberante, boas conversas, boas risadas, boa gastronomia… Garanto que nenhum paparazzo estará espreitando você entre as ondas, apenas a natureza…

Um beijo com carinho

Léa

 

Do avesso

Foto: Cláudia Schembri

Foto: Cláudia Schembri

Choveu tanto nas ultimas semanas, dias seguidos, que agora quando aparece o sol tenho vontade de virar a casa do avesso e pendurar no varal. Tirar a umidade das paredes antes que se transforme em mofo, sacudir o colchão e colocar os travesseiros na janela… Aprendi muito nestes quase 9 anos em que moro na Bahia. Sei reconhecer o canto dos diversos pássaros e a entender um pouco o movimento da natureza. Tempos de sol, tempos de chuva… Entrou um vento sudoeste, choveu na mudança de lua, a seca está prolongada, tudo é motivo para se perceber a vida que está no entorno.

Nos primeiros meses eu ficava espantada com tudo, incluindo a diversidade dos insetos. Não eram apenas os que se transformam em cupim e ficam no entorno das lâmpadas até perder as asas que são vistos nas grandes cidades. Mas dependendo do vento, da temperatura, surgiam uns muito estranhos, cores diferentes, cascudos, deixando as lagartixas excitadas. Lagartixas? Sim, elas andam pelas paredes da varanda e se me causavam certo desconforto, hoje encaro com a maior tranquilidade. Fazem parte do estilo de viver ruralmente. E nessa vida rural, surpresas constantes. Hoje fui visitar umas amigas de São Paulo que tem casa de veraneio do outro lado da rua e enquanto conversávamos surgiu uma família de macaquinhos no muro. Era uma meia dúzia, ágeis e com focinho branco. Um pulou para a janela e ficou olhando insistentemente como se perguntasse: não tem nada para nós?

Voltei prá casa me lembrando do olhar pidão do macaquinho que se somou aos olhares das crianças, velhos, aposentados, doentes, jovens, trabalhadores que tem desfilado nas ultimas semanas na tela da TV e no monitor do meu computador … Todos buscam uma vida melhor, mais decente, digna… E se está difícil para os macaquinhos que tinham toda a Mata Atlântica para viver e está sendo destruída, imagine para nós…

Cara Dilma

dilma hjPermita a informalidade no tratamento, mas me sinto à vontade por sermos da mesma geração e talvez tenhamos nos encontrado em alguma passeata contra a ditadura ou em reunião fechada de “subversivos” nos anos 60. Trilhamos caminhos distintos, mas a base dos nossos sonhos de  juventude era a mesma: a luta por um país mais justo e melhor. Fomos intensas nas Diretas Já, depois na campanha da anistia e enfim a democracia no país, com todas as dificuldades de estabilização da economia, mudanças monetárias, corremos da inflação, conquistamos direitos, e a vida seguiu em movimento constante de perdas e ganhos. Apesar de não ter votado em você, passei a admira-la nos primeiros meses de mandato. Lembro da alegria de estar na praia conversando com amigos e até me sentindo culpada por não ter acreditado em você.  Entretanto o tempo foi passando e percebi que se o país já estava mal, ficou pior. Impunidade, corrupção, gastos enlouquecedores, uma profusão de ministros e cargos públicos, inflação na nossa cara, e sempre me lembrava do velho ditado: quer conhecer alguém, lhe dê poder. E já não era mais a Dilma que eu estava achando bacana, com boas atitudes e colocações quem estava à frente do país. Era outra mulher que parecia estar seguindo outra cartilha que não a sua…

Nesta tarde meio chuvosa no Sul da Bahia, sentei na sala para ouvir o seu pronunciamento antes da reunião com governadores, prefeitos e alguns ministros e as suas propostas para esta gritaria que ganhou ruas, vielas, estradas, enfim, até os becos deste país. E nos primeiros momentos, enquanto as câmeras se alinhavam, acertavam o som e esperavam que todos se acomodassem, a sua imagem passou a ser transmitida e o seu ar era de enfadonho. Que preguiça! Parecia que você estava entediada de estar frente àquelas pessoas para se colocar, discutir, ponderar, conciliar, negociar, justificar, enfim, dar algum jeito neste imbróglio… E só você pode fazer isso! Fiquei prestando atenção nas suas caretas que, como toda imagem, valeram mais que mil palavras… Ninguém pode resolver uma questão tão séria de um país com este mau humor. Prá completar, você escolheu errado o figurino. A blusa com listras pretas e azuis escuras estava sombria demais. E na sequencia, todo o discurso, com muito marketing para o meu gosto… Plebiscito faltando 15 meses para a eleição, tá certo isso ?

Dilma querida quisera poder crer que algo vai ser feito, pois as mulheres da nossa geração, como se diz na Bahia, são “porretas”. Engoliram a pílula para não engravidar, testaram relações antes do casamento, contestaram, queimaram sutiãs, tiveram filhos e seguraram a barra muitas vezes sozinha, foram atrás de uma vida profissional e ainda foram felizes… Por favor, não decepcione a nossa geração…

Que Deus nos proteja

Beijinho

Fotos Memória

E entre livros e objetos guardados no Rio de Janeiro resgatei o que um dia foi um quadro, estava quase desmontado, hoje em fase de restauração, com fotos da vida.

???????????????????????????????Com Ray Connif, na outra ponta Erick, inesquecivel maquiador e transformista, como Carmem Miranda; de pulover laranja Tania Ferraz, mais embaixo com Vanusa, Tereza Sodré e Carlos Alberto, embaixo a esquerda com Fagner e Miguel Plopshi, e no canto a direita, foto do casamento com Regis Cardoso e Bernardo.

???????????????????????????????Na parte superior, da esquerda para direita, com João Bosco em show no Pão de Açucar; com George Benson e a mulher em Nova York, com os saudosos amigos Seve Sombra e José Antonio, com Alfredo Sirkis nos tempos de Prefeitura Rio; com Tetê Nahaz, Jalusa Barcelos, Carlos Imperial e Leda Nagle numa festa em homenagem a Ana Farias… A foto do centro em preto e branco é historica : eu e Marcia de Windsor embaixo com Flavio Cavalcanti, e em cima tanta gente boa como Simonal, Sérgio Bitencourt, Carlos Imperial, Eli Halfoun, José Renato, José Messias… preciso refazer esta foto com uma camera melhor, só no detalhes… Colada a esta foto estou com Angela Rego Monteiro; no cantinho com Cristina Ramalho e Angela Tostes. Na ultima fila equipe Rock in Rio 1991, Michael de Penasse, Manoel Ribeiro, Eduardo Souto Neto,Peter Gasper, eu, Maria Alice Medina, Dody Sirena. Embaixo : Paulo Marinho, Roberto Medina, Cacá e Mario Monteiro, e Jomar Junior. Ao lado acima, estou com o Xexéo, depois com Christopher Lambert, e embaixo de novo Ray Coniff agora aparecendo meu amigo Luiz Felipe Lopes de Sousa.

???????????????????????????????No alto com Simone, depois com Roberto Medina e Lobão, mas abaixo com Djavan, depois com Ney Latorraca num iate, com João Bosco em PB; na fileira abaixo, bem no centro, foto PB com Paulo Gracindo e Angela Gonzaga, estréia de “O Preço” no Teatro do Copacabana Palace. Ainda apareço um pouquinho com Pelé, e depois a continuação da foto com Ana Maria Farias, Imperial, Leda, Tetê, Jalusa e Evaldo Lemos…

???????????????????????????????Com Elymar Santos e Billy Paul nos bastidores do Canecão; com a equipe de voluntários do Rock In Rio; com Flávio Cavalcanti no palco da TV Tupi; abaixo com RC e Miriam Rios no People, e a foto do canto abaixo é um dos registros mais importantes : minha 1a, entrevista, com Chico Anysio e Armando Pitgliani acompanhando…

???????????????????????????????Com Haroldo Costa; com Paulo Martins e Bernardo em 81; com Marcia Mendes em uma entrevista quando estava internada na ABBR; a equipe do Globo (foto PB) Leonel Kaz, Flavia Vilas Boas, Ana Maria Ramalho, Flavio Marinho, Fuad Atala, Helo Dadario, Terezinha Larcher, Eliane Levy… Com RC em um camarim… Na redação de O Globo com Boechat, Sonia Biondo, Flavio Marinho, Helô Dadario e Joana Angelica. No centro, com Gilda Mattoso, nós de vermelho…Com Neuza Amaral, Cidinha Campos, Zuzu Vieira, Hyldegard Angel …Bem abaixo com a equipe DC Set num show produzido para a Simone no antigo Metropolitan. Com Maria Alice Medina, e a foto da ponta abaixo é com Aerton Perlingeiro, a primeira vez que apareci na TV.

???????????????????????????????Da esquerda para a direita, com Lali Jurowski, em 85, no Corcovado, voltando ao Brasil. Mais acima com Cesar Maia, carnaval 93; depois com Leila Castanheira, primeira travessia da balsa para Santo André em 93. No centro com Henry Kissinger, Carlos Alberto Torres e Regis Cardoso, jogo de despedida do Pelé, Nova York. Uma foto pequena com Moyses Fuks, ao lado com Hyldde Roza e Fernanda Cavalcanti. Embaixo com Walmor Chagas, lançamento de uma novela dirigida por Régis, festa em nossa casa, e com Bernardo no Empire State Building em 94.

 

 

 

Analfabetismo Zero

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“Zé aprendeu a ler!”

Zé é nome fictício de um dos 94 alunos da Escola Municipal de Santo André e quem dá a boa notícia por telefone é a diretora da escola, entusiasmada, até emocionada, com a vitória. Um analfabeto a menos!

Na pequena vila onde moro todos sabem de tudo, as boas e as más noticias correm rápido, e as que vem da escola me encantam. Zé seria classificado por qualquer psicóloga como hiperativo, mas na vila é conhecido como terrível.  Mas conseguiu ler, foi como se uma torneirinha que estivesse fechada se abrisse e com ela vieram as letrinhas em palavras que há anos Zé vem ouvindo das professoras, mas sem conseguir entender… Assim como um click, um milagre, um estalo, Zé começou a ler tudo e o menino se acalmou. Ainda é hiperativo, mas parece que liberou alguma coisa que estava entalada na mente e deu-lhe outro rumo para as doideiras que faz, como qualquer menino que viver solto numa vila que tem ruas sem calçamento, sem calçadas ou praças…

Temos ainda muitos analfabetos na vila. Alguns adultos, com pouca possibilidade. Outros jovens e não consigo imaginar com viver assim. Deve mesmo dar certa agonia interna, o não alcançar ao conhecimento. Mas a campanha que estou imbuída nesta vila é não permitir que as crianças saiam da escola sem saber ler. Isto pode parecer simples nas grandes cidades, mas não é. Como a lei do MEC não permite reprovação, as crianças vão mudando de série como mudam de idade e se não estiverem acompanhando a turma, quem sabe o aprender fica para outra encarnação… Não aceito isso… E ainda bem que tenho outros que também pensam assim e este empenho é da diretora da escola…

Faço parte de um grupo que se movimenta para a  melhoria da escola…No início do ano letivo conseguimos tinta para pintar a escola, a própria diretora pintou… Depois conseguimos recursos para a merenda que ainda não havia chegado e também para o material de papelaria. Recentemente fizemos a campanha do uniforme e todos já estão vestidos… Duas moradoras da vila doaram o mobiliário que estará chegando à próxima semana e agora o meu desafio é analfabetismo zero… Quem sabe daqui a quatro anos quando o Prefeito Jorge Pontes e a Secretária de Educação encerrarem seus mandatos em Santa Cruz Cabrália possam colocar com orgulho em seus relatórios :  a Escola Municipal de Vila de Santo André alfabetizou todas as crianças que por lá passaram….