As noticias que escuto sobre a seca no sudoeste baiano gritam aos meus ouvidos em contraste com a profusão de verde no jardim. Estamos num Estado com enorme diversidade ambiental. Enquanto rios, lagoas e poços secam por lá, saio com o facão e o serrote conduzindo o Guinho na poda das árvores. Revendo fotos de quando aqui cheguei, constato que uma “pequena” floresta cresceu em minha volta. E são nestes tempos de inverno em que o sol precisa fazer força para chegar que vou pedindo licença e abrindo caminho entre a vegetação.
Tenho aprendido muito sobre árvores e plantas da região, traço um paralelo destes ensinamentos com a vida. Em um momento em que precisei pensar na privacidade, plantei pândaros. Nada se assemelha ao personagem da mitologia grega, mas aqui denominam uma vegetação com grandes folhas espinhosas que vai crescendo e se sustentando por raízes externas. Fica bem alto, não dá flor nem fruto e nem os passarinhos fazem ninho em suas folhas. Só serve mesmo para deixar o terreno menos exposto. Assim como o pândaro, hoje não quero mais ter por perto pessoas que só querem ocupar espaço. Amizade é mão dupla. Acredito que deixei as árvores fecharem o jardim como um desejo interior de silencio, quietude e reflexão sobre a vida… Um semestre que está acabando, enterro as decepções… Está sendo difícil virar a página… Corto as árvores, fora pândaros, quero um novo tempo com sol e luz…









