Qualquer profissional preza o respeito à assinatura do seu trabalho. Está ali o reconhecimento de quem fez e tenho refletido a forma como se trata este assunto. Na última 3a. feira assistindo ao programa Studio I na Globonews, falavam sobre a estréia da novela Ti-Ti-Ti e mais do que justo foi lembrado Cassiano Gabus Mendes. Citaram sua importância como pioneiro na televisão brasileira, primeiro diretor da TV Tupi, a ida para a TV Globo criando uma nova linguagem para novelas no horário das 7 estreando com “Anjo Mau”. Em nenhum momento foi feita referência ao diretor Régis Cardoso, responsável pela ida de Cassiano para a Globo (eram amigos da época da Tupi) e diretor da novela da estréia. A bem da verdade, este estilo leve, com charme e humor para o horário das 7 foi idéia do Régis que vinha de um grande sucesso como diretor da novela “Escalada”, ganhador dos grandes prêmios em 1975. Fiquei danada com a exclusão do crédito. Não era preciso nem falar o nome dele, bastava colocar o crédito em uma legenda enquanto rolavam as imagens.
Ontem no Fantástico uma longa reportagem sobre o lançamento do filme O Bem Amado falando da importância da obra de Dias Gomes e das edições como novela em 1973 e seriado em 1980, ambos na TV Globo, me entristeceu. Nenhuma referencia ao diretor. Em minha opinião, tão importante quanto a qualidade do texto do Dias, o linguajar de Odorico Paraguaçu e a fidelidade com que retrata tantas cidades do nordeste com a sua Sucupira, é o fato de que O Bem Amado foi a primeira novela a cores na TV brasileira. Era um fazer todo novo ! Equipamento, cenografia, figurinos, enquadramento, fotografia, tudo se buscava um jeito. Lembro Régis contando historias divertidíssimas desta empreitada, dificuldades para conseguir a mesma qualidade de cor para as cenas externas e em estúdio, e a lenda da câmera que se perdeu no mar. Régis aprendeu fazendo, como foi em toda a sua vida.
O quanto conheci Régis Cardoso posso afirmar que estaria danado com este descaso com seu trabalho… Fomos casados durante um bom tempo e amigos por toda a vida. Ele foi um profissional sério e dedicado, tinha o apelido de “Boi” por ser incansável. Seus últimos anos poderiam ter sido mais alegres, mas deixou um legado magnífico. E, antes que se esqueçam dele de novo, lembro que além de Cassiano, Régis também levou para a TV Globo Mario Prata, estreando com “Estúpido Cupido” (ultima novela em preto e branco) e Silvio de Abreu com “Pecado Rasgado” .
E como estou falando sobre créditos, pesquisando na internet para confirmar as datas das novelas encontrei um texto super legal sobre o Régis no site do Sérgio Mattar que têm ótimas historias…













