Arquivo da categoria: Uncategorized

A estrada

Estrada Porto Seguro – Eunápolis

Quando viajo de carro e vejo uma casinha à beira da estrada, sem vizinhos, solitária, fico imaginando o que faz uma pessoa viver assim. Não sei se é uma escolha ou uma determinação do destino, mas sempre invento historia, crio personagens e isto faz com que as viagens sejam mais divertidas. De onde eu moro para uma “meia civilização” são alguns quilômetros de estrada. E hoje, indo para Eunápolis levar o Xico ao veterinário, lembrei que há alguns anos quando estavam construindo a Veracel, uma enorme fabrica de celulose aqui no sul da Bahia, para se tornar viável o escoamento do material produzido teriam que construir uma estrada unindo a indústria ao seu terminal marítimo. A estrada passaria nas imediações do distrito de Barrolândia, uma localidade pobre e pequena, e para definir o local exato realizaram uma audiência publica. Presentes os representantes da fábrica, autoridades municipais e os moradores. A fábrica sugeria um traçado sem comprometer o povoado, passando por fora, minimizando ao máximo os efeitos dos grandes caminhões e também do trânsito que seria gerado. Já os moradores exigiram que a estrada cortasse bem ao meio da localidade, com isso ganhariam ares de cidade grande. Um amigo envolvido neste processo, comentou que ouviu a seguinte justificativa de uma moradora ainda jovem : “quem sabe assim alguém passa por aqui e me leva embora.”

Os moradores ganharam, a linda estrada lá está. Quantos sonhos à beira de uma estrada! Não sei se a jovem saiu de Barrolândia, talvez os caminhoneiros apressados não parem nem para visitar o “brega”, mas o desejo de aventurar para outros lugares faz parte da busca do ser humano. As aventuras motivam, atenuam dias tristes, alimentam a alma. Eu continuo encantada com as estradas, vendo as casinhas à beira, fantasiando sobre a paisagem. Foi isso que me inspirou a escrever o argumento do filme “À Beira do Caminho” que Breno Silveira dirigiu e estreia em agosto.  É só esperar para conhecer a alma de um caminhoneiro.

Guardanapo

Estou preparando um almoço para amanhã. Vou reunir amigos aqui da vila que, que assim como eu, não tem mãe nem filho por perto. Três mesas irão para debaixo das árvores, serão unidas por toalhas coloridas e assim teremos um grande mesão. Ali serão colocadas as comidas, bebidas e sobremesas que os amigos vão trazer. Um belo almoço comunitário. Desde o inicio da semana pedi à Helenita lavar e passar os guardanapos, pois quero usar neste almoço. Pode parecer um fato banal, mas guardanapo de pano faz uma grande diferença na minha vida. Lembra a casa dos meus pais onde cada filho, mesmo depois de adulto, de ter saído de casa, acertado e errado, casado e descasado, continuava tendo um porta guardanapo com suas iniciais bordadas na tampa. Era como um envelope de tecido que mamãe fazia com capricho, ali colocava o guardanapo de pano e deixava ao lado dos pratos marcando o lugar. Não importava o que era servido, mesmo nos tempos de vacas magras tinha na mesa o sino de prata para chamar a empregada e todos com seu guardanapo de pano no colo.

Meus pais recebiam hóspedes por longo período. Como a prima Tita, de Curitiba, que foi fazer um curso de restauração de quadros na Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro e morou um ano conosco. Neste caso, como que simbolicamente efetivando seu lugar na família, tinha um porta guardanapos personalizado. Tínhamos também envelopinhos de pano com bordado neutro para visitas com menor duração.

Eu gostava de chegar para almoçar em um dia qualquer e ver o meu lugar marcado na mesa. Mesmo tendo rodado tantos lugares, sentado em mesas de países e paladares diversos, toalhas de linho, talheres de prata, copos de cristal, aquela mesa era especial, pois sempre era minha casa. Amanhã na grande mesa sob o chão de terra, embaixo das árvores de almescla, cupuba, araçá e do ingazeiro, em homenagem à mamãe, ao lado de cada prato haverá um guardanapo de pano.

Amores loucos

Foto : Cláudia Schembri

Num verão a alguns anos estava eu sentada à sombra da amendoeira e muito próxima estava uma mulher, um pouco mais velha, com um caderno de desenho e uma caixa de lápis de cor. Retratava lindamente a paisagem e este foi o ponto para começarmos a conversar. Era a sua primeira vez em Vila Santo André. Contou que tinha um escritório de engenharia e viera atrás da filha que se apaixonara por um nativo analfabeto. Um rapaz lindo, com um corpo escultural, praticamente um deus de ébano.  A filha, psicóloga casada, chegando aos 30 anos, sem filhos, alguns meses antes entrou em crise. Decidiu refletir sobre a relação a distancia, sozinha, durante uma semana à beira mar. Caiu de amores pelo artesão nativo. Voltou prá casa, terminou o casamento, pagou altas contas de telefone e retornou para continuar o tórrido romance no verão. Alugou uma casinha junto ao campo de futebol – o lugar não pode ser mais rústico – e veio ser feliz. A mãe, discretamente, veio dar suporte a filha. Inteligentemente se instalou na mais charmosa pousada e ficou esperando o andar da carruagem.  Logo na virada do ano mãe e filha voltaram para a cidade de origem, romance vivido e com tempo de validade…

Lembrei-me deste fato conversando com uma amiga, também psicóloga, que tem casa aqui. Por que as mulheres – e também os homens – se enveredam por uns amores loucos que sabem que dificilmente vão chegar a algum lugar?  Agora, enquanto escrevo, veio à memória uma querida amiga jornalista, Marisa Raja Gabaglia, autora do livro “Amor Bandido” (1982) contando a sua paixão pelo cirurgião plástico Hosmany Ramos, http://pt.wikipedia.org/wiki/Hosmany_Ramos dublê de ladrão. Relembrei Darlene Gloria, linda atriz, primeiro nu do cinema nacional, que se encantou pelo policial Mariel Mariscot, de um mundo tão diferente com quem viveu uma incrível relação.

Estes dois exemplos tão próximos, me remetem ao assunto de ontem, onde chorei até lavar a alma. A necessidade de ser amada, não tem limite para receber o doador. Vale o analfabeto, também o marginal, o intelectual sem comprometimento, o infinitamente mais jovem, ou seja, qualquer um que chegue ao momento em que o que mais se necessita é um abraço e um afeto… Nem sempre é uma questão de sexo, mas uma relação gentil, e quando se pensa que pessoas de mundo tão diferentes não tem o que conversar, a vida surpreende revelando novos assuntos… Pois quando se ama, do jeito que for, deixa de ser dois, passa a ser um e tudo se mistura…

Chorando aos borbotões

Antes de acordar totalmente, meus olhos ainda fechados e a cena de ontem da dor de Debora (Nathalia Dill) ao ser abandonada por Jorginho (Cauã Reymond) na novela “Avenida Brasil” permanecia muito clara, como um vídeo repetindo. Quem não sofreu uma dor deste tamanho certamente não viveu um grande amor. Este grande amor não significa o amor da vida inteira, aquele que se faz parceiro na trajetória e realiza sonhos. Mas este tamanho de dor onde as lágrimas pulam dos olhos, o nariz escorre e se tem a sensação de que um buraco abriu sob os pés e nada mais no mundo faz sentido, é um amor para nunca se esquecer. Pode durar apenas alguns dias, mas é tão forte que dilacera, nos coloca asas e um sorriso definitivo no rosto pelo tempo em que durar. Pulsa nas entranhas, perde a hora dos compromissos, esquece a família e vai apenas ser feliz.

Eu vivi uma historia assim. Talvez por isso o choro compulsivo da personagem da novela tenha me tocado tanto. Eu ouvi, sentada na mesa de um restaurante, assim como “Debora” de “Jorginho”, a terrível frase “você foi a melhor coisa da minha vida, mas….” . E isto não foi no final de nenhum dos 2 casamentos, mas de um amor que da mesma forma rápida com que chegou, partiu. Um amor que depois de dias de lágrimas na cama, sem conseguir abrir os olhos nem sair para trabalhar, se tornou um grande amigo. Concluí que amor deste tipo faz este estrago não por ser tão especial, mas por chegar num momento em que é preciso se sentir querida, amada, desejada, mesmo que por poucos dias e depois seja completamente destroçada. Apenas pelo prazer de dizer “ vivi um grande amor” e ter uma música para acompanhar a historia…

Delete

Minha casa vira uma bagunça muito depressa, mas como é pequena rapidamente coloco tudo em seu lugar. Tenho testado a mesma rotina com meus pensamentos. Quando querem fugir para a caixas de coisas perdidas, entrar na gaveta onde os pares de meias não se encontram ou se refugiarem nos arquivos onde sempre tem um papel sem pasta certa, eu pego a vassoura, o pano de pó, amarro um lenço na cabeça e saio rapidinho dando o grito de arrumação…

Confesso que a casa dá menos trabalho que os pensamentos, apesar de ainda ter algumas coisas eternamente  em desordem, como os CDs e DVDs que até parecem expostos numa loja onde todos mexem… Sou apenas eu fazendo tanta confusão, e isso se repete com os pensamentos… Ontem mesmo me peguei quase entrando num buraco negro por uma fração de segundos. Uma taquicardia, um sentimento de abandono e de ruptura por alguns minutos, tudo por conta da tecla de um telefone que estava presa…  Preciso me acostumar que as teclas prendem, que as pilhas acabam e nem por isso o DVD está quebrado… Às vezes são coisas muito simples como fazer 8 quadradinhos de crochê e finalizar a colcha que está sendo construída há mais de 10 anos e com isso liberar a cestinha de linhas ao lado do sofá… Isso combina com aquela situação pendente com a amiga que não telefonou no seu aniversário e, por conseguinte, você não deu parabéns no aniversário dela, nem pelo facebook, e a velha amizade está indo por um fio… E você fica pensando nesse assunto, ocupando um espaço enorme na sua mente sem tomar a decisão de telefonar para ela dizendo “qual é querida? esqueceu de mim ? estou com saudades …” ou literalmente tirar este nome do caderninho de telefones mesmo que represente muito no seu passado…

Seria mais fácil se tivéssemos em nossa mente uma caixa para colocar pensamentos spam que se dissipassem nas nuvens num simples delete…Quantas bobagens iriam para o ar e já imaginou se isso poluísse o universo ? Seria engraçado ver pensamentos débeis se debatendo com sentimentos persecutórios, de baixa estima e outras neuroses mais… Tudo isso porque choveu depois de 4 meses e tanta água caiu nesta madrugada lavou a minha mente…

Reencontro

Eles se conheceram na adolescência, a vida correu paralela com amigos em comum, acompanharam as historias, amores e desamores um do outro. Filhos cresceram e um dia quando já estavam com mais de 50 anos se reencontraram. Foi como respirar de novo a juventude e rolou um clima. Sem mais tempo para vergonhas, afinal se conheciam da vida toda, e com a pressão dos amigos querendo resolver a questão dos dois sozinhos, quando se viram estavam ficando. Não ficando mais amigos, pois isso seria impossível, mas foram ficando encantados. Com outro olhar para os cabelos grisalhos, o corpo não tão firme, mas ambos ainda muito sedutores.

E surgiu a aguardada primeira noite. Talvez por não ter mais filhos em casa e do quarto ter uma bela vista para o mar, optaram pela casa dele. Jantaram com amigos, displicentemente, como se não estivessem com o coração aos pulos com a noite que os esperava. Chegaram em casa com este mesmo clima de que tudo era muito óbvio e comum, como se tivessem dormido juntos na semana passada. Ele se preparou e foi para a cama. Deixou o banheiro limpo e arrumado para ela. Alguns minutos com cremes e perfumes, ela volta para o quarto. Deita na cama e se recosta num dos travesseiros de penas. Janela aberta, brisa do mar, ela se queixa do frio. Gentil ele fecha a janela. Engatam uma conversa tola e ela começa a sentir calor e a se abanar nervosamente com um travesseiro. Ele abre a janela, ela começa a suar. Ele sai em busca de um ventilador, apesar da casa ser muito fresca e arejada. Portas e janelas abertas, ventilador ligado, ela começa a sentir frio. Ele sugere um banho, quem sabe assim relaxa. Ela aceita a proposta e volta minutos depois, ele com o quarto todo fechado. Na cama ela propõe:

“Vamos apenas dormir?”

Ele concorda. Ela apaga a luz do abajur e dorme. Ele acende a luz do seu abajur e vai ler até o sono chegar. Quando percebe já são quase 4 horas da manhã. Apaga a luz, e ela toca seu ombro e murmura.

“Perdi o sono…”

E quando o dia nasceu com as janelas abertas só havia nos lençóis resquícios de uma noite de amor entre grandes amigos…

Sem sapatilhas

Tenho dançado muito. Fecho os olhos e me vejo no palco de um grande teatro e danço até não poder mais. Faço pliê, arabesque, battement glissé, coupé, croisé, foueteé, pirouette e todos os outros passos que aprendi os nomes num glossário na internet. Movimento os braços com leveza, as pernas com equilíbrio e meu corpo flutua em delicados gran jeté… Sinto-me como uma pluma, apesar de mais de 70 quilos, seguindo uma coreografia que se renova a cada dia, assim como o cenário se transforma e surge um novo movimento propiciado pelo peso do ambiente. Não se trata de “peso” no sentido do astral, não tem inveja nem olho grande. Mas um peso bem mais amplo que se refere ao fluxo da natureza.

A trilha que escolho é fantástica. Às vezes danço ao som de Chopin outras de Strauss. Gosto também das grandes orquestras como Glen Miller, numa coreografia mais contemporânea que faço em movimentos inspirados nos antigos musicais de Hollywood. Se quiser posso ter parceiros para um pas de deux, mas tenho optado por dança solo. Fico mais confortável quando não preciso me preocupar com os passos do companheiro nestes momentos de tal enlevo.

Tenho dançado muito. Quase todos os dias, a beira do rio ou do mar, durante as aulas de hidroginástica com a Vivian  Lee. Os movimentos se transformam em dança e os pensamentos me levam para onde eu quero. Os palcos podem ser do Theatro Municipal ou da Opera de Paris. Entro numa viagem fantástica que tem me permitido viver momentos surpreendentes. Deus conserve a minha loucura dentro da total lucidez de dar asas aos meus pensamentos.

Cantos escuros

Acordei no meio da noite com Akira latindo no jardim. Ela tem 1 ano, é uma pastora canadense, tem um jeito de lobo, é esquiva e está sempre atenta. Da janela do quarto consigo ver seu movimento entre as plantas do canteiro próximo a garagem aberta. Deve ser um gato, talvez um jupati… As luzes esparsas do jardim, certa névoa que vem do mar, um silêncio confortável. Akira para de latir e caminha pelo jardim. Acompanho seu passeio trocando de janelas. Saio do quarto para o closet, depois para o banheiro e quando a perco de vista vou para o terraço onde tenho uma visão quase total do jardim. O cheiro da noite, um frescor de outono e acompanho Akira rondando os pontos mais escuros. Entra no meio das plantas, se esgueira embaixo dos pequenos coqueiros e neste domingo que ainda não chegou penso como poderia percorrer e investigar tão profundamente os meus cantos mais escuros com o mesmo destemor que ela faz com o jardim. Talvez começar instalando dentro de mim algo como uma célula foto elétrica que acende as pequenas luzes do jardim quando escurece. Este dispositivo só liberaria as discussões mais intrínsecas quando houvesse por perto um bom amigo para filosofar, alguém que quisesse discutir conteúdo interior. Não precisa ser psicanalista, apenas um bom ouvido desprovido de censura e quem sabe acompanhado de um copo de whisky. Talvez esta conversa nem leve às profundezas, mas pode aliviar algumas incertezas… Com o dia já claro, penso o quanto ainda tenho a me revelar, luzes a acender em mim. Com o volume de sol e claridade deste domingo baiano, tenho o sentimento de que tudo está explicito. É preciso apenas viver e às vezes acordar de madrugada para jogar pensamentos às estrelas.

Transformação

Ela caiu frente à porta da sala e começou a se transformar. Não vi a queda, só os comentários. Quando cheguei ela já se debatia entre a grama e calçada de cimento. Fiquei ajoelhada no chão tentando registrar num vídeo e depois em fotos aquela cena reveladora. Pois por mais que tenha lido e ouvido falar, jamais vi uma lagarta virar borboleta. Ela caiu com casulo e tudo e o esforço para se libertar era descomunal. Ela batia as asas com tanto vigor como que buscando se livrar do casulo que ainda a prendia no solo impedindo o voo. Quanto mais se virava, mais nervosa eu ficava ao ver a cena e nada podia fazer, a não ser ter tranquilidade para assistir a este espetáculo único e comovente. Ao mesmo tempo em que me emocionava com a borboleta que nascia pensava em como é difícil se transformar. Algumas vezes ficamos como se tivéssemos casulos nos pés, querendo voar mas presos ao chão. Alguma coisa nos impede de sair batendo asas, como se antigos processos ainda precisassem ser mais elaborados para ganharmos espaço. Assim fiquei eu e a borboleta no chão. Ela buscando ganhar vida e eu aprendendo a viver a cada dia.

em tempo : minhas fotos ficaram péssimas, encontrei esta na internet !

 

No varal

Relendo textos do antigo blog encontrei este de dezembro de 2009…Ainda me sinto com esses desejos…

“Hoje pela manhã, em algum momento da aula de Pilates tive vontade que meu corpo fosse apenas uma roupa pendurada num varal. E sei até onde eu queria estar : à beira da pista de asfalto, entre o charco e o leito quase seco do rio, em Vila de Santo André, no extremo sul da Bahia. Ia ficar toda prosa me balançando no meio das roupas coloridas, sentindo a brisa que vem do mar, o ar morno de dezembro, deixando os pensamentos voar… De vez em quando daria uma espiada nos carros que passam apressados a cada 30 minutos em direção à balsa, ia me divertir como criança da desgraça dos turistas desavisados que só percebem o quebra molas quando já deram um pulo tão grande que tudo dentro do carro sai do lugar… Podia também ver a cara dos nativos que passam pedalando suas bicicletas, sorrisos abertos encarando o vento, ou olhar do alto as mulheres com suas bacias de alumínio, carregadas de panelas, que são levadas para lavar na pouca água do rio. Ficar torcendo para ter momentos de silencio. Ninguém na pista. Apenas eu e as roupas admirando aquele cenário natural de extrema beleza. Aplaudir a vegetação que se recuperou depois do incêndio no ano passado, ter ouvidos apenas para o canto dos pássaros e brincar de identificar cada trinado. E o melhor, ficar bem esticadinha, nenhuma tensão,
nenhuma ruga, nenhum stress. Apenas eu, as roupas no varal e o vento.”

Foto de Claudia Schembri –  Mogiquiçaba, povoado de Belmonte, distante 25km de StoAndre Bahia