Natal

Natal 1988

Natal 1988

O primeiro pagamento que recebi por um trabalho profissional foi aos 16 anos ao fazer uma árvore de Natal para a IBM. Sem chegar aos pés do Abel Gomes que constrói as mais lindas árvores para a cidade do Rio de Janeiro, nem me considerar com um olho incrível para a decoração, como em tudo na minha vida isso também caiu do céu. Eu tinha uma tia que era secretária da IBM e me viu fazendo uma árvore com galhos e folhas secas pintadas de prateado com laços vermelhos. Achou linda. Como tinha que resolver a questão natalina para a sala da diretoria e dezembro já estava chegando, encomendou uma igualzinha. E lá fui eu de ônibus carregando sacolas com galhos, folhas douradas, fita, cola e tesoura para montar a árvore no prédio na Av.  Presidente Vargas. Ficou uma maravilha! Parecia coisa de gente grande…

Lembrando este fato, concluo que a minha vida profissional estava fadada para os shows e eventos… Ganhar dinheiro era muito divertido! As árvores de Natal, enormes e coloridas, enfeitaram todas as minhas casas e fazer a festa para os outros virou meu trabalho. Era um prazer enorme a cada ano no início de dezembro montar a árvore na sala, acrescentar algum detalhe, uma luz diferente, um enfeite especial, refazer os laços de fita…

Assim foi até voltar pra casa depois do funeral do meu irmão num dia 23 de dezembro e descobrir que não havia mais clima para colorir o ambiente… Fui empurrando com a barriga os festejos natalinos e este ano nem mesmo o presépio saiu da caixa… Sem tristeza nem choro, apenas o sentimento de que a celebração do Natal é maior do que os enfeites das árvores e uma profusão de presentes que se tem que distribuir…

A minha vida continua nos grandes eventos, fazendo a festa para os outros… Quanto ao Natal, desejo sinceramente que cada amigo construa em seu coração uma árvore de alegria e amor, com muita saúde, paz e harmonia… Feliz Natal!

 

Em casa…

pqDSC_6256Bom ter o filho de volta à casa. Chega com o cansaço do ano que passou, com histórias dos projetos que deram certo, as mudanças profissionais e a vontade de comer acarajé, dar um mergulho no mar e simplesmente degustar a natureza generosa.

Bom ter o filho de volta à casa. Estirado no sofá, cochila com a chuva lá fora. Corto as unhas do seu pé enquanto lembro de que após a cesariana ao acordar da anestesia e ver aquele “embrulhadinho” do meu lado despi sua roupinha para ver se estava tudo certinho… Conferi cada dedinho, contorno das orelhas, detalhes dos joelhos, ombros e bracinhos, dobrinhas do pescoço… E hoje não mais bebê olho com o mesmo cuidado com o que o tempo e a distância fizeram com ele…

Bom ter o filho de volta à casa. Mesmo que por apenas 5 semanas…

E agora …

Vila de Santo AndreUma sensação de abandono, nada acontece.  Rua deserta, restaurantes e algumas pousadas fechadas, de vez em quando um turista desavisado faz poeira com seu carro na estrada de terra e segue viagem para outro povoado.

Dias de chuva, muita chuva. Crianças passam a caminho da escola. Homens e mulheres que trabalham na ponta da praia passam com seus carrinhos de mão levando bebidas e gelo no isopor para atender aos turistas que descem das chalanas/escunas e por pouco mais de 1 hora se banham nas águas onde se encontram rio e mar. Este movimento se repete 6 dias na semana, num lindo local que como toda a vila sobrevive há anos do descaso das autoridades públicas.

“A vila está à venda?”, pergunta o jornalista ao bater na minha porta. A convite do grande resort, em má hora ele veio para fazer uma reportagem do “pouco conhecido paraíso no sul da Bahia”. Assim a mídia quase sempre se refere à vila. Conto boas histórias ao jornalista, justifico que esta é uma semana atípica e para não partir sem matéria, peço ao Rogério que o coloque em um passeio no veleiro do Carlindo.  E lá vai o jornalista embora feliz com o que viu e a vila do ponto de vista do mar até que é bem linda e merece ser visitada. Menos mal.

E quase desanimada de tanto falar com um e com outro o que fazer para a vila ter uma vida normal como qualquer destino turístico, num dia de setembro chega a notícia que aos 45 minutos do segundo tempo o resort vizinho à minha casa entrou no Book da FIFA. Foi aí que aprendi que o book é um tipo de bíblia em que a entidade organizadora da Copa do Mundo distribui entre as seleções para que escolham aonde querem ficar concentradas. O controle de qualidade aprovou o Mabu Costa Brasilis, só faltava o local para o centro de treinamento, um campo de futebol com características bem específicas, mas isto seria mais fácil com tantas áreas preservadas nas proximidades… E foi assim que surgiu a lenda “os alemães estão chegando”.

Um condomínio numa área de mais de 12 mil m2 que caminhava em passos de cágado, entrou em velocidade máxima e ganhou a placa CAMPO BAHIA no portão pintado de verde.  “Os alemães estão chegando” corria de boca em boca na pequena vila com menos de 800 habitantes…Caminhões com material de construção em profusão quase causam engarrafamento na pequena rua de terra. “São os alemães chegando”… E lá vem pela rua de terra outro caminhão jogando barro e a máquina barulhenta tentando nivelar o que não dá prá ser nivelado. Os poucos limpadores de rua retiram o lixo, jogam prá debaixo do “tapete” a sujeira, tudo ‘prá alemão ver’… E em um dia em setembro com a presença das autoridades da prefeitura que esqueceram desta vila durante tantos anos, cercados por segurança e imprensa local, chega a comitiva alemã.  Examinam a obra do condomínio onde pode ser a concentração dos jogadores, as instalações do resort para hospedar dirigentes, familiares e afins, visitam alguns lugares para construir o centro de treinamento e partem no mesmo dia deixando no ar a pergunta “os alemães vêm?”

E assim se passaram 2 meses. A bolsa de apostas estava aberta. Grupos contra, outros a favor e uma tarde me peguei no portão de casa vendo o movimento dos caminhões levantando poeira, refletindo que se os alemães escolhessem mesmo Santo André para concentração seria como que uma produção de um Rock in Rio com duração de 45 dias. E eles escolheram Santo André. Ainda bem que já vivi isso e sei que como tudo na vida, isto também passará.

Olha o andor…

andorApesar de ter uma réplica da Santa Ceia na sala de jantar, não posso afirmar que a minha casa fosse católica. Papai era espírita, assim como seus pais, mamãe nunca soube qual era a sua devoção. Não tenho lembrança de minha mãe rezando ou indo à missa. Ela frequentava a Igreja apenas nas festas da Escola Meninópolis dirigida por padres e onde era professora. Estudei em colégio de freiras, menos por princípio religioso e mais pelo fato de mamãe ter conseguido uma bolsa de estudos. Fui às aulas de catecismo e fiz a primeira comunhão. Saí vestida de anjo em muitas procissões, cantava todos os hinos e sabia rezar a Ave Maria e o Pai Nosso em francês e latim.

O tempo passou e junto com ele percorri outras igrejas, busquei a fé em terreiros, pais de santo, entrei nos estudos místicos, discuti a minha fé, esqueci do francês e do latim, vim morar num pequeno povoado. Pequeno e diferente de todos os outros que surgem em torno de uma praça com uma igreja. Ele surgiu à beira do rio e só teve a sua igreja católica há pouco mais de 8 anos.  Por necessidade de entender o que havia me feito deixar grandes centros e optar por uma vida jamais planejada, além de meditar em casa ou na praia, passei a ir à missa aos domingos. Um jeito também de estar próxima da comunidade, de ouvir as leituras do evangelho, estar perto do Deus que creio ser um só …  Nestes anos acompanhei o grande movimento dos fiéis, o abandono da Igreja com muitos domingos sem missa e a recuperação que vem sendo buscada nos últimos anos… Mas como diz a minha fiel escudeira que é evangélica “ninguém quer saber de Deus até a desgraça bater na porta…”

E como ontem era o dia do santo padroeiro da vila, saí de casa como em todos os outros anos para acompanhar a procissão… O andor estava pronto, um trabalho bonito da Gilma e da Yeda que cobriram com flores e filó, a imagem do santo presa no alto… Alguns fiéis se reuniam na porta de igreja e definiram o  roteiro: entrar a primeira esquerda na rua do João Capador, passaríamos pelo campo de futebol, na esquina do Mercado Pombal viraríamos a direita, no ponto de açaí  do Pinguim mais uma vez à direita, seguiríamos na rua principal, passando na frente do atelier do Betinho, do bar do acarajé, da  mercearia do Maciel, seguindo até o cajueiro onde viraríamos à direita retornando à Igreja.

Tudo pronto e nada da procissão sair. O padre estava aflito. Em mais meia hora o dia já teria acabado e seria temerário andar nas ruas escuras com buracos e poças que restaram da chuva impiedosa durante a semana.

E por que a procissão, não sai ? pergunto ao padre…

Está faltando um homem para carregar o andor

E só homem pode carregar o andor?

Não Dona Léa, mas qualquer um que aguente…

Peguei o andor, o peso dava para segurar, e a procissão saiu…

A Brastemp e eu

Santo AndrŽ - Santa Cruz de Cabr‡lia - Bahia - BrasilAinda lembro quando chegou a primeira máquina de lavar roupa em casa. Era uma Brastemp que ganhou lugar de honra na grande varanda que saía da cozinha para o quintal. Um eletricista colocou uma nova tomada para ligar a máquina e papai providenciou um gatilho com uma torneira num cano de água para atender única e exclusivamente a esta maravilha que só poderia ser manuseada por mamãe. Eu estava em plena adolescência  e ficava deitada na rede embaixo da mangueira e de vez em olhava para a linda Brastemp sonhando o dia em que tivesse a minha casa teria uma igualzinha… Mãos no tanque, nem pensar!

Foi uma experiência tão forte que quando tive a minha casa foi o primeiro “equipamento” que comprei. Com casamentos e mudanças, nacionais e internacionais, deixei lavadoras pelo caminho. Todas em perfeito estado mas na emergência doava ou emprestava para amigas e nunca mais voltava para buscar. E assim que montava uma nova casa, junto com a geladeira e o escorredor de pratos vinha uma Brastemp para lavar a roupa do menino que chegava com o uniforme imundo do colégio, depois as calças jeans do adolescente, ate as camisas sociais… Passei noites pensando na vida e colocando roupas na máquina. Entre uma batida e um molho, um tempo para abrir e olhar e ver a roupa deixando sua sujeira, como se eu também lavasse a minha alma. Lavar roupa era um prazer, por que não dizer, um ritual. Comprei colheres de pau exclusivamente para revirar as roupas, saquinhos vindos dos Estados Unidos  para roupas intimas e meias, testei todas as marcas de sabão em pó, desenvolvi técnicas, enfim, criei uma relação íntima e gostosa numa atividade que para muitos é um horror.

Entretanto o que descobri recentemente morando longe dos grandes centros urbanos é que a Brastemp, pode não ser uma Brastemp, se não houver uma oficina técnica autorizada de qualidade nas proximidades… E é o drama doméstico que me inspirou este texto. Há 9 anos ao vir morar na Bahia, obviamente comprei uma lavadora Brastemp que nos últimos 2 anos começou a dar problema e o único técnico autorizado da região cada vez que me visitava vinha com um diagnóstico cruel… Além do salgado preço da visita só para olhar a bonitinha, tinha sempre alguma peça para trocar e assim começou uma relação de põe e tira que doía no bolso. Como conclusão resolvi comprar uma nova que, para minha tristeza, em menos de 3 meses surgiu com um barulho estranho. Como está na garantia, telefonei para a loja que passou a ligação para o fabricante e caí aonde? No bendito técnico que além de não aparecer já posso prever que vai entrar no processo do tira e põe peças… O mais triste é que  em 10 dias de reclamação a Brastemp me esqueceu. Não podia ter feito isso com   uma consumidora tão fiel… Já não responde meus apelos por telefone ou nas redes sociais. São muito educados, dizem que vão retornar e nada…

Por isso não tive outra alternativa a não ser escrever a minha história de amor e decepção com a Brastemp… Acho que vou ter que buscar um fabricante que tenha melhor atendimento autorizado no sul da Bahia e aprender que nestes novos tempos, as marcas pouco valem, mas sim quem pode fazer a manutenção do produto…

Agradeço os que compartilharem esta história utilizando o ashtag  #abrastempnãoéuma Brastemp, quem sabe eles me respondem.

Insólito

IMG_4405 pqEle perdeu a cabeça. Não sei se foi por conta do grito da cigarra, ou o vento na madrugada que derrubou muitos galhos secos no quintal, ou até o insistente  latido dos cães atrás de algum animal. Mas a noite foi intensa e alguma coisa fez com que perdesse a cabeça. Talvez tenha visto um dia deslumbrante nascer com tantos tons vermelhos depois da chuva durante muitas semanas, ou se assustado com as luzes do jardim que se apagaram, cronometradamente, às 5horas depois da instalação de um pequeno timer para economizar energia… Ainda pode ser que se encantou com as rúculas que voltaram a crescer na horta, o tomateiro que floriu e o volume imenso de pés de salsa, hortelã e manjericão que proliferam no quintal. A verdade dos fatos é que aconteceu um movimento estranho, quem sabe o cheiro forte da maresia, o barulho das ondas batendo na praia, ou até um pesadelo em meio a bons sonhos, mas foi algo sério. Pois quando o dia nasceu e saí pelo jardim fazendo preces, agradecendo a vida, repetindo mantras, encontrei pousado na grama um Sanhaço azul sem cabeça…Não vou entrar em detalhes sobre a cena triste do pequeno corpo com as penas ainda brilhantes… Mas as formigas ao redor faziam a festa… Assim é a vida, nada se perde, tudo se transforma….

Confiança

IMG_0168webA cortina de talos de piaçava milimetricamente cortados, limpos, esticados, “costurados” com um fio grosso que se enrola ao puxar de um cordinha, meses de trabalho da arte do Joel, é a proteção para a chuva e o sol da minha sala de refeições. A varanda é onde acontece grande parte do movimento da casa. É por onde os amigos chegam e sentam em volta da mesa para falarmos da vida, trocar receitas, fazer projetos que não saem do papel e outros que dão muito certo… É neste espaço que recebo os hóspedes para o café da manhã, onde almoço e janto…  Onde estico uma rede e vejo o jardim… Um local de entra e sai, foi por isso que me causou enorme surpresa a insistência de um passarinho em construir um ninho dentro da cortina enrolada.

IMG_0169Na primeira tentativa eu desmanchei o prenúncio de ninho. Ora, tem muito lugar bem melhor para isso, mais calmo, reservado… No jardim tem árvores de todos os tipos. Árvores de mato, como dizia meu irmão, na verdade árvores nativas, ótimas para receber ninhos. A casa do Xico e a garagem tem cobertura de piaçava, mais do que perfeito. Os arbustos de hibiscos são aconchegantes, tem também as traves de madeira nos tetos das varandas dos chalés. Acontece que desde ontem quando a função recomeçou tenho pensado na confiança que este passarinho tem na minha casa. Confiança não se compra, se conquista, é um jogo que se constrói ao longo de uma relação. E considero uma honraria, depois de ter conquistado a confiança de tantos profissionais com quem trabalhei, amigos e família, saber que sou confiável também para os passarinhos!  Posto isso, decidi quer chova ou faça sol esta cortina não se mexe até o passarinho cumprir a sua missão, montar o ninho, colocar ovos e nascerem os filhotinhos. Pode molhar as cadeiras, posso ficar sem mesa para as refeições, mas não vou decepcionar estes que fazem a melhor trilha sonora da minha vida.IMG_0161web

O fígado

sala de jantar

A foto desta sala de jantar que encontrei hoje no Facebook, é de uma cena que viajou em minha memória por mais de 30 anos. Ela faz parte do acervo pessoal do autor de novelas Gilberto Braga que generosamente está postando na rede social fotos incríveis, álbuns de família, registros de suas histórias, dos pais, irmão, avós e tios que desfilam em momentos preciosos, retratos de muitas épocas.
Mas a imagem desta sala de jantar me fez lembrar que no auge da novela Água Viva (1980) eu procurei o autor para marcar uma entrevista para o jornal O Globo. Gentil como sempre, Gilberto agendou a entrevista e convidou para almoçar. Seria um almoço frugal, ele afirmou este detalhe na conversa, pois costumava escrever também na parte da tarde os capítulos da novela que era um mega sucesso.
Cheguei na hora marcada no apartamento do Flamengo. Conversamos na sala, nem lembro qual era a pauta, mas devia ser algum momento importante da disputa entre os irmãos Nelson e Miguel Fragonard pelo amor de Ligia… Entrevista feita fomos ao almoço na bela sala da foto e como Gilberto havia avisado “um almoço frugal”. Sentamos cada um de um lado da mesa e quando o almoço chegou eu gelei: bife de fígado com purê de batatas. Jamais eu havia colocado uma lasca de fígado na boca. Resisti bravamente a todos os discursos dos meus pais de como o fígado era bom para a saúde e no jeito deles de educar jamais insistiram que eu comesse o que não queria. E agora aquele belo bife sorria prá mim. Gilberto ainda comentou que caso eu não gostasse podia pedir um omelete, mas eu jamais me permitiria confessar que não comia fígado. Aprendi em casa a aceitar o que fosse oferecido, a comer frutas com garfo e faca, a conhecer os copos e os talheres. Sem respirar, engoli cada pedaço do bife. Não sei qual o sabor, pois o purê ajudava na descida junto com alguns goles de guaraná. Quando vi a foto a história veio inteirinha, menos o sabor do fígado, continuo sem saber qual é… 

O Acuba

Campo de futebol

Campo de futebol

Quando o Acuba transborda, a vila vira do avesso como se colocasse prá fora as mágoas, os maus tratos, os descasos… Tudo o que se guarda, entala, acumula, um dia desagua sem medida… Desceram no estreito leito do rio Acuba cadeiras, armário, mesa, colchão, geladeira, garrafas pet, sacos plásticos, troncos, galhos, enfim, o resto do que achavam não servir no presente que jogaram fora sem pensar no futuro… As mazelas e o abandono fizeram com que as águas engrossadas pela chuva procurassem os caminhos antigos que ao longo dos anos foram modificados por construções, depredações e descontrole provocado pelo homem no desejo de ter suas casas onde não era seu lugar… Não deixaram o rio correr seu curso, acharam-se mais fortes que a natureza…

Fui muitas vezes Acuba em dia de tempestade. Sai derrubando o que vinha pela frente sem pensar nas consequências… Quem não segue seu caminho, fraqueja, foge, se entrega, posterga um dia vai ter que encontrar o caminho interrompido… Quem sai do seu rumo, da sua verdade, quando menos espera, basta apenas uma gota para transbordar numa avalanche as palavras contidas, respostas não dadas, tristezas, decepções… E quem não limpa seu leito, não deixa a água fluir, vai morrendo por dentro, assoreando as margens, secando a vida…

 Abaixo, o texto de Silvia Tagarielo publicado no Facebook… Ela é administradora da vila, aqui nasceu e vive. Tem um restaurante onde serve um maravilhoso acarajé e uma pequena mercearia onde vende o pão que faz…

“NASCI EM SANTO ANDRE, TENHO 41 ANOS, CONHEÇO UM POUCO DE CADA HISTORIA DO LOCAL. NESSES ANOS QUE VIVO AQUI MUITAS COISAS VÊM ACONTECENDO E UM DESSES ACONTECIMENTOS É O RIO DE SANTO ANDRE. ESTE RIO TINHA UMA LINDA HISTORIA MUITO BONITA. PORQUE DELE NOS BEBIAMOS AGUA, PESCAVAMOS PEIXE E TINHA UM LAGO MUITO GRANDE QUE ERA AO LADO DO CAMPO DE FUTEBOL, ONDE TODOS SE BANHAVAM.
TINHAM VARIOS BRAÇOS QUE DESVIAVAM A AGUA ONDE HOJE EXISTEM VARIAS CONSTRUÇÕES. DEVIDO A ESSAS CONSTRUÇÕES A ÁGUA NÃO TEM ONDE CORRER E FORA OUTRAS IRREGULARIDADES, COMO CONSTRUÇÕES NA BEIRA DO RIO, LIXOS JOGADOS, ESGOTO E MUITO MAIS.
TEVE UM EMPRESARIO QUE COLOCOU MANILHAS PARA REFUGIAR A ÁGUA PARA O RIO JOÃO DE TIBA, POR CAUSA DESSES ALAGAMENTOS. VENDIDA A CASA GRANDE ESSAS MANILHAS FORAM TIRADAS, QUE ERA UM PATRIMÔNIO PÚBLICO, E A PROPRIA COMUNIDADE DEIXOU ISSO ACONTECER E HOJE NOS ENCONTRAMOS NESSA SITUAÇÃO. O CENTRO DO POVOADO TODO ALAGADO E ISSO SO COM TRES DIAS DE CHUVA FORTE, IMAGINE SE CHOVESSE UMA SEMANA.
TA NA HORA DE CADA UM OLHAR PARA SEU PRORIO UMBIGO E FAZER SUA PARTE, PORQUE NOS SOMOS A CAUSA DE TUDO ISSO QUE ESTA ACONTECENDO. QUANDO SENTIMOS ENCURRALADOS TEMOS SEMPRE ALGUEM PARA APONTAR. SE CADA MORADOR FIZER SUA PARTE E O PODER PÚBLICO A DELA, TUDO ISSO PODE SER EVITADO.
SANTO ANDRE É TÃO PEQUENO E SE TIVERMOS DISPOSIÇÃO, CONCIÊNCIA E BOA VONTADE PODEMOS CUIDAR MUITO BEM DELE.”

Livrai-nos

Primeira visita à Vila de Santo André... Balsa aberta, eu e a alegria da Tania...

Primeira visita à Vila de Santo André… Balsa aberta, eu e a alegria da Tania…

Ardilosa, matreira, falsa é a depressão. Pega no susto, vai corroendo de mansinho, criando artimanhas, se esconde entre sorrisos e de repente explode de uma forma que nem dá tempo para pedir socorro. Tira do eixo e a vida escapole num salto.

Hoje perdi uma amiga assim e aprendi que não posso confiar na alegria dos posts no facebook, nem nas curtidas… É preciso mais palavras, conversas ao telefone, visitas, olhar no olho, pegar na mão e saber como vai a vida… Ah! Tania, você surpreendeu a todos os seus amigos. Ensolarada, alto astral, feliz, algum nó deu em seu coração e a opção foi o caminho mais curto…Fiquei esperando a sua visita para relembrar o primeiro verão na pousada, o réveillon da estreia, a boa sorte que você trouxe com toda a sua alegria…

Peço a Deus que você siga em paz. Peço também à Deus que nestes tempos em que não somos mais tão jovens, afaste de nós não as dores, pois para elas tem remédio, mas livrai-nos dos maus pensamentos, das caraminholas, dos falsos desejos, da menos valia, da baixa estima e da solidão, pois o caminho para a depressão é silencioso e cruel…