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robertoabramson em PROVA DE EXISTÊNCIA robertoabramson em Jovem Kelli F. de Barros em Do fundo do bau KELLI MARITSA FERNAN… em Do fundo do bau robertoabramson em A árvore da felicidade
Ipanema mais longe de mim
Quando li sobre o fim do Jornal do Brasil impresso achei que era mais uma das noticias relacionadas a crise que se arrasta há alguns anos… Ledo engano era pura verdade… Minha escola como jornalista foi a Bloch, depois a Abril e O Globo, mas confesso que tinha um olho comprido no Jornal do Brasil… Para quem vivia na Tijuca o Jornal do Brasil tinha a cara de Ipanema e este era o sonho de bairro para muitos tijucanos. Não tinha apenas cara de Ipanema, tinha postura, linguagem, estética e para lembrar aqueles bons tempos, tinha um clima “avant gard” … Era um jeito de Brasil inteligente, charmoso, dando nó em pingo d´água em plena ditadura…
Na Bloch e na Abril eu vivia no “mundo das celebridades” e sabia que era considerado um sub jornalismo. Mas lembro o dia em que o Catoira (Edgard),meu editor na revista TV Guia, uma tentativa da Abril em fazer uma revista inteligente sobre televisão, me chamou e disse que o Caban (Henrique) do Globo estava procurando gente com o meu perfil para o Segundo Caderno. Queriam dar mais destaque para o “mundo das celebridades” no caderno de cultura dos intelectuais e seria uma ótima experiência. Eu não podia dizer que preferia o JB e aceitei a proposta. Não me arrependo, vesti a camisa de O Globo literalmente, mas continuei assinando o JB pela vida a fora, com o mesmo olho comprido… Hoje ao ver seus ultimo dias fico muito orgulhosa dos queridos amigos que lá estão e continuam, honrosamente, a exercer o oficio de criar pautas, buscar noticias, escrever matérias, fazer fotos e fechar o jornal todos os dias… E com esse final do JB, sinto que o Rio de Janeiro vai ficando menos charmoso, mais burro e Ipanema cada vez mais longe de mim…
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Periquitos e cupins
Gosto dos domingos quando faço o café da manhã num ritual silencioso e solitário… Trago esta lembrança de todas as casas por onde vivi, o prazer de arrumar a mesa, colocar as delicias disponíveis na cozinha, preparar panquecas, passar o café e depois sentar para digerir calmamente o banquete e as letras dos jornais e revistas… Aqui em Santo André há uma alteração nos componentes da mesa. Sem jornais ou revistas do dia, “releio” minhas memórias, viajo nos pensamentos, enquanto os passarinhos chegam para comer o que sobrou do mamão cuja casca, cuidadosamente coloco em um pedaço de madeira na árvore. E foi olhando os passarinhos nesta manhã que vi dois periquitos trabalhando numa enorme casa de cupim. Eu bem que pensara em retirar a casa de cupim há algumas semanas quando fiz a poda no quintal, mas esqueci, e o Guinho, que me ensina os “segredos’ da vida rural, comentara que às vezes periquitos fazem ninho em velhas casas de cupim. Fiquei torcendo para os periquitos saírem ganhando nesta disputa e acho que deu certo. Enquanto um periquito entra na casa e faz a limpeza, o outro fica do lado de fora tomando conta.
Incrível a natureza ! E tão encantada com a cena do quintal, fui pesquisar no bom e velho Google sobre o assunto encontrando um blog bacana do Francisco Perna Filho, poeta, contista, compositor, professor universitário, um homem interessado em literatura e arte. Em seu espaço compartilha poemas e crônicas de autores como Gregório de Matos, Ledo Ivo, Torquato Neto E viva a internet ! Com quatro livros publicados, em seu blog encontrei o conto “Ninho de Periquitos” do goiano Hugo Carvalho Ramos (1895-1921) que acabou sendo a principal noticia do “meu jornal” esta manhã…
Desfiles de passarinhos nas fotos da Cláudia
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Metade
De um lado a chuva, do outro ainda o sol. Como se um quadrado perfeito tivesse separado um espaço no céu para garantir um cenario unico. Meio chuva, meio sol. Nós e nossas partes. A natureza ensina a respeitar a dualidade e as multiplicidades de todos. Encontrei este presente e com ele a reflexão andando pela praia esta manhã. Isto é Santo André na Bahia. Léa Penteado enviado do meu Blackberry
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Aprendendo e ensinando
Até pouco tempo eu acreditava que conhecer alguém que não soubesse ler era tão improvável como nevar na Bahia. Mas desde 2004 quando vim morar em Vila de Santo Andre, BA, descobri que o fato existe ao meu lado. Impactante ver garotos analfabetos com pouco mais de 15 anos. Alguns aprenderam pouco na escola, ou quase nada. Sabem apenas escrever (ou desenhar?) o nome e são considerados analfabetos funcionais. Segundo o relatório Educação para Todos divulgado há poucas semanas pela Unesco, a baixa qualidade do ensino nas escolas brasileiras é responsável pela nossa vergonhosa 88º posição no Índice de Desenvolvimento Educacional, atrás de países mais pobres como Paraguai, Equador e Bolívia. Vejo isso todos os dias. E por isso, como não dá para mudar o país, aproveito o tempo que estou aqui e faço o que posso.
Esta semana incentivei Cláudia Schembri, a fotógrafa que generosamente cede as fotos que coloco neste blog, para ajudar Nalanda, sete anos, moradora do outro lado da rua, a fazer os deveres de casa. Cláudia tem, entre outros estudos, formação em pedagogia e jeito para tratar crianças. Mas ficou assustada ao constatar no primeiro encontro que a menina apesar de estar na 2ª série não sabe ler. Conhece o alfabeto, algumas sílabas, mas não forma palavras. O caderno está em branco e a menina sabe que nada sabe. Um enorme desafio, mas acredito que Cláudia vai conseguir ensinar Nalanda a ler e escrever.
Dentro deste movimento de fazer alguma coisa, a Lola convidou e ontem comecei a ensinar para um grupinho de 9 jovens que participam de um projeto de rádio na web no IASA (Instituto Amigos de Santo André), a fazer um blog. Enquanto eu escrevia o post anterior com todos colaborando com as informações, vendo fazer upload da foto feita no momento, percebi olhinhos tímidos e curiosos. São adolescentes, não importa se vivem à beira de um rio lindo e de um mar imenso numa vila com menos de mil habitantes com ruas de terra e onde falta saneamento básico. Jovem é igual em qualquer parte do planeta. As meninas querem o “template” do blog lilás ou roxo e os meninos preferem o cinza e o preto. O grupo fechou acordo num tom laranja claro, e as aulas vão continuar uma vez por semana até dominarem a ferramenta do blog. Impossível descrever a alegria que essa aula me trouxe. Aprendo muito vivendo aqui e ensinei a minha profissão para muitas pessoas. Mas desta vez é completamente diferente. É um sentimento que não se explica nem se vende. É um aconchego no coração, é retribuir à vida um pouco do que sei. É como ajudar a abrir uma janela e liberar a borboleta, como a da foto, que passou a noite dentro de casa…Vai voar por outros mundos, liberta…
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IASA criando blog
Estou reunida no IASA com um grupo de jovens que desenvolvem um projeto de Rádio e Televisão. Vários temas são apresentados, entre eles preservação do meio ambiente, divulgação da Vila de Santo André como destino turístico, campanhas de saúde e programas musicais. São 9 jovens, entre 14 a 16 anos, que integram o grupo Impacto Jovem.
Hoje estou aqui compartilhando o pouco do que eu sei na criação de um blog.
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Sobre a partida…
Passei os últimos dias com um pensamento constante. Onde eu fosse ou o que eu fizesse, lá estava a questão chegando sem pedir licença. Um assunto que dói e toca profundo não se vai embora de uma hora para outra. O que tanto me incomodava era o fato que vinha acompanhando de longe, através da internet e de noticias passadas por amigos, sobre o processo final do músico Paulo Moura. Apesar de não ter convivido tão próximo do seu talento e genialidade como gostaria, era meu amigo por tabela, já que era muito especial na vida de duas pessoas que quero muito bem, Cacaia Jorge e Paulo Martins. Além de partilhar da dor dos amigos que estavam envolvidos neste momento de forma tão intensa, o que me tocou profundamente foi abrir a ferida que tento cicatrizar das perdas recentes com processos semelhantes. Que a morte é inerente ao homem, é fato. Mas como se conduz me angustia.
As perdas essenciais que sofri, todas antecederam períodos de doença onde o sofrimento era dos enfermos e dos cuidadores. Foram longos os tempos aguardando a morte. Doía no corpo e na alma. Dia a dia esperando o momento final, e por que tem que ser assim ? Que prêmio maravilhoso recebem os que simplesmente vão dormir e não mais acordam, aos que partem rápido deixando a família atônita, mas sem a triste visão da matéria se deteriorando!
Se pudesse, Senhor, eu abriria mão de muitos prazeres e até singelas alegrias só para garantir o meu bilhete de passagem rápido… Um sonho profundo que me levasse valeria mais do que qualquer gole de cerveja em dia de sol quente, cobertor macio em noite fria, abraço afetuoso, passarinhos cantando no quintal, a alegria de ver florescer pela primeira vez a “cotonete” (foto), andar com olhos fechados na areia com maré baixa, dormir vendo estrelas, suspiro profundo durante a meditação, vestir roupa nova, abrir embrulho de presente, o cheiro da maresia, telefonema inesperado, reencontrar amigos, cigarra cantando no fim dos dias de verão, ponto final em texto revisado… Ufa! Apesar de tudo isso, Senhor, que o meu caminho seja o que tiver que ser, e a Sua vontade seja feita… Descanse Paulo Moura. (Foto : Cláudia Schembri)
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Pensamentos em pedaços
Movimentos compassados, prá frente e prá atrás, vovó pedalava a máquina de costura. Nem sei se ainda sabem o que é máquina de costura com pedal, ou se acham que as roupas já “nascem” prontas… Mas quando criança eu ficava sentada no chão, ao pé da máquina, vendo vovó costurar as roupas da família enquanto assobiava… Nunca vi ninguém assobiar tão bem, interpretava valsas, canções populares e infantis, tinha um vasto repertório capaz de me deixar extasiada por longo tempo. No vai e vem do corte de tecidos às vezes ela deixava cair propositalmente uns pedacinhos de pano que eu emendava transformando em manto de rainha ou cobertor para as bonecas. E quando tudo parecia monótono, vovó abria uma gavetinha cheia de botões e me oferecia aquelas preciosidades como divertimento. Eram muitos, mas muitos botões, de todos os tamanhos, materiais e procedências… Eu podia brincar o quanto quisesse, mas depois tinha que devolver à caixinha intacta. Pelo bom comportamento, às vezes ganhava algum botão dourado que servia de medalha no manto de rainha…
Estas lembranças surgiram quando puxei um fio de memória para descobrir de onde vem o meu prazer em unir pedaços, a paixão por quebra cabeças, colchas de retalhos e mosaicos, uma alegria incomparável que me leva a passar anos fazendo centenas de quadradinhos de crochê numa interminável colcha colorida que um dia há de ficar pronta. Sempre gostei de tricotar qualquer coisa que tivesse listras, ou criar desenhos geométricos em casacos soltos e desestruturados…
A viagem dos pedacinhos de minha vida me levou nesta semana a fazer uma colcha. Tinha alguns retalhos, comprei outros tecidos, cortei, misturei, juntei e surgiu uma nova estampa… Um patchwork do meu jeito, e enquanto costuro minha mente ferve, vai e volta… Mostrei a colcha quase pronta à minha amiga Luciana Wis, psicanalista, figura singular que há quase um ano é minha vizinha em Vila de Santo André. Comentei que acabara de descobrir que tenho ímpetos em juntar caquinhos e como isso me faz bem. Sinto que nesse exercício vou coordenando os pensamentos, encaixando as duvidas como quem combina o tecido xadrez com a estampa floral.
Sentada no pátio de casa, embaixo de um céu estrelado, numa noite em que a chuva deu folga, com o jeito manso que tem de falar as coisas mais profundas, Luciana disse que isso é coisa de quem tem um olhar menos rígido, múltiplo… Como resultado as cenas se tornam mais enriquecidas e o olhar ganha diversidade … Que alívio saber que é apenas isso…A minha loucura não é compacta, é fluida, móvel e sendo assim vou continuar juntando tecidos, linhas, caquinhos e pessoas…
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Aprendizados
“Queime a lagarta antes que ela te queime…”
Dei um grito quando vi o Guinho que, com um galho seco na mão, mexia na lagarta dourada que há mais de uma semana “cultivava” dentro de um grande vaso, alimentando diariamente com folhas tenras… A lagarta que apareceu no quintal, não era do tipo que se transformaria em borboleta. Era gorda, uma espécie diferente, parecia um pompom, mas nem por isso perigosa…
“Queime a lagarta antes que ela te queime”, me fez lembrar a mamãe. Tenho pensado nela com freqüência, e hoje podia até ouvi-la fazendo essa recomendação quando aparecia no quintal muito menos que uma lagarta, mas uma simples taturana preta. E eu, curiosa, também ficava com um raminho de árvore virando a infeliz de cabeça prá baixo tentando contar quantas eram as perninhas que a faziam andar rápido. Memórias de criança, e quando penso em mamãe a primeira lembrança é da sua frase favorita, repetida centenas de vezes, geralmente servida antes das refeições:
“Vocês jamais vão poder dizer “a minha mãe cozinhava isso ou aquilo muito bem”, pois eu odeio cozinhar…”
Está certo mamãe, não importa se na memória do meu paladar ficou faltando seus temperos, mas reconheço que aprendi outras coisas de grande valia e que me acompanham até hoje, como fazer tricô. Confesso que faço pouco, também no calor da Bahia de pouco valeriam os suéteres, mas o prazer de ter sempre algum trabalho manual foi seu ensinamento. Crochê, ponto de cruz, vagonite, tapeçaria, costura, desde o primeiro paninho que fiz na escola com amostras de pontos para bordar você esteve ao meu lado zelando pelo capricho. Aprendi a fazer qualquer destes trabalhos manuais com o mesmo cuidado, tanto do lado direito como o avesso, a dar pequenos nós na linha para não deixar “um serviço sujo” e arrematar com zelo para o bordado ficar seguro, sem fios pendurados. Talvez você não saiba, mamãe, mas isso valeu para a vida toda. Saber ficar sozinha, me bastar no silencio enquanto a cabeça viaja em pensamentos e as mãos se ocupam foi de grande importância. Foi o início do aprendizado de aquietar a mente, o primeiro passo para a meditação. A estrutura do bordado – “o que está na frente tem que ser tão bom quanto o que está atrás” – é o exemplo de ética que você me deixou. Ser apenas uma pessoa, íntegra e transparente, em qualquer ângulo. Dar pequenos nós, é o que mais tenho feito. Unido e reunido pessoas, resgatado amigos, amarro com cuidado e deixo o fio curto para não fugirem…Era desnecessário mamãe, também deixar um sabor na lembrança. Seu legado foi muito maior.
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Na balsa
Ana Cristina, Marilia, Miqueias e Luan atravessando na balsa para estudar/estagiar no Resort Costa Brasilis. Uma nova geração nasce do outro lado do rio. Tem sol depois da chuva. Léa Penteado Enviado do meu Blackberry

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Viva São Pedro !
Dia de São Pedro em cidade de barqueiros e pescadores é festa. E lá foram os barquinhos enfeitados com a imagem do santo subindo o rio, entrando no mar até Vila de Santo André, com cânticos e preces… E por falar em prece, segue a do Santo do dia :
“Ó glorioso São Pedro , por causa de sua vibrante e generosa fé, sincera humildade e flamejante amor Nosso Senhor o honrou com o singular privilegio e em especial a liderança de toda a Sua Igreja. Obtenha para nós a graça de viver na fé, um sincero amor e lealdade a Igreja , aceitando a todos os seus ensinamentos e obedecendo a todos os seus preceitos. Deixe-nos alegrar e conseguir um paz na terra e uma eterna felicidade no Paraíso.”
Fotos : Cláudia Schembri













