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Elis Regina

Os 30 anos da morte de Elis Regina, razão para tantas lembranças e projetos sensacionais, também me faz entrar no tempo e relembrar o que escrevi no livro “Um Instante Maestro! (Capítulo 22, pag 157) … Muitos jornalistas tem alguma coisa prá contar, afinal Elis foi pródiga em entrevistas e relações com a mídia. No texto abaixo está a minha historia e o orgulho de ter feito a sua última entrevista. Como ela era genial ! Saudades de Elis!

“Ao lado de Simonal e Roberto Carlos, Elis Regina era atração fixa do Programa Flávio Cavalcanti. Uma vez por mês, lá estava a baixinha no palco da Tupi com toda aquela emoção visceral, voz afinadíssima, forma única de divisão rítmica e um perfeito equilíbrio entre a técnica e a sensibilidade. Elis já era a mais importante cantora brasileira. Apresentava-se nos melhores palcos do mundo e, na televisão, com exclusividade para o nosso programa. Fazia turnês pelo exterior, e em 1969, junto com Roberto Menescal, percorreu alguns países da Europa, com muito sucesso. Mas, em entrevista a um jornal holandês, baixou malhação no regime político do Brasil, chamando, inclusive, os militares de “gorilas”. Quando voltou o circo já estava armado. Através de Armando Nogueira, diretor de jornalismo da TV Globo, soube  que o pessoal do Exército estava querendo ter uma conversinha com ela. Os militares foram informados sobre suas declarações no exterior e não gostaram nem um pouquinho. Elis não  tinha contrato com a Globo, apenas uma relação profissional, mas era comum naquela época todos se ajudarem em casos como esse. Por isso ela foi depor no CIE – Centro de Informações do Exército acompanhada do jornalista Aníbal Ribeiro, assessor de Walter Clark, então diretor geral da TV Globo. O jornalista não teve acesso ao local do depoimento e contou apenas que o encontro foi rápido. A cantora saiu comentando que havia sido bem-tratada, mas não entrou em detalhes. Para Ronaldo Bôscoli, seu marido na época, no entanto, contou que levara um aperto, que lhe tinham sugerido uma temporada fora do país e que diante disso resolveu não mais criticar o regime.

Aperto ou não, Elis passou a restringir seus comentários sobre política para as quatro paredes de casa, e dois anos depois, em 1972, cantava o Hino Nacional num show nas Olimpíadas do Exército, dentro das comemorações pelo Sesquicentenário da Independência. Elis teria  participado desse show porque o cacho pedido por Marcos Lázaro, seu empresário, era muito bom, e foi aceito pelo coronel responsável pela contratação dos artistas. Antes de fechar o contrato, Marcos lembra que consultou Elis e ela lhe disse que não tinha a menor objeção em fazer essa apresentação.

Pressionada ou não? Essa pergunta vai continuar sem resposta. O fato é que a história nunca foi digerida pela esquerda. A cantora passou a ser considerada simpatizante do regime e cabou sendo pichada. Nessa época, o cartunista Henfil publicava semanalmente no Pasquim o “cemitério dos mortos vivos”. Eram pequenas lápides com os nomes das pessoas que considerava de direita, onde ele fazia os “enterros”. Elis foi enterrada ao lado de Marília Pêra, Simonal, Roberto Carlos, Pelé e outros “traidores”.

Até 1973, com a esquerda massacrando, Elis permaneceu como contratada do Programa Flávio Cavalcanti. Nesse mesmo ano, transferiu-se para a Globo para participar do programa Som Livre Exportação, e, aos poucos, as facções políticas foram se rendendo ao seu indubitável talento. Foi louvada, endeusada, aplaudida. Até o próprio Henfil, tempos depois, tornou-se seu amigo. Muitos anos depois, no final de outubro de 1981, Elis veio ao Rio para assinar contrato com a gravadora Som Livre e estrear o show Trem Azul. Depois de um badalado coquetel no Hotel Caesar Park, numa suíte no vigésimo andar, ela me deu uma entrevista exclusiva para o jornal O Globo. Já nos conhecíamos há muito tempo. Antes de trabalhar com Flávio, eu fizera algumas reportagens com ela, inclusive a do nascimento de João Marcelo, seu primeiro filho. Elis estava com 36 anos, três filhos, dois casamentos, e era o maior nome da música brasileira. A sua frente eu sentia um misto de culpa e constrangimento. Apesar de ter entrevistado dezenas de pessoas tão famosas quanto ela, o que me deixava assim era o fato de estar envolvida emocionalmente com seu ex-marido, o pianista César Camargo Mariano, o que ela não desconhecia.

César passava as noites contando detalhes do casamento com Elis, as brigas, as voltas, os filhos, os erros, e, pacientemente, eu ouvia. Aquele romance, na versão dele, eu conhecia do avesso. E Elis também sabia disso, mas em nenhum momento naquela entrevista deixou de ser sincera, inteira, corajosa; expunha seus sentimentos sem reservas. Muito agitada, falando sem parar, às vezes interrompia o discurso, ia até o quarto e voltava ainda mais acesa, com um copo de vodca na mão. Conversamos até de madrugada, e, quando fui embora, ela me levou até a porta do elevador, me deu um longo abraço e disse baixinho em meu ouvido: “Eu não sou tão ruim como dizem.” Não sabíamos que aquele seria nosso último encontro e aquela sua última entrevista. No dia 19 de janeiro de 1982, quando eu morava em Nova York, soube de sua morte brusca e tumultuada. Ela não merecia ir assim.

Eis alguns trechos da entrevista.

“Casamento e separação:

‘Não estou preocupada em fazer uma avaliação de perdas e danos, nem rescaldos de incêndio. Isso não faz o meu modelito. Viver é melhor do que sonhar, por isso eu quero é mais.’

Produção de shows:

‘No Brasil a aspiração é americana, mas a organização é macunaímica. Quem está no palco envolvido com o processo de criação não vê, só sabe o que está acontecendo através de informações carregadas de visões pessoais, que acabam virando um patchwork, verdadeira colcha de retalhos de tendências. O fato de ser artista e empresário faz com que o artista, muitas vezes, acabe tomando aversão pelo que está fazendo, pois sabe que no final do mês tem que pagar INPS, FGTS e outras coisas.’

Cantar:

‘Cantar para mim é uma coisa séria, um sacerdócio. O resto é o resto. O meu futuro é cantar, pois quando ficar velha, como a Edith Piaf, vão me colocar no palco, e esta é a única coisa que vai me restar. Até meu filho, que tem onze anos, já passa noites fora de casa. Dediquei minha vida a cantar, e não tem homem, nem pai, nem mãe que me tire disso. Quem atravessar no meio para dividir ou diminuir vai ser atropelado como um trator passando por cima de uma margarida. Nada me segura quando o maestro conta quatro. Aí, danou-se! A catarse acontece, tem até vomitórios. Sábado passado chorei durante o show por causa de uma conversa que tive com minha mãe. Eu tenho o prazer de me danar e me recompor sozinha. Não preciso de muletas.’

Psicanálise:

‘É muita individualidade para a minha cabeça, que trabalha em mutirão, pagar três milhas por hora para falar dos meus problemas. Resolvi que nada mais me chateia, a não ser febre de menino. As pessoas ditas corretas estão frustradas por não terem um tipo de vida como a minha. A perfeição é uma meta defendida pelo goleiro, já disse Gilberto Gil, e, como não sou Waldir Peres e nem quero jogar na seleção, não estou preocupada com isso. Só quero levar adiante a minha vida sem machucar ninguém. É claro que continuo amarrando bodes e pagando caro o preço da liberdade. Tenho pânico de solidão, mas estou aprendendo a fazer mil coisas, até a jogar paciência comigo mesma. A minha lucidez me leva às raias da loucura.’

Amor-próprio:

‘Eu sou apenas o meu tipo inesquecível, apesar de às vezes me achar uma porcaria.’

Filhos:

‘O encargo de estrela é pesado, mas pior ainda é ode mãe. Eles que se virem como eu me virei.   Meu pai era chefe de expedição numa companhia de vidros, minha mãe de prendas domésticas, e eu cantora. Ninguém me valeu de nada, meus filhos vão ter que se virar. Ferre-se o avião que eu não sou o piloto.’

Emoção e técnica:

‘Não há artista que não tenha técnica e parâmetro para obedecer até chegar a um determinado ponto num show. Ficar uma hora e meia em cima dum palco com um sapato de salto alto e o estômago dançando, se não tiver um mínimo de controle, a cabeça estoura. Quem não tiver sutileza para entender que quem está ali é um ser tímido pode pensar mil coisas. Eu sou tímida, até as palhaçadas são um reflexo.’

Final:

‘Resultado final só quando eu acabar, e assim mesmo vou deixar testamento, mas não sei se vão me respeitar. Na verdade eu não afirmo nada em relação a ninguém: só dou o tiro, quem mata é Deus.”

No almoço

Tem um casal que ja passou dos 50 anos sentado em uma mesa próxima a minha. Estou almoçando mas não resisto a prestar atenção na cena. Vários momentos de gentileza, olhar de afeto, até que, com delicadeza, ele pegou o antebraço dela, bem naquela altura crítica para as mulheres onde a flacidez é difícil de segurar, so mesmo fazendo muita musculação. Mas o fez sem julgamento, com carinho de quem tem uma longa relação, onde ambos viram os cabelos embranquecerem e a idade chegar com dignidade. Passei o almoço acompanhando o movimento do casal que não conheço e está em férias num local onde não há como se esconder … A felicidade existe em pequenos gestos. Enviado do meu BlackBerry® da TIM

Só as cinzas…

Algumas árvores de casa

A árvore de almescla foi morrendo aos poucos. Durante alguns anos uma parte ficou saudável e a outra seca, até que veio uma grande chuva e a ventania jogou abaixo os galhos verdes prenunciando o seu fim. Ficou apenas o tronco seco com quase 2 metros de altura. Um dia colocamos fogo, mas restou o toco que a semana passada foi por terra com machadadas. Fizemos uma pequena fogueira e durante um dia a madeira foi se consumindo e perfumando o quintal. Ontem, sentada no pátio com noite estrelada, chegou um vento suave, mexeu nas cinzas e pequenas chamas surgiram…  Fiquei fascinada olhando aquele fogo e refletindo sobre quantas vezes acreditei que um sentimento estava apagado mas bastava assoprar um pouquinho para reacender. Tanto o amor como a mágoa voltam a incendiar quando não foram extirpados, quando ainda não viraram cinza, como foi o caso da almescla. Aproveitei a solidão com o silencio da noite para passar em revista algumas alegrias e tristezas, um bom exercício para o fim de ano. Fui separando os sentimentos, alguns achei que ainda poderiam ser inflamáveis, outros percebi que estavam ignifugados, livres de incêndio. E com a pequena luz da lua nova, guardei os amores para que sempre se acendam, e coloquei, mágoa por mágoa, dor por dor, para queimarem na pequena fogueira…Hoje recolhi as cinzas e coloquei na caixa de compostagem, misturei com as folhas secas, com os restos de cascas de frutas e legumes, e tudo vai virar terra. Aqui nada se perde, a vida e nós nos transformamos a cada dia. Com isso a casa está arrumada. Pode chegar 2012 e seja muito bem vindo !

Em tempo : quando vim morar na Bahia não sabia distinguir uma almescla de um pau-brasil. Mas aprendi bastante, tenho algumas almesclas no quintal, é uma árvore da Mata Atlântica e do seu tronco escorre uma seiva perfumada que usam para fazer incenso.  Esta seiva é facilmente inflamável e por isso quando há um incêndio na floresta, a primeira árvore a queimar é ela…

Presentes de Natal

 

Se Papai Noel passasse pela vila onde moro, pediria para me trazer como presente TEMPO, bastante TEMPO para me encantar cada vez mais com as manhãs, não só as que têm sol, como as cinzas, nubladas e chuvosas, pois todas têm alguma beleza… TEMPO para perceber com calma a maravilha dos sentimentos, sejam alegres, apreensivos, tristes ou transbordantes de esperança e magia…

Pediria também que junto com esse pacote trouxesse SAÚDE para respirar suave e profundamente, andar na praia, pedalar nas ruas de terra, subir e descer as escadas centenas de vezes, andar pelo quintal xeretando as novidades como o sabiá que arrumou uma namorada na árvore de murtinho, ou ficar uma madrugada no meio da rua esperando o tatu bola passar… Saúde para deitar na rede, embaixo das árvores, olhar o céu azul por entre as folhas e cochilar… Com SAUDE e com TEMPO posso muito…

E se não for pedir muito, adoraria ganhar um pouco mais de SABEDORIA para compreender as pessoas e suas diferenças, não tentar que elas sejam como eu quero, mas ser feliz com o jeito que elas são.  Mas se não passar por aqui tudo bem, vou continuar cuidando para que o TEMPO se prolongue, que a SAÚDE seja plena e que a SABEDORIA venha mesmo com algumas cabeçadas…

21 dezembro 2011

Victor Vianna Penteado

Querido irmão,
Nestes 10 anos sem você aprendi que os piores fatos da minha vida se transformaram nos melhores presentes.  Percebi esta realidade depois de um longo tempo em choque com a sua partida repentina.  Sai no mundo em busca de explicações por que tudo isso aconteceu. Como eu, uma boa menina, continuaria vivendo sem o irmão essencial?
Pesquisei em muitas áreas.  Da astrologia em vidas passadas que me revelou termos sido irmãos em outras encarnações, ao estudo de Um Curso em Milagre, a formação no Reiki, as pequenas regressões, enfim, uma busca para compreensão interior que abriu uma fresta e hoje é uma porta escancarada.
Se você estivesse aqui certamente eu ainda estaria no Rio sem questionar sobre a vida. Continuaria no consumismo desenfreado, na disputa dos melhores projetos, fumando incessantemente e à beira de um infarto. Hoje não tenho você, mas tenho o prazer de dormir em sua cama olhando o céu e acordar com os passarinhos. Ando descalça pela casa, caminho pela areia assistindo a um espetáculo da natureza que nunca se repete. É sempre uma cor, uma textura e um cenário diferente!
Tenho procurado me cuidar fisicamente. Me alimento bem, me alongo e parei de fumar… Profissionalmente, apesar da grande mudança, sobrevivo com elegancia. De resto são as saudades do seu companheirismo, dos conselhos sempre ponderados, do seu jeito muito chic e muito simples, da forma inteligente em entrar numa discussão. Da sua amizade e generosidade com a família e amigos, da sua risada e humor as vezes ferino, do seu jeito em dizer “tolinha” diante de alguma questão idiota que eu pudesse ter levantado.
O quintal da sua casa esta bem cuidado. O areal virou um belo gramado. Muitas “árvores de mato” ainda se mantêm frondosas e plantei outras pelo terreno. Tenho 2 lindos cães que você iria amar, construí uma cobertura de piaçava para o carro e também um apartamento a mais para receber o Bernardo. Ah! Ja temos internet e wi-fi !
A vila continua do mesmo jeito, pouco mudou. Apesar da água encanada que não uso, prefiro manter o tratamento que você “inventou” para a água de poço. Hoje não sou mais chamada de “a irmã do finado Victor” ja me reconhecem pelo meu nome, estou sempre envolvida em projetos comunitários – você deveria imaginar isso!!-  e você continua na memória de muitos, nas minhas saudades pra sempre. Sou grata por você em minha vida…Alguma coisa no meu coração diz que você esta feliz por isso me  despeço sem uma só lágrima, enviando um grande abraço e um beijo carinhoso… Até qualquer hora !

Mudar a tela

Lembro que mamãe vez por outra saía de casa e dizia que ia “olhar vitrine”. Tanto podia ser em Copacabana, no centro do cidade ou até no comercio da Tijuca em torno da Praça Saens Pena. Hoje compreendi o que era esse movimento. Era uma necessidade de mudar o foco, sair do cotidiano da casa e ter novas informações mesmo que essas não tivessem grande valia. As vezes ela voltava destes passeios tendo adquirido apenas de um par de meias ou um novelo de lã, mas o ato não era consumir mas não se deixar consumir pela mesmice do cenário de casa.
Hoje me senti precisando “olhar vitrine” e saí de casa para ver – se é que isto é possível? – outra paisagem. Sair da tela do computador, do livro, da TV, dos fuxicos e costuras, do jardim e da própria casa. Vim ver e ouvir o barulho do mar, o vento nas árvores e o canto dos passarinhos que apesar de serem iguais aos do meu quintal penso que aqui soam diferente.
Fiquei de molho em casa por conta de um tombo. Saindo da varanda que liga ao quarto escorreguei e bati com as costas no pequeno degrau. O impacto foi tão forte que perdi a voz. Depois de algum tempo consegui gritar e gemia baixinho “mamãe, mamãe”. Foi o momento que mais me senti criança desprotegida. Graças a Deus ficou apenas um grande hematoma nas costas, uma dor que ja esta aliviada -viva a arnica! – e o pensamento deste pedido de socorro. Não lembro em qualquer momento de dificuldade ter gritado por ela, mas nessa queda, talvez por fração de segundos, me senti imobilizada. Um bebê sem voz e movimento. Deve ter sido como voltar ao útero, ao colo. Não pedi por Jesus, nem por meu pai ou qualquer Santo, mas por ela. Pensei muito nisso todos esses dias em que vi o mar de longe. E tudo isto me serviu para lembrar o quanto é importante desviar o foco, ver de outra forma e “olhar vitrine” nem que seja distanciar 20 passos de casa. Rever afetos, saudades e relações. Refrigerar a alma e o coração, mudar a tela da vida.
E mudei tanto o olhar que não fotografei o mar, mas a amendoeira que me protege do sol.

Corrente de blogueiros…

Carmen Silvia me encontrou no twitter por indicação do Ricardo Freire . Ela leu no site do Ricardo sobre a nossa vila, veio conhecer Santo Andre  e nos encontramos na Pousada Victor Hugo. Ela é o exemplo perfeito de quem está nas redes sociais. Tem o blog De uns tempos prá cá , é twiteira, assídua no Facebook e como viajante apaixonada posta o seu olhar pelo mundo.

Hoje me enviou um desafio: entrar numa corrente de blogueiros. As regras são simples, um jeito legal de aproximar blogueiros e divulgar suas viagens … Cada blogueiro convidado deve escrever um post citando 7 links do seu próprio blog e convidar mais 7 blogueiros. As regra estão aqui  …

Sou viajante de pensamentos, adorei o convite. Não tenho 7 amigos blogueiros, mas indico os que tenho e, como eu, viajam por outros caminhos…

Adorei pesquisar os meus posts, não sei se atendem as solicitações da corrente, mas procurei enquadrar da melhor maneira… Eis aqui os meus 7 :

  1. O post mais bonito : https://leapenteado.com/2010/01/18/os-4-filhos/  Talvez seja o mais dolorido, teclado no blackberry… uma despedida…
  2. O post mais popular https://leapenteado.com/2010/09/06/chico-e-tom/ É claro que seria popular pois escreco sobre Chico Anysio e Tom Cavalcante… foi super lido, o Tom indicou no facebook e no twitter
  3. O post que gerou mais discussão/controvérsia https://leapenteado.com/2010/09/05/igual-a-ela/ Discussão familiar…
  4. O post que ajudou/ajuda muita gente https://leapenteado.com/2011/05/01/os-vital-brazil/ Não sei bem se ajudou, mas propagou mais um pouquinho Vital Brazil um cientista que o país não pode esquecer
  5. O post cujo sucesso te surpreendeu https://leapenteado.com/2011/06/14/para-mulheres/ E não é que tocou muitas mulheres ?
  6. O post que não recebeu a atenção de que deveria https://leapenteado.com/2011/04/24/um-encontro-no-sabado-de-aleluia/ Adoro esta historinha… Imagino sempre um pequeno filme
  7.  O post do qual você tem mais orgulho https://leapenteado.com/2010/06/09/o-canto-na-noite/ Sou exatamente assim ! 
Para continuar a corrente convido meus amigos :

No taxi

No taxi pela avenida N.Sa.de Copacabana os prédios passam e lembro das minhas histórias pelas ruas desta cidade. Foram muitos anos ! Repasso como em slides o reencontro com tantos amigos queridos na noite anterior. Pedaços da minha vida estavam ali se juntando como num quebra cabeças. Faltaram algumas peças mas não prejudicaram a visão de um painel vivo da minha trajetória. Talvez sejam essas as pessoas que irão se despedir de mim caso eu morra no Rio.
Passo pelo Aterro vejo o apartamento na Praia do Flamengo e concluo que hoje esta cidade não é mais minha. Apesar de tantos amigos e fatos, todos estão num álbum de uma outra “encadernação” que sempre alguma foto ou lembrança escapa e se revela aonde eu estiver. Todos seguem comigo.
Ontem, entre um beijo e um abraço, não recordo quem disse que eu era uma pessoa do mundo. Não sei de qual mundo, talvez do meu próprio, desta pequena cidade, estado, país ou planeta que me transformei. Caminho sozinha mas trago no coração os amigos que estão espalhados pelo mundo real. E eles perguntam “quando você volta ?” , “por que ja vai embora amanhã”, ” fica mais um pouco” mas eu so consigo voltar para a minha base onde guardo todos com enorme carinho. Sou imensamente grata por seguirem comigo em qualquer caminho por onde eu va.

Querido amigo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acordei com você em meu pensamento querendo saber como está o batimento do seu coração, o aperto no peito e a dor profunda na alma frente à proximidade da consolidação do fim do casamento de tantos anos. Creio que você já sentiu isso quando ela se foi e deve ter sido forte a dor do abandono. Fica mesmo um enorme vazio e um grito que parece, jamais sairá da garganta. Passei por isso algumas vezes. Mas depois a vida vai ganhando seu próprio movimento, a gente também procura novas atividades e quando se percebe, aquele vulcão interno silenciou.

Até o dia em que tudo o que ficou parado retoma com outras cores frente à mesa de um juíz que sem saber da intimidade a dois vai definir o que é de quem. Não definir quanto as mágoas, pois estas cada um sabe de si. Mas o que dividir de material da relação de tantos anos. Eu já sentei numa mesa assim e ouvi da outra parte a reclamação de que havia levado um banquinho da cozinha! Não reclamou da ausência do filho, mas do banquinho de madeira.  Percebi que o “banquinho da cozinha” era uma forma velada de falar sobre os sonhos que acabaram, a não concretização dos desejos de uma vida em comum e da decepção com o outro com quem se dividiu suores em noites de amor e foi testemunha de uma terrível dor de barriga. Fatos corriqueiros entre os casais, coisas tão íntimas de que só se tem com quem divide o mesmo teto por longo tempo. Até mesmo reconhecer o outro com os olhos fechados através do hálito matinal ou aquele cheiro de shampoo que exala nos cabelos molhados.

Mas agora frente a frente, separados por uma mesa, cada um armado com seus defensores serão discutidos só assuntos perecíveis. Os sentimentos, mágoas e as decepções poderão transparecer quando os olhares se cruzarem, mesmo sem uma só palavra. Passei duas vezes por esta situação e não me lembro de em nenhuma delas ter conseguido pensar nos bons momentos frente ao juiz.  Foi como se tivessem incinerado todos os álbuns de fotos das alegres viagens. Ficou apenas um gosto amargo de engano. Não digo que fui enganada, mas posso ter me enganado na escolha do parceiro.

Mas como tudo na vida, isso também passará. Como passaram os pilequinhos de fim de noite, o sal do corpo molhado dos passeios ao mar, o buscar estrelas em noite escura.  Ainda bem que o tempo transforma, mesmo que doa tanto esta mutação. Talvez uma dor menor do que a   borboleta quando sai do casulo para voar…Novas asas para você e lembre-se que todos seus amigos estarão aqui para ajudar nestes novos tempos.

Um beijo carinhoso

Mudanças

Saí do quarto, olhei a janelinha da escada e a cena era incrível. Uma linha escura em movimento, com mais de um dedo de largura, saía da janelinha percorrendo a parede lateral de madeira, passava pela coleção de imagens de São Francisco no aparador da escada,  atravessava o degrau no alto e entrava pela porta da varanda. Era um movimento rápido. Apesar de sinuoso era continuo. Ordenadamente as formigas seguiam com seus filhotes para outro lugar. Interrompi a trajetória passando o dedo na madeira, mas as formigas não voltaram atrás, buscaram um caminho alternativo paralelo.

Aprendi nesta vida semi rural no sul da Bahia a ver coisas jamais imaginadas, e até apreciar o movimento das formigas no quintal. Mas nunca passaram por dentro de casa. Sentei na escada olhando as formigas e pensando nas mudanças da vida que não foram poucas. Acho que como elas eu não voltei atrás, busquei outras saídas. Há muito tempo fiz o levantamento de quantas casas morei num período de 23 anos e concluí que tinha passado por 27 endereços incluindo uma mudança nacional e outra internacional. Na época em que se tinha agenda de telefones os amigos reclamavam que o meu nome estava sempre riscado com tantos números que tive. E ia eu formiga com meu formiguinho embaixo do braço procurando um lugar melhor. Por mais incoerente que possa parecer, essas tantas mudanças me fizeram mais solida e consciente de minhas capacidades.

No final de ano quando todos fazem pensamentos para um novo tempo, como se o simples mudar da data na folhinha pudesse como num passe de mágica transformar a vida, eu desejo, profundamente, a todos os meus amigos que, como as formiguinhas que apareceram esta manhã em minha casa, continuem buscando um lugar melhor onde possam criar novos sonhos até uma próxima caminhada…